Notas iniciais
Oi, gente! Como foram de Carnaval? Espero que tenham se divertido! Eu saí no Unidos do Netflix mesmo. Bem, semana passada não teve capítulo novo, mas agora tem um bem especial e tenso ehehehehe Por enquanto, boa leitura, e leiam as notinhas finais!

Mia tentava se concentrar na voz de Castiel, mas o seu coração estava tão acelerado que as batidas ressoavam em seus ouvidos e abafavam qualquer coisa que o anjo dizia naquele momento.

A sensação ruim que o pesadelo deixou em sua mente e em seu corpo também dificultava o foco em qualquer coisa ao redor ou a um palmo do seu nariz.

A imagem de Castiel em chamas, morrendo em uma armadilha, somada a flashes trêmulos de becos escuros e uma torre de relógio imponente não ajudavam nem um pouco. Só deixavam tudo mais confuso e sinistro, intensificando o frio no estômago de Mia e o nó em sua garganta, além de lhe causarem uma repentina e intensa enxaqueca.

Porém, aos poucos e com certo esforço, ela encontrou o olhar de Castiel, sentiu as mãos dele firmes em seu rosto suado e o ouviu dizer com segurança:

— Fique calma, Mia. Foi só um pesadelo. — Suas mãos desceram para os ombros dela. — Já passou.

Balançando a cabeça negativamente e com um olhar oscilante, a caçadora retrucou:

— Nunca é só um pesadelo quando se trata de mim, você sabe disso.

— Talvez seja desta vez. Todo mundo têm pesadelos de vez em quando, até pessoas com dons como o seu — articulou Castiel. E segurando o rosto de Mia com mais firmeza para que ela voltasse a se concentrar nele, acrescentou: — Eu estou aqui, vou continuar aqui e não vou morrer em uma armadilha qualquer, não se preocupe. Foi só um pesadelo.

— Você não tem como ter certeza disso — redarguiu Mia, soando mais aflita do que esperava. Ao perceber isso, afastou as mãos dele do seu rosto, revirou os olhos e murmurou: — Oh céus... Isso é constrangedor.

Confuso, Castiel franziu o cenho e perguntou:

— Isso o quê?

Aos gaguejos e sentindo o seu rosto ruborizar gradativamente, Mia respondeu atrapalhada:

— A minha... Preocupação com você. Nós estamos separados, portanto, eu não devia... — Constrangida, ela se levantou e deu alguns passos à frente. Em seguida, virou-se para encarar Castiel novamente, soltou o ar com força e admitiu: — Eu só não quero que você se machuque. Muito menos que... Morra.

Mia sentiu um arrepio gélido percorrer a sua coluna ao pronunciar a última palavra, mas sentiu-se reconfortada quando o anjo deu alguns passos em sua direção e assegurou:

— Eu não vou. Está tudo bem e eu prometo que vai continuar assim.

Havia algo em Castiel que acalmava Mia imediatamente, que a fazia acreditar em suas palavras mesmo que, no fundo, ela soubesse muito bem que ele não tinha controle sobre tudo, todos, sobre a vida e a morte. Embora o seu racional ainda estivesse em alerta, o seu coração acreditava nele, confiava nele. Tudo ficaria bem de alguma forma. Sempre ficava.

E foi movida por este mesmo coração que Mia deu um passo à frente, acabando com a curta distância entre ela e Castiel, aconchegou-se em seu peito um pouco sem jeito, escondeu o rosto em seu sobretudo e passou os braços em torno do anjo que, apesar de surpreso, correspondeu o gesto tão logo assimilou a atitude da caçadora.

Longos instantes se passaram, até que Mia respirou fundo, fechou os olhos, deixando que a presença de Castiel a acalmasse ainda mais, e confessou:

— Eu não sei por que estou te abraçando.

Sem conseguir resistir, o anjo insinuou:

— Eu acredito que seja pelo mesmo motivo pelo qual você disse "nós estamos separados" e não "nós terminamos." É diferente, sabia? Término envolve algo definitivo. Já o que está separado pode se unir novamente.

— Bitch, please... — resmungou, dando um leve soco no ombro de Castiel. — Não estrague o momento, eu ainda estou com raiva de você. — Apesar disso, Mia o abraçou mais forte e, após algum tempo, refletindo sobre os últimos dias e aquela situação em que se encontravam, admitiu: — Não muita agora.

Castiel sorriu levemente, feliz com o pequeno, porém significativo, progresso que havia feito. E enquanto acariciava os cabelos da caçadora, comemorou discretamente:

— Que sorte a minha.

