Notas iniciais
Hello, it's me... Cheguei, gente! Desculpem a demora, mas escrever duas fics ao mesmo tempo está meio complicado para mim. Por isso acho que vou ter que revezar os finais de semana para atualizar ora uma ora outra. Sorry, mas sempre que possível, atualizarei mais rapidinho. Bem, conforme eu falei nas notas do capítulo anterior que acabou de acabar (oi?) este capítulo será focado na caçada ao wendigo. E a treta toda vai se estender até o capítulo 10. Sobre o título, me lembra a Saga Divergente (adoro!), mas não tem nada, nada mesmo, a ver. É que eu não sabia que título dar, então me inspirei em quatro pessoas que aparecem neste capítulo e assim ficou. Espero que gostem e qualquer erro me avisem. Boa leitura!!!

Itasca, Minnesota. Quatro e meia da tarde.

Depois de deixarem o Impala estacionado em uma clareira e ligeiramente camuflado pela vegetação, Sam e Dean caminharam rumo à densa floresta logo a frente, levando nos ombros suas mochilas de caça.

Alguns metros adiante, o mais novo resolveu puxar assunto:

— Por que nós viemos direto para cá mesmo?

Enquanto olhava tudo em volta, atento ao menor ruído ou sinal do wendigo, o mais velho respondeu:

— Nós já sabemos o que estamos caçando. Pra que perder tempo com a polícia ou interrogando os familiares dos desaparecidos, quando podemos resolver o caso de uma vez?

— Bem, eu posso ter me enganado — supôs Sam. — Tudo indica que é um wendigo, mas pode ser uma série de outras criaturas também. Um deus pagão, por exemplo. Pode ser até mesmo um animal selvagem, como a polícia acredita que seja. Ter apurado os fatos antes e pesquisado um pouco mais não iria nos matar.

Convencido de que aquele era um caso simples e doido para solucioná-lo o mais rápido possível, Dean redarguiu:

— Qual é, Sammy? O seu alarme aranha não está apitando para wendigo? Porque o meu está.

Após pensar por alguns instantes, o outro tornou a se pronunciar:

— Tudo bem, mas nós podíamos pelo menos ter pegado um mapa da região antes. É uma floresta muito grande para cobrir em pouco mais de uma hora, ainda mais quando nós não temos a menor ideia para qual direção seguir. Para piorar, daqui a pouco vai anoitecer e nós dois sabemos muito bem que...

— Que wendigos são caçadores imbatíveis quando o sol se põe — completou o mais velho.

— Exato — assentiu o caçula.

— Seu pessimismo não está ajudando, Sammy — criticou Dean, com certa impaciência. — Relaxa, vai dar tudo certo. Nós já caçamos essa criatura em circunstâncias piores e nos saímos muito bem, obrigado.

Pensativo, o Winchester mais novo refletiu distraído:

— Sim, eu me lembro. Parece que foi ontem, aliás. Nosso pai ainda estava vivo...

Dean não disse nada quando o irmão ficou mudo. Ele sabia o que o silêncio significava. Sempre que relembravam algo sobre John Winchester, as palavras tinham o estranho hábito de desaparecem e os dois ficavam nostálgicos e com olhares distantes.

Não havia o que se falar, na verdade. Eles sentiam falta do pai, queriam ter feito algo para salvá-lo, queriam que as coisas tivessem sido diferentes. Sam, com certeza, queria ter brigado menos com o patriarca da família Winchester. E Dean queria ter intervido em menos brigas entre os dois. Mas se as coisas tivessem sido diferentes, não seriam eles, certo?

De repente, ao avistar algo em uma árvore, Dean se aproximou dela, fazendo Sam diminuir o ritmo e seguir o seu olhar. Em seguida, o mais velho passou os dedos pelas marcas de garras no tronco e que não pareciam pertencer a um animal comum, arqueou as sobrancelhas para o irmão e disse:

— Agora nós sabemos que direção seguir. — Enquanto retomava a caminhada, seguindo outras marcas como aquela, ele orientou: — Fique atento à sua volta, Sammy. Com sorte, nós acharemos a toca do monstrengo antes do anoitecer e queimamos o desgraçado antes que ele resolva se alimentar de novo.

