Entre Cinzas & Esperança
15 Mãozinha?
Notas iniciais
Sentada em uma poltrona da sala principal do bunker, Mia era observada atentamente por Castiel, os Winchester, Bobby, Natalie e Claire. Eles estavam em pé, espalhados ao redor dela, um tanto apreensivos e curiosos, esperando Mia relatar em detalhes o sonho premonitório que havia tido.
Depois de tomar um gole de café para se acalmar um pouco e se concentrar melhor, ela finalmente se pronunciou, com um olhar distante:
— No meu sonho, eu via essa palavra, Croatoan, escrita à tinta em um muro, na fachada de um prédio, em postes, entalhada em algumas árvores também, enfim... Por toda a parte. — Erguendo a cabeça na direção dos caçadores e do anjo, Mia indagou: — Então, o que diabos isso significa?
Depois de trocar um olhar cúmplice com o irmão, Sam explicou pausadamente:
— Deixando a colônia Roanoke e o teor folclórico de lado, Croatoan é um vírus... Demoníaco. Ele faz as pessoas ficarem violentas, é transmitido por contato direto com o sangue, incurável pelo que sei.
Tentando esconder certo nervosismo, Mia brincou com sarcasmo:
— Uau! Parece divertido.
Sam ergueu as sobrancelhas por um instante, pensativo, e então prosseguiu:
— Há alguns anos, eu e Dean vimos o vírus dominar uma pequena cidade no Oregon. No final, os moradores simplesmente desapareçam e a epidemia acabou. Hoje eu sei que aquilo foi um teste pra mim. Azazel precisava saber se eu era imune ao Croatoan. Bem... Digamos que ele teve a sua resposta.
Enquanto Mia assimilava a história e se dava conta de que havia muitas coisas sobre Sam, e provavelmente sobre Dean, que ela não conhecia — como esta história do Oregon, por exemplo —, Claire observava o ex-marido discretamente. Podia perceber que Sam sentia certa vergonha daquela parte de si. A parte que era imune a um vírus demoníaco.
Por um momento, ela quis confortá-lo e dizer que aquilo não definia quem ele era. Que o importante eram as pessoas que salvou e que, mesmo quando errou, ele estava tentando fazer a coisa certa.
Entretanto, antes que Claire pudesse falar qualquer coisa, Dean — que também havia notado o olhar distante do irmão —, tomou a palavra:
— E quando Zacariah me enviou para o futuro, o vírus tinha se espalhado pelo mundo. Lúcifer o usou... Na verdade, o usaria como uma arma contra a humanidade. Se nós não tivéssemos impedido o Apocalipse, é claro. — Percebendo o quanto aquilo tudo era meio maluco e lhe dava dor de cabeça só de lembrar, ele resumiu: — É uma longa história. Hoje, aquele futuro que Zacariah me mostrou é passado e nunca se concretizou. Pra ser sincero, eu não tenho certeza se era mesmo real ou apenas um trote daquele careca infeliz. — Rindo um pouco, Dean olhou especificamente para Mia e deixou escapar: — Mas você precisava ver o Cas naquele 2014. Foi... Perturbador.
— Jura? — A garota franziu o cenho, curiosa. — Por quê? — questionou, olhando do caçador para o anjo algumas vezes.
Sentindo que tinha falado demais, o Winchester mais velho hesitou e engoliu em seco.
Enquanto isso, o anjo se perguntava o que Mia acharia do Castiel daquele futuro alternativo. Pelo o que Dean relatou na época, ele vivia chapado e planejando orgias. Realmente perturbador.
Convencido de que era melhor a caçadora não tomar conhecimento daquilo — mesmo porque nunca havia se concretizado de verdade —, Castiel apressou-se em retomar o foco da conversa:
— Não importa. O que importa é que, segundo o seu pesadelo, o vírus Croatoan será usado novamente. Desta vez, pela Legião de Lúcifer.
