Entre Amigas
1 ... a Gente Jamais Esquece!
Notas iniciais
Na enorme fachada da loja estava escrito Sex Shop BollaCat. E tinha um desenho de um gato preto brincando com um novelo de lã. Hermione podia imaginar que Luna a convidaria para acompanhá-la em qualquer lugar do mundo… menos em uma loja que vendia produtos eróticos.
— Santo Deus, não vai me dizer que me chamou para…
— Conhecer uma loja de sex shop! — Ela riu da cara de vergonha da outra. — É que eu não queria vir sozinha, amiga!
— Devia ter me perguntado se me sentiria à vontade vindo em numa loja dessas! — a morena ralhou.
— Anda, vem! Vamos entrar. Também nunca estive em uma, e precisava da minha melhor amiga do meu lado nesse momento.
— E o que diabos nós vamos fazer aí dentro? — Bufou.
— Ora, mas que pergunta! Ver os produtos dos trouxas, saber para que servem, quais são mais interessantes… — Luna tentava convencer.
— E para que isso?
— Estou preparando uma noite inesquecível com Neville. E talvez algumas dessas coisas que vendem aí possam me ajudar e deixá-la mais ardente — confessou.
— Você é uma depravada, Luna! Por que me arrastou junto, se não sei de nada desses produtos? E nem me interessa saber…
— Para aprender também. Ou acha que não sei que você é Rony também tem suas brincadeirinhas? — disse dissimulada.
— E o que a faz pensar isso? — Hermione perguntou, tentando agir segura de si.
— A mudança no seu comportamento, a no dele. As vezes anda parecendo que está nas nuvens, distraída com tudo… Isso é de quem faz sexo. E bastante sexo!
— Você está cheia de caraminholas na cabeça. Isso, sim! — disse rubra.
— É. Devo estar mesmo — falou debochada. — E então? Vamos entrar ou ficar aqui na calçada marcando presença para quem estiver passando na rua?
— E tem outro jeito? — perguntou a morena.
— Não! — Luna respondeu.
Ao entrarem na loja, já podia sentir o clima daquele lugar. Era algo que convidava as pessoas a seduzirem as outras em uma relação sexual. As paredes eram pintadas de preto, com detalhes em vermelho sangue. A iluminação era fraca, como a luz branda de um motel. Nas paredes, várias pinturas de casais em diversas posições sexuais, algumas até bem inusitadas. Balões no formato de coraçõezinhos vermelhos presos no teto e um cheiro de rosas que impregnavam as narinas de quem entrasse.
Ali trabalhavam duas moças. Uma estava ocupada atendendo um grupo de amigas que, hora sim e não, riam sem parar. A outra, de pele bem negra como a noite, foi ao encontro de Luna e Hermione, sorrindo.
— Olá, meninas! Posso ajudar em alguma coisa? — perguntou a vendedora.
— Ah, sim… É que… — Luna estava sem jeito. — Eu e minha amiga gostaríamos de ver algumas coisas e…
— Gostaríamos nada! — Hermione invocou-se. — Você quem quis vir e me trouxe de bucha! Agora quer me meter no meio da pouca vergonha.
— Bem, é que… queria conhecer algumas coisas, sabe? Alguns produtos que possam ajudar a tornar as noites com meu namorado meio que… memoráveis para nós dois.
— Certo, entendi. Gostaria de ver os básicos, os mais eróticos, os de sadomasoquismo?
As duas amigas se entreolharam confusas.
— Podemos começar pelos básicos? — a loira perguntou.
— Claro, venham comigo!
Hermione, nada satisfeita, fez uma ameaça à loira enquanto caminhavam junto com a vendedora.
— Você me paga quando sairmos daqui!
— Não enche, e para dessa mania chata de ser certinha demais. Afinal, todo mundo aqui transa.
A atendente foi para trás de um enorme mostruário de vidro e começou a apresentar os produtos. Várias caixinhas com bolas de cores e cheiros diferentes.
— Esse é um dos mais vendidos e simples de usar. São as bolinhas aromatizadas! — Ela mostrou uma embalagem em formato de coração com cinco unidades.
— Ah, e para que serve? — Luna perguntou, envergonhada.