Sem dizer uma palavra e agora convencido de que a caçada era mesmo a um wendigo, dadas aquelas marcas inconfundíveis de garras da criatura, Sam seguiu o irmão. Ambos em constante alerta.

***

Perto dali, em um hotel barato, Claire examinava, atentamente, as fotos que havia conseguido com a polícia local mais cedo. Elas mostravam o acampamento dos quatro jovens desaparecidos na última semana, retratando como o local estava quando a polícia chegou: revirado, caótico e com sinais de destruição por toda a parte.

Era fácil entender por que as autoridades especulavam que um urso havia atacado o acampamento, mas por algum motivo, o incidente pareceu algo sobrenatural para Claire e Natalie.

Talvez fosse o sexto sentido de caçadoras. Ou talvez elas só estivessem desesperadas para caçar alguma coisa, já que não tiveram qualquer progresso em localizar os demônios que escaparam, há quase um mês, do inferno. Talvez por isso estivessem imaginando um caso em Itasca. Talvez não fosse um caso, afinal.

— Não. — Claire balançou a cabeça negativamente, relutando em acreditar que tinha se enganado. Então, apoiou os cotovelos na escrivaninha diante de si e pressionou os dedos nas pálpebras fechadas, repassando tudo o que sabia até o momento: — Um urso não iria atacar quatro pessoas de uma vez e desaparecer com os corpos. Se os jovens tivessem se assustado com alguma coisa, corrido em direções opostas e se perdido, as autoridades locais já teriam encontrado ao menos um deles durante as buscas. De acordo com essas fotos, o acampamento tinha sinais de resistência e resquícios de sangue. Portanto, essas pessoas foram arrancadas de lá, uma a uma. E não foi por um urso ou por qualquer outro animal. — Claire afastou as mãos do rosto. — Mas sim por algo. Algo sobrenatural, com certeza. E muito inteligente. Um verdadeiro predador. Talvez... Um deus pagão.

De repente, a caçadora ouviu a maçaneta girar e seus pensamentos se dissiparam imediatamente. Ao ver Natalie adentrando o quarto, trajando um conjunto sóbrio e formal de saia, camisa e blazer, Claire se lembrou de que a loira havia ficado com a parte de se passar por agente do FBI e interrogar os familiares dos desaparecidos, enquanto ela buscava pistas com a polícia, também se apresentando como agente federal.

Por um momento, a filha de Bobby pensou que a amiga estivesse tão confusa quanto ela, mas o semblante de Natalie logo lhe insinuou outra coisa. E isso se confirmou quando a loira colocou as mãos na cintura e anunciou com uma expressão enigmática:

— Eu já sei o que nós estamos caçando.

— O quê? — Claire não queria ter soado tão desesperada quando perguntou isso, contudo tinha passado a tarde inteira revendo as fotos cedidas pela polícia e ainda não tinha ideia do que estava acontecendo em Itasca. E isso era frustrante demais.

— Wendigo! — Natalie revelou, transbordando satisfação por ter matado a charada. Porém, diante da expressão ligeiramente confusa da outra, resolveu explicar: — Wendigo, palavra indígena que significa o mal que devora. Eles vivem centenas de anos e costumavam ser gente da gente, sabe? Mas em algum momento, praticaram canibalismo, gostaram, continuaram com a dieta e viraram essa criatura horrenda, rápida, forte e quase invencível. Logo, wendigo.

Claire piscou algumas vezes, assimilando tudo o que tinha ouvido, e então tornou a se pronunciar:

— Eu sei o que é um wendigo, Natalie. Mas por que você acha que é isso que nós estamos caçando aqui? Como chegou a essa conclusão?

