Notas iniciais
Hello! Cheguei com o penúltimo capítulo! OMG! Tá acabando! Socorro! Simbora! Boa leitura!

Bobby, Castiel, os irmãos Winchester e as garotas observavam Gabriel sem entender o que ele estava fazendo no bunker. Possesso com a intromissão, Dean por fim gesticulou nervoso:

— Como você se atreve? Invadir a minha casa e ainda comer a minha torta?! Por que não cria a sua própria comida, hein?

— Eu poderia, mas sabe como é. — O arcanjo agitou as sobrancelhas na direção de Natalie e provocou o caçador ao insinuar: — A grama do vizinho é sempre mais verde.

— Son of a bitch! — Dean cerrou os punhos e fez menção de se aproximar dele.

Entretanto, se deteve quando Gabriel ergueu as mãos em sinal de rendição e indagou com curiosidade:

— E então? Como foi no futuro?

— Uma bagunça e tanto — Bobby resumiu, pensativo, tocando o ombro do Winchester para que se acalmasse.

— Mas vocês conseguiram, certo? — o arcanjo quis confirmar, abandonando a torta e olhando para cada um dos rostos ali presentes. — A Legião se foi e Lucy continua preso?

Dean estreitou o olhar e redarguiu com sarcasmo:

— Não graças a você. A propósito, obrigado pela grande ajuda.

— Ei! Assim você fere meus sentimentos, Deanno — Gabriel protestou, antes de se defender: — Eu dei o caminho das pedras, mas não podia me envolver mais do que isso. Ordens supremas, me manter longe do furacão.

Estranhando o último argumento e deduzindo o que significava na prática, Sam franziu o cenho e questionou:

— Ordens supremas? Você quer dizer de Deus?

Antes que ele confirmasse ou negasse que o ser supremo tinha o contatado de alguma forma, Castiel levou a mão ao queixo e concluiu pensativo:

— Oh, claro. O receptáculo de um Arcanjo é muito especial comparado ao corpo possuído por um demônio. Quase indestrutível.

Entendendo qual era o ponto, Claire completou o seu raciocínio:

— Se a Legião tomasse a casca dele, teria sido catastrófico. Muito mais difícil de vencê-la, com certeza.

Chegando a mesma conclusão que eles, Natalie murmurou surpreendida:

— Uau! Agora tudo faz sentido.

— Bingo! — Gabriel limitou-se a confirmar a teoria, enquanto os outros também assimilavam por que ele havia mantido distância daquela confusão envolvendo os anjos de Lúcifer.

Porém, sem perder a chance de alfinetá-lo, Dean provocou:

— Interessante... Então quer dizer que você não estava só amarelando?

Gabriel reagiu fechando a cara e fuzilando o Winchester mais velho com o olhar. Preparou-se para estalar os dedos e transformá-lo numa cadeira nova para a cozinha, mas desistiu quando Mia pigarreou e interveio para acalmar os ânimos gerais:

— Sem ofensa, mas a que devemos a honra da sua visita mesmo?

Gabriel voltou-se para ela e finalmente explicou o que todos estavam curiosos para saber:

— Eu só queria me certificar de que vocês tinham conseguido e que estava tudo bem. Resumindo, que não tinham feito nenhuma bobagem.

Sentindo que não era apenas esse o motivo para aquela aparição surpresa, Castiel semicerrou o olhar e deduziu:

— Você veio se despedir.

— Ah, é isso? — Dean fingiu surpresa. — Por que não disse antes? Tchau.

Achando que o marido estava sendo muito duro com o arcanjo — por mais abusado que este fosse —, Natalie tocou em seu ombro e o repreendeu carinhosamente:

— Sr. Awesome...

Após entender o recado e perceber que ela tinha razão, Dean saiu da defensiva, voltou-se para Gabriel e disse:

— Tudo bem. Mesmo distante do jogo, você ajudou como pôde. Valeu.

Reconhecendo a importância do anjo para aquela história, Sam também engoliu o orgulho e acrescentou em seu nome e no de todos ali:

— Obrigado, Gabriel.

