Entre Amor e Ódio

4 Capitulo 3-Garota em fuga


Desde os nove anos, Beatriz morava naquele internato, havia perdido os pais ainda criança, nem seus avós não puderam ter sua guarda.

Apenas Garry o advogado e amigo de seu pai a visitava a cada quinze dias.

Ele era como um segundo pai pra ela desde criança sempre a tratou bem, ela o chama de Tio Garry ou padrinho.

A cada dia que passava naquele lugar, ela se sentia cada vez mais sozinha, não conversava com ninguém e passava a maior parte do tempo trancada no seu quarto.

—Como ela esta hoje?-Perguntou Garry a diretora,antes de ve-lo

—Ela apenas participou da aula e voltou para o quarto, me preocupo com essa garota.

—Já são cinco anos, ela era uma garotinha doce e carinhosa.

—Vou levar o senhor até o quarto dela, espero que ela anime-se ao ve-lo.

Bia estava deitada na sua cama a olhar para o teto.

—Como vai minha menina?-Disse Garry ao entrar

—Como vai minha menina?-Disse Garry ao entrar.

—Garry!-Ela levantou e correu para abraça-lo.

—Como você está?

—Tento ficar bem,e você como está?

—Estou bem e trouxe uma coisa para você, vamos nos sentar.

—Meu chocolate preferido. -Ela animou-se quando ele lhe entregou. -Obrigado.

Com ele era diferente, a mesma garota de sempre,mas lá no fundo ela tinha uma tristeza que nunca jamais iria superar.

—Como está indo aqui?

—É o pior lugar do mundo eu odeio aquelas garotas, elas ficam me chamando de garota órfã,prefiro ficar aqui do que sair para o patio.

—Mas as vezes é 'preciso sair daqui e tomar um ar lá fora, se você quiser podemos fazer isso juntos?

—Tudo bem eu aceito.

Foram para fora dar uma volta enquanto conversavam:

—Quando eu vou poder sair daqui,padrinho?

—Você sabe que eu tenho tentado de todas as formas,mas não tenho conseguido, sinto muito eu sei que é difícil pra você ficar aqui e que sente a falta deles...

—A cada dia nesse lugar, a cada ano é uma eternidade eu tento ser forte mais não consigo eu sinto falta deles e nunca vou saber o que aconteceu.-Bia começa a chorar e Garry abraça.

—Sempre que precisar eu vou estar aqui Bia, você sabe disso e quando você sair daqui eu vou estar te esperando e tenho certeza que você vai seguir em frente e seus pais iriam ficar muito felizes com você.

—Nunca vou ter a família que eu tive um dia de volta.

—Seus avós eles são sua família e assim como você precisa deles eles precisam de você, deveria aceitar vê-los.

—Tenho que voltar, preciso terminar uma tarefa e obrigado pelo chocolate, ate logo padrinho.

A cada ano que ela crescia iria ficando mais difícil de lidar. Bia estava cada vez mais amargurada e rebelde, desde aquele dia ela começou a brigar com outra garotas.

—Droga eu tenho que sair desse lugar, não suporto mais ficar aqui.

—Calma Bia, logo você completa 18 anos então pode sair.

—Ei Carly, ainda faltam 3 anos.

—Então vamos planejar uma fuga.

—Não me de ideias garota.

—Por que não, a segurança daqui nem é boa e em uma hora e meia estamos na cidade, podemos pedir para meu primo nos buscar ele nos leva até a cidade e ninguém mais vai nos achar.

—Não tenho tanta certeza assim.

—Mas pensa, eu quero sair daqui logo.

Duas semanas depois ...

—Bia, vamos acorda precisamos ir.-Carly batia a porta da colega as duas horas da manhã.

—Não tenho certeza disso Carly, vou voltar a dormir se quiser pode ir.

—Não vou embora daqui sem minha melhor amiga, vamos levante agora pega suas coisas e vamos. -A garota entrou e puxou as cobertas de Bia.

—Isso vai nos causar problemas. -Disse Bia.

Carly aguardava na porta, enquanto Bia terminava de guardar suas coisas na mochila.

Apesar daquele lugar ser uma completa aberração ainda sim foi seu abrigo a quase 9 anos.

—Vou sentir saudades daqui. -Disse Bia antes de fechar a porta do quarto e sair.

Na manhã seguinte...

Mansão Familia Fernandez

Trim Trim...

—Bom dia, quem fala? -A empregada atendeu ao telefone.

—Aqui é a diretora do internato, preciso falar com o senhor Garry é urgente.

—Só um momento vou transferir a ligação para ele.

—Senhor tem uma ligação do internato vou transferir para o escritório.-Avisou a empregada ao bater na porta.

—Obrigada vou atender.

—Senhor Garry, como senhor está?

—Estou bem, só um pouco preocupado com que irá me contar.

—Sinto muito em ter que dizer isso, mas a garota fugiu.

—Como assim fugiu, por que ela fugiria.

