Entre Amores e Segredos
4 Capítulo 4
POV Bella
31 de dezembro de 2005 — Forks, Washington
A casa dos Cullen parecia respirar junto com quem entrava nela.
Não era apenas grande ou bonita — havia algo vivo ali, algo que pulsava por baixo das paredes claras e da madeira impecavelmente polida. As luzes suaves se espalhavam pelos corredores como se tivessem sido pensadas para acolher, não para impressionar. O cheiro de comida caseira misturava-se ao perfume amadeirado do lugar, criando uma sensação quase íntima, como se aquele espaço tivesse sido feito para reunir pessoas, histórias e memórias. E o som das risadas… elas não ecoavam. Elas pertenciam àquele lugar.
Stefan segurava minha mão com firmeza, como sempre fazia quando queria me tranquilizar — um gesto silencioso, mas constante, que dizia estou aqui.
— Está tudo bem? — ele perguntou baixinho, inclinando-se para mim, atento a cada pequena mudança em meu semblante. — Se estiver cansada, a gente pode ir embora mais cedo.
Sorri, genuinamente tocada.
— Está tudo bem, de verdade. Só estou… absorvendo tudo.
Ele beijou minha têmpora com carinho, aquele gesto cuidadoso que sempre me fazia lembrar por que eu o amava. Stefan era assim: presente, dedicado, quase meticulosamente cuidadoso com tudo o que envolvia minha felicidade. Sempre fora. Desde aquele verão em New Orleans, quando apareceu na casa da avó materna como um furacão silencioso e, sem perceber, mudou o eixo da minha vida.
Forks era a cidade onde ele nasceu.
Eu era o verão onde ele aprendeu a amar.
— Bella! — chamou uma voz feminina, doce e firme ao mesmo tempo.
Virei-me e encontrei uma mulher de sorriso acolhedor, olhos gentis e postura serena. Ela se aproximava como quem não invade — como quem reconhece.
— Você deve ser a Bella — disse, segurando minhas mãos entre as dela. — Sou Esme.
Algo dentro de mim relaxou imediatamente, como se meu corpo entendesse antes da mente que ali não havia ameaça, apenas afeto.
— É um prazer conhecê-la, senhora Cullen.
— Nada de senhora — ela riu suavemente, apertando minhas mãos com mais carinho. — Aqui, você é da família.
E eu acreditei. Não porque ela disse, mas porque senti.
Esme me conduziu para dentro com naturalidade, como se aquele gesto fosse a coisa mais simples do mundo. Enquanto caminhávamos, ela falava da casa com um brilho tranquilo nos olhos — contou como havia idealizado cada detalhe ao lado de Carlisle, como cada espaço tinha sido pensado para acolher seus filhos, para ser refúgio nos dias difíceis e palco nos dias felizes.
— Meu marido está de plantão hoje — explicou. — Mas Carlisle vive para essa família. E para cuidar das pessoas. Medicina não é apenas o que ele faz… é quem ele é.
Havia tanto amor na forma como ela falava dele que meu peito aqueceu de imediato.
— Dá pra sentir — respondi, sincera.
Ela sorriu, satisfeita, como se aquela confirmação tivesse valor real.
— E você — disse, olhando-me com atenção, quase como quem enxerga além do visível — tem uma energia muito bonita, Bella. Fico feliz que Stefan tenha encontrado você.
Meu coração acelerou levemente.
— Eu também — murmurei, sentindo o peso doce daquela aprovação.
Antes que eu pudesse dizer mais, um braço enorme passou por cima dos meus ombros.
— Então essa é a famosa Bella! — disse uma voz animada, cheia de vida.
— Emmett! — Esme ralhou, rindo.
Ele era gigantesco, sorridente, parecia ocupar espaço demais para alguém tão leve. Havia nele uma alegria barulhenta, quase contagiante.
— Prazer — disse ele. — Qualquer pessoa que aguente o Stefan merece respeito.
— Ei! — Stefan protestou, rindo.
— Você sabe que eu te amo, cara — Emmett respondeu, puxando-o para um abraço forte. — Somos opostos totais, mas melhores amigos desde sempre.