Apesar de intrigada por ele e Dean não terem respondido sua pergunta, Mia assentiu em concordância e tomou mais um pouco do café, enquanto Bobby afirmava convicto:
— Esse futuro também não vai se concretizar. Nós não vamos permitir.
Todos olharam para o velho caçador por um momento e refletiram sobre o que teriam que fazer para salvar o mundo de um segundo Apocalipse.
Ainda pensando nisso, Natalie olhou para Mia e balbuciou:
— Você disse que sabe que futuro é esse, então...
— Novembro de 2020 — Mia revelou rapidamente, antes que a loira terminasse de falar. — Eu me vi em uma loja de conveniência, algo assim. Tinha revistas e jornais em uma prateleira. Eu vi a data. 05 de Novembro de 2020.
— Alguma chance de você saber o local também? — Claire arriscou, prevendo que seria muita sorte a garota possuir aquela informação.
Como ela já esperava, Mia balançou a cabeça negativamente e replicou:
— Desculpe, estava tudo muito confuso. Mas a loja se chamava... Daisy's, eu acho.
Atento, assim como os demais, Sam ponderou:
— É um começo. Eu vou pesquisar e descobrir onde fica.
Então ele seguiu rumo à mesa, sentou-se e levantou a tela do notebook. Logo estava procurando pela loja de conveniência em um site de busca.
Enquanto ele fazia isso, Dean notou algo estranho no semblante da amiga e indagou:
— Mia, o que foi?
Após um instante de oscilação, ela ergueu o olhar na direção de todos eles e expôs o que a incomodava:
— Vocês acham que foi Gabriel que plantou essas informações na minha cabeça? Ele disse que eu ia saber...
— Não foi Gabriel — Castiel assegurou taxativo, antes de explicar melhor: — Ele viu o futuro, sabia que você teria esse sonho, só isso.
Depois de pensar um pouco e perceber que o argumento era válido, Mia assentiu:
— Você está certo. — Ela respirou fundo e recomeçou: — Então, quais os próximos passos agora?
Repassando as últimas horas em sua mente, Claire recapitulou:
— Nós sabemos para que futuro ir e o que temos que fazer lá.
Em seguida, foi a vez de Natalie dizer:
— Só falta... O Sangue de Deus que vai vaporizar os anjos caídos da face da Terra.
— E um feitiço para nos transportar a 2020, certo? — lembrou Bobby.
Quase imediatamente, Castiel se pronunciou firmemente:
— Não será necessário. Essa parte é comigo.
Todas na sala se entreolharam, inclusive Sam, que desviou a atenção da internet ao ouvir aquilo. Mas foi Mia que decidiu dizer alguma coisa a respeito:
— São muitas pessoas para levar, Cas. E para trazer de volta.
— Eu sei — o anjo assentiu e então reafirmou: — E consigo.
Sem conseguir conter certa preocupação com o anjo, Mia retrucou:
— Mas você ficou zonzo e, cá entre nós, meio verde também quando voltou do passado. Outra viagem no tempo, ainda mais nessas circunstâncias, pode ser perigosa demais.
Sentindo seu orgulho ferido pela caçadora duvidar da sua capacidade de fazer aquilo, Castiel semicerrou o olhar na direção dela e reforçou:
— Mia. Eu consigo.
Irritada com a teimosia, e no fundo ainda preocupada, ela se ouviu redarguindo em tom de bronca:
— Acho bom mesmo, porque eu não vou voltar sem você, ouviu? Nada de sacrifícios nessa história. — Sem graça, Mia piscou algumas vezes, abaixou a cabeça e sibilou: — Nada... mesmo de sacrifícios.
Ao perceber que tanto a garota quanto o anjo tinham ficado meio constrangidos diante de uma palavra específica que fora mencionada, Dean revirou os olhos e retomou:
— Como a Natalie disse, e o Sangue de Deus? O que é isso afinal?
