Entre Cinzas & Esperança
26 O confronto
Notas iniciais
As últimas semanas haviam sido movimentadas e malucas, mas a última revelação de Castiel superava tudo isso. Sem saber o que pensar e tomando cuidado para não magoá-lo, Mia achou melhor confirmar:
— Então Deus está na cidade?
— Tudo indica que sim — o anjo respondeu, enquanto a encarava firme em busca de qualquer sinal que indicasse o que ela estava sentindo sobre tal possibilidade.
Tentando não pensar em como sua pergunta soou ridícula e no que a resposta de Castiel podia significar se ele estivesse mesmo certo, Mia apenas assentiu:
— Okay.
— Você não acredita — deduziu, meio frustrado.
Após pensar um pouco e escolher as melhores palavras, Mia saiu da defensiva e permitiu-se responder com o máximo de sinceridade que pôde:
— Pelo contrário, Cas, eu acho que acredito sim. Eu só não sei o que fazer a respeito. Crowley, Legião, Lúcifer, monstros... É fácil acreditar no mal, lidar com ele, nós estamos acostumados, é o nosso trabalho, no final das contas. Mas Deus? O que nós devemos fazer com essa informação? Voltar para casa e deixar que Ele mesmo resolva a situação por aqui? O que Ele quer de nós? Será que eu devo ajoelhar e rezar? Pedir uma luz?
Entendendo o lado dela, Castiel procurou expor o seu:
— Eu não sei o que Ele quer exatamente, Mia, mas acho que sei por que voltou. Essa situação é delicada, há uma chance da Legião conseguir o que planeja e Lúcifer ascender pela segunda vez. Talvez Deus esteja arrependido por ter permitido que o primeiro Apocalipse acontecesse. Talvez queira impedir que a história se repita. Talvez esteja tentando nos mostrar que, desta vez, nós não estamos sozinhos. Ele sabe que precisamos de fé para que a Mão de Deus funcione contra a Legião. Talvez queira nos dar um motivo para não desistir, para acreditar que vamos conseguir, para ter fé afinal.
Fazendo um esforço para ver a situação com naturalidade e não enlouquecer, a caçadora deu de ombros e propôs:
— Certo, então vamos fazer isso. Vamos seguir com a missão, vencer a Legião de uma vez por todas e salvar esse mundo maluco. Se depois disso, Deus quiser aparecer e tomar uma cerveja para comemorar nossa vitória, que assim seja. Eu não vou me opor, embora prefira uma boa xícara de café.
— Tudo é uma piada para você, não é? — Castiel deu um meio sorriso.
Mia sorriu de volta e soltou o ar com força, relaxando por fim. Em seguida, levantou da cama e acomodou-se no colo dele, sentado na poltrona. Enquanto Castiel passava um braço em volta do seu corpo, a garota lhe deu um beijo rápido, apoiou a cabeça em seu ombro e refletiu:
— Viagem no tempo, eu fazendo um acordo com o Rei do Inferno e agora Deus. Alguém pode me explicar como diabos nós chegamos aqui?
Antes que Castiel dissesse qualquer coisa em resposta, Claire bateu na porta e adentrou o quarto dizendo:
— Com licença.
— Ei, Claire. O que houve? — Mia indagou, curiosa, empertigando-se um pouco.
Parecendo animada ou esperançosa, a filha de Bobby anunciou:
— Nós tivemos uma ideia. É melhor vocês descerem para a sala e ouvirem isso.
Depois de trocarem um rápido olhar, Mia e Castiel se desvencilharam, levantaram da poltrona e seguiram a amiga até o andar de baixo.
***
Um silêncio quase sepulcral se instalou quando Bobby terminou de explicar a última parte do novo plano formulado por ele, a filha, Natalie, Sam e Dean nos últimos minutos. Ajustes eram necessários, mas a ideia central parecia definida e bem sólida.
Mia e Castiel ainda assimilavam os pormenores e possíveis riscos envolvidos quando o velho caçador bufou:
— Vamos, diga logo, é um péssimo plano.