Todavia, o arcanjo não estava satisfeito com meros agradecimentos e protestou:

— Só isso? Valeu? Obrigado? Vocês não vão construir uma estátua minha em tamanho real e colocar no centro do bunker para me idolatrar todos os dias? Para lembrar que, sem mim, ainda estariam completamente perdidos? A propósito, eu exijo oferendas! Hum, podem ser doces e... — Ele lançou olhares sedutores para Claire, Mia e Natalie, e insinuou: — garotas bonitas de lingerie.

Enquanto as três ficaram boquiabertas com tamanha ousadia, e Castiel, Dean e Sam o fitaram alarmados e furiosos, Bobby procurou encerrar a visita logo e evitar uma discussão maior:

— Desculpe, você veio se despedir, certo?

Houve um breve momento em que Gabriel pareceu não saber o que dizer. Então resolveu terminar a torta, sendo observado constantemente pelo grupo. Especialmente por Dean, ainda inconformado por perdê-la daquele jeito trágico.

Por fim, o arcanjo se levantou e falou primeiro com a parcela masculina na cozinha:

— Cas, rapazes, velhote... Eu sei que vocês sentirão a minha falta, mas procurem ser fortes. Com o tempo, costuma ficar mais fácil lidar com a saudade. — Virando-se na direção da parte feminina, disse em tom sedutor: — Girls, foi um prazer conhecê-las. Um prazer quase sexual, na verdade. Me liguem.

— Ok, já chega. — Dean perdeu a paciência.

Sam cruzou os braços e falou seco:

— Tchau, Gabriel.

— Bon appétit! — ele desejou, enquanto Castiel o olhava feio devido à cantada deslavada em Mia.

Sem se intimidar — no fundo, divertindo-se com a situação —, Gabriel sorriu, agitou as sobrancelhas mais uma vez e estalou os dedos. O farfalhar de suas asas ecoou pelo recinto e um vento suave percorreu o lugar assim que ele desapareceu no ar.

Confuso, como os demais, Bobby começou uma pergunta:

— O que ele quis dizer com...

Antes que terminasse de falar, uma série de guloseimas doces e salgadas, além de bebidas variadas, apareceu sobre a mesa como num passe de mágica.

Imediatamente, Mia se aproximou e encheu uma xícara de café, enquanto Dean salivava, indeciso entre uma torta ou um X-Bacon, e deixava escapar:

— Eu já estou com saudade desse filho da mãe.

Algum tempo depois...

Todos, exceto Castiel, ainda aproveitavam o generoso buffet deixado por Gabriel, quando batidas foram ouvidas na porta de entrada.

— Droga... — Dean resmungou de boca cheia. — Um homem não pode chegar em casa e se empanturrar de comida em paz? Quem é agora?

A contragosto, ele levantou e preparou a arma, enquanto Sam fazia o mesmo. Logo, Bobby, Castiel e as garotas os seguiram em silêncio.

Momentos depois, os irmãos se aproximaram da porta e trocaram um olhar cúmplice. O mais novo a abriu com um gesto rápido, enquanto o mais velho empunhou o revólver na direção da abertura.

Logo, Sam também apontou o seu, fazendo os dois visitantes diante da soleira erguerem as mãos para o alto e arregalarem os olhos, atônitos.

— Kevin? Chloe? — Dean murmurou surpreso.

— O que vocês estão fazendo aqui? — Sam sorriu, também surpreendido.

— Ah... Que saudade dessas recepções calorosas — o profeta ironizou.

— É, eu também. — Chloe sorriu amarelo.

— Eu sabia que eram eles — Castiel confessou. — Eu senti presenças amigas por perto.

— Obrigado por nos avisar — Dean falou com ironia, finalmente guardando a arma. — Desculpem.

Sam também guardou a sua, abriu passagem e convidou:

— Entrem.

Depois que cumprimentaram o profeta e a hacker, todos se acomodaram ao redor da mesa na sala principal. Instantes depois, Kevin voltou-se para Sam e Dean, e deduziu:

— Pelo visto vocês não receberam nossos recados.

— Na verdade, nós acabamos de voltar — Sam reportou.