—Nesses dois últimos dois anos o comportamento dela tem sido muito difícil, acho que foi pela madrugada que ela fugiu e digo uma coisa senhor ela não agiu sozinha, uma garota que entrou a dois anos elas tem ficado próximas.

—A garota também fugiu?

—Sim as duas juntas, essa garota não é boa companhia,ela deve ter ido para a cidade ela não deve estar longe.

—Vou procurar por ela, obrigada por avisar.

—Me liga quando encontrar ela.

Garry desligou o telefone e pegou seu celular e fez algumas ligações para alguns amigo que eram policiais e detetives e depois foi para tomar café.

—Está tudo bem querido?

—Não a diretora do internato acabou de ligar, Bia fugiu nessa madrugada.

—Mas como?

—Ela estava cada vez mais odiando aquele lugar, motivos ela teve.

—Mas onde ela esta, devia ter ligado para você.

—Vou tomar um café e depois vou procurar por ela em algum lugar, já liguei para uns amigos eles devem estar procurando por ela.

—Cadê os meninos, Leia poderia chama-los.-pediu Mariah.

—Como nossa pequena passou a noite?

—Melhor a febre baixou.

—Bom dia família.

—Gui como passou a noite?

—Estudando até tarde,mas dormi bem.

—Tudo bem pai parece preocupado?

—Ah nada além de problemas de trabalho.

—Devia contar a ele Garry e se ela tiver que morar com nos agora.

—Podemos conversar mais tarde sobre isso.

***

Ao acordar pela manhã, Bia vestiu outra roupa e foi na geladeira procurar alguma coisa para comer.

—Bom dia gata!- disse Luca ao entrar na cozinha

—Oi, não tem leite ou pão?

—Não vai ter que comprar, não tenho grana gata senão te daria.

—Mais que droga, antes tivesse ficado naquele lugar.

Bia foi ate sua mochila, tinha alguns trocados guardado e saiu para comprar alguma coisa para comer.

Estava sentada em um banco na praça comendo um sanduíche que havia comprado, até que dois garotos se aproximaram e começaram a mexer com ela.

—O que faz sozinha tão cedo na rua gatinha?

—Ei sai daqui me deixa sozinha cara.

—Que tal irmos para algum lugar se divertir um pouco?-Disse o outro.

—Nunca,sai daqui idiota.-Ela levantou e tentou fugir mas um deles a agarrou.

—Me solta cara, seu idiota.

—E você vai fazer o que não tem ninguém pra te socorrer gata.

O garoto iria beijar ela, quando ela deu um chute nas partes intima dele e saiu correndo.

—Garota idiota eu ainda te pego um dia!

Bia corria apavorada precisava voltar pra casa, mas que casa que ela não tinha, não lembrava do caminho de volta para casa do primo da Carly.

—Garry, mas não me lembro do telefone dele.

Ficou andando sempre uma direção, não conhecia nada de Chicago, a muito tempo não andava por aquele lugar.

Precisava encontrar um telefone publico, lembrava pouco mais iria tentar.

Discou os números que achava ser mas não eram de Garry.

—Que droga e agora?

Garry não estava conseguindo entrar Bia e nem seus amigos, parou no sinal para esperar abrir, quando olhou pra outro lado da rua e viu alguém que era familiar.

—Bia.-Esperou o sinal abrir e parou em uma vaga e foi procura-la.

—Bia, Bia.

A garota olhou para trás e viu seu padrinho parado.

—Padrinho.

—Ei estava preocupado com você,porque não me ligou ?

—Ah eu não lembrava do seu telefone.

—Vamos sair daqui, precisamos conversar.

Foram até um café para conversar, enquanto Bia se alimentava porque ainda estava faminta, enquanto Garry conversava no celular.

—Havia me esquecido de como panquecas são boas.

—Bia porque você fugiu?

—Estava entediada lá, a qualquer momento isso aconteceria.

—A diretora estava preocupada com você, mas já avisei ela que te encontrei.

—E você vai me levar de volta pra lá?

—Não você vai ficar alguns dias na minha casa e depois veremos o que fazer com você.

—Tudo bem.

—Você já está satisfeita ou quer mais alguma coisa?

—Não já comi o suficiente por hoje, obrigado.

—O que você acha de comprar algumas roupas novas pra você e depois vamos conhecer onde eu moro?

—Pode ser!

Mais tarde, era meio dia já e Mariah estava preocupada seu marido não havia dado noticias.

—Papai chegou!-Gritava Clara ao olhar pela janela da frente.

A porta da frente se abriu e Garry entrou e atrás dele uma garota que parecia assustada e com medo:

—Meu amor você demorou,estava aflita sem noticias suas.

—Desculpa querida eu acabei esquecendo.

—Vejo que você encontrou ela, seja bem vinda querida me chamo: Mariah.-Ela estendeu a mão para cumprimentar a garota.

—Oi me chamo Bia, a senhora é muito bonita.

—Ah obrigada, mas você também.

—Mãe porque o papai trouxe essa garota pra casa, ela vai morar com a gente agora?-Clara escondia-se atrás da mãe.

—Bia essa é a Clara minha filha mais nova.-Garry apresentou.

