Notas iniciais
Oi! Cheguei com mais um capítulo, chuchus! É grandinho, tem bastante informações, algumas explicações e pitadinhas gostosas de humor! Boa leitura e leiam as notinhas finais!

Sentada ao lado de Castiel no sofá da casa de Bobby, Mia massageava o braço que Jody Mills havia pressionado violentamente, quando a imobilizou contra a porta de entrada minutos antes.

De cara fechada e com um bico que fazia questão de não disfarçar, ela observava a xerife caminhando de um lado para o outro. Seus passos faziam um ruído contínuo contra o assoalho de madeira do recinto.

Recostado em uma estante e de braços cruzados, o Castiel pertencente àquele tempo também acompanhava Jody com o olhar, ao mesmo tempo em que assimilava a história que Bobby havia acabado de lhes contar.

Em dado momento, Mia se convenceu de que Jody não ia se desculpar tão cedo — talvez nunca o fizesse — e prestou mais atenção no velho caçador, sentado na poltrona de frente para ela e segurando os dois bebês, ambos apoiados em suas pernas.

Não demorou muito para que Mia se perguntasse quem eles eram. Os misteriosos bebês tinham algo de familiar, o que a deixou curiosa e intrigada.

Quando ia sondar o assunto, Jody estancou entre ela e Bobby e indagou:

— Então você não é real?

— Eu sou tão real quanto você — ele assegurou, e indicando Mia e o Castiel ao lado dela, emendou: — Ou eles. A única diferença é que nós não somos daqui exatamente.

— Mas isso é loucura! — Mills esbravejou, ainda incrédula, levando as mãos aos curtos cabelos por um instante e voltando a perambular pelo recinto. — Mesmo para nós, é loucura. Viagem no tempo? Tudo bem, não é a primeira vez que algo do tipo acontece, mas mesmo assim... Desculpe, eu simplesmente não sei o que pensar.

— Leve o tempo que precisar — Bobby limitou-se a dizer, enquanto balançava as crianças sutilmente em seu colo.

Após um breve momento de silêncio, Mia resolveu perguntar de uma vez:

— De quem são essas mini pessoas afinal, hein? — Arqueando as sobrancelhas na direção de Bobby e Jody, e ligeiramente chocada com a possibilidade que passou por sua cabeça, arriscou: — Não me diga que vocês...?

Entendendo aonde Mia ia chegar, a xerife deteve o passo imediatamente e negou meio no susto:

— Oh! Não! Não, não, não. A minha fábrica fechou há muito tempo, criança. — Preferindo ocultar certos detalhes naquele momento, explicou: — Eles são filhos de... amigos nossos. Caçadores. Estão aqui temporariamente enquanto os pais, você sabe, caçam.

— Uau! — Mia não conseguiu disfarçar certo assombro e então disparou a falar: — Precisa de muita coragem para procriar hoje em dia. Já é preciso no meu tempo, imagine aqui com o mundo na iminência de ir para o beleléu. Isso sim é loucura. Ainda mais se você for do ramo sobrenatural, convenhamos. Que caçadores malucos e irresponsáveis, ter filhos num mundo desses. Sem ofensa, é claro, afinal eles não sabem sobre a Legião de Lúcifer, presumo, mas mesmo assim, é um mundo cada vez mais caótico e perigoso... Espere, você disse que eles são amigos? E por que eu estou tagarelando?

Ao seu lado e absorvendo cada palavra dita por ela, Castiel matou a charada:

— Porque você fica desconfortável com esse tipo de assunto.

— Fico nada! — Mia protestou no ato, embora soubesse que era a mais pura verdade.

Depois de uma rápida e constrangedora troca de olhares com os dois anjos, ela tornou a observar as crianças no colo de Bobby, pigarreou e sentenciou:

— Eles são tão miudinhos. São como pessoas, só que muito pequenos. Miniaturas de gente.

Mais relaxada e sem conseguir conter um leve sorriso diante do comentário sem noção, Jody esclareceu pacientemente:

— Sim, como todos os bebês costumam ser, Mia. E eles nascem ainda menores, sabia?

Percebendo o tom zombeteiro e ainda magoada com a xerife, a caçadora lhe lançou um sorriso sonso e articulou:

— Obrigada por me lembrar, eu não sou idiota. — Estreitando o olhar na direção dos bebês novamente, questionou: — Mas... como os pais não perdem essas criaturinhas tão pequenas por aí? São como botões.