— Ela libera um óleo que dá uma sensação quente de prazer, deixando o seu parceiro ainda mais excitado — explicou naturalmente.
— Hum… e como usa? A gente espoca e… — a loira indagou.
— Não, não. Isso você introduz… — continuou a mulher.
— Introduz aonde? — perguntou Hermione.
— Dentro da sua intimidade.
— Quê? — Luna perguntou tão alto, que chamou a atenção do grupo de garotas que estava um pouco distante.
— Você o coloca na vagina.
— E se essa coisa não estourar lá dentro? — a morena perguntou.
— Não tem perigo. A capa que reveste é de gelatina e derrete com a sua umidade.
— Ah… e se der alergia?
— Dificilmente isso acontece, é confiável. Vai usar e adorar a sensação que ela lhes proporcionará.
— Luna, vai que você é alérgica e isso deixa sua bicha coçando?
— Poxa, Hermione! Para de me jogar praga! — Ela separou a caixa em um cantinho, dando a entender que a levaria.
A mulher passou, então, para um novo produto.
— Essa aqui é a poção do amor. — Era uma minigarrafa que continha um líquido vermelho. — É como um energético, que aumenta o desempenho sexual. Você pode misturar num suco, refrigerante ou em alguma bebida alcoólica que ambos forem beber.
— Não é uma boa ideia, Luna. E se Neville for meio tarado? Tomando isso, é bem capaz que tenha um troço!
— É mesmo, né? É bom não brincar com essas coisas… tenho medo dele subir pelas paredes. — Ela olhou para a vendedora. — O que mais você tem aí?
Ela foi até uma prateleira, voltando com um vidrinho na cor rosa.
— Esse as mulheres procuram muito. É um gel comestível para massagem. Você passa, massageia seu parceiro e, depois, se quiser, pode lamber à vontade!
— Ai, que nojo! — exclamou a morena.
— Eu não tenho nojo do meu Neville!
— Ah, sei lá. Vai que ele não é chegado a banho e tem sebo pelo corpo?
— Droga, Hermione! Eu te chamei para me ajudar, não para ficar colocando empecilho em tudo.
— Tá bom. Compre o que quiser. Mas peça para ele se lavar antes!
Luna bufou impaciente com a amiga.
— Querem ver as calcinhas comestíveis?
— Hoje em dia até isso se come? — A loira ficou espantada.
A vendedora não pode deixar de rir antes de pegar as tais peças. Voltou com algo que mais pareciam adesivos.
— Olha só como funciona: é como um tapa-sexo feito de folha de arroz, aquela que usamos para enfeitar bolo. É só você molhar e cobrir sua vagina, aí seu namorado pode lamber até derreter ou comer. Tem nos sabores morango e chocolate.
— Lamber?
— É para estimular o sexo oral — disse a mulher. — E ainda tem para tampar os seios, em formato de florezinhas.
— Mas tem um buraco no centro! — Hermione não deixou passar.
— É justamente para os bicos ficarem do lado de fora.
Dessa vez, Hermione gargalhou como nunca. Ficou imaginado Luna usando aquelas coisas, totalmente desengonçada.
— Do que está rindo, sua doida? — a loira resmungou.
— Já se imaginou usando isso com os bicos dos peitos de fora. — E caiu na risada mais uma vez.
— Pois eu achei interessante e vou levar! — Separou, colocando do lado das bolinhas e do gel de massagem.
— Ah, veja a caneta. É um sucesso de vendas! Com ela você pode escrever ou desenhar o que quiser no corpo dele. A tinta também é comestível.
— Esse eu adorei! — Luna estava empolgada. — Vou escrever meu nome em todos os lugares possíveis.
Esse foi o produto que mais recebeu a atenção de Hermione. Ficou segurando a caneta, imaginando como seria deslizar com ela pelo peito musculoso de Rony e brincar de fazer desenhos ligando suas sardas. Sacudiu a cabeça para mandar esses pensamentos embora antes que sua calcinha ficasse molhada. Na verdade o simples toque dele em sua pela já lhe causava essa sensação.
— E esses aqui são os anéis penianos. — Eram umas rodinhas que mais lembravam um aro.
