Entre Amores e Segredos
10 Capítulo 10
O casamento de Emmett e Rosalie aconteceu em um sábado frio, mas luminoso — um daqueles dias raros em Forks em que o céu parecia conspirar a favor de quem acreditava no amor. A cerimônia foi simples, sem ostentação, sem pressa, sem expectativas alheias pairando sobre cada gesto. Havia apenas verdade.
Bella assistia sentada ao lado de Alice, as mãos entrelaçadas no colo, enquanto Rosalie caminhava em direção a Emmett com uma serenidade que não precisava provar nada a ninguém. Não havia nervosismo. Não havia dúvida. Apenas escolha. Emmett, por sua vez, sorria como alguém que havia passado a vida inteira esperando exatamente aquele momento — e que, agora, finalmente estava inteiro.
— Eles se encontraram no tempo certo — sussurrou Alice, os olhos marejados.
Bella assentiu, mas algo dentro dela se partiu de forma quase imperceptível. Não era inveja. Era consciência. A consciência de que o amor que estava sendo celebrado ali era leve, honesto, livre… e que o dela não se parecia em nada com aquilo.
Edward estava algumas fileiras à frente. Quando virou o rosto e seus olhos se encontraram, o mundo pareceu diminuir de volume. Nenhum sorriso. Nenhum aceno. Apenas reconhecimento. Uma troca silenciosa que dizia tudo aquilo que eles não podiam.
Mais tarde, enquanto os convidados brindavam e riam, Bella observava Esme e Carlisle sentados lado a lado, dividindo o mesmo copo, o mesmo sorriso, o mesmo silêncio confortável de quem construiu uma vida juntos. Renée conversava animadamente com Esme, como se se conhecessem há anos. Charlie observava tudo de longe, atento, protetor, mas estranhamente tranquilo.
— É isso — Bella pensou. — É assim que o amor deveria parecer.
E, pela primeira vez, teve coragem de admitir para si mesma: não era isso que sentia quando pensava em Stefan.
O peso do sobrenome SalvatoreNos dias que se seguiram, Lilian Salvatore passou a ocupar espaços demais na vida de Bella. Suas visitas à casa dos Swan tornaram-se frequentes, sempre acompanhadas de sorrisos calculados, comentários sutis e decisões que não haviam sido pedidas.
— Precisamos adiantar algumas coisas — disse ela certa tarde, sentada ereta no sofá da sala. — O noivado já é público, Bella. As pessoas esperam um cronograma.
— As pessoas… ou a senhora? — perguntou Renée, com delicadeza firme.
Lilian sorriu sem humor.
— Uma família não sobrevive sem ordem.
Bella sentia o anel pesar no dedo como nunca antes. Não era medo. Era desalinhamento. Algo dentro dela gritava que aquele caminho não era seu — e quanto mais tentavam empurrá-la, mais clara ficava essa certeza.
Amor vivido à meia-luzFoi depois de uma dessas visitas que Bella e Edward se olharam por tempo demais no jardim dos Cullen. Não houve toque. Não houve palavras. Mas houve decisão.
Eles precisavam de um lugar onde pudessem ser apenas Bella e Edward — sem sobrenomes, sem expectativas, sem promessas impostas.
E foi assim que aquela noite aconteceu.
A noite já se aproximava quando Bella percebeu o horário. Eram quase sete horas. O encontro com Edward estava marcado, e havia uma ansiedade silenciosa em cada gesto enquanto ela se apressava pelo banheiro. O banho foi rápido, quase automático. Secou os cabelos com cuidado, escolheu um jeans mostarda, uma blusa nude e um sapato da mesma cor do jeans, combinando com a bolsa. Observou o próprio reflexo no espelho por alguns segundos e sorriu — havia algo diferente ali, algo que não vinha da aparência, mas da expectativa.
Ela trancou a casa, chamou um táxi e seguiu em direção ao apartamento de Emmett, sabendo que Edward a esperava.
Ao chegar ao prédio, o porteiro a reconheceu e autorizou sua entrada. O elevador subiu até o décimo andar em silêncio. Quando as portas se abriram, Edward já estava ali, encostado na entrada do apartamento, sorrindo como se tivesse contado os segundos.
— Oi — disse ele, inclinando-se para lhe dar um selinho rápido, quase contido.
— Oi — respondeu Bella, sorrindo, antes de ser puxada suavemente para dentro.
O apartamento estava levemente desorganizado, e Edward riu ao perceber o olhar dela percorrendo o ambiente.
— Não repara a bagunça.
Ele seguiu até a cozinha americana e abriu o forno com um ar orgulhoso.
— Eu fiz um bolo de chocolate…
Bella arqueou a sobrancelha, divertida, aproximando-se.