Um pouco preocupada, Mills pensou alto:

— Bem, eu espero que você descubra como.

Confusa, Mia riu e rebateu:

— Por quê?

Ao invés de responder, Jody encontrou o olhar do Castiel daquele tempo. E pela forma como ele a encarou de volta e balançou a cabeça negativamente de um jeito discreto, ela entendeu que era melhor não alimentar o assunto.

Antes que o silêncio se tornasse suspeito demais, o mesmo anjo pigarreou e tomou a palavra:

— Bobby, você disse que a Legião de Lúcifer está entre nós, que viajou pela linha temporal até este ano e que é por isso que vocês vieram.

— Exato — o caçador confirmou, ignorando o clima estranho no ar.

Dando alguns passos à frente e parando próximo dele, o anjo opinou:

— Mas eu não entendo... Se isso for mesmo verdade, eu estou certo que podemos lidar com o problema sem a interferência de vocês. É um problema deste tempo afinal.

Depois de ponderar rapidamente o argumento, o Castiel de 2016 replicou com firmeza:

— É um problema originado em nosso tempo, portanto, é justo que seja resolvido por nós. Além disso, segundo Gabriel, era muito importante que viéssemos.

— Gabriel? — surpreendeu-se o outro. — Você esteve com Gabriel?

Depois que sua cópia confirmou com um meneio de cabeça, o Castiel de 2020 replicou:

— Mas ele desapareceu desde o Triângulo das Bermudas.

— Não na nossa existência — Bobby intrometeu-se, deixando o anjo daquele tempo pensativo por alguns instantes.

— Por que Gabriel diria para vocês virem até aqui e se intrometerem desta forma? — ele perguntou. — Sem ofensa, é claro — acrescentou, arrancando um sorriso de Mia.

Após pensar por um momento, o Castiel de 2016 expôs sua opinião a respeito:

— Talvez porque seja mais do que importante. Talvez seja extremamente necessário estarmos aqui. Destino, talvez.

De repente, um riso escapou da garganta de Mia e ela cobriu a boca com as mãos imediatamente, tentando se conter.

Confusos, os anjos olharam para ela no mesmo instante e perguntaram em uníssono:

— Qual é a graça?

Contendo mais uma risada, a caçadora afastou as mãos do rosto, respirou fundo e explicou:

— Desculpem, mas dois de vocês, conversando, tentando chegar a uma conclusão, como se essa situação não fosse curiosa, como se vocês não fossem cara de um, focinho do outro, papo de anjo total...

Percebendo que eles, e também Bobby e Jody, permaneciam sérios e com expressões impassíveis, ela parou de falar, ergueu as mãos em sinal de rendição e desconversou:

— Tudo bem, eu vou calar a boca, ninguém achou engraçado mesmo.

A caçadora ficou quieta, limitando-se a prestar atenção no que o seu Castiel disse logo depois:

— Eu tenho uma suspeita. O que tem acontecido no mundo ultimamente? Em termos sobrenaturais.

Após pensar um pouco sobre a pergunta, Jody relatou com um olhar intrigado:

— Tudo tem acontecido ultimamente. Mais criaturas, novas criaturas, híbridos, consequentemente mais caçadas. Parece que o sobrenatural enlouqueceu nos últimos meses.

Também pensativo, como alguém que está perto de matar uma charada, o Castiel daquele tempo acrescentou mais informações:

— Está mil vezes pior do que na época em que Eve caminhou sobre a Terra. Mia, a minha Mia, e Bobby têm caçado sem parar. E Sam, Dean, as garotas... mal têm tido tempo para Henry e Rachel. Passam semanas na estrada, pegando um trabalho atrás do outro. Mesmo meus irmãos têm interferido certas ve...

Sem perceber, Mia foi arregalando os olhos à medida que o anjo dizia aquelas coisas. Atenta a uma parte em específico, ela interrompeu seu raciocínio:

— Espere um pouquinho aí, você disse Henry e Rachel? Quem são esses? E o que Sam e Dean têm a ver com isso? As garotas... Eita!

