Entre Amores e Segredos
11 Capítulo 11
Três meses haviam passado desde a partida para Amsterdã.
Quando Stefan e Caroline finalmente retornaram a Forks, não houve abraços exagerados, nem histórias empolgadas, nem aquela alegria típica de quem volta transformado por uma viagem. Houve expectativa — e estranhamento.
A recepção aconteceu na casa dos Cullen, num fim de tarde cinzento, com o céu carregado demais para o mês. Esme organizara tudo com cuidado: mesa posta, comida quente, flores simples espalhadas pela sala. Tentava, como sempre, manter a harmonia.
Mas havia algo no ar que não se organizava.
Bella percebeu assim que entrou.
Stefan estava diferente. Não fisicamente — ainda era o mesmo sorriso treinado, o mesmo toque cuidadoso em suas costas —, mas havia uma rigidez nova em seus gestos, como se estivesse constantemente se policiando. Caroline, por outro lado, parecia confortável demais. Segura. Ocupava o espaço com naturalidade excessiva.
— Vocês devem estar exaustos — disse Esme, abraçando Stefan com carinho genuíno. — Três meses fora… deve ter sido intenso.
— Foi produtivo — respondeu Stefan, seco demais.
Edward, encostado perto da estante, observava em silêncio. Seus olhos iam e vinham entre Stefan e Caroline, atentos aos detalhes que ninguém mais parecia notar.
— E Amsterdã? — perguntou Alice, tentando soar animada. — Vocês devem ter mil histórias!
Caroline sorriu de canto.
— Foi… interessante.
— Fotos! — Emmett completou. — Vocês tiraram fotos, né? Não acredito que foram pra Europa e não voltaram com nada comprometedor.
O silêncio que se seguiu foi desconfortável.
Stefan respirou fundo, claramente irritado.
— A gente não estava lá pra brincar — disse, firme. — Estávamos estudando. Não foi férias.
— Nossa… — murmurou Rosalie, arqueando a sobrancelha. — Tudo bem então.
Damon, encostado na bancada da cozinha, girava lentamente o copo entre os dedos. Ele não falava, mas via.
Viu quando Caroline lançou um olhar rápido demais para Stefan.
Viu quando Stefan desviou.
Viu o peso do silêncio entre eles.
— Engraçado — comentou Damon, casual, quebrando o clima. — Três meses juntos, outro país… e nada marcante pra contar? Ou vocês combinaram esquecer?
Stefan o encarou, tenso.
— Dá pra não começar, Damon?
— Eu nem comecei — respondeu ele, erguendo as mãos em rendição falsa. — Só achei curioso.
Bella observava tudo à distância, o peito apertado. Havia algo errado. Não era intuição — era evidência.
Lilian Salvatore chegou logo depois.
Elegante, segura, ocupando o espaço como quem entra em território que lhe pertence.
— Meus queridos — disse, beijando o rosto de Stefan e lançando um olhar avaliador sobre Bella. — Finalmente todos juntos.
Ela se aproximou de Bella, segurando-lhe as mãos com força sutil demais para ser afeto.
— Precisamos conversar sobre datas — disse, sorrindo. — O tempo passa rápido quando se tem compromissos importantes.
Bella assentiu, sem conseguir responder.
Naquela noite, Edward tentou falar com Caroline.
Chamou-a para o jardim, longe dos outros.
— Precisamos ser honestos — disse ele, baixo. — Isso não está funcionando.
Caroline o encarou por longos segundos, como se calculasse cada palavra.
— Eu estou grávida.
O mundo pareceu inclinar.
— O quê…? — Edward engoliu em seco.
— Estou grávida. E o filho é seu. — Ela se aproximou um passo. — Agora você vai assumir o que construiu.
Edward não respondeu. Não conseguia.
Enquanto isso, Stefan preparava sua própria encenação.
Dias depois, levou Bella até a casa que comprara para os dois. Tudo ali gritava futuro: móveis novos, luzes quentes, promessas silenciosas nas paredes vazias.
— Eu fiz isso por nós — disse ele, segurando seu rosto. — Pela nossa vida.
Bella fora ali para terminar.
Mas quando Stefan falou de saudade, quando a beijou com aquele cuidado antigo, quando mencionou planos e estabilidade, ela fraquejou.
E ficou.
Depois, sozinha, no banheiro, Bella sentiu a culpa esmagá-la. A água caía sobre seu corpo, mas não limpava nada.
— Edward… — sussurrou, com a testa apoiada na parede fria.
Na tarde seguinte, eles se encontraram.
Edward parecia despedaçado.
— Caroline está grávida — disse ele, direto.
Bella sentiu o ar faltar.
— E… o que você vai fazer?
— Vou assumir. — Ele respirou fundo. — Mas eu escolho você. Eu quero você.
Ela ergueu a mão, interrompendo-o.
— Não. — Sua voz era firme, apesar das lágrimas. — Seu filho merece uma família inteira. Não restos.
— Bella, por favor…
— Eu amo você — disse ela, tocando o rosto dele. — Justamente por isso… eu não posso deixar que você destrua a vida de uma criança por mim.
Edward fechou os olhos.
— Isso está me matando.
— A mim também.
Eles se despediram sem beijo.
Sem promessa.
Apenas perda.
Naquela noite, Bella sonhou de novo.
Sonhou com outras vidas, outros erros, outros reencontros. Sonhou com escolhas que sempre chegavam tarde demais.
E quando acordou, entendeu:
A primeira rachadura do noivado já era visível.
A segunda… seria impossível de esconder.
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