Depois de puxar a cadeira de frente para a morena e se acomodar, Natalie respirou fundo e explicou pausadamente, tentando conter a empolgação:

— Uma das vítimas estava conversando via Skype com a irmã, pouco antes do ataque ao acampamento. Ela me mostrou a gravação da conversa. A polícia não deu importância nem adicionou isso como evidência ao caso, mas eu juro que vi um vulto passando muito depressa atrás da barraca. Parecia um homem, mas claro que não era. Nem Usain Bolt correria tão rápido quanto aquela coisa. Eu tive que pausar o vídeo várias vezes e rever a sequência bem devagar para conseguir distinguir a sombra da criatura. Depois disso, eu conversei com a mãe de outra vítima, e ela me contou que não é a primeira vez que pessoas desaparecem misteriosamente naquela floresta. Houve casos assim nas últimas décadas e as vítimas nunca foram encontradas. Então eu lembrei que wendigos hibernam por anos até precisarem se alimentar de novo, e que Minnesota é uma das regiões em que o monstrengo costuma ser mais recorrente. Se wendigos fossem vampiros, Minnesota seria como uma Transilvânia para eles. — Natalie fez uma pausa e observou Claire, que havia ficado pensativa de repente. — O que foi?

Prontamente, a filha de Bobby despertou do transe, estreitou o olhar na direção da loira e questionou:

— Por acaso essa... Coisa tem garras?

— Sim. Por quê? — Natalie arqueou as sobrancelhas, curiosa com a pergunta.

Enquanto remexia os arquivos policiais sobre a escrivaninha, Claire respondeu:

— Eu acho que vi alguma coisa em uma dessas fotos. Aqui! — Ela separou uma delas e mostrou algo em uma das barracas para Natalie. — Eu não tinha visto como marcas de garra a princípio, mas agora que você contou isso faz todo o sentido. Eu estou ficando maluca? Imaginando coisas?

Atentamente, a loira examinou a imagem por alguns instantes. Embora estivesse um tanto borrada, era possível ver alguns rasgos em uma parte da barraca de uma das vítimas. Rasgos que confirmavam a sua suspeita sobre a criatura que estavam caçando ali.

Sendo assim, ela confirmou satisfeita:

— Não, você está certa, são marcas de garras mesmo.

Soltando um breve suspiro de alívio, Claire comemorou timidamente:

— Ótimo, então isso é mesmo um caso. — E após pensar um pouco, buscando algumas informações em sua memória, arriscou: — Wendigos são mortos pelo fogo, certo?

— Exatamente.

— E geralmente vivem em lugares escuros e protegidos, não é? — prosseguiu.

Natalie desviou o olhar da foto, o estreitou na direção da amiga e reconheceu intrigada:

— Para quem nunca caçou um desses, você sabe muita coisa, Claire.

— O Sam...

De repente, a morena se deteve por um momento, ignorou o fato de que o seu coração ficou apertado ao dizer aquele nome, pigarreou e retomou do jeito mais natural que pôde:

— Ele me falou de uma caçada assim uma vez. E se eu me lembro bem, um dos desaparecidos ainda estava vivo, ele e Dean conseguiram resgatar o rapaz. Talvez esses jovens ainda estejam vivos também. Nós podemos salvá-los, Natalie.

Preferindo ignorar o fato de que o seu coração também ficou apertado ao ouvir o nome do ex-marido e se esforçando para manter o foco na caçada, a loira largou a foto na escrivaninha, se levantou de sopetão e concluiu do jeito mais natural que pôde também:

— Então nós temos que agir rápido. Wendigos são caçadores excelentes durante o dia, mas quando o sol se põe, eles são imbatíveis.

Enquanto procurava algo em meio às fotos cedidas pela polícia, Claire informou:

— Eu consegui um mapa da região e tenho dois fortes palpites sobre o esconderijo do wendigo.

Animada, a loira caminhou até a porta dizendo:

— Ótimo, então vamos lá queimar o bastardo!

— Natalie?

Ao ouvir a amiga a chamando, a loira deteve o passo, virou-se e sibilou:

— Sim?

Indicando os trajes que Natalie vestia, Claire arqueou as sobrancelhas, conteve o riso e questionou retoricamente:

— Você pretende se aventurar na floresta com essa roupa e... De scarpin?

