Entre Canários e Corujas

1 O piar da coruja pt. 1


Pendurado no galho da velha árvore que guardava minha infância, cantarolava com os canários enquanto mordia uma manga madura, doce como a sombra da árvore na tarde quente. Eu tinha doze anos, menor do que hoje, mas já curioso demais como sempre. Dona Maritaca berrava, seu Pardal aprontava, e tudo parecia em ordem até que ouvi o piar de uma coruja. Não era como o de Eduarda Virgis, era mais grave, profundo, e senti-me votivo ao chamado, como se uma promessa antiga me puxasse. Sem pensar, saltei, rolei pela mata e corri, enquanto os outros gritavam, aonde vai Zé?