—Oi Clara você é muito linda.-Bia se aproximou da garota

—Oi,você também.

—Bia vamos sentar,vou pegar um prato pra você.

—Cadê os meninos?

—Julio iria ficar até mais tarde no colégio e o Gui,ainda não chegou.

—Posso te servir Bia?

—Claro senhora.

—Me chame de Mariah e seremos boas amigas.-Ela riu

Estavam almoçando quando Clara derramou suco na roupa.

—Clara filha olha o que você fez, vamos nos trocar daqui pouco começa sua aula.

Mariah levou a filha para cima.

—Esta uma delicia ne?

—Sim muito bom.

A porta da frente abriu e Bia ouviu passos atras dela.

—Guilherme filho, demorou hoje.

—Desculpa pai, o transito estava agitado hoje e teve um acidente no caminho.

—Quem é nossa convidada?-O garoto sentou na minha e começou a se servir.

—Bia esse é meu filho mais velho Guilherme.-Apresentou Garry.

—Oi prazer Bia.

—Oi prazer.

Bia ficou um pouco envergonhada em ter que comer na frente de uma garoto,ainda mais tão bonito ele era tanto parecido com o pai e a mãe,ele tinha a pele clara, os cabelos lisos e castanho claro e os olhos da mesma cor mais um pouco esverdeados e um sorriso de tirar o folego.

Quando Bia terminou de comer empurrou seu prato.

—Quer mais alguma coisa Bia?

—Não estou satisfeita.

—Ótimo, vou te levar para o quarto de visitas pra você descansar.

No andar de cima, andaram por um corredor cheio de portas.

—É aqui pode entrar.

O quarto era enorme e tinha uma cama de casal no meio e uma cômoda e uma tv média e janelas altas.

—Pode ficar a vontade Bia, vou pegar suas coisas no carro, se precisar de alguma coisa pode me chamar vou estar no escritório.

Tirei meu tênis, e me joguei na cama.

Era tão macia, melhor que aquela cama do internato.

Bia ligou a Tv e pouco depois estava dormindo, e isso durou até a noite.

[A garota levantou e foi tomar um banho, ao sair do banheiro enrolada na toalha e foi procurar uma roupa para vestir, estava se vestindo quando alguém entrou no quarto]

A garota levantou e foi tomar um banho, ao sair do banheiro enrolada na toalha e foi procurar uma roupa para vestir, estava se vestindo quando alguém entrou no quarto.

—Ei porque não bateu antes de entrar. -disse Bia terminando de colocar sua calça de moletom

—Ah desculpe achei que você estivesse dormindo, o jantar esta na mesa senão quiser comer frio se apresse bela adormecida.- Disse o garoto.

—Eu já desço.

Devia ser o outro filho do Garry ele era parecido com o outro exceto pelo cabelo mais escuro.

Ela terminou de se vestir e penteou o cabelo e desceu para baixo.

—Descansou um pouco querida?

—Sim aquela cama é melhor que a que eu tinha no internato.

—Olha só nossa hospede morava em um internato e porque você não nos contou pai.

—Júlio por favor, não foi uma vontade da Bia morar lá esse tempo e espero que você não fique chateando ela como faz com sua irmã. — Garry chamou atenção dele.

—Claro pai, eu vou tentar só não prometo.- Ele olhou para o pai e depois deu um sorriso irônico a garota.

—Meu filho é assim mesmo ele ainda não aprendeu a se comportar como adulto, mas se ele te chatear Bia não deixe de me contar.-Garry disse a Bia.

—Claro pode deixar.

Depois do jantar, venho a sobremesa e depois foram sentar na sala.

—Amanha vou fazer umas comprar, não quer me acompanhar Bia?

—Ah pode ser,Mariah.

Mais tarde, no seu quarto Bia estava vendo Tv e como estava sem sono decidiu pegar uma água na cozinha, a casa estava silenciosa. Acendeu a luz da cozinha e foi procurar um copo nos armários e depois água na geladeira.

Sentou em cima da bancada e bebeu sua água.

Pensava nos seus pais e que aquela casa poderia ser a sua, mas não era assim mais, não tinha família e deixou uma lagrima cair.

[-Está tudo bem?-Perguntou Guilherme ao ver que Bia estava com os pensamentos longe e que a garota chorava]

—Está tudo bem?-Perguntou Guilherme ao ver que Bia estava com os pensamentos longe e que a garota chorava.

—Sim está.-Ela mentiu.

Ele pegou um copo com água e ficou parado em frente a garota.

—Sem sono?

—É acho que dormi de tarde o suficiente.

—Eu bebo um pouco de leite quando não consigo dormir.

—Minha mãe me dava sempre quando eu não conseguia dormir,mas acho que isso não funciona mais...

—É também acho que não-Ele riu.

—Acho que vou tentar dormir.-Ela desceu da bancada e colocou o copo na pia.-Boa noite.-Ela foi saindo da cozinha.

—Boa noite Bia.-Guilherme fez o mesmo com o copo e foi logo atras dela.

***