Prontamente, Castiel se recompôs e começou a explicar:
— É um código bíblico para artefatos que contêm parte do poder ou energia de Deus. — Depois de sentar ao lado de Mia no sofá, ele uniu as mãos na frente do corpo e acrescentou: — Miguel foi o responsável por banir Lúcifer, foi um duelo desgastante. Por isso, ele precisou de uma... Mãozinha para expulsar o terço dos anjos do céu que estavam ao lado do traidor.
— Mãozinha? — Natalie parecia confusa.
— Artefatos? — repetiu Dean, interessado. — Então existe mais de uma arma? Isso é bom. Nós precisamos só de uma, certo?
— Não é tão fácil de encontrar — Castiel avisou, um pouco desanimado. — O que nós estamos procurando na verdade se chama Mão de Deus. Como eu disse, são artefatos bíblicos especiais, mas que nunca aparecem nas escrituras sagradas com esta nomenclatura, justamente para não levantar cobiça acerca do seu poder. Infelizmente, nem mesmo os anjos sabem aonde esses artefatos foram parar. Depois de tantos milênios, eles podem estar em qualquer parte do mundo. Definitivamente, são muito raros e cobiçados.
— Nós podemos começar por museus religiosos, igrejas antigas, criptas, pelo Vaticano talvez... — Mia enumerou, tentando pensar em mais opções. Mas percebendo que todos a encaravam de um jeito estranho, questionou: — O que foi?
Todos se entreolharam, até que Dean resolveu dizer o que estava pensando:
— Talvez você também tenha essa resposta. Onde encontrar um artefato desses. Tudo o que você precisa fazer é... Dormir um pouco.
— As coisas não são tão simples e previsíveis assim, Dean — protestou a garota, lhe lançando um sorriso amarelo. — Pode ser que eu tenha um sonho útil, pode ser que não. De qualquer forma, nós não podemos ficar sentados aqui, esperando que um milagre aconteça.
Erguendo as mãos em sinal de rendição, Dean se defendeu em tom divertido:
— Ei, foi só uma sugestão. Se você não está com sono, era só dizer.
Mia limitou-se a lhe mostrar língua. Na sequência, Sam chamou a atenção deles e dos demais ao anunciar:
— Pessoal, eu descobri uma coisa interessante sobre a loja Daisy's. Só existe uma delas, em Hood River, uma pequena cidade com um pouco mais de 7 mil habitantes, no Oregon. O mesmo estado onde o vírus Croatoan se manifestou pela primeira vez, aliás. Não pode ser apenas uma coincidência.
— Aposto que não é — concordou Dean.
Após um breve momento de silêncio, Castiel anunciou:
— Eu vou falar com os outros anjos. Descobrir se eles têm qualquer pista sobre alguma Mão de Deus perdida pelo mundo. É pouco provável, mas não custa tentar. Independentemente do que meus irmãos me disserem, eu vou procurar o artefato logo depois. — Ele se levantou do sofá e então orientou: — Por enquanto, vocês deviam se preparar e descobrir o que puderem sobre essa cidade do sonho da Mia.
Ao perceber que Castiel ia partir imediatamente para o Céu, ela se pôs ao seu lado e apressou-se em pedir:
— Ei, calminha aí! — Quando o anjo a fitou, esperando que ela dissesse o motivo do pedido, Mia entrelaçou seu braço no dele e explicou-se rapidamente: — Eu sei que você não curte muito esse lance convencional de sair pela porta, como todo mundo, mas será que poderia abrir uma exceção e me deixar te acompanhar até lá fora desta vez? Eu preciso te dizer uma coisa importante. Tirar uma dúvida. Coisa rápida, eu prometo. É só um minuto.
Um pouco confuso, Castiel assentiu. Logo, ele e Mia se afastaram e seguiram rumo à saída, enquanto os que ficaram para trás se perguntavam em pensamento o que a garota tinha a dizer ao anjo que não podia ser na frente deles.