Perplexa ao deduzir a explicação, Mia ficou sem reação por um momento. Em seguida, apontou discretamente para os bebês que Bobby ainda segurava e balbuciou:

— Essas mini pessoas são... são... Ai meu Deus, eles são...

— Sim. — O Castiel do passado segurou sua mão com uma força gentil, tentando lhe passar calma.

Surpresa, Mia deu um pulo para o lado e questionou:

— E você sabia disso?! Como?!

— Eu sou um anjo do Senhor — ele lembrou, e percebendo que não parecia ser o suficiente para a caçadora, acrescentou: — Posso sentir e enxergar certas coisas. É difícil explicar, mas no momento em que pus os olhos nessas crianças, eu soube quem eram seus pais. Eles têm uma ligação de almas por assim dizer.

Cada vez mais zonza, Mia piscou algumas vezes e inqueriu:

— E o que você acha disso?

— Eu não sei. Mas... estou feliz por eles — respondeu com sinceridade.

— Feliz? — a caçadora repetiu perplexa. — Mas isso é loucura e... irresponsabilidade. Eu acho. Não é?

Achando a reação engraçada e controlando um sorriso, o anjo tornou a envolver a mão dela com a sua e orientou:

— Mia, foco. Nossos amigos tiveram filhos, não é o fim do mundo. A Legião de Lúcifer está à solta, isso sim pode ser o fim.

Enquanto a caçadora ainda assimilava a existência de Henry e Rachel e como o assunto mexia com ela, o anjo voltou-se para a sua cópia do futuro e para Jody, retomando:

— Como disse, eu tenho um palpite e vocês acabaram de confirmar. Todo esse caos é uma distração.

Chegando a mesma conclusão que ele, o Castiel daquele tempo balbuciou:

— Os anjos caídos estão fazendo isso. É claro, faz sentido. Para nos manter ocupados.

Absorvendo a teoria e imaginando que Henry e Rachel exigiam muita atenção de seus pais, como toda criança exige, Bobby emendou:

— Some-se a isso as novas responsabilidades da família... e então a Legião pode fazer o que quiser com o mundo, bem diante dos seus olhos. Quando percebessem o perigo, provavelmente já seria tarde demais.

Tensa e receosa, Jody expirou com força e questionou:

— O que nós faremos agora?

Eles se entreolharam pensativos. O silêncio era interrompido apenas pelos ruídos guturais produzidos pelos inquietos bebês. Mia passou a observá-los com mais atenção, finalmente acostumando-se com o fato de que eles existiam mesmo.

No fundo, estava aliviada por Sam, Claire, Dean e Natalie terem se entendido e construído um futuro juntos. Embora o assunto filhos a assustasse intimamente, Mia estava feliz pelos amigos. Eram corajosos e malucos ao mesmo tempo.

A caçadora estava quase pedindo para Bobby deixá-la segurar uma das crianças, quando batidas firmes e ritmadas na porta ressoaram pelo recinto. Com isso, Mia retomou a postura defensiva e levantou em um pulo.

— Eu atendo! — anunciou, seguindo com passos rápidos até a porta.

Ao abri-la e dar de cara com os Winchester, Claire e Natalie, que tinham se encontrado a caminho do ferro velho, ela brincou:

— Puxa! Vocês não morrem mais. Bem-vindos ao futuro!

Mia fez um breve floreio, mas quando ergueu o olhar e encontrou as expressões ligeiramente confusas dos amigos, endireitou-se e achou prudente confirmar:

— Supondo que isso tenha feito algum sentido para vocês.

Depois de revirar os olhos, Dean a tranquilizou:

— Sim, Mia, fez sentido. Nós viemos de 2016, assim como você, presumo.

— Ufa! Por um momento, eu pensei que tinha falado demais. — Ela riu de si mesma e, apoiando-se na soleira, despejou um tanto distraída: — Seria um problema e tanto se vocês não fossem vocês, hum? Mas pelo o que entendi, vocês estão longe daqui, caçando sabe-se lá o quê, não sei onde. Não vocês, obviamente, mas suas versões do futuro, que também são vocês de alguma forma. Enfim, é confuso e...

— Mia — Sam a interrompeu de um jeito gentil. —, desculpe por cortá-la assim. Não me leve a mal, eu estou muito feliz em te ver e saber que a viagem no tempo deu certo, mas... por acaso Bobby e Cas estão aqui também?

