Entre Dois Abismos
1 a escrita
, então, resolveu começar a escrever alguma coisa que veio de sua cabeça, assim, meio vazia, mas que queria escrever alguma coisa... uma mente criativa, com uma criatividade perdida, um mundo pararelo... o tempo passava rápido, ele estava em um avião... para todos o tempo passava rápido, menos pra ele, todo mundo entediava-se com o falso pensamento de que não havia nada pra fazer, mas ele sabia que havia, sabia que deveria escrever algo, sabia que o tempo passava rápido e seu trabalho era sobre escrever algo... não, ele não ficava entediado, pois tinha um papel em branco na mão e uma caneta e quem tem um papel em branco na mão e uma caneta, não fica entediado... então começou a escrever:
sim, eu sou muito estranho,
na verdade não sei nem ao certo quem eu sou
e por isso eu sou estranho...
sou um monte de coisa
e por ser um monte de coisa,
acabo sendo estranho...
, lhe agradava mais escrever em versos... ele releu umas 5 vezes, sem orgulho, e riscou, não estava bom, não chegava em nada, o que ele queria dizer... então, começou de novo:
uma vez alguém olhou pra mim e disse:
" vai embora daqui, você não é psicodélico "
alguém muito louco disse isso
e eu me senti um mendigo
expulso de uma favela...
, agora estava melhor, mas quem iria entender? Iriam rir! Quem garante que aquilo estava certo, então riscou de novo, não gostava de guardar lixos que escrevia... resolveu falar de alguma outra coisa, alguma critica ao normal, escreveu um verso como:
Tu que diz ser louco,
mas não aceita o estranho,
nem acredita no diferente,
tu que rotula,
tu que tem tédio,
tu que lê muito,
só pra criticar...
Tu que é fã.
Em resumo, tu que é fã,
que lê muito e sabe o que é bom,
que quer separar o maluco do non-senso,
que não gosta de unir as vanguardas...
- Tô muito ruim, hoje! — Ele disse pra si mesmo, sem saber direito o que estava escrevendo, confuso, com a mente cansada da classe economica do avião e de pensar tanto, sem conter seu pensamento... poderia conter no papel, se todo pensamento não fosse mais rápido que a mão que escrevia... ele estava triste, inda mais com o tempo e o indizivel que o deixava mais triste ainda, enquanto poeta... resolveu escrever um verso de amor:
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