Ao olhar para si mesma e constatar que a amiga tinha razão, Natalie sorriu sem graça e caminhou até uma bolsa de viagem perto de uma das camas, resmungando:

— Estraga prazer. Eu já ia me trocar.

Claire sorriu levemente diante isso. E como já havia trocado de roupa assim que voltou da delegacia, pegou o mapa que precisava, caminhou até a porta do quarto e, antes de sair, avisou:

— Eu te espero no carro.

Algum tempo depois

O sol estava quase se pondo, escurecendo a floresta pouco a pouco, quando Sam deteve o passo e reclamou impaciente:

— Dean, nós estamos andando em círculos há meia hora. Admita, nós perdemos o rastro daquela coisa.

Igualmente impaciente e orgulhoso demais para admitir que o irmão tinha razão, o Winchester mais velho se virou na direção dele, ergueu os braços e desconversou:

— Eu já disse que tenho tudo sob controle, okay? A toca do wendigo deve estar bem perto.

— Deve? — Sam apoiou as mãos na cintura e arqueou as sobrancelhas de um jeito inquisitivo.

Em resposta, Dean revirou os olhos e se deu por vencido:

— Tudo bem, você está certo. Nós devíamos ter trazido um mapa. Por outro lado, se eu bem me lembro, você não precisou de um da última vez que caçamos essa coisa.

Prontamente, o Winchester mais novo argumentou, relembrando aquela caçada:

— Foi diferente, Dean. O local era menor, era um parque ecológico, não uma floresta como essa. Além disso, eu tive sorte de encontrar a morada do wendigo antes que fosse tarde demais.

Dean deu de ombros e desejou:

— Bem, vamos torcer para que a sorte esteja ao nosso favor de novo.

Contudo, isso não foi o suficiente para convencer Sam de que eles estavam no caminho certo. Sendo assim, ele olhou tudo em volta, pensou por um instante e tornou a se manifestar, desta vez com mais paciência:

— Está quase anoitecendo, é arriscado prosseguir. Nós devíamos acampar aqui, proteger o lugar com símbolos Anasazi que wendigos não podem atravessar e continuar com a caçada pela manhã.

Dean ia contra argumentar, porém hesitou. Imitando o irmão, também olhou a floresta em torno deles e constatou que o sol estava quase se pondo. O resquício de luz atravessava com dificuldade as copas das árvores. Não demoraria muito e o lugar seria tomado por uma escuridão perigosa que favorecia o wendigo, não caçadores.

Era mesmo prudente fazer uma pausa, acampar ali, fazer os símbolos para proteção em torno do lugar e acender uma fogueira. Por sorte, Dean havia trazido suprimentos, que se resumiam a garrafas de água e alguns pacotes de M&M'S. Ia ter que servir.

Sendo assim, ele assentiu vencido:

— Tudo bem, talvez você tenha razão.

Antes que Dean tirasse a mochila do ombro, a fim de começar os preparativos para a longa noite a caminho, um ruído seco vindo de uma concentração de árvores à direita deles chegou aos ouvidos dos dois caçadores, os deixando em alerta imediatamente. Os irmãos trocaram um rápido e significativo olhar.

Sam já tinha retirado uma espécie de maçarico da mochila junto com uma lata de querosene, quando Dean balbuciou:

— A menos que o wendigo tenha nos encontrado, é claro. — Depois de pegar outro maçarico como aquele de dentro da sua mochila, ele opinou obstinado: — Neste caso, eu voto por queimar o filho da mãe de uma vez.

— Por mim tudo bem — foi a última coisa que Sam disse, antes de franzir o cenho, confuso ao ouvir um burburinho de vozes se aproximando cada vez mais de onde ele e o irmão estavam.

Tanto ele quanto Dean já haviam reconhecido as vozes de Claire e Natalie muito antes das duas empurrarem alguns galhos e surgirem do meio das arvores. Mesmo assim, não conseguiram disfarçar a surpresa de revê-las. Ainda mais naquela situação. Sem palavras, os irmãos viram as duas deterem o passo e olharem para eles igualmente atônitas.