— É um péssimo plano — Castiel atendeu ao seu pedido, fazendo Mia lhe dar uma discreta cotovelada.
— Eu sei. — Bobby ergueu as mãos em concordância e, na sequência, abriu uma garrafa de whisky dos antigos moradores.
Enquanto servia as doses em copos que encontrou num dos armários da cozinha e distribuía para cada um deles, o silêncio voltou a reinar. Apreensivos e ansiosos, eles se davam conta de que o momento decisivo estava chegando. O confronto inevitável estava próximo. Com sorte, o fim deles, não.
— Mas também é a nossa última chance — Natalie ponderou, terminando com a pausa.
— Exato — Claire concordou.
Procurando ser otimista, Sam também se pronunciou:
— Pode funcionar.
Depois de tomar um gole do whisky, Dean articulou ansioso:
— Quem nós estamos tentando enganar? Só tem um jeito de saber. Vamos fazer isso de uma vez.
— Que assim seja. — Mia ergueu seu copo, propondo um brinde. — De uma forma ou de outra, essa história termina hoje. Tim tim!
Todos levantaram seus copos, se entreolharam e depois beberam. Castiel entornou sua dose de uma vez e pareceu frustrado pelo álcool não surtir qualquer efeito. Seria bom relaxar um pouco antes de partir para a batalha final.
Como se tivesse adivinhado o seu desejo, Mia sorriu enquanto o puxava sutilmente pela lapela do sobretudo e tocou seus lábios com um beijo carinhoso, fazendo-o esquecer de tudo por alguns instantes.
Em seguida, piscou e profetizou:
— Não se preocupe, anjo. Vai dar tudo certo. Mas se, por acaso, algo sair dos trilhos, eu protejo você para variar.
O bom humor da caçadora e sua peculiar capacidade de fazer piadas em momentos tensos levaram Castiel a relaxar de vez. A lembrança do amuleto de Dean — ainda brilhando no quarto lá em cima — também contribuiu para que ele retomasse o foco no que estava por vir e acreditasse que todos eles teriam sucesso no final. Precisava acreditar nisso. E precisava lutar por isso.
***
Apesar de serem apenas três horas da tarde, a cidade estava mergulhada numa escuridão incomum. Isso porque nuvens densas e negras cobriam o céu, ocultando a luz solar. A temperatura havia caído no mínimo sete graus nas últimas duas horas. Uma intensa neblina serpenteava pelas ruas desertas e silenciosas. Tudo isso significava que a Legião ainda estava por perto. A questão era: por quê?
Depois de semear o caos e destruir vidas com a epidemia de Croatoan, além de fragilizar o grupo de Sam e Dean e escapar de Castiel bem a tempo, o natural seria que a Legião deixasse aquela cidade para trás e continuasse com o plano de resgatar Lúcifer.
Contudo, esse era justamente o ponto. Os anjos das trevas continuavam na região porque por fim tinham conseguido arrancar as coordenadas que necessitavam para chegar até o cativeiro do seu mestre.
Crowley, embora tenha resistido e se fechado desde que foi possuído, não conseguiu manter a Legião longe de sua mente por muito mais tempo. Teve cada um dos seus pensamentos mais obscuros invadido e revirado. Agora, a Legião sabia exatamente como alcançar a jaula de Lúcifer.
Como o Rei do Inferno tinha um bom conhecimento sobre bruxaria, os anjos também possuíam um feitiço eficaz nas mãos para abrir a jaula e trazer Lúcifer para a superfície. Tudo o que precisavam era de um cemitério — local perfeito para a abertura de um portal para o Inferno — e alguns ingredientes — já devidamente dispostos sobre um dos túmulos.
Então a Legião rompeu o silêncio mórbido que pairava por toda a parte ao invocar:
— Mestre! Em breve o senhor estará conosco em toda a sua glória e perfeição. Para dominar esse planeta tão belo idealizado pelo Criador, mas que foi tão contaminado pela raça de vermes que rasteja sobre ele. Ajude-nos a destruir esses seres deprimentes e imundos, Lúcifer. E apenas para nos alegrar com o prelúdio da sua presença, nos dê um sinal de que pode nos ouvir. Sussurre, Mestre, através das grades. Sussurre para os seus leais seguidores que anseiam e lutaram pelo seu retorno.
