Entre Chamas e Rubis
1 Epítome — A Cidade em Cinzas
O céu nunca deveria arder daquela forma.
Natsu Dragneel observava as chamas refletirem nos vitrais da grande catedral de HavenStone enquanto o vento carregava brasas pelo ar como neve incandescente. O calor não o incomodava.
O que o incomodava era perder o controle.
Um rugido ecoou acima das torres.
Não era apenas fogo.
Era o chamado.
Natsu fechou os olhos por um instante, sentindo a marca em seu peito queimar sob a camisa. A presença ancestral despertava — antiga, colossal… faminta. O dragão não estava no céu.
Estava dentro dele.
— Ainda não… — murmurou, cerrando os punhos.
Mas a cidade já estava em pânico. Guardas corriam. Pessoas gritavam. E no centro da praça, envolto por um círculo de símbolos queimados no chão, algo se partia — um selo antigo.
Uma explosão de energia lançou Natsu para trás.
E então ele a viu.
Entre a fumaça e a luz das chamas, uma figura de vermelho permanecia de pé. Intacta.
Lucy Heatfilia.
Seu vestido rubro brilhava como se tivesse sido tecido com o próprio fogo, mas as chamas se curvavam ao seu redor, como se a reconhecessem. Em sua mão, um colar de rubi pulsava com luz viva.
Não era medo o que havia em seus olhos.
Era decisão.
Ela ergueu a mão, e um feixe de energia escarlate se espalhou pelo ar, formando uma barreira que impediu que os destroços atingissem as pessoas atrás dela.
Natsu sentiu algo mudar.
Ela não estava fugindo.
Estava lutando.
Outro rugido rasgou o céu — desta vez mais próximo, mais real. As nuvens giraram como se algo gigantesco tentasse atravessar o véu do mundo.
O selo estava quebrando.
Lucy virou o rosto e seus olhos encontraram os dele.
Por um segundo, o caos ao redor pareceu silenciar.
Ele viu nela o que todos sempre falharam em enxergar: força contida, inteligência afiada… e coragem suficiente para enfrentar o impossível.
Ela viu nele algo que ele mesmo temia admitir: poder bruto, indomável… mas não cruel.
A conexão foi instantânea. Intensa. Perigosa.
O chão tremeu.
Fissuras se espalharam pela praça, e do centro do círculo rompido emergiu uma coluna de fogo tão alta que iluminou toda HavenStone.
Natsu sentiu o dragão dentro dele rugir em resposta.
Não era coincidência.
Era destino.
Lucy correu até ele.
— Você sente isso também, não sente? — a voz dela era firme, apesar do caos.
Ele assentiu.
— Eles estão tentando libertá-lo.
— Então vamos impedi-los.
Natsu a encarou por um segundo.
Ninguém jamais havia dito vamos.
Sempre foi você.
Ele estendeu a mão.
Ela segurou.
No instante em que seus dedos se tocaram, o fogo ao redor se curvou — não em destruição, mas em reconhecimento.
E acima deles, no rasgo incandescente que cortava o céu, uma sombra colossal começou a se formar.
A guerra não começaria amanhã.
Ela começava agora.
E, pela primeira vez na vida, Natsu não estava sozinho.
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