Mia permaneceu em silêncio pelos instantes seguintes, até que o pesadelo era só mais um pesadelo no meio de tantos outros que já havia tido até aquela noite, com a diferença que ela resolveu acreditar em Castiel sobre aquele, devia ser mesmo apenas um pesadelo e havia passado.

— Eu acho que vou te beijar, anjo do Senhor — anunciou simplesmente, deixando-se levar por aquele sentimento que a fazia abraçar Castiel apesar de tudo.

— Eu não vou me opor — foi tudo o que ele conseguiu dizer, sentindo um súbito nervosismo, mas definitivamente ansioso e feliz com aquela ideia.

Tomando coragem para prosseguir, Mia diminuiu a pressão do abraço, afastou o rosto do peito dele e fitou o anjo diante de si por algum tempo. Em seguida, tocou o seu rosto com carinho, fechou os olhos e voltou a se aproximar de Castiel, indo pouco a pouco ao encontro de sua boca, enquanto ele fechava os olhos também e envolvia a nuca da caçadora com uma das mãos.

Seus rostos estavam cada vez mais próximos. O nariz de Mia roçou suavemente no de Castiel. Mas uma badalada vinda do lado exterior se fez ouvir de repente, se propagou rápido por toda parte, fez a caçadora abrir os olhos um pouco assustada e se afastar do anjo, enquanto mais badalos eram ouvidos.

Atônita e sentindo o seu coração parar por um instante ao se lembrar do pesadelo de momentos atrás, Mia se afastou de vez, caminhou atordoada até a janela, mal enxergando o jantar que Castiel havia lhe trazido e posto sobre uma pequena mesa do quarto, junto com uma sobremesa.

Tampouco prestou atenção em um copo térmico com uma quantidade generosa de café em meio àquilo. Tudo o que importava para Mia no momento era descobrir a origem daquele som, daquelas badaladas.

E logo ela descobriu. Assim que parou diante da janela e seus olhos afoitos percorreram a noite lá fora. Lá estava ela. Não muito longe daquele hotel. Uma torre com um enorme relógio no topo. Os ponteiros em números romanos marcando dez horas.

Mia engoliu em seco. Aquela não era a primeira vez que via o tal relógio. Ele apareceu em seu pesadelo minutos antes. Não tinha sido apenas um sonho afinal. Tinha sido uma premonição.

— E lá se foi o nosso momento — a voz de Castiel a despertou daquele estado de choque e inércia.

Disfarçando como pôde, Mia voltou-se em sua direção e forçou um sorriso. Por dentro, estava em pânico e confusa, com medo de admitir para si mesma o que aquele pesadelo significava: de alguma forma, Castiel morreria naquela cidade.

Estranhando algo no semblante da caçadora, ele uniu as sobrancelhas e perguntou:

— Está tudo bem?

— Sim. — Ela balançou a cabeça algumas vezes para reforçar a resposta que saiu quase inaudível. E antes que Castiel ficasse desconfiado e fizesse mais perguntas, Mia relaxou os ombros, soltou a respiração presa em sua garganta e avisou com um sorriso amarelo: — Eu vou tomar um banho antes do jantar, tudo bem?

Embora intrigado com a súbita mudança de comportamento, Castiel assentiu com um meneio de cabeça. E assim que ele fez isso, Mia lhe deu as costas, caminhou até o banheiro, entrou e fechou a porta. Precisava ficar um pouco sozinha, assimilar tudo aquilo e pensar no que fazer.

Então, apoiou-se na porta e respirou fundo algumas vezes, tentando dissipar a aflição dentro de si. Sem sucesso.

Foi até a pia e jogou um pouco de água fria em seu rosto, mas não conseguiu se acalmar, muito menos pensar racionalmente. Estava estagnada pelo pânico que aquela premonição lhe causou. Apavorada com a ideia de que Castiel se machucasse. Pior... Que aquela imagem dele em chamas, morrendo em uma armadilha, se concretizasse.

Mia fechou a torneira e passou as mãos pelos cabelos, os molhando um pouco com o resquício da água. Encarou o próprio reflexo no pequeno espelho diante de si e fechou os olhos com força em seguida.

Logo chegou à uma conclusão óbvia: Castiel não devia ter vindo com ela a Paradise Hill.

Quando abriu os olhos, se lembrou de uma adaga que trazia presa à cintura para eventualidades e a tocou com as pontas dos dedos. E então chegou à outra conclusão: Castiel não podia continuar ali.