— Anéis? Nunca ouvi falar nesses. — A loira pegou um e ficou observando.
— Tem em tamanhos diferentes para se ajustar na medida certa do homem. Ele coloca na ponta da intimidade antes de introduzi-lo em você, e, quando o fizer, vai aumentar o seu prazer porque ficará roçando no seu clitóris.
— Mas como eu vou saber qual o tramando do… o tamanho do… quanto mede o pinto dele?
— Meu Deus, que vergonha! — A morena colocou a mão no rosto.
— Como devo chamar então, dona Hermione? De pau? Pinguelim? Cacete?
— Onde tem um buraco por aqui? Porque quero enfiar minha cabeça, de tanta vergonha!
— Meninas, não fiquem tímidas… isso é tão natural!
— Diz isso para minha amiga neurótica que tem um namorado que é o maior gostoso e ainda finge que não transa com ele!
— Eu nunca fingi nada disso! — Hermione disse aborrecida — Só gosto de me manter discreta em minhas intimidades.
A mulher ficou preocupada com o clima entre as duas e resolveu amenizar.
— Calma. Mostrarei a vocês a melhor parte de todas. — Ela começou a colocar em cima do mostruário vários pênis de todos os tamanhos, larguras, espessuras e cores variadas. — As moças da idade de vocês deliram. A maioria usa mais para se satisfizer sozinha. Masturbação, na verdade.
Luna e Hermione arregalaram os olhos.
— Será que realmente pode existir algo tão grande assim? — perguntou Hermione — Chega a ser desproporcional para qualquer ser humano.
— Não sei. Mas uma joça dessas jamais entre em mim!
— Por acaso Neville não é bem dotado? — foi a vez da amiga provocar.
— Mas é claro que é. Eu saio das minhas transas toda ardida! — fez um minuto de silêncio e disparou alto para todas da loja — Você é engraçada, Mione. Já ouviu o ditado de quanto mais alto é o cara maior é a “coisinha” dele? Rony tem praticamente um metro e noventa de altura.
E pela milésima vez a morena coroou de vergonha.
— Moça, é melhor guardar isso! Não estamos interessadas! — ela pediu, pensando nessa teoria da loira e lembrando-se de como o ruivo era de fato bem-apanhado.
— E as fantasias? — a mulher disse animada.
— Ah, isso eu acho muito legal! Quero uma fantasia de diabinha!
Porém, mesmo depois de ter olhado todo o estoque da loja Luna não se agradou por nenhuma, apesar de analisar minuciosamente as peças de coelhinha.
— Não sei, não! — disse para a vendedora. — Olha só essa calcinha! Não vou me sentir a vontade usando esse fio bem no meio da minha bunda!
— Não faça nada que a deixe insegura. —aconselhou Hermione.
— E esse pompom aqui atrás é ridículo, vou me sentir um preá, aquela espécie de coelho que transa a todo instante. Acho que vou deixar essa fantasia para outra oportunidade. Por hoje, vou ficar com essas coisas.
— Tudo bem, então vai levar as bolinhas, a porção do amor, a calcinha comestível e a caneta?
Depois de tudo pago, Hermione e Luna saíram da loja em direção ao carro. A loirinha parecia satisfeita com suas compras.
— E então? — perguntou Hermione.
— E então o quê?
— Quando vai ser sua grande noite com Neville para estrear tudo isso?
— Sei lá!
— Como sei lá?
— Somos acostumados a fazer qualquer coisa em qualquer lugar. Difícil pensar em uma programação.
— Sinceramente, Luna! Isso tudo vai ficar sem previsão de uso? — a morena ficou brava.
— Olhei a data de validade. Temos muito tempo ainda. Por que? Vai querer emprestado e usar antes de mim?
— Você é ridícula! — deu um tapinha na amiga.
Riram. Não podiam negar que a ida até o BollaCat tinha sido um tanto divertida.
A única coisa que ficou em total sigilo foi que todas as vezes que Luna se distraia Hermione pedia para que a vendedora separasse algo sem que a amiga visse. No final, escondidos em sua bolsa, a morena comprara bastante produtos, que diferente de Luna, já tinha uma data definida para serem usados.
E muito bem usados.
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