Ao chegar do lado de fora do bunker e perguntando-se o mesmo, Castiel voltou-se na direção de Mia e sibilou:
— Então, o que você queria...
Ele não conseguiu terminar o raciocínio. Antes disso, a caçadora jogou os braços em torno do seu pescoço, tirou os calcanhares do chão e lhe roubou um beijo, pressionando seus lábios nos dele com ímpeto por um tempo longo demais.
Apesar de surpreso, Castiel fechou os olhos instintivamente, envolveu a cintura de Mia de um jeito delicado e firme ao mesmo tempo, trazendo-a para mais perto do seu corpo, e permitiu-se corresponder, como se apenas aquele momento existisse e apenas aquele beijo importasse.
E quem diria o contrário?
Lutando para respirar contra o rosto do anjo, Mia mergulhou em sua boca profundamente, ao mesmo tempo em que se agarrava mais a ele e flexionava a perna direita para trás, tirando aquele pé do chão.
Castiel inclinou-se sobre a caçadora, estreitando o abraço já apertado e caloroso demais entre os dois, e envolveu os lábios de Mia com mais desejo e ternura. Se ele precisasse respirar, estaria completamente sem fôlego naquele momento.
Como ao contrário dele, ela sim precisava de oxigênio, Mia diminuiu o ritmo devagar e afastou o rosto aos poucos. Ofegante, inspirou algumas lufadas de ar, antes de sorrir e conseguir dizer:
— Por favor, não demore. Eu já estou com saudade, anjo. Agiliza, okay?
Meio zonzo, Castiel mal teve tempo de assimilar aquelas palavras e um beijo rápido e estalado de despedida, que a caçadora lhe deu. Quando se deu conta, ela já havia se afastado e caminhado de volta ao bunker.
Castiel teve a impressão de que Mia ainda lhe desejou boa sorte com a busca pela Mão de Deus, antes de sumir de vez do seu alcance de visão, porém não saberia confirmar se foi isso mesmo, nem quais palavras exatamente ela usou.
Arrebatado e desnorteado, o anjo olhou tudo em volta e demorou um pouco para se lembrar do que tinha que fazer.
Ir para o Céu. Era isso. Era por lá que iria começar.
Por mais que agora a ideia de adiar a partida lhe parecesse muito tentadora, ele sabia que, infelizmente, não poderia ceder à vontade de ficar. De ficar por Mia. De ficar com ela.
O anjo demorou-se mais um pouco por ali, até se lembrar de como suas asas funcionavam. Finalmente, o farfalhar delas se propagou no ar e então ele desapareceu.
***
Assim que Mia adentrou a sala do bunker, notou que nem Bobby, Claire ou Natalie estavam por perto. Apenas Sam e Dean se encontravam ali, conversando baixo sobre algo que ela não pôde compreender.
De qualquer forma, era a oportunidade ideal para tentar colocar algum juízo naquelas cabecinhas de vento. E foi pensando nisso que ela limpou a garganta e anunciou:
— Ei, rapazes. Posso falar com vocês um minuto?
Olhando na direção dela, Dean se fez de chocado e envergonhado ao responder:
— Oh, Mia! Desculpe, mas não vai rolar. Eu acho que o Cas não ficaria muito feliz.
— Além disso, e sem ofensa — Sam ergueu as mãos, como quem pede desculpas antecipadas, e entrou na brincadeira do irmão: —, você não faz muito o nosso tipo.
Mia estreitou o olhar, encarando os dois, e finalmente compreendeu o que estava acontecendo ali.
Sam e Dean, de certo, haviam espiado — provavelmente por uma das janelas —, a conversa que ela anunciou que queria ter com Castiel. E agora estavam brincando, ao comparar o que ela disse, para arrastar o anjo para fora, com o que havia acabado de falar aos dois.