Claire segurava um mapa e ele quase escorregou por seus dedos quando o seu olhar encontrou o de Sam. Ela engoliu em seco. Natalie, por sua vez, sentiu algo se agitar dentro de si quando reconheceu a figura de Dean bem diante dela. Ele sentiu o mesmo, mas preferiu não refletir muito sobre o que aquela sensação significava e finalmente rompeu o silêncio aterrador:

— O que vocês estão fazendo aqui?

A resposta da loira demorou, mas finalmente veio, soando meio automática:

— Eu poderia perguntar o mesmo.

Novo silêncio. Sam não conseguia desviar a atenção de Claire. Sentia que precisava lhe dizer uma série de coisas, mas não conseguia formular nada coerente naquele momento. Estava mexido demais com a sua presença para isso.

Fazendo um esforço, ele pigarreou e sibilou a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

— Oi.

Sentindo-se um idiota por não ter conseguido pensar em algo melhor para dizer à mulher que foi e ainda era muito importante para ele, Sam a ouviu dizer em resposta:

— Oi.

Mais um momento de silêncio se instalou entre eles enquanto os casais do passado se entreolhavam. Quando a situação começou a ficar estranha demais, Natalie piscou algumas vezes, voltando a si, colocou as mãos na cintura e exclamou insatisfeita:

— Eu não acredito nisso!

Querendo deixar claro que a loira não era a única pessoa infeliz com aquela situação embaraçosa, Dean rebateu azedo:

— Então somos dois, loirinha.

— Três — sibilou Sam, ainda olhando para Claire.

Depois de finalmente romper o contato visual, a morena se incluiu naquela inconveniente conta:

— Quatro.

Enquanto ela fazia um esforço para não olhar para Sam novamente, Natalie apontou o dedo em riste na direção do Winchester mais velho e reclamou:

— Não me chame de loirinha. — E virando-se para a amiga, questionou: — Claire, o seu pai não deveria evitar que situações ridículas como essa acontecessem?

Antes que a morena pudesse pensar no que dizer em resposta, Dean balbuciou confuso:

— O que o Bobby tem a ver com...

Porém, ao lembrar-se de como o velho caçador ficou estranho quando ele e Sam falaram sobre aquele caso em Itasca, Dean deduziu que Bobby sabia que Natalie e Claire estavam indo para o mesmo lugar, seguindo as mesmas pistas. Então, revirou os olhos e resmungou irritado:

— Son of a bi...

— Ei! — cortou Claire. — Mais respeito. É do meu pai que você está falando, idjit.

Depois de erguer as mãos em sinal de rendição, o Winchester mais velho retomou o assunto inicial, propondo:

— Certo, que tal nós resolvermos isso de um jeito civilizado?

— Ótimo! — aprovou Natalie. — Eu e a Claire chegamos primeiro, portanto, esta caçada é nossa. Logo, você e o seu irmãozinho podem ir embora.

Uma risada escapou da garganta de Dean ao ouvir a proposta da loira. Irritado com a presunção da caçadora — e também por constatar que ela estava ainda mais bonita —, ele rebateu de pronto:

— Vai sonhando, Natalie Jones. Quem chegou aqui primeiro certamente não foram vocês. Portanto, eu e o Sammy não vamos a lugar algum até despacharmos o wendigo. A caçada é nossa por direito, então deem meia volta e deixem os profissionais fazerem o serviço, tudo bem?

Sem se intimidar e fuzilando Dean com o olhar, a loira deu alguns passos até parar de frente para ele e replicou irredutível:

— Vocês podem ter chegado primeiro na floresta, mas nós duas chegamos na cidade de madrugada. Aposto que vocês não. Logo, nós não vamos recuar. O caso é nosso, Dean Winchester.

Também sem se intimidar, ele deu um passo à frente, diminuindo ainda mais a distância entre os dois, ergueu o queixo e provocou:

— Engraçado, eu não vi o nome de vocês em parte alguma. Você viu alguma coisa, Sammy?