Alguma coisa ia acontecer naquela cidade, por isso ela havia sonhado com a placa de Paradise Hill e soube que tinha que ir até lá. Mas o anjo estava correndo um sério risco e Mia não podia deixar que aquela parte da premonição se concretizasse.

Ela precisava descobrir por que sonhou com Paradise Hill, se algo sobrenatural estava à espreita, se aquilo ia resultar em uma caçada. Mas antes de qualquer coisa, precisava proteger Castiel do que quer que fosse. E só havia uma forma de protegê-lo. Mia precisava afastá-lo. Literalmente.

Quando a decisão se consolidou dentro dela, Mia segurou a adaga com mais força e cortou a palma da mão esquerda, comprimindo os lábios para abafar um gemido de dor, enquanto o sangue vinha à tona.

***

Algum tempo depois, Castiel ouviu a maçaneta da porta do banheiro girar e ergueu o olhar em tal direção. Viu Mia parada na soleira com a porta entreaberta. Seu rosto estava um pouco pálido e não parecia que ela havia tomado banho. Só então, o anjo lembrou que não ouviu o barulho do chuveiro desde que ela entrou ali.

Antes que ele pudesse questionar isso, Mia, que até então olhava para a mesa onde o anjo havia acendido duas velas para o jantar, encontrou o olhar dele e se antecipou:

— Você está certo. Eu ainda te amo.

Tais palavras atingiram Castiel em cheio. Por mais que houvesse algo estranho no ar, ele não conseguiu evitar a felicidade que o invadiu diante disso e um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

— Eu sei. E também te amo. Mas acho que você já sabe disso, não é? — limitou-se a dizer, tão absorto por aquele momento que não notou que a mão esquerda de Mia estava oculta.

Com certo esforço, a caçadora tornou a se pronunciar:

— Mas eu ainda estou magoada com o que você fez no Triângulo das Bermudas. E ao mesmo tempo, eu não tenho o direito de estar, porque a verdade é que... Nós somos iguais. Exatamente iguais. Nós estamos sempre tentando proteger o outro, não importa o que isso custe depois. Por isso, se a situação fosse inversa, eu teria feito o mesmo, Cas. Eu sempre fiz e sempre vou fazer o mesmo por você.

Convencido de que havia mesmo um clima estranho no ar, que o comportamento da caçadora havia mesmo mudado nos últimos minutos e que isso não era um bom sinal, Castiel indagou firme:

— Mia, por que você está falando assim? O que está acontecendo?

Esperando que Castiel entendesse o que estava prestes a acontecer, ela insinuou:

— Infelizmente, eu não tenho o poder de te prender em um sonho, como você fez comigo. Isso é tudo o que eu posso fazer.

Um segundo depois, Castiel viu uma gota vermelha pingar sobre um dos pés de Mia e entendeu tudo imediatamente, o que não amenizou a sua surpresa, certa revolta e desespero.

— Você está sangrando! — constatou, enquanto caminhava até ela apressado. — Não faça isso!

Entretanto, Mia foi mais rápida. Antes de tocar o centro do sigilo enoquiano que havia desenhado na porta com o próprio sangue, a caçadora encarou o anjo aflita e despejou a única explicação cabível naquele momento:

— Não foi só um pesadelo, Cas! Eu sinto muito.

— Mia, não! — Castiel gritou, tentando impedi-la, mas já era tarde demais.

Sua voz se tornou abafada, distante e sua imagem desapareceu abruptamente, quando um intenso clarão efluiu do sigilo enoquiano e se espalhou por todo o quarto como um relâmpago.

Incomodada com a luz, Mia fechou um pouco os olhos. Quando o clarão se extinguiu, os abriu novamente. E então estava sozinha ali. Atordoada, pensou em sentar-se no chão e se acalmar um pouco. Mas não havia tempo para isso.

Mia precisava sair do hotel antes que Castiel voltasse. O seu radar de anjo não funcionava com ela por causa da sua imunidade aos seres celestiais. Então quando estivesse fora dali, ele só poderia encontrá-la, caso ela quisesse. E Mia não queria. Não enquanto não soubesse o que exatamente estava acontecendo naquele lugar e resolvesse tudo.

Pela sua experiência, Castiel ia demorar algum tempo para voltar. Portanto, ela tinha que solucionar aquele caso, ir para qualquer cidade bem longe dali por segurança e só então deixaria que o anjo a achasse de novo.