— Desde que você quebrou meu braço no colégio — Stefan rebateu.
— Detalhes irrelevantes — Emmett deu de ombros.
Ri, encantada. Era impossível não rir.
Alice surgiu logo depois, pequena, vibrante, com os olhos brilhando de um jeito quase… atento demais. Ela me observou por um segundo antes de sorrir, como se tivesse confirmado algo internamente.
— Eu sabia — murmurou.
— Sabia o quê? — perguntei, curiosa.
Ela me abraçou apertado, com uma intensidade que me pegou de surpresa.
— Que você ia se encaixar aqui.
Arrepiei.
Rosalie veio logo atrás, elegante, postura firme, olhar atento. Havia nela uma beleza quase escultural, mas sua voz foi gentil comigo.
— Seja bem-vinda — disse ela. — De verdade.
E então eu entendi: aquela família tinha algo raro. Eles se amavam. Não de forma perfeita, nem silenciosa — mas de forma verdadeira.
Mais tarde, enquanto Stefan conversava com Emmett e Damon — que era tudo o que Stefan não era: irreverente, livre, debochado, dono de um sorriso fácil e uma energia indomável — eu me afastei um pouco para respirar.
Foi assim que encontrei Edward novamente, perto da fonte no jardim.
Ele parecia parte do lugar. Não como alguém que mora ali, mas como alguém que pertence.
— Você parece… em casa — ele observou, a voz baixa, quase cuidadosa.
— Acho que sim — respondi, surpresa comigo mesma. — Sua mãe é incrível. O jeito como ela fala do seu pai… dos filhos… dá vontade de fazer parte disso.
Ele sorriu, com algo profundo atravessando seu olhar.
— Esme tem esse efeito.
Sentamo-nos lado a lado, sem pressa, sem urgência, como se o tempo tivesse diminuído apenas para nós dois.
— Stefan nasceu aqui — eu disse, quase para mim mesma. — Mas a gente se conheceu em New Orleans. Ele estava visitando a avó. Às vezes penso que o destino gosta de ironias.
Edward inclinou a cabeça, pensativo.
— Ou de ciclos.
Olhei para ele, sentindo novamente aquela estranha familiaridade que não tinha nome.
— Você acredita nisso?
— Em destinos que se cruzam mais de uma vez? — perguntou.
Assenti.
— Acredito — ele respondeu. — Mais do que deveria.
Antes que o silêncio se tornasse perigoso — denso demais, significativo demais — Stefan apareceu.
— Estava te procurando — disse, sorrindo. — Minha mãe quer te mostrar umas fotos da infância… e isso é uma ameaça real.
Ri.
— Estou indo.
Ele passou o braço ao redor da minha cintura, me puxando para perto com naturalidade. Edward nos observou em silêncio — sério, respeitoso, contido.
À meia-noite, os fogos iluminaram o céu de Forks.
Em casa, meus pais estavam abraçados na varanda. Mamãe segurava meu terço antigo, os olhos fechados, os lábios murmurando algo que eu não ouvi.
— Escuta seu coração, Bella — ela sussurrou depois, ao telefone. — Ele lembra de coisas que você esqueceu.
Fechei os olhos e fiz um pedido.
Não por respostas.
Mas por coragem.
Quando o ano virou, eu já sabia.
Não era apenas atração.
Não era curiosidade.
Era reconhecimento.
Observei Bella sorrindo ao lado de Stefan — sendo cuidada, protegida, amada. E mesmo assim, algo dentro de mim doía em silêncio, como uma memória antiga despertando sem aviso.
Alice se aproximou, os olhos distantes.
— Isso vai mudar tudo — ela disse.
— Já mudou — respondi.
Do outro lado da sala, Emmett ria alto com Stefan, Damon dançava com alguém, Esme observava tudo com lágrimas discretas nos olhos.
E eu entendi.
Algumas histórias não começam quando as pessoas se conhecem.
Elas começam quando as almas se lembram.
E aquela…
Estava apenas no com
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