Após um breve momento de silêncio, todas as velas negras que estavam dispostas nos túmulos ao redor da Legião tremeluziram ao mesmo tempo. As chamas quase se apagaram com um vento gélido e repentino que percorreu o local, espalhando um assobio macabro por toda a parte. Era o incentivo que faltava. O sinal de que alguém estava mesmo ouvindo.
— Obrigado por nos responder, Lúcifer — os anjos das trevas agradeceram com um sorriso diabólico, e então deram início ao feitiço de ascensão.
Enquanto palavras em latim eram pronunciadas com veemência e espalhadas pelo vento cada vez mais forte, um leve tremor começou a ser sentido pelo solo. À medida que evoluía, as lápides passaram a tremer também e algumas estátuas de anjos despencaram pelo chão, espalhando cacos e poeira.
Um círculo feito no chão com giz e regado com o sangue demoníaco de Crowley começou a brilhar de forma intensa. Uma luz branca e forte logo se ergueu a perder de vista. Ao mesmo tempo, o chão coberto por cascalho no centro do círculo rachou, permitindo que a luz escapasse pelas frestas, vindo direto das profundezas, direto do Inferno, direto da jaula.
Quando estava prestes a finalizar o feitiço, a Legião engasgou com as palavras e cambaleou um pouco. Incapaz de prosseguir, observou o vento cessar, a luz que escapava ser sugada de volta para a terra e o brilho no chão se extinguir subitamente. As velas também se apagaram sem explicação aparente e a Legião sentiu um desconforto nas entranhas do receptáculo que possuía.
— Não — negou-se a acreditar, rangendo os dentes ao deduzir o que estava acontecendo.
Provando que tinha acertado o palpite, sentiu seu corpo ser arrastado com violência pelo chão, levantando uma onda de poeira pelo cemitério e afastando-se de vez da chance de libertar Lúcifer. A Legião sentia uma enorme frustração toda vez que tentava lutar e se erguer, mas não conseguia pois algo dentro de si estava sendo controlado e atraído para o centro da cidade.
Experimentando uma intensa sensação de fúria, a Legião só parou de ser arrastada pela deserta e sombria Hood River quando seu corpo finalmente chegou ao destino final. Ou seja, quando bateu em cada um dos degraus do coreto e foi lançado para dentro dele pelo feitiço de invocação proferido por Sam.
Assim que ele fechou o antigo diário de John Winchester, Dean, ao seu lado, provocou os lacaios de Lúcifer com um sorriso debochado e disse:
— Sabe essa história de trazer o capeta de volta? Sinto muito, mas não vai rolar.
Sem entender nada, a Legião olhou ao seu redor e reconheceu os outros membros do inconveniente grupo: Bobby, Claire, Natalie, Mia e Castiel. Este último segurava a Mão de Deus e o encarava duramente.
Por instinto, a Legião se lançou para a frente imediatamente e tentou sair do coreto, mas por algum motivo não foi capaz de escapar dali. Então Sam sorriu vitorioso e indicou algo acima.
Ao seguir a indicação e erguer o olhar para o teto do coreto, os anjos de Lúcifer viram que uma Chave de Salomão havia sido feita com tinta vermelha. Parecia recente.
— Isso mesmo — Natalie se pronunciou com um sorriso torto, chamando a atenção da entidade diabólica. — Tem um demônio dentro de você e, quando um demônio é invocado, ele não tem escolha a não ser seguir o chamado. Portanto, você não vai a lugar algum, Legião.
— Ou melhor — Claire interrompeu a amiga. — Você até vai para algum lugar. Para o Inferno. De volta para a prisão que ocupava lá embaixo. Bem longe de Lúcifer.