Pensando assim, Mia se recompôs como pôde, caminhou até a cama, sentou e calçou as botas rapidamente. Em seguida, se levantou e vestiu a jaqueta. Prendeu a adaga no cinto. Checou sua arma e a colocou do outro lado em um tipo de coldre.

Depois de olhar a torre do relógio da cidade pela janela uma última vez, soube que era para lá que deveria ir.

Instantes depois, Mia bateu a porta atrás de si e decidiu que iria a pé, deixando o Mustang para trás. Estranhou que Paradise Hill estivesse tão deserta, mas aquela era uma cidade pequena e interiorana. Com certeza,os poucos habitantes dormiam bem cedo.

***

Quinze minutos de caminhada depois, a caçadora deteve o passo em um beco escuro, completamente deserto e olhou para o céu. Ele estava encoberto por nuvens pesadas e escuras que eram iluminadas constantemente por uma sequência de relâmpagos.

No entanto, o som dos raios que soava na sequência era incomum. Era literalmente o ruído de várias descargas cheias de energia. A coloração também era diferente, não eram brancos como relâmpagos e raios costumam se mostrar, mas possuíam uma coloração violeta. Aquilo era, em outras palavras, uma tempestade elétrica.

— Demônios... — murmurou Mia, convencida de que eles estavam em Paradise Hill há pouquíssimo tempo, já que ela não encontrou qualquer atividade sobrenatural em suas pesquisas a caminho dali.

Eles deviam ter chegado junto com ela e Castiel. Um pouco antes ou um pouco depois. Talvez fossem os demônios recém libertados. Talvez tivessem rastreado Castiel e quisessem se vingar por ele ter atrapalhado tanto a ascensão infernal completa.

Aquilo estava cada vez mais estranho e, embora estivesse receosa, Mia voltou a andar pelo beco que viu rapidamente em seu pesadelo até parar em frente a um prédio antigo. Ele parecia com construções do século XIX, possuía uma colocação creme em suas paredes, seus blocos eram visíveis e perfeitamente alinhados. Colunas clássicas incrementavam a sua aparência. Uma escadaria suntuosa, janelas antigas e uma enorme porta de entrada na cor mogno davam o toque final. O único problema é que ele estava mal conservado e com sinais de deterioração na fachada.

Depois de olhar tudo em volta com apreensão, Mia subiu os degraus cautelosamente. Quando parou na entrada, leu em uma placa que ali funcionava o teatro da cidade e que o local estava fechado para reforma. Por isso, Mia estranhou quando empurrou a porta e ela simplesmente abriu.

Sem conseguir enxergar o interior do teatro, Mia pegou uma pequena lanterna que trazia na jaqueta e iluminou o caminho, ao mesmo em que empunhava a sua arma na frente do corpo. Engoliu em seco e finalmente adentrou o lugar. Vacilante.

O prédio estava com aspecto de abandonado. De certo, havia fechado para reforma há muito tempo. Havia enormes plásticos cobrindo algumas partes da estrutura, algumas colunas estavam danificadas e o cheiro de mofo se misturava com uma quantidade desumana de poeira por toda a parte.

As únicas iluminações ali eram provenientes da lanterna da caçadora e dos relâmpagos que iluminavam um enorme salão através das janelas, dando ao teatro um aspecto de filme de terror.

— Nem um pouco estranho — ironizou aos sussurros.

Mia continuou caminhando, com passos lentos e desconfiados, estreitando o olhar na direção de um palco no final do salão, tomando cuidado para não tropeçar nos assentos quebrados pelo caminho.

De repente, ela simplesmente parou e sentiu o seu coração gelar ao ver uma sombra atrás das cortinas vermelhas e em péssimo estado. Um calafrio percorreu todo o seu corpo quando elas se abriram subitamente, revelando alguém no palco. Mia o reconheceu imediatamente e tudo o que saiu de sua garganta foi um nome:

— Crowley.

O Rei do Inferno colocou as mãos nos bolsos, arqueou as sobrancelhas e a cumprimentou com cinismo:

— Olá, Swettie. Sentiu minha falta? Eu com certeza senti muito a sua.

Um longo momento de silêncio se passou, mas a surpresa impedia Mia de raciocinar direito, de reagir, de atacar. Tudo o que ela conseguiu fazer foi se lembrar do pesadelo e murmurar em tom acusatório:

— Você ia matá-lo.

— Desculpe? — Crowley franziu o cenho.

Mia tentou explicar, mas estava zonza com aquela situação e gaguejou a resposta:

— O Cas... Eu vi, eu tive um sonho e você... Eu não via que era você, mas tinha uma armadilha e...