Ao concluir isso, ela riu de um jeito encenado e retrucou:
— Nossa, que engraçado! Da próxima vez que vocês pensarem em fazer uma piadinha dessas, não façam, tudo bem?
Esboçando um discreto e malicioso sorriso, Dean replicou:
— Da próxima vez que você quiser dar uns amassos no Cas, invente uma desculpa melhor.
Um pouco envergonhada, Mia encerrou aquele assunto, cruzando os braços e repreendendo os caçadores:
— Tudo bem, mas da próxima vez que eu fizer isso, não espiem.
— Fechado. — Sam riu um pouco e na sequência indagou: — E então? Sobre o que você quer conversar?
— Sobre... — Mia fez mistério enquanto caminhava até a mesa e se apoiava em uma cadeira de frente para eles. — Bem, sobre os tipos de vocês.
Não foi preciso pensar muito para que os caçadores entendessem do que ela estava falando. Ou melhor, de quem. Na verdade, eles chegaram às respectivas conclusões bem rápido, quase por instinto.
E enquanto a reação de Sam foi se retrair um pouco, desconfortável com o tema pessoal, Dean revirou os olhos e cortou logo:
— Não começa. — Vendo que Mia ia abrir a boca para insistir, ele se antecipou: — Olha, eu fico feliz que você e o Cas finalmente tenham se entendido e estejam se agarrando por aí, legal, mas isso não te dá o direito de bancar o cupido para cima de mim ou do Sammy. Então, antes que você comece com as suas gracinhas, pare.
Um pouco frustrada, Mia voltou-se para Sam, esperando que ele estivesse mais aberto ao diálogo.
Por mais que sua última conversa com Claire tivesse lhe dado certa esperança, o Winchester mais novo achou melhor manter os pés no chão e não fazer alarde sobre isso. Afinal, Claire havia dito um passo por vez, e Mia tinha o costume de acelerar as coisas.
Sendo assim, Sam procurou desconversar:
— Você pode ter boas intenções e querer resolver as coisas por nós, Mia, mas, por favor, apenas esqueça esse assunto, okay? Nós temos trabalho a fazer, e é nisso que temos que nos focar agora. Apenas nisso.
Inconformada e pensativa, Mia cruzou os braços e observou os caçadores a sua frente, enquanto ponderava seus argumentos.
— Por favor, diga que você entendeu? — pediu Dean depois de algum tempo, percorrendo o rosto dela com o olhar à procura de qualquer sinal afirmativo.
Então Mia soltou um longo suspiro e respondeu:
— Entendi, rapazes. Podem ficar tranquilos...
Por um momento, Sam e Dean sentiram certo alívio, e até surpresa já que Mia tinha aceitado a derrota fácil demais. Contudo, tudo mudou quando a caçadora arqueou uma sobrancelha e retomou o raciocínio:
— Podem ficar tranquilos, pois eu não vou, de forma alguma, deixar vocês dois morrerem solteirões e amargurados assim. Que tipo de amiga eu seria se deixasse? — Após uma breve pausa, ela concluiu: — Bem, isso me lembra que eu também tenho trabalho a fazer. Então se as madames me dão licença, fui!
— Mia... — Sam começou a dizer, mas então a garota saiu rapidamente dali, pela tangente, deixando-o no vácuo.
Dean ainda a seguiu com o olhar, mas não soube o que dizer para detê-la. No fundo, ainda estava assimilando o significado das palavras de Mia.
Por mais que dissessem para si mesmos que qualquer estratégia, artimanha ou esforço que ela fizesse seria em vão, no fundo, os irmãos tinham certa esperança de que não fosse assim.
No fundo, Dean só tinha desistido porque acreditava que era o que Natalie queria. E Sam queria respeitar o tempo e o espaço de Claire.
Fazendo um esforço, os irmãos enterraram o assunto por ora e voltaram ao trabalho. Não tinham muita escolha afinal.
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