— Yep! — confirmou.

— Ótimo — Sam prosseguiu — Então, já que estamos todos no mesmo lugar e no mesmo tempo, será que nós podemos entrar e conversar sobre os próximos passos?

Mia olhou dele para Dean por um momento, avaliando a pergunta. Depois para Claire e Natalie, que sorriram amarelo e acenaram discretamente, sem entender por que ela não abria passagem de uma vez.

A verdade era que nem mesmo Mia lembrava se havia algum motivo para sua hesitação. Estava feliz em rever os caçadores, é claro, mas tinha a impressão de que estava esquecendo algum detalhe importante. Devia deixá-los entrar pura e simplesmente? Sim? Por que não?

— Okay — disse por fim, dando de ombros e recuando um pouco.

No entanto, assim que Sam e Dean abriram caminho para Natalie e Claire entrarem primeiro, Mia se lembrou do tal detalhe. De dois pequenos detalhes, na verdade.

Imediatamente, ela voltou a se posicionar no meio da entrada. Sem saber como explicar a situação e um tanto em pânico, fechou a porta ao mesmo tempo em que pedia:

— Só um minutinho!

Sem entenderem absolutamente nada do que estava acontecendo ali, Claire e Natalie recuaram no último instante, evitando que a porta atingisse seus rostos em cheio. Em seguida, voltaram-se para Sam e Dean, esperando que os dois tivessem alguma ideia que justificasse o comportamento da amiga. Tão surpresos quanto elas, o mais novo deu de ombros enquanto o outro arriscou:

— Esse lance de viagem no tempo deve ter mexido com a cabeça dela. Tipo, mais. Pane geral.

Dentro da casa, Mia estava imóvel, apoiada contra a porta como uma estátua e com os olhos arregalados, sem saber o que fazer.

Ao perceber que Bobby, Jody e Castiel — versão atual e futura — lhe olhavam de um jeito questionador, ela desembuchou:

— Houston, we have a problem.

— Que seria…? — Jody a incentivou a compartilhar o ocorrido.

Indicando os bebês no colo de Bobby, a caçadora explicou da melhor forma que pôde:

— Os pais das mini pessoas estão aqui. E as mamães também. Que fofo, não? Oh, certo! Só tem um pequeno detalhe: eles ainda não conceberam os filhos. Como lidar?

— Nós não podemos esconder as crianças — foi tudo o que Bobby disse.

No mesmo instante, a caçadora protestou:

— Por que não? É só alguém ficar com elas lá em cima.

Depois de trocar um olhar significativo com Bobby, Jody concentrou-se na garota e lhe explicou:

— Crianças costumam fazer barulho quando estão acordadas, Mia.

— Sério? — surpreendeu-se, franzindo o cenho. Então ela teve uma ideia e sugeriu ao Castiel de 2016: — Você pode colocá-las para dormir, não pode?

O anjo sabia o que Mia tinha insinuado: que ele tocasse as testas dos bebês, fazendo-os mergulhar em um sono imediato e profundo.

Embora tal procedimento fosse indolor, Castiel não se sentia bem com a ideia de fazê-lo. De certa forma, era como manipular pessoas inocentes. Além disso, ele não achava um grande problema seus amigos conhecerem os frutos de seu futuro juntos. Talvez até gostassem da experiência.

Pensando assim, ele se pôs de pé e articulou de um jeito firme:

— Está tudo bem, deixe-os entrar. Eu dou um jeito nisso.

Apesar de receosa, Mia decidiu não retrucar. Mesmo porque novas batidas na porta foram ouvidas, deixando-a ansiosa.

— Já que é assim... okay — assentiu. Depois respirou fundo, virou-se, abriu a porta de sopetão e cumprimentou as visitas com um largo sorriso: — Olá de novo! Entrem, entrem!

Ainda mais confusos, e de certa forma preocupados com o comportamento estranho da amiga, Sam, Dean, Claire e Natalie adentraram a casa devagar, examinando o seu interior pouco a pouco.

O fato de haver dois anjos exatamente iguais na sala chamou a atenção deles imediatamente. A presença de Jody Mills ali também não passou despercebida. Mas quando Sam ia perguntar a respeito de tudo isso, deparou-se com Bobby acomodado em uma poltrona. Sorriu para o velho amigo, seu segundo pai, e uniu as sobrancelhas ao notar que havia dois bebês em seu colo.