— Você cozinhando?
— Por você eu faço tudo — respondeu ele, colocando o bolo sobre a mesa.
Mas Bella não demorou a notar uma embalagem de padaria jogada no lixo, encostada na parede. O sorriso dela se abriu imediatamente.
— Você é um péssimo mentiroso.
Edward suspirou, rendido.
— Tá bom… eu tentei fazer o bolo, mas quase incendiei o apartamento duas vezes. Então comprei esse na padaria para você pensar: “Nossa, como meu namorado cozinha bem. Acho que quero casar com ele”.
— Você faz uma péssima imitação da minha voz — ela disse, rindo.
— É mesmo?
Havia algo no olhar dele — travesso, perigoso. Em um movimento rápido, Edward puxou a torneira móvel da pia como se fosse uma arma. Antes que Bella pudesse reagir, ele espirrou água nela. O grito dela ecoou junto à gargalhada dele.
— Então essa é aquela brincadeira em que você me molha toda, certo? — perguntou Bella, tentando parecer séria enquanto ajeitava o cabelo encharcado.
— Por que fazer soar sem graça? — ele respondeu, claramente se divertindo.
— É sem graça! Já vi essa cena umas cem vezes.
Enquanto tentava se secar com um pano, Bella virou-se para a pia cheia de louça suja — e sorriu ao encontrar ali sua vingança.
— Sabe o que nunca aparece nessas cenas?
— O quê?
Ela não respondeu. Apenas pegou uma panela cheia de água e jogou tudo em cima dele.
Edward ficou imóvel por um segundo, completamente ensopado, antes de cair na risada. Mas a reação veio rápido. Ele a pegou no colo, jogando-a sobre o ombro.
— Você… — Bella gritou, batendo nele. — Me solta!
— É melhor pedir desculpas.
— Nunca!
Com uma das mãos livres, Bella enfiou a mão no bolso do jeans dele e puxou a carteira. Começou a mexer, até encontrar a identidade.
— Seu nome do meio é Anthony. Que pretensioso!
— Peça desculpas — insistiu ele, já caminhando pelo corredor.
Edward entrou no banheiro com ela nos braços e a colocou dentro da banheira, ligando o chuveiro. A água caiu diretamente sobre Bella.
— Eu prefiro comer meleca! — ela gritou, rindo e tentando se defender.
— Oh, Bella… — Edward disse, fazendo cócegas nela.
Ela conseguiu puxar a ducha e começou a molhá-lo também. O chão ficou escorregadio, e em um segundo Bella perdeu o equilíbrio, caindo sobre ele. O riso se dissolveu em silêncio quando Edward a beijou.
Ele puxou um cigarro molhado do bolso e colocou na boca, apenas para ouvir a voz dela, ainda ofegante:
— Você devia parar de fumar.
Edward acariciou o rosto dela com cuidado.
— Por você, qualquer coisa.
Ele jogou o cigarro longe e a puxou novamente para um beijo. As mãos dele percorreram o corpo dela antes de se afastar um pouco, sorrindo.
— Acho que você devia tirar essa roupa… pode ficar doente.
— É mesmo? — ela perguntou, com malícia evidente.
— Se você quiser, eu tiro pra você.
— Eu adoraria.
Edward a pegou no colo mais uma vez e seguiu em direção ao quarto de Emmett. Mesmo molhada, ele a deitou na cama e a cobriu de beijos, como se o mundo tivesse desaparecido ao redor deles.
— Tem certeza? — ele perguntou, com o nariz encostado no dela.
Bella respondeu apenas beijando-o novamente.
O resto aconteceu em silêncio, em entrega, em promessas não ditas — até que Edward, com a voz baixa e sincera, rompeu o momento:
— Me promete que isso vai ser para sempre.
— Para sempre, meu amor — ela respondeu, sorrindo.
— Eu amo você, Bella, mais que a minha própria vida.
Ela adormeceu envolta por ele, como se aquele fosse o único lugar possível.
Quando Bella acordou, ainda envolta pelos braços de Edward, soube que não havia mais volta. Aquilo não era confusão. Era clareza.
— Vamos terminar — Edward disse baixo, ainda de olhos fechados. — Eu ligo para Caroline hoje.
Bella respirou fundo, o coração apertado.
— Não.
— Bella…
— Eu preciso olhar Stefan nos olhos quando ele voltar. Preciso ser honesta. Mesmo que doa.
Edward assentiu. Ele sempre respeitava quem Bella era, e isso, mais do que tudo, o fazia amá-la ainda mais.
Do lado de fora, Forks permanecia envolta em névoa.
Mas dentro deles, tudo estava claro demais.
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