Entre Dois Mundos
15 O QUE SE ESCONDE NOS CORREDORES
O restante da semana na Publisher Stars se transformou em um jogo silencioso. Alex e Isabelly agiam como dois colegas comuns. Poucas palavras. Olhares rápidos. Profissionalismo impecavelmente discreto.
Na frente dos outros, eram apenas funcionários dividindo o mesmo ambiente corporativo. Mas longe dos corredores da empresa… os celulares contavam outra história. As mensagens aconteciam naturalmente. Comentários pequenos durante reuniões entediantes. Provocações discretas. As trocas de olhares quando se cruzavam.
E Isabelly descobriu algo perigoso: ela gostava do Alex que existia fora do silêncio.
Em uma das manhãs particularmente corrida, o acaso voltou a colocá-los sozinhos.
Isabelly entrou no elevador carregando uma pilha de papéis e pastas que claramente pesavam mais do que deveriam. A porta quase fechou antes de Alex entrar segurando apenas um tablet nas mãos. Ele observou a cena por dois segundos.
— Isso parece desnecessariamente pesado.
— Isso se chama incompetência coletiva do setor de marketing — Isabelly respondeu, ajeitando os papéis.
Alex aproximou-se automaticamente.
— Me dá isso.
— Eu consigo.
— Você claramente não consegue.
Ela soltou um pequeno sorriso enquanto ele pegava parte das pastas. O elevador voltou a subir. Silêncio. Próximos demais agora. Alex olhou para ela. Isabelly também.
E aquela distância profissional que tentavam manter durante dias simplesmente desapareceu no instante em que as portas se fecharam completamente.
Ele segurou delicadamente a cintura dela. Isabelly largou uma das pastas no susto baixo da aproximação.
O beijo aconteceu rápido. Quente. Impaciente. Muito mais intenso do que os anteriores. Como se os dois estivessem descontando todos os momentos em que precisaram fingir indiferença durante a semana. Os corpos ficaram mais próximos. Próximos demais.
Alex parecia não querer soltá-la. E Isabelly, pela primeira vez, também não queria fugir. Até que, o elevador parou bruscamente.
Os dois se afastaram rápido demais. As portas começaram a abrir. Vozes animadas ecoaram do lado de fora.
— Sexta-feira eu não fico nem mais cinco minutos aqui! — alguém dizia enquanto se aproximavam.
Alex e Isabelly trocaram um olhar desesperadamente contido. Ela segurava os papéis tortos. Ele fingia analisar o tablet desligado. As portas abriram completamente. O pessoal do RH entrou conversando alto demais para notar qualquer coisa suspeita.
Mesmo assim, Isabelly quase não conseguia controlar a expressão. Alex olhou de canto para ela. E então aconteceu. Os dois sorriram ao mesmo tempo. Um sorriso leve. Culpado. Quase infantil. Como crianças que aprontaram algo escondido.
Naquela sexta-feira, já perto do fim do expediente, Alex estava na sala de projeção quando Adam apareceu encostando-se à porta.
— Então… — começou casualmente.
Alex nem levantou os olhos.
— Então?
Adam cruzou os braços.
— Você e a Isabelly estão me devendo informações.
Silêncio. Alex finalmente ergueu o rosto devagar.
Adam sorriu imediatamente.
— Ah. Então eu estou certo! Sabia!
Alex soltou um suspiro cansado.
— Você percebeu quando?
— Antes mesmo de vocês perceberem.
Alex riu sem humor.
— Claro.
Adam aproximou-se mais.
— Agora fala tudo.
E Alex falou. Contou sobre o encontro. A conversa na pista de patins. Como tentavam disfarçar nos corredores da Publisher Stars.
Adam ouviu tudo com genuína surpresa e finalmente confirmou aquilo que já vinha suspeitando havia tempo. Ele observava demais. Sempre observou.
Então abriu um sorriso verdadeiro.
— Cara… eu realmente estou feliz por você.
Alex ficou em silêncio por um instante. Porque ouvir aquilo do amigo tinha mais peso do que esperava.
Adam então completou:
— Mas preciso dizer uma coisa.
— O quê?
O sorriso dele aumentou perigosamente.
— Os próximos dias vão ficar extremamente interessantes.
Alex já se arrependeu imediatamente de ter contado.
Naquela mesma noite, na casa dos Velloci, o jantar em família seguia formal como sempre. Helena mantinha a postura impecável.
Lorenzo havia acabado de retornar de uma viagem de negócios e tentava trazer alguma leveza ao ambiente. Mas Helena percebeu rapidamente algo diferente na filha.
— Você está distraída — comentou observando Isabelly.
Antes mesmo que ela respondesse, Lorenzo interveio.
— Talvez ela só esteja cansada.
Helena ignorou completamente.
— Você anda estranha há dias.
Isabelly respirou fundo.
— Estou normal.
— Não parece.
Lorenzo lançou um olhar discreto para a filha, quase pedindo para ela não se desgastar naquela discussão.
Mas Helena já mudava de assunto.
— De qualquer forma, o aniversário da minha irmã, Margot, será no próximo final de semana.
O ambiente pesou imediatamente para Isabelly.
— Mãe…
— Será um evento importante.
— Sei o quanto será importante para tia Margot mas eu não queria ir...
Helena pousou os talheres lentamente.
— Isabelly, a Margot gostaria muito que você fosse. Além do mais...
Lorenzo suspirou discretamente.
— Helena
— Ela precisa estar lá.
A firmeza da voz da mãe cortou qualquer possibilidade de discussão. Isabelly sentiu o desânimo crescer imediatamente. Porque ela sabia exatamente o que aquilo significava. E, pior ainda… com quem provavelmente precisaria lidar.
Ela levantou-se da mesa antes que a irritação aparecesse no rosto.
— Com licença.
Helena observou a filha subir as escadas sem dizer mais nada. Mas Lorenzo percebeu. E aquilo o incomodava profundamente.
Já no quarto, Isabelly pegou o celular imediatamente. Ela e Alex haviam combinado sair no fim de semana. Mais uma vez Maceli ajudaria na cobertura. Mas agora tudo parecia desmoronar. Ela hesitou antes de enviar a mensagem.
“Desculpa-me… Eu vou precisar desmarcar nosso fim de semana. Eu queria muito te ver.”
No apartamento da zona leste, Alex leu a mensagem em silêncio. A expressão dele mudou lentamente. Confusão. Insegurança. E aquele velho medo começando a voltar. Depois de tudo que viveram… por que parecia que algo sempre tentava afastá-los de novo?
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