Logo, Dean também se concentrou nesta cena e, embora não entendesse por que, sentiu algo familiar quando as crianças o fitaram de um jeito inocente.

Seus pequenos e curiosos olhos percorreram os rostos de Claire, Natalie e Sam também. De repente, estavam inquietas. Seus braços se agitando no ar, como se quisessem alcançar os familiares visitantes. Gritinhos saindo de suas gargantas, numa tentativa de estabelecer alguma comunicação.

Foi Claire que, por fim, resolveu perguntar:

— De quem são esses... bebês?

— Filhotes de coelhos, talvez? — Natalie arriscou, referindo-se a Mia e Castiel do seu tempo. Riu de um jeito nervoso, embora não compreendesse muito bem por que estava tão tensa diante daquelas pequenas presenças.

Então, conforme havia prometido a Mia, o Castiel de 2016 deu um jeito na situação, sorrindo com certa inocência para os amigos e revelando curto e direto:

— Na verdade, são de vocês. Parabéns.

— O que... O quê?! — murmurou Dean, aos gaguejos.

— Nossos... Nossos? — foi tudo o que Sam conseguiu formular, também atônito.

Ambos olharam para Claire e Natalie, que permaneciam estáticas, sem reação, no fundo se perguntando se haviam ouvido mesmo aquilo e se Castiel estava falando sério.

Enquanto os quatro voltavam a observar os bebês e tentavam absorver a novidade, Mia revirou os olhos e ironizou baixinho:

— Muito sútil, anjo. É por essas e por outras que eu te amo.

Satisfeito por ter ajudado e feliz por ouvir a declaração, Castiel sorriu para ela.

Quando a situação começou a ficar incômoda demais — afinal o pesado silêncio só era cortado pelas crianças —, Mia caminhou na direção da cozinha e anunciou:

— Eu não consigo ver isso. Alguém quer café? Ótima pedida! Café, café, café!

Na sequência, Jody a seguiu. Não sem antes tocar o ombro do Castiel do passado e parabenizá-lo pelo seu característico tato.

***

Quando chegou à cozinha, a xerife encontrou a caçadora revirando os armários em busca do café. Ainda confusa com a visitante de outra época, ela questionou:

— Tem certeza que isso é uma boa ideia?

Finalmente encontrando o que procurava, Mia começou a preparar a bebida ao mesmo tempo em que respondia:

— Você está brincando? Café é sempre café. A melhor bebida do mundo não importa de qual época estamos falando.

Percebendo o próprio equívoco, Jody deixou escapar:

— Desculpe, eu me confundi. É que a Mia deste tempo tem preferido manter distância dele.

Meio cética ao imaginar algum cenário onde ela abrisse mão de sua dose diária de cafeína, Mia voltou-se para a xerife e questionou:

— Sério? Ela... eu estou doente? Eu só posso estar doente. Tudo bem, Jody, pode dizer, eu aguento. É grave? Quanto tempo eu tenho? Embora seja triste, é melhor morrer de causas naturais do que em alguma caçada, certo? Mas só por curiosidade, o Cas não pode me curar?

— Mia, você não está doente, apenas... diferente.

Mills não sabia como explicar a situação e tinha a impressão de que estava falando demais. Esperava que Mia se desse por satisfeita com sua resposta, porém não foi o que aconteceu. Prontamente, a caçadora franziu o cenho e perguntou:

— Diferente como? É alguma coisa com o meu cabelo? Foi por isso que você não me reconheceu quando eu cheguei? Eu mudei de novo? Cortei? Escureci os fios novamente? E o que isso tem a ver com eu ter parado de tomar café?

A xerife se arrependia a cada instante de ter tocado naquele assunto. Não podia revelar certos detalhes do futuro de Mia para a própria Mia, podia? Ainda mais se levasse em consideração a forma como ela reagiu quando se deparou com os filhos dos amigos. Ela não estava pronta para a verdade.

Sentindo que o silêncio tornava a conversa suspeita e deixava Mia cada vez mais curiosa — para não dizer desconfiada —, Jody limitou-se a esclarecer:

— Não é o seu cabelo.

