Entre A Vida E A Morte
3 A dor do passado sempre volta pra atormentar
Eu sentia uma sensação estranha quando estávamos em casa. Como se fosse passado, como se eu estivesse morando em outro lugar. Essa sensação deixava-me intrigado. Pegamos as malas, mas desta vez fiz o favor de pegar a maleta mais pesada e fugir antes de Flo me repreender e tentar carregar tudo sozinha. Entramos em casa e não tive mais a sensação intrigante. Era tão familiar, cada móvel que mesmo no escuro eu saberia onde estava mesmo no escuro. Eu sorri e olhei pra Florence. Ela falava ao telefone e às vezes eu sentia seus olhares. Mas eu estava de costas a ela. Enfim, depois de dar uma boa olhada na casa, eu continuei meu caminho até meu quarto. Olhava os quadros nos corredores, com fotos minhas, de Flo e de Luke. Ao chegar ao meu quarto, abri a porta e foi quase um grito. Luke estava no meu quarto, ele estava abalado, não parava de andar. Ele passava a mão nos cabelos com força e ao me ver veio até mim e puxou-me para dentro.
– Elliot, o que você fez? Eu estou muito, mas muito estranho. – ele me perguntou como se estivesse com fúria. E eu estudava seus olhos abalados e assustados. – Eu quis estar aqui no seu quarto com você, e de repente eu estou aqui!
– Eu não sei bem também. Mas anda acontecendo coisas muito estranhas comigo também. Eu desejei que você pudesse voltar à vida. – contei os detalhes daquele dia que não lembrava-me qual era. Também contei do momento invisivel. — Eu não sei o que é isso, Luke, mas acho que podemos fazer algo de desejo!
Olhei para a cama e então, o lençol começou a se esvoaçar. Nós nos assustamos e ficamos um perto do outro, e o lençol começou a agir como um monstro, e avançava contra nós. Acabei soltando um grito com ele, como dois bebezões e logo a porta se abriu, e o lençol voltou ao seu devido lugar.
– O que foi, gente?! – Florence entrou desesperada. – Luke?
Rimos. Ela ficou encabulada, mas conseguimos botá-la pra fora. Ficamos recostados na porta nos olhando. Ele tocou meu rosto sorrindo e puxou-me para um beijo. E foi intensificando-se cada vez mais. Parando em cima da cama deitados quase nos engolindo. A maldita porta bateu, Luke saltou da cama e correu ao banheiro.
– O que deu nele? – Flo de novo.
– Vômito. – rimos.
– Bom... Sua... avó está ali na sala.
– Quem deixou ela vir? – perguntei me explodindo de raiva tão simultaneamente.
Ela lançou-me um olhar sério de paciência, esperando-me reagir e tirar logo a bunda da cama e ir até a bendita sala. E lancei meus olhares indignados, mas ela se obrigou e ir me puxando. Eu esperneava mas não adiantava. Eu era tão magricela que até uma mulher como ela era mais forte fisicamente. Encontrei o olhar de Luize, e logo minha feição indignada mudou instantaneamente pra sem feição.
– Oi. – falei secamente.
Ela ficou desapontada, mas sua opinião, suas sensações pouco me importava. Eu tinha uma raiva, que nem sei se valia a pena chegar a ser ódio, por ela.
– Você precisa vir morar comigo, Elliot. E infelizmente você não tem escolha, e nem eu. O destino está te obrigando, não eu. Precisa entender. Eu não quero fugir com você, como pode estar pensando. Eu quero apenas te ensinar a arte da Luz, e caso queira, poder ser sua avó novamente. O mundo precisa de você, Lio. Urgentemente.
Eu fiz menções que não poderia, que não iria abandonar minha vida por algo tão diferente assim.
– Mas eu tenho escola, a Florence, o Luke, a Grace! Não vou abandonar eles por nada. Pois eles foram importantes para mim. Foram o apoio que você não foi. Eles sim estiveram sempre do meu lado quando dezenas de familiares que eu gostava muito morriam perto de mim. Era para o Luke ter morrido! Eu me mataria se isso acontecesse. Prefiro morrer do que ficar longe dele. Ele é meu bem maior e não abro mão dele nunca. Não por você, Luize.
– Elliot, não é por mim. É por eles que mais quero que faça isso. Se não o fizer, todos vão morrer.
Eu parei por um instante e voltei quando eu estava de saída da sala.
– Espero que seja mesmo por isso. Se não? Eu te explodo em milhares de pedaços. – falei lançando-lhe um olhar mortal.
Fale com o autor