Antes que o Winchester mais novo respondesse a pergunta retórica, Claire fechou a cara e permitiu-se dizer em alto e bom tom:

— Engraçado, vocês não têm um mapa. Aposto que não têm ideia de onde encontrar o wendigo, de onde o desgraçado se esconde, de onde começar a procurar!

Tanto Sam, quanto Dean e Natalie olharam para a morena imediatamente, um tanto surpresos por ela se pronunciar em relação ao impasse de um jeito tão incisivo, e até gabando-se um pouco.

Sem graça com os olhares, ela fez pouco caso:

— O que foi?

Mas já era tarde demais, Natalie havia gostado muito daquela atitude e, enquanto lançava um olhar de vitória para os Winchester, tratou de reforçar:

— É... É isso aí! A Claire tem o mapa, vocês não! Aliás, nós já temos dois palpites fortíssimos sobre a localização do monstrengo, enquanto vocês estão parecendo João e Maria perdidos na floresta.

Sentindo o seu sangue ferver nas veias, Dean fez um esforço para manter a calma e não dar para Natalie o gostinho de vê-lo daquele jeito. Em seguida, endireitou a postura e disse cheio de si:

— Eu não preciso de um mapa. Para isso eu tenho os meus instintos de caçador, loirinha.

Natalie cerrou os punhos ao lado do corpo e explodiu:

— Eu já disse para você não me chamar assim!

Vendo que aquela discussão não iria ter fim nunca, Sam se aproximou, se colocou entre os dois com cautela e, olhando também para Claire logo atrás, ergueu as mãos como quem procura acalmar os ânimos e propôs:

— Okay, por que nós não deixamos a questão sobre quem chegou primeiro e quem tem o mapa para lá, e nos unimos para caçar o wendigo?

— Não!

Claire novamente os surpreendeu com a postura firme e até intransigente, fazendo Natalie fitá-la orgulhosa e os dois caçadores se voltarem para ela com expressões um tanto atônitas ao ouvirem aquela sonora e incisiva resposta. Sam era o mais atônito, é claro.

Não que o caçador esperasse que ela aceitasse a sua proposta facilmente, mas estava claro que a morena repudiava a ideia de caçar ao lado dele. E a negativa de Claire fez algo queimar dentro de Sam.

Ele lembrou-se da época em que ela daria qualquer coisa para cair na estrada ao seu lado, para se embrenhar em uma floresta como aquela com ele, para caçar o que quer que fosse sem pestanejar. Pelo visto, a época em que os dois eram parceiros tinha ficado mesmo no passado.

Após um momento de silêncio constrangedor que pareceu durar uma eternidade, Claire caminhou até o ex-marido, enrolando o mapa rapidamente. Em seguida e ignorando as sensações boas e ruins que aquela proximidade lhe causava, empurrou o mapa contra o peito dele, fazendo Sam segurá-lo por instinto, e disse com o olhar um tanto vacilante, mas com a voz firme como antes:

— Você pode ficar com o wendigo. E com a floresta inteira, se quiser. O mapa é um brinde.

Antes que o Winchester pudesse assimilar o golpe, a morena lhe deu as costas e começou a se afastar, tomando o caminho de volta.

— Claire, não... — Natalie a seguiu inconformada. — Nós não podemos deixar esses paspalhos ficarem com o nosso caso.

Enquanto ela seguia a morena, Dean lançou um olhar solidário para o irmão. No fim, entendia perfeitamente como ele se sentia. Estava claro que Claire partilhava da mesma opinião de Natalie. Ambas queriam distância deles.

Compreensivo, Dean tocou o ombro do irmão num gesto afável. Gesto que foi logo esquecido quando ambos ouviram uma movimentação rápida e suspeita nas árvores ao redor, os fazendo ficar prontamente em alerta.

Natalie e Claire, que tinham dado apenas alguns passos adiante, estancaram no caminho no mesmo instante e olharam para as copas das árvores acima de suas cabeças.

