Entre Dois Mundos
6 Capitulo 06
Abro os olhos com dificuldade, eu estava na frente de casa, o chão estava coberto de neve remexida. A porta se abre e meu pai aparece dando espaço para dois homens saírem de nossa casa.
O que estava acontecendo? Tento me aproximar deles, eu queria saber o que aqueles capuzes escondiam, mas meu corpo estava pesado como chumbo.
— Metade agora, metade depois que vocês fizeram o que combinamos. Meu pai fala dando um saco de moedas para um deles. — Vocês sabem o que precisam fazer.
— O garoto esta nas montanhas? O que pegou o saco de dinheiro pergunta enquanto abria a bolsa e contava as moedas.
— Sim, ele saiu faz pouco tempo. Ele fala apontando para as montanhas, o local que eu sempre ia para coletar lenha.
— Então já considere feito.
E então, novamente, tudo fica turvo e eu sou jogado em outra memória, no mesmo lugar, mas agora estava escuro. Meu pai estava parado na porta, ele andava de um lado para o outro com um pedaço de tecido nas mãos.
— Só acharam isso? Ele pergunta para um dos homens.
— O garoto desapareceu na floresta, achamos o machado com o cabo quebrado e a bolsa com lenha na montanha, mas nenhum sinal dele. O mesmo responde jogando um pedaço de couro nos pés dele.
— O pedaço de pano que achamos, parte da roupa dele, esta manchada de sangue, achamos que algum animal o atacou e o arrastou para o ninho, pelas marcas que encontramos.
— Bem, isso é mais fácil de explicar.... Meu pai sussurra enquanto entregava outra bolsa com dinheiro para ele.
E então volto para o presente, eu estava ajoelhado no chão, eu mal conseguia respirar entre o choro e o soluço. Eu ainda não conseguia acreditar no que eu tinha acabado de ver, eu imaginava que ele pudesse tentar se livrar de mim de alguma forma, mas isso? Era pior que eu imaginava.
— Você viu o que o seu pai fez contigo, você poderia mata-lo se quisesse, ninguém irá lhe julgar por isso. Marion fala agachado na minha frente enquanto segurava os cabelos do meu pai. — Ou eu mesmo posso mata-lo, se preferir.
— Não, por favor... Sussurro tentando controlar as lagrimas.
— Sério? Mesmo depois de tudo o que ele fez contra você, ainda quer salva-lo? Ele pergunta se levantando com raiva. — De qualquer forma, eu já esperava por isso.
Olho para o Erick e sua mãe inconsciente ao seu lado, ele me olhava de um jeito que eu nunca havia visto.
— Essa é sua última chance garoto, venha comigo. Marion fala estendendo a mão em minha direção.
— Eu não posso... Sussurro olhando para ele.
— Prefere ficar aqui com essas pessoas que não tem o mínimo de empatia por você, prefere ficar ao lado de um homem que já tentou lhe matar inúmeras vezes do que vir comigo e ganhar um poder que você nunca imaginou? Eu realmente não entendo os humanos.
— Fica longe dele, seu monstro! Erick grita tentando se libertar, mais ainda era em vão.
— Monstro? Eu? Marion ri. — Sou um monstro por tentar salvar uma criança dessa vida infernal?
— E quantas outras vidas você ceifou? Erick volta a gritar.
— Não o suficiente, mas irei consertar isso em breve. Marion o encana, mas logo desvia sua atenção para mim. — Ouça o que essas pessoas pensam sobre você, gritando em suas mentes.
Ao falar as vozes da minha família começaram a ecoar por todos os lados, gritando tão alto que eu mal conseguia distinguir oque elas diziam.
— Não as ousa Vicent! Ouso a voz do Erick, mas logo ela é encoberta por outro grito dele.
“ Inútil!”
“Fraco!"
"Amaldiçoado!"
A voz de Karatina grita por cima.
" Isso tudo é culpa sua!"
" Devia ter continuado desaparecido!"
— PAREM! Grito o mais alto que eu conseguia.
Eles não param de falar e ainda estão me culpando, nunca que vão me aceitar, então por que estou lutando? Por que eu ainda tento conseguir a aprovação deles? Era inútil tentar.
— O que tenho que fazer..? Sussurro ainda olhando para o meu pai no chão, inconsciente.
— Sabia escolha. Ao falar ele se ajoelha na minha frente, me fazendo olha-lo, ele fura sua palma da mão com suas próprias unhas e me oferece. — Se torne sangue do meu sangue, meu familiar.
— Só tenho que fazer isso..?
— Sim, só não posso lhe garantir que você sobreviverá a isso, depois que beber, só dependerá de você. Ele fala ainda com a mão estendida. — Mas se você for forte o suficiente, terá um poder que você nunca imaginou.
— Eu vou conseguir! Falo o puxando para mais próximo de mim.
Sua mão estava em forma de concha, eu a pego e começo a beber o sangue que havia se acumulado ali, o gosto de ferro inunda a minha boca. Eu estava fazendo o meu máximo para não vomitar ate que as marcas no meu corpo começa a me queimar me empurrando para longe dele.
— O que aconteceu..? Sussurro limpando a boca.
— Esqueceu que as marcas te protegem? Mairon fala se levantando. — Vamos garoto. Ele estende a mão em minha direção.
— O que acontecesse agora? Pergunto aceitando sua mão e me levantando, meu corpo estava estranhamente pesado.
— Não sei, você foi o único que teve coragem para arriscar.
— Animador... Sussurro cambaleando, tudo em mim, parecia queimar, seja lá o que estava prestes a acontecer com o meu corpo, já havia começado.
— Vicent... Ouso a voz de Erick distante de mais.
Meu corpo estava ficando cada vez mais pesado ate que volto a desabar, enquanto eu caia eu conseguia ver tudo em câmera lenta até que a escuridão volta a ficar escuro.
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