Entre Amores e Segredos
2 Capítulo 2
POV Edward
Forks, 31 de dezembro de 2005
O relógio marcava cinco da manhã quando despertei, ainda com o peso do mesmo sonho que me acompanhava havia meses.
Ela.
Sempre ela.
A morena de olhos castanhos profundos, quentes como chocolate derretido, surgia em meus sonhos com uma nitidez cruel. Eu nunca via o início nem o fim — apenas a sensação avassaladora de reconhecimento. Como se minha alma a conhecesse muito antes da minha mente ter qualquer chance.
Sentei-me na cama, passei a mão pelo rosto e caminhei até a escrivaninha. O caderno de desenho já estava ali, aberto, como se me esperasse. Peguei o lápis quase sem pensar, e meus dedos começaram a se mover sozinhos.
Cada traço parecia pulsar.
— Edward! Está na hora! — a voz firme de minha mãe ecoou pelo corredor.
— Já vou! — respondi, finalizando os olhos dela antes de fechar o caderno com cuidado.
Nunca deixava ninguém ver.
Minha família sabia que eu desenhava alguém que surgia nos meus sonhos, mas nunca souberam quem. Aquilo era só meu. Intocável.
Vesti meu casaco, peguei a mochila e desci as escadas, encontrando Esme na cozinha, já impecável, apesar do horário.
— Edward, vamos! Você já está atrasado — disse, entregando-me um saco com lanche.
— Dona Esme, eu já sou adulto — provoquei.
— Um adulto universitário irresponsável — respondeu, sorrindo. — Caroline já ligou.
Suspirei.
Caroline Forbes. Bonita, popular, controladora. Minha namorada desde o ensino médio. O que começou como paixão adolescente havia se transformado em algo confortável… e vazio.
No caminho até a faculdade, algo chamou minha atenção.
Um caminhão de mudança estava parado em frente à antiga casa da senhora Dargos. Caixas por toda parte. Uma mulher loira tentava carregar mais do que conseguia.
Sem pensar, atravessei a rua.
— Posso ajudar?
Ela sorriu aliviada.
— Meu Deus, muito obrigada! Meu marido está de plantão e minha filha… bem, sumiu.
Peguei as caixas e subi com ela até o segundo andar. Ao entrar no quarto que ainda estava sendo montado, meu coração parou.
Havia uma fotografia sobre a cômoda.
Uma moça morena.
Os mesmos olhos.
O mesmo rosto.
Minha respiração falhou.
— Linda, não é? — disse a mulher, observando minha reação.
Eu não consegui responder.
Saí dali com a sensação de que algo antigo havia despertado.
E não havia volta.
30 de dezembro de 2005 — New Orleans / Forks
O avião começou a descer lentamente, e o aviso da aeromoça ecoou pelos alto-falantes:
— Atenção, senhores passageiros. Iniciaremos os procedimentos para pouso. Por favor, afivelem os cintos.
Meu estômago revirou.
Encostei a testa na janela e observei Forks surgir entre a neblina. Pequena. Cinzenta. Silenciosa. Como se escondesse segredos antigos demais para serem ditos em voz alta.
Minha mãe segurava um terço com força, os olhos fechados em oração silenciosa.
Meu pai dormia profundamente ao meu lado.
— Charlie! — ralhou ela.
— O que foi, mulher? — ele murmurou.
— Já vamos pousar.
Algo dentro de mim se apertou.
Eu sentia que aquele pouso não era só físico.
Minutos depois, no saguão do aeroporto, foi como se o mundo parasse.
Eu o vi.
Stefan.
Os olhos verdes me encontraram, e meu coração disparou com tanta força que minhas pernas quase falharam. Ele correu até mim, me pegou no colo e me beijou como se o tempo tivesse sido cruel demais por nos separar.
— Eu senti tanto a sua falta — disse ele, ofegante.
— Eu também — respondi, sorrindo, até perceber o olhar sério do meu pai.
— Chefe Swan — disse Stefan, estendendo a mão com respeito.
— Salvatore — respondeu meu pai, firme.
Minha mãe cumprimentou Stefan com educação, mas havia algo contido ali. Uma reserva que eu nunca entendi completamente.
No caminho até nossa nova casa, meu coração batia acelerado. Forks passava pela janela como um cenário distante.
Depois de ajudar meus pais com as caixas mais importantes, Stefan me puxou de lado, com aquele sorriso cheio de planos.
— Quero te levar a um lugar.
— Stefan, eu preciso ajudar minha mãe…
— Vai ser rápido, prometo.
Entramos no carro.
Ele seguiu por ruas mais afastadas, cercadas por árvores altas e silêncio. Parou em frente a uma casa elegante, moderna, de linhas retas e amplas janelas de vidro, iluminada por luzes quentes. Dois andares. Imponente sem ser fria.
— Stefan… — sussurrei.
Ele entrelaçou nossos dedos.
— Eu comprei pensando em nós.
Ao abrir a porta, fui envolvida por um espaço amplo, integrado, com madeira clara, vidro e detalhes minimalistas. A escada moderna levava ao andar superior, e a luz natural parecia abraçar cada canto.
— Esta é a nossa casa — disse ele, vindo por trás e me envolvendo nos braços. — Onde vamos crescer juntos. Onde vamos construir nossa família. Onde vamos ser felizes.
Virei-me para ele, os olhos marejados.
— É linda… — murmurei. — É perfeita.
— Como você — respondeu, antes de me beijar com intensidade, com promessa, com futuro.
E ali, naquela casa moderna, silenciosa e cheia de possibilidades, decidi acreditar.
Mesmo sem saber que, naquela mesma cidade…
alguém já me reconhecia em sonhos.
E que o destino havia começado a se mover. Naquela tarde, nos amamos pela primeira vez na casa que seria nosso lar pelo resto das nossas vidas...
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