A essa altura, a caçadora já havia deixado a tarefa de preparar o café totalmente de lado. Percebeu quando Jody engoliu em seco e olhou para o chão, como alguém que procura uma saída para se livrar de uma saia justa.

Querendo uma explicação mais do que nunca, Mia cruzou os braços contra o peito e inqueriu meio nervosa:

— Então o que... o que é?

— Não importa. — A voz de Castiel se espalhou pela cozinha, junto com o ruído característico de suas asas. — O que importa é que uma coisa não mudou. Você continua muito tagarela, com ou sem café — constatou, esperando que Mia não percebesse sua tentativa de encerrar o assunto.

— E você continua aparecendo nos momentos mais oportunos, não? Sempre enxerido... — rebateu mal-humorada, lançando um sorriso amarelo em sua direção.

Sem perder tempo e querendo encerrar aquele interrogatório antes que fosse tarde demais, o anjo olhou para Jody e insinuou:

— Acho que nossos amigos na sala precisam de ajuda com os filhos.

— Aposto que ainda estão em choque. — A xerife riu de um jeito meio nervoso e prontamente deixou a cozinha sem olhar para trás.

Cada vez mais intrigada com o mistério no ar, Mia voltou-se para Castiel e arriscou:

— Eu envelheci, não foi? Muito para quatro anos. É isso que ela não quer me contar. Eu envelheci, estou caquética e horrível. Caindo aos pedaços, certamente.

O anjo do futuro inclinou a cabeça e a observou compadecido. Apesar de achar desnecessária a preocupação excessiva de Mia com sua aparência, com a ideia de envelhecer e ficar destoante dele, respeitava tal sentimento, entendia que não era fácil para ela. Assim como não foi fácil para ele imaginar, durante muito tempo, que um dia Mia não estaria mais ao seu lado no mundo terreno.

Claro que não pretendia abandoná-la quando sua vida chegasse ao fim. Com certeza estaria lá, em seu pequeno pedaço de paraíso, fazendo parte dele e de suas memórias de alguma forma. Contudo sabia que seria uma experiência diferente do que eles tinham ali, na Terra.

Sobre a questão que mais a incomodava — o envelhecimento —, Castiel queria tranquilizá-la, contar que os dois já tinham descoberto uma solução para isso. Porém não podia, não era aconselhável fazê-lo. Conhecia muito bem a caçadora para saber como ela reagiria. Já havia tido uma boa amostra disso.

Portanto, quanto menos Mia soubesse sobre o seu próprio futuro, melhor. Ela deveria descobrir certas coisas em seu próprio tempo.

Mesmo assim, o anjo não pôde deixar de pensar alto:

— Não se preocupe, você está linda neste tempo. Mais do que nunca.

O elogio e a forma serena como Castiel disse isso fizeram Mia sair da defensiva e relaxar consideravelmente. Sorriu, agradecida.

Foi quando o Castiel do passado também resolveu se materializar na cozinha, chamando a atenção dos dois. O farfalhar de suas asas ainda ecoava nos ouvidos de Mia, quando ele encarou sua cópia ao lado dela e sentenciou com uma ponta de ciúme:

— E você já está de saída.

— De saída? — a caçadora repetiu, olhando de um para o outro. — Como assim?

Depois de trocar um olhar de concordância com o Castiel de 2016, e lembrando da conversa que eles, Jody, Bobby e Mia tiveram na sala momentos antes, o anjo do futuro lhe explicou calmamente:

— Eu... Digo, ele está certo. A Legião de Lúcifer é um problema originado no passado. Gabriel não os convenceria de viajar até aqui, se não fosse o destino de vocês resolvê-lo. Eu não vou interferir, a menos que seja necessário, é claro. Há muito o que ser feito enquanto vocês localizam os anjos caídos e cuidam deste problema maior. O mundo está um caos, pessoas precisam de ajuda, vidas inocentes estão em perigo por causa deles, agora eu sei disso. Há trabalho por toda a parte, para todos nós, caçadores e anjos. Por falar nisso, eles precisam saber o que está acontecendo, sem que a Legião perceba que nós sabemos a verdade e que vocês estão aqui, o que poderia colocar tudo a perder. Além disso... eu tenho que ficar perto da Mia, da minha Mia.