Sem querer entrar em detalhes sobre a difícil missão que tinham concluído há pouco tempo, Dean foi evasivo:

— Viagem maluca, é uma longa história.

Curioso e imaginando que envolvia as criaturas malignas libertadas há alguns meses no Triângulo das Bermudas, o profeta começou a perguntar:

— Tem a ver com...

— Sim — Sam confirmou. — Mas não se preocupem, está tudo bem agora.

— Problema resolvido, mundo a salvo — o Winchester mais velho completou, a fim de tranquilizar o casal.

— Nossa! Isso é ótimo! — Kevin comemorou, respirando fundo.

Na sequência, sua noiva articulou:

— Nós ficamos aliviados em saber que deu tudo certo, apesar de um pouco chateados por vocês terem dispensado a nossa ajuda daquele jeito.

— Sinto muito, mas vocês ficaram mais seguros assim distantes, acreditem — Dean argumentou.

Após um breve momento de silêncio, durante o qual Kevin e Chloe se entreolharam e pareceram querer dizer algo importante, porém não sabiam como, Mia se manifestou:

— E então? Vocês vieram só porque estavam com saudade da gente?

— Não exatamente — o profeta respondeu, evasivo e meio tenso.

Depois de trocar um rápido olhar com ele, Chloe endireitou-se na cadeira e começou a explicar:

— Kev e eu conseguimos uma folga da faculdade devido às excelentes notas que tivemos nesse semestre.

— Uau! Eu estou chocada. — Natalie riu.

— Vocês tirando notas boas? Parece o fim do mundo de novo — Claire emendou, divertida.

— E resolvemos fazer uma visita para dizer que... — o profeta hesitou, ansioso, mas finalmente revelou: — Bem, nós marcamos a data do casamento. Será no final desse mês e queríamos convidá-los. É isso.

Radiante com a novidade, Mia foi a primeira a se manifestar:

— Eu quero ser a madrinha! E organizadora oficial do casório, é claro! Eu não aceito menos do que isso!

— Parabéns — Castiel os cumprimentou com um leve sorriso.

Depois que todos já haviam felicitado o casal, Dean voltou-se para a hacker e indagou:

— Você está grávida?

Kevin arregalou os olhos e Chloe imediatamente negou:

— Não!

— Cara... — Sam desaprovou a pergunta indiscreta do irmão e sua motivação.

Mas querendo entender por que o profeta e a hacker tinham marcado a data de repente e para tão perto, Dean ignorou a bronca do irmão, a cotovelada que Natalie lhe deu e foi mais além:

— Então por que a pressa?

— Porque nós nos amamos — Kevin respondeu no ato, fazendo um silêncio se instalar e Chloe entrelaçar sua mão sobre a mesa. — Por que esperar? A vida é curta, certo?

Até então calado e profundamente pensativo, Bobby disse mais para si mesmo do que para Kevin:

— Ótima resposta.

Todos olharam para o velho caçador, mas ele não disse mais qualquer palavra. Parecia que não estava mais ali com eles. Seu pensamento distante e focado em outra pessoa da qual, só agora, tinha percebido que sentia falta.

Bobby queria que ela estivesse ali quando ele voltou do futuro. Queria conversar... Não queria mais mantê-la longe de sua vida, como costumava fazer. Jody Mills era muito importante para ele e, como Kevin bem disse, a vida era curta.

Pensando assim, Bobby tomou uma decisão importante e se levantou. Pediu licença e deixou a sala. Olhares curiosos o seguiram, mas ninguém o impediu de ir resolver o que quer que fosse.

Instantes depois, e a fim de celebrar a notícia que Kevin e Chloe compartilharam, Dean anunciou:

— Eu vou pegar umas cervejas. Isso merece uma comemoração.

Ele levantou e seguiu rumo à cozinha, porém parou no meio do caminho, virou-se e debochou:

— Espera... Vocês têm idade suficiente para beber?

— Dean — Sam o repreendeu.

Antes de retomar o caminho, ele riu e disse em tom conclusivo:

— Claro que têm, vocês vão se casar. Eu não acredito!