— Mas antes nós temos que fazer um exorcismo básico — Mia acrescentou em tom divertido. — Se segura, hein? Eu ouvi dizer que exorcismos enfraquecem o corpo possuído e podem dar um pouco de enjoo. Se precisar de um saco de papel, é só pedir.
Enquanto a Legião a fuzilava com um olhar frio, Bobby tirou um isqueiro do bolso e avisou:
— E levando em consideração a legião de anjos imundos aí dentro, nós também pensamos num jeito de prender vocês. Sabe como é? O seguro morreu de velho.
Na sequência, o caçador acendeu e jogou o isqueiro atrás de si, bem em cima de uma linha feita com óleo sagrado e que circundava todo o coreto. As chamas se espalharam rápido e se ergueram ao redor. Desta forma, o grupo ficou preso junto com a Legião na armadilha, porém a uma distância segura já que a Chave de Salomão estava posicionada mais ao centro. Era uma armadilha dentro da outra.
— Aproveite o show — Dean fez uma última provocação e piscou. Na sequência começou a entoar o ritual em latim: — Exorcizamus te, omnis immundus spiritus...
Como um coro, Sam, Bobby, Natalie, Claire e Mia juntaram-se a ele:
— Omnis satanica potestas, omnis incuriso infernalis adversarii, omnis legio, omnis congredatio et secta diabolica...
Enquanto o corpo de Crowley começava a se contorcer em virtude das palavras proferidas, eles se revezavam e jogavam água benta em sua direção, queimando a pele do demônio que ali habitava. O ritual também desconcertava e enfraquecia a Legião, que gritava e exigia que o grupo parasse com o exorcismo. Era extremamente agoniante compartilhar aquele receptáculo com Crowley no momento.
— Ergo, draco maledicte, ecclesiam tuam secura tibi facias, libertate servire, te rogamus, audi nos!
Castiel acompanhava e aguardava a sua vez de agir, enquanto reunia toda a fé dentro de si, pois sabia que seria necessária para que a Mão de Deus funcionasse efetivamente quando chegasse a hora.
Procurou esquecer os momentos de dúvida que teve durante sua existência, pelo caminho, e o ressentimento pelo abandono de Deus. Agarrou-se à paz celestial que redescobria dentro de si, à importância inquestionável de cada pessoa a sua volta e ao mundo, que precisava tanto de todos eles, que precisava tanto que tudo desse certo.
— Virtutem et fortitudinem plebi suae, benedictus deus, gloria patri...
Num rápido lampejo, os olhos de Crowley ficaram vermelhos e, em seguida, sua boca se abriu. A fumava densa e vermelha foi expelida pelo corpo, espalhou-se pelo coreto e mergulhou no chão a toda velocidade, deixando uma marca de cinzas para trás.
— Até mais, Crowley — Sam balbuciou diante da cena, sabendo que o demônio voltaria em breve para reaver o seu corpo.
Na sequência, a Legião, enfraquecida, caiu de joelhos dentro do círculo de fogo. Mas recuperou-se rápido e fez menção de levantar para destruir cada um deles brutalmente.
Foi neste momento que Castiel se posicionou diante da entidade e encostou a Mão de Deus em sua testa, fazendo-a cair de joelhos novamente, incapaz de se mover depois disso e em visível agonia.
Sob olhares atentos, o artefato começou a emanar uma luz forte e muito calor. A Legião gritava e seu rosto se contorcia continuamente, revelando horrendas faces de anjos caídos sob a pele.
Então Castiel ordenou firme e convicto:
— Em nome de Deus, eu expulso você, Legião, deste corpo e desta terra. Para nunca mais voltar, reencontre sua prisão, esqueça a localização de Lúcifer e passe o resto da eternidade em agonia nas profundezas do Inferno. — Inclinando-se um pouco para encarar a Legião nos olhos, finalizou: — Amém, assbutt.
A Mão de Deus brilhou com mais intensidade e todos, exceto Castiel, protegeram o rosto do clarão com as mãos e fecharam um pouco os olhos. Mesmo assim, conseguiram ver o espectro enegrecido de cada anjo caído que saiu do corpo na sequência.