Satisfeita com os argumentos, e mais ainda com o último, a caçadora deu um leve soco em seu ombro, sorriu e disse:

— Isso mesmo, não se atreva a ficar longe dela.

Devolvendo o sorriso, o Castiel pertencente a 2020 assentiu, olhou dela para a sua cópia e lhes desejou:

— Boa sorte.

Assim que ele se foi, Mia encontrou o olhar acusatório do outro Castiel sobre si. Sua expressão não era nem um pouco satisfeita, o que levou a caçadora a rir e debochar:

— Eu não acredito que você está com ciúme de si mesmo. Isso é ridículo.

Estreitando o olhar na direção dela e querendo que Mia provasse a sensação que o incomodava, o anjo provocou:

— Você tem razão, é ridículo. Por isso, quando tudo estiver resolvido, eu vou procurar a Mia deste tempo e conferir se aquele Castiel tem mesmo razão. Sabe, ele me deixou curioso quando disse que você está mais bonita agora. Eu gostaria de ver isso de perto e tenho certeza que você não vai se importar.

Imediatamente, a garota fechou a cara. Com um dedo em riste, orientou de um jeito afiado:

— Se você quiser manter suas penas onde elas estão, eu te aconselho a parar de gracinha agora mesmo. — Após pensar um pouco sobre as próprias palavras, ela admitiu emburrada: — Tudo bem, eu entendo como você se sente.

Com um meio sorriso e deixando aquela sensação de lado, Castiel caminhou até ela e tocou o seu rosto.

— Está tudo bem, Mia, eu não acredito mesmo nele. Eu não consigo conceber um mundo onde você possa ter ficado mais bonita. É impossível.

Sentindo o seu coração disparar e feliz com o fim da cena desnecessária de ciúme dos dois, a caçadora o fitou com carinho, presa em seu olhar por um longo momento. Depois, tocou seus lábios suave e demoradamente. Aninhou-se em seus braços e fechou os olhos. Deve ter suspirado sem perceber e se sentido meio idiota por isso.

Castiel a abraçou no mesmo instante, trazendo sua cabeça para mais perto quando lhe acariciou os cabelos. Beijou-lhe a testa.

Apesar do momento de paz e calmaria, ambos sabiam que havia uma missão importante e racional pela frente. Era para isso que estavam ali afinal. Para encontrar e deter a Legião de Lúcifer.

O que nem um deles podia imaginar era que tais anjos iriam encontrá-los primeiro. Mais cedo do que podiam esperar...

Notas finais
E aí? Gostaram? Se divertiram? Mia estava impossível nesse capítulo, não? Dei mais diquinhas do porquê a Jody achou a moçoila tão diferente... Já mataram a charada? kkkkk E os papais e mamães do ano??? Chocados demais para completar uma reles frase, coitados. Aproveitando, tenho uma pergunta: no próximo capítulo, eu já ia pular para uma certa parte da história e deixar o que aconteceu depois que eles viram os bebês meio em aberto, apenas mostrá-los pensativos, enquanto se deslocam para outro lugar. Vocês acham que tudo bem ser assim, ou é melhor escrever um pequeno capítulo intermediário para mostrar um pouquinho mais de papis, mamis e filhotes? Outra perguntinha: deu para entender quando era o Castiel do futuro e o do passado que falavam? Eu tentei pontuar direitinho cada um, mas não sei se tive sucesso. Estava pensando em colocar as falas do Castiel do futuro em itálico, mas minha beta disse que ficaria feio... O que acham? E neste capítulo eu quis mostrar que o povo do futuro está entretido demais com caçadas meio que orquestradas pelos anjos caídos, que por isso esses anjos estão agindo livremente por aí e que por isso a presença do povo do passado se faz necessária. Ficou bem explicadinho? Esse lance do sobrenatural ter enlouquecido e novas criaturas terem surgido foi inspirado na Eve, Mãe de Todos, da 6 temporada, aliás. Teremos mais explicações daqui pra frente e muitas complicações também. Pelas minhas contas, a fic terá uns 30 capítulos, então cada mergulho é um flash a partir de agora, fiquem ligadinhos que vem tretas das grandes por aí ehehehehe Beijos de luz e não se esqueçam dos reviews, hein? PS: Alguém aí leria um crossover de SPN e Doctor Who? Estou escrevendo... Link em breve kkkkkk