Dias depois

Eram pouco mais de nove horas da noite quando Bobby finalmente chegou em seu destino. Depois de pegar a estrada e parar em alguns hotéis pelo caminho, ele estacionou a caminhonete em uma rua de Sioux Falls e observou uma determinada casa a certa distância.

Levou apenas alguns segundos para criar coragem, sair do veículo e caminhar rumo à residência da Xerife Jody Mills. Respirou fundo e, por fim, bateu na porta de entrada.

Segundos depois, uma luz se acendeu e o caçador ouviu passos se aproximando. Alguém destrancou a porta e a abriu. Então, os dois se encararam em silêncio por um longo momento.

Surpresa e um tanto estática, como se ainda não acreditasse que Bobby estava mesmo ali, Jody finalmente se manifestou, dizendo o óbvio:

— Você voltou.

— Sim.

Ela o analisou dos pés a cabeça e constatou:

— Inteiro e vivo. São e salvo.

— Sim — repetiu, meio tenso e estranhando tanta calma.

Após mais uma longa pausa, a Xerife de Sioux Falls inqueriu preocupada:

— Deu tudo certo e todos estão bem?

— Sim — Bobby afirmou, ainda intrigado por Jody não parecer chateada com ele.

Aliviada por tudo ter acabado bem, sua expressão finalmente se transformou, indo da surpresa e curiosidade para a ira e ressentimento. Então Jody deu um passo a frente, ergueu o dedo em riste e gesticulou indignada:

— Nunca mais se jogue numa coisa assim sem falar comigo antes, Bobby Singer! Com antecedência e não na última hora! E nem pense em não pedir a minha ajuda da próxima vez! Eu sei que não sou exatamente do negócio da família, mas eu estou aqui para te apoiar no que for preciso, idiota! Desde que você me deixe fazer isso. Conte comigo, entendeu? E não me deixe de fora da sua vida de novo! Nunca mais! Eu fui clara?

— Sim, senhora — prometeu, um pouco assustado com a reação. — Nunca mais.

Após alguns segundos, a Xerife suspirou mais calma, deu outro passo na direção de Bobby, acabando com a distância entre os dois, e o puxou para si, dizendo:

— Graças a Deus você está bem.

Foi a última coisa que o caçador ouviu. No momento seguinte, Jody lhe surpreendeu com um beijo roubado e estalado. Forte e carinhoso.

Surpresa com o próprio gesto, ela se afastou de repente e quis se certificar de que estava tudo bem:

— Desculpe, isso foi muito repentino?

— Na verdade... — Bobby pensou no que dizer e, por fim, respondeu com sinceridade: — Eu acho que demorou demais. Por minha culpa, é claro.

Jody sorriu ao lembrar que, na realidade, aquele não tinha sido o primeiro beijo entre eles. Certa vez, Bobby a surpreendeu durante uma faxina em sua casa, quando ela descobriu, acidentalmente, uma forma de lidar com um leviatã que ele havia prendido no porão. Ou pelo menos, de atrasá-lo. De qualquer forma, Bobby ficou bem agradecido na época.

Contudo, aquele segundo beijo tinha sido mais especial. Era diferente. Parecia o começo de alguma coisa. Bobby tinha finalmente permitido que um beijo entre os dois significasse algo maior. Era isso que estava lhe dizendo. Era por isso que estava ali.

Jody ainda refletia quando ele lhe mostrou uma garrafa que, até então, segurava atrás de si e anunciou:

— Eu trouxe whisky.

Ela sorriu mais uma vez, se afastou um pouco da porta, abrindo passagem para Bobby entrar em sua casa, e sugeriu:

— Vamos dar um jeito nele, cowboy.

Depois de encará-la por um breve instante, o caçador entrou. Na sequência, a Xerife fechou a porta atrás dos dois.

Notas finais
Penúltimo capítulo bem tranquilinho, né? Foi mais uma forma de mostrar o Gabe uma última vez e explicar por que ele ficou de fora da ação no futuro, além de trazer Kevloe para a reta final ♥ e um pequeno, mas importante, momento Jobby ♥ Amanhã devo postar o capítulo final (snif...). Beijos! Reviews me deixam happy!