Tudo estava em movimento, como se algo ou alguém tivesse passado por ali rapidamente, se pendurando nos galhos com uma agilidade sobrehumana.

A movimentação se espalhou por toda a parte, como se a tal coisa corresse em círculos, cercando o quarteto pouco a pouco, como um verdadeiro predador, fazendo barulhos semelhantes a rugidos.

— Bem... Por motivos de força maior e excepcionalmente, — disse Natalie, dando alguns passos cautelosos para trás na direção dos Winchester, enquanto seu olhar tentava captar a criatura veloz sem sucesso — eu aceito caçar essa coisa com vocês.

Observando tudo em volta com uma apreensão tangível e dando alguns passos para trás também, Claire constatou:

— Ele aproveitou a nossa distração.

Movido por um instinto, Sam se pôs ao lado dela, assumindo uma postura protetora mesmo que isso a irritasse, e sibilou:

— Nós estamos sendo caçados.

Após um instante avaliando as possibilidades, Dean sugeriu tenso:

— Símbolos Anasazi?

Natalie balançou a cabeça negativamente e opinou aos sussurros:

— É tarde demais, ele está muito perto.

Enquanto os segundos passavam, o wendigo continuava se movimentando entre as árvores. Em alguns momentos, parecia que ele pulava de copa em copa. Em outros, que corria pela superfície à toda velocidade. Ruídos de folhas secas sendo pisoteadas eram ouvidos constantemente pelos quatro caçadores.

O problema era que para se matar um wendigo era primordial que ele estivesse minimamente distraído. Preso, acuado em sua morada ou prestes a se alimentar de uma das vítimas que costumava prender no local. Era óbvio que naquele momento, o wendigo estava em vantagem. E nestes casos, só havia uma opção.

Pensando nisso, Dean orientou com firmeza:

— Corram! Se tiverem oportunidade, queimem o filho da mãe, mas até a oportunidade aparecer... Apenas corram.

No instante seguinte, todos estavam em movimento. Correndo o mais rápido que podiam, enquanto se preparavam para queimar o wendigo, se o monstro aparecesse diante de qualquer um deles e parasse de se movimentar por um milésimo de segundo que fosse.

Infelizmente, não foi isso o que aconteceu na rápida e tumultuada sequência...

Enquanto Sam corria na mesma direção que Claire, Natalie e Dean correram na direção oposta deles. Mas em dado momento da perseguição, todos acabaram se separando de vez. Então, o wendigo passou a imitar as vozes de cada um deles, a fim de desorientá-los e levar ao menos dois deles para onde queria, para uma emboscada. Assim, voltaria mais tarde para capturar as presas que sobrariam.

Cerca de dois minutos depois, quando a situação pareceu se acalmar um pouco, Natalie e Claire se esbarraram no meio de uma clareira e se entreolharam atônitas. A principio, com a presença uma da outra, mas logo com a ausência de duas pessoas.

Ofegante, a loira apoiou as mãos nos joelhos, curvando-se um pouco, e perguntou receosa:

— Cadê eles?

Em vão — e no fundo, em pânico —, Claire passou os olhos por todo o entorno à procura de Sam e Dean.

Sem encontrar qualquer sinal deles, voltou a fitar Natalie e deduziu profundamente preocupada:

— Eu acho que o wendigo... Os levou.

Notas finais
Rá! E agora? Quem poderá nos defender???? Pequena ressalva: em Recomeço, o Dean chamava a Naty de loirinha e ela não gostava nadinha (aliás, eles não gostavam nadinha um do outro, lembram?). Estou voltando um pouquinho às origens com esta última temporada... Me julguem, mas eu ri da Claire toda brava neste capítulo kkkkk assustou o povo e o garoto propaganda da Loreal também. Mas quero só ver se toda essa raiva (das duas, aliás) vai continuar no próximo capítulo, afinal... Os boys estão em dangerous. Por hoje fico por aqui, sempre aguardando suas reviews lindas, então não me deixem no vácuo. Beijos!