Entre Amores e Segredos
8 Capítulo 8
Lilian Salvatore não acreditava em hesitação.
Para ela, dúvidas eram sinais de fraqueza, e o amor — quando verdadeiro — precisava ser selado antes que o mundo encontrasse uma forma de quebrá-lo. Por isso, na manhã seguinte, ela já estava à porta da casa Swan, impecável, decidida, com uma agenda mental que não aceitava desvios.
— Vamos começar pelos preparativos — anunciou, como quem dá uma ordem gentil demais para ser recusada. — Um casamento não se organiza sozinho.
Bella sorriu por educação.
Por dentro, algo se encolheu.
Renée, sempre aberta a experiências novas, parecia encantada com a energia de Lilian. As duas conversavam como velhas conhecidas, trocando impressões, rindo, concordando em quase tudo. Havia algo curioso ali: Renée enxergava romance onde Bella sentia urgência.
O salão de recepções escolhido era o melhor que Forks podia oferecer. Vidros amplos, lustres delicados, jardins externos preparados para cerimônias ao entardecer. Lilian caminhava pelo espaço como se já fosse dela.
— Aqui — disse, apontando. — A cerimônia. Ali, a recepção. Tudo elegante, clássico. Atemporal.
— É… lindo — Bella respondeu, mas sua voz soou distante até para si mesma.
Na mesma tarde, Lilian fez questão de reservar a igreja.
— Logo após o retorno de Stefan — disse ao padre, sem hesitar. — Não há razão para esperar.
Bella sentiu o ar faltar por um segundo.
Era cedo demais.
Rápido demais.
Certo demais… para alguém que ainda se sentia tão confusa.
Vieram os bolos, os doces, as degustações. Tudo perfeito. Tudo impecável. Tudo caro demais para uma cidade pequena demais — e para um coração que começava a se sentir apertado.
Enquanto Lilian falava de sabores e flores, Bella se perguntava quando havia parado de sentir entusiasmo e começado a sentir alerta.
Algo estava errado.
Ela não sabia dizer o quê.
Mas sabia que estava.
Quem percebia isso era Damon.
Ele aparecia nos intervalos, surgia com café na mão, comentários irônicos e um olhar atento demais para alguém que fingia não se importar. Com ele, Bella respirava diferente.
— Você parece alguém sendo empurrada para dentro de um quadro bonito — ele comentou certa vez, encostado no capô do carro. — Mas que não é seu.
Bella o olhou, surpresa.
— Você pensa diferente da sua mãe — disse.
Ele riu, sem humor.
— Sempre pensei. — Depois ficou sério. — Nunca me senti parte daquela família. Stefan carrega o nome Salvatore como um destino. Eu… só sobrevivo a ele.
— E você não acha que o casamento é inevitável? — Bella perguntou, com cuidado.
Damon a encarou por um instante longo demais.
— Nada que é forçado é inevitável. Só é barulhento.
A amizade entre eles crescia ali, feita de conversas sinceras, de silêncios que não exigiam explicações. Damon não a pressionava. Não esperava nada. E talvez por isso fosse tão perigoso.
Os dias passaram rápido, empurrados por compromissos e expectativas.
Quando a formatura chegou, Forks parecia pequena demais para conter tanta gente importante ao mesmo tempo. Stefan, Caroline e Emmett se formaram em Administração, e a comemoração aconteceu na casa dos Cullen.
A casa estava cheia, iluminada, viva.
Bella usava um vestido bege com tons azul-claros, delicado, simples, elegante. Tentava aproveitar a noite, mas sentia os olhares — especialmente um.
Caroline.
Desde o início da noite, havia algo afiado nela. Um sorriso ensaiado, comentários atravessados, proximidade exagerada com Edward. Até que, perto da mesa de bebidas, o inevitável aconteceu.
— Ops — Caroline disse, quando o vinho tinto se espalhou pelo vestido de Bella. — Foi sem querer.
O silêncio ao redor foi imediato.
Bella sentiu o calor subir ao rosto.
— Tudo bem — respondeu, contida. — Acontece.
— Talvez você devesse prestar mais atenção onde anda — Caroline retrucou, com doçura venenosa.
— Talvez você devesse aprender a pedir desculpas — Bella rebateu, firme.
Edward apareceu no mesmo instante.
— Caroline — disse, sério —, chega.
Ela revirou os olhos e se afastou, ofendida.
Edward olhou para Bella, constrangido.
— Me desculpa. Eu… sinto muito mesmo.
— Não foi sua culpa — ela respondeu, embora soubesse que não era toda a verdade.
— Vem comigo — disse ele. — Alice tem roupas suas aqui.
No quarto de Alice, Bella trocou o vestido manchado por outro, delicado, que parecia ter sido feito sob medida. Edward esperou do lado de fora, inquieto.
— Obrigada — disse ela, ao sair.
— Eu devia ter impedido isso — ele respondeu. — Às vezes… eu erro ficando em silêncio.
O clima entre eles mudou.
Era sutil.
Mas intenso.
O espaço parecia menor. O ar, mais pesado. Bella sentiu o coração acelerar quando Edward se aproximou um pouco mais do que o necessário.
— Eu nunca quis te machucar — ele murmurou.
— Eu sei — ela respondeu. — Mas às vezes, mesmo sem querer… a gente sente.
Eles estavam próximos demais agora. O mundo lá fora parecia distante. Edward inclinou o rosto, a respiração tocando a dela.
E então—
— AH! — Alice apareceu na porta. — Desculpa! Não sabia que estava interrompendo… seja lá o que isso fosse.
Bella se afastou rapidamente.
Edward passou a mão pelo cabelo, frustrado.
Alice sorriu, cúmplice.
— Vocês dois são péssimos em fingir normalidade.
Bella saiu do quarto com o coração disparado, sabendo que havia cruzado uma linha invisível — e que, a partir dali, nada seria simples novamente.
O destino não gritava.
Ele sussurrava.
E Bella começava a ouvir.
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