— Oh, não! — o Rei do Inferno a interrompeu, dando um tapinha no ar e entendendo ao que ela estava se referindo. — Aquilo não foi real, foi apenas algo que eu plantei na sua cabecinha perturbada. O que prova que a nossa ligação continua forte, aliás. De qualquer forma, eu só precisava que você acreditasse o suficiente para mandar Castiel para Far Far Away — explicou. — Tão previsível, Swettie. Eu confesso que pensei que seria mais difícil te enganar — acrescentou como uma provocação.

A caçadora não conseguia acreditar no que tinha ouvido. Então, Crowley tinha planejado tudo aquilo? O pesadelo? A premonição falsa? Era tudo mentira para atrai-la até ali?

Zonza e confusa, Mia se ouviu perguntando:

— Por que você fez isso? O que significa tudo isso? O que você quer?

— Não é óbvio? — desafiou Crowley. — Vingança — esclareceu e, após um momento em silêncio, prosseguiu: — E para isso, era óbvio que um certo anjinho intrometido precisava sair de campo, porque isso é entre mim e você, Mia Clarke. Em outras palavras, não é o Castiel que eu vou matar esta noite. É você. — Abrindo os braços para indicar o palco do teatro, Crowley concluiu em tom zombeteiro: — Este é, literalmente, o nosso último ato.

Finalmente, Mia despertou do estado de choque e surpresa que estava a mantendo meio inerte até então. Finalmente, as palavras do demônio surtiram algum efeito nela. Finalmente, o perigo iminente fez uma descarga de adrenalina percorrer o seu corpo e acendeu o seu instinto de sobrevivência.

No entanto, era um pouco tarde para isso. Crowley era esperto e quando a caçadora fez menção de apertar o gatilho da arma — carregada, coincidentemente, com balas contra demônios —, ele foi mais rápido.

Com um simples gesto de mão, o Rei do Inferno fez Mia ser arremessada abruptamente contra um amontoado de assentos quebrados do outro lado do salão. E com isso, a arma que ela segurava se perdeu naquele cenário desolador e caótico.

Um grito escapou da garganta da caçadora e ela arfou, desnorteada pelo forte impacto e pelas dores que se espalharam rapidamente pelo seu corpo.

— Você pode se levantar, por favor? — exigiu Crowley, impaciente e irônico. — Eu não tenho a noite inteira. O espetáculo tem hora para terminar, querida.

Com raiva, Mia olhou na direção do palco e reuniu forças para se reerguer. Mas hesitou ao ver mais seis demônios saindo das sombras e a cercando de forma ameaçadora.

— Oh! Veja só! O que faltava: meus assistentes de palco — zombou Crowley, se deliciando com as oscilações no semblante de Mia. — Eles vão me ajudar a tornar o espetáculo ainda mais interessante.

A caçadora, por sua vez, sentia um pressentimento ruim se intensificando dentro de si a cada instante. Sabia que estava em maus lençóis. Sabia que tinha caído em uma armadilha e que não tinha escapatória. Estava com medo, mas disfarçou, murmurando com sarcasmo para si mesma:

— Gênia.

Notas finais
Eitcha lelê... E agora, gênia? Quem poderá te defender? Como a Mia vai escapar desse ato final com o Crowley, hein? Será que ela escapa? Estão surpresos com a aparição do King? Eu adorei finalmente trazê-lo para a última temporada e o próximo capítulo será DECISIVO. Sobre esse lance dele ter plantado a premonição falsa na mente da Mia, eu me inspirei em algo que o personagem fez na série, se eu não me engano na oitava temporada, com o Kevin. Lembram que o profeta passou um tempo perturbado por alucinações? Pois é. Resolvi aproveitar a ligação que o King e Mia têm e fazer algo parecido. Beeeeeem, sobre o título do capítulo, acho que deu para entender que é uma referência ao que a Mia disse para o Cas, né? Finalmente, ela entendeu o lado dele, finalmente se lembrou que já agiu como ele, que sempre vai agir e acabou agindo nesse capítulo ao mandá-lo para Far Far Away. Isso muda muita coisa, afinal ela não pode ficar com raiva dele, se fez e sempre fará o mesmo para protegê-lo também, não é? Sobre o próximo capítulo, ele será mais curtinho, porém bem tenso e decisivo como eu falei aí em cima. Me aguardem! Por enquanto é só, people! Beijos e não se esqueçam das minhas reviews!