Um vento forte apagou as chamas no entorno do grupo. Logo depois, a Legião se unificou numa densa fumaça, serpenteou em volta do coreto até sair por completo e mergulhou no chão logo a frente com uma força descomunal.
À medida que adentrava o solo, todo o asfalto ao redor rachou, gerando um tremor. As luzes da praça e das ruas adjacentes oscilaram por alguns instantes. Por fim, tudo cessou.
O silêncio e atmosfera de alívio reinaram enquanto as nuvens pesadas se dissipavam e revelavam um céu azul e ensolarado.
Então Mia esbarrou em Castiel com a lateral do corpo e brincou:
— Adorei a oração. Principalmente o final. Assbutt? Sério? É com essa boca suja que você me beija?
O anjo sorriu de canto ao mesmo tempo em que a garota puxava a Mão de Deus para si e dizia:
— Então essa coisinha estranha funcionou mesmo, hum? Parabéns, Deus...
Subitamente, ela parou de falar e sentiu uma onda de calor intenso percorrer o seu corpo. O artefato — teoricamente descartável — voltou a emanar um brilho forte, que logo se espalhou sobre sua pele e lhe arrancou o ar.
Mia tentou respirar, mas não conseguiu, deixando Castiel e os outros alarmados.
Foi como um choque. Uma corrente elétrica intensa e dolorosa percorreu cada centímetro do seu corpo e ela arfou, enquanto a Mão de Deus escapava por entre seus dedos e encontrava o chão.
— Mia! — Castiel a segurou quando ela estava prestes a cair.
Foi como se alguém tivesse fechado as cortinas de repente. Sem forças, Mia perdeu os sentidos e seus olhos se fecharam.
Porém, ao invés de escuridão, ela se encontrou no mais completo branco. Num lugar estranhamente pacífico e acolhedor.
***
Mia não saberia afirmar quanto tempo se passou, mas em dado momento sentiu-se consciente e bem o bastante para abrir os olhos. Devagar, acostumando-se aos poucos com o cenário e atmosfera de sonho que se revelava a sua volta. Era um tipo de bar, mas estava completamente vazio. Ou quase.
Enquanto Mia estava sentada numa das mesas, alguém tocava violão num pequeno palco adiante. Os últimos versos de uma canção chamada Fare Thee Well foram entoados pelo homem que vestia roupas comuns. Seus cabelos tinham um tom de castanho quase acobreado e a barba espessa lhe dava um ar um pouco nerd.
Sem entender quem ele era, onde ela estava e como tinha ido parar ali, Mia se viu completamente tensa, incapaz de reagir ou dizer qualquer coisa para o estranho que terminava o último acorde da música.
Quando ele colocou o violão de lado e desceu do palco, Mia empertigou-se ainda mais apreensiva. Pensou em fugir, mas para onde iria?
Onde estava? Por que a última coisa que se lembrava era de estar no coreto com Castiel e seus amigos? O que estava acontecendo afinal? Estava em perigo? Por que não se sentia em perigo?
— Café, Mia? — o homem perguntou de repente, causando-lhe um sobressalto.
Sem entender como ele tinha chegado tão rápido na sua mesa, como sabia o seu nome e de onde tinha surgido o café, a caçadora ergueu o olhar em sua direção e observou, com os olhos ligeiramente arregalados, a garrafa térmica e duas canecas que o sujeito segurava.
Sem esperar por resposta, o homem sentou no banco de frente para ela e serviu a bebida fumegante para os dois.
Sem cerimônia, levou o café aos lábios e tomou um generoso gole, enquanto Mia lia o que estava escrito na parte frontal da caneca dele: World’s Greatest Dad.
Uma ideia maluca de quem o homem na sua frente poderia ser surgia na mente de Mia. Antes que tal sugestão ganhasse força, ele repousou a caneca sobre a mesa e anunciou:
— Eu acho que nós devemos conversar.
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