Entardecer
2 Detenção
Notas iniciais
Não havia nada mais empolgante para Remus do que perder seu tempo precioso aplicando detenções em alunos encrenqueiros — talvez você não tenha percebido, mas há muito sarcasmo nessa frase.
Naquele momento Remus John Lupin amaldiçoou em segredo todos os professores, porque aparentemente todos estavam ocupados demais para aplicar detenção. Devido a isso, Remus era o encarregado.
Por outro lado, se não bastasse ter de aplicar detenção numa noite de quarta-feira, ainda tinha o atraso do aluno — que Remus descobrira ser novo na cidade —, atrasado quatorze minutos.
— Por Merlin! Por que raios esse clube fica tão longe de tudo? — murmurou de repente Sirius Black, com as mãos no joelho e a respiração acelerada.
— Desculpe, acho que deveria ter lhe dito onde ficava — respondeu Remus, sentindo-se menos irritado, já que a culpa o pegara rapidamente.
— Nah, tudo bem, eu consigo me virar… — o sorriso no rosto do garoto era grande, como se aquilo não fosse uma detenção e sim um passeio à noite.
— Ótimo. Venha comigo.
Remus o guiou até uma sala clara e espaçosa — uma das salas de estudo do clube —, em seguida lhe deu um livro pesado, onde Sirius deveria resolver algumas questões sobre física.
— Isso que eu chamo de castigo — sussurrou o garoto.
— Tem uma hora pra fazer todas as questões, depois está liberado.
É claro que Sirius sabia muito bem que aquelas contas idiotas eram opcionais, por isso, optou esticar as pernas em cima da mesa, enquanto tinha a cabeça escorada para trás, com seus braços servindo de apoio.
— Você sabe que é sua obrigação fazer o dever na detenção, não é? — questionou Remus, de repente.
— De novo com esse papo de monitor? Qual é, Remus!
— Como sabe meu nome?
— Aparentemente você é famoso na Grifinória, meu amigo me falou de você… O James… ele já estudou aqui, há alguns anos, mas mudou-se e agora está de volta. Comigo em seu alcance, é claro.
— Famoso? — Remus deu uma risada baixa, revirando os olhos com a falsa afirmação.
— Por ser… chato? Talvez. Não me olhe com essa cara, estou dizendo o que eu escutei! — Sirius sentou-se corretamente e observou Remus pairar o olhar na janela — Mas também me disseram que você está sempre ajudando as pessoas, em qualquer coisa que ela precisem, então isso significa que você é um cara legal… Não ligue para o que eles falam de você, sério, as pessoas têm mania de falar mal dos outros porque querem se sentir melhores consigo mesmas e essa é a melhor maneira que encontram para isso.
Remus olhou-o por longos segundos e, em seguida, sorriu. Por algum motivo, gostou especificamente daquele arruaceiro matinal.
—
Lily bufou pela oitava vez, procurando impacientemente por Remus. Ele havia lhe dito que logo após as aulas, lhe ajudaria com a matéria de cálculo, mas até então não aparecera e ela esperava impacientemente.
— Eu vou acabar com você! — murmurou, segurando-se para não chutar o lixo em sua frente.
— Ei, ei, vai acabar com quem? — assustando-a, o garoto de óculos e cabelos rebeldes aproximou-se, com um enorme sorriso no rosto.
— Não é da sua conta! — Lily bufou pela nona vez, cruzou os braços e decidiu esperar mais cinco minutos por Remus.
— Uau… alguém aqui está de mau humor! Me chamo James, aliás, James Potter, aos seus serviços! — James cruzou-se em sinal de respeito, brincando.
— Dispenso seus serviços — murmurou, amaldiçoando Remus mentalmente.
— Eu gosto das garotas difíceis — o garoto Potter parecia fascinado pelos cabelos ruivos e olhos grandes que a moça a sua frente tinha.
— O que você quer, afinal?! — impaciente, Lily perguntara.
O garoto não a pegara num bom dia, mas ele tinha leve impressão de que ela o trataria da mesma forma em qualquer outro dia.
— Duas coisas; saber onde fica o clube da Grifinória e saber seu nome. Garanto que você não perderá a língua se me disser — retrucou James.
— Bem... Posso te levar ao clube, não tenho muita coisa para fazer mesmo… — suspirou derrotada e observou o sorriso brilhante que o garoto estranho tinha.
— Seria ótimo!
James não insistiu em saber o nome da menina misteriosa, mas caminhou o trajeto todo com aquele sorriso encantador.
Enquanto Lily vez ou outra o observava pelo canto do olho, reparando em sua mania estranha de sempre bagunçar ainda mais aqueles cabelos negros.
— O que quer no clube da Grifinória? Eu nunca vi você por lá — decidiu perguntar.
— Ah eu me inscrevi no clube no verão passado, eu e meu amigo. Mas nos mudamos apenas nessa primavera para a escola… Enfim, esse meu amigo se meteu em uma encrenca e recebeu detenção, estou indo buscá-lo.
— Você é tipo a babá dele? — questionou Evans, alfinetando-o.
— Não, não, quero apenas me certificar de que ele não se meta em mais encrenca ou lá se vai a mesada! — Lily revirou os olhos.
— Então você e ele fazem parte do clube agora? Que pena… — murmurou ela com falso desapontamento.
— Você também faz parte?! Isso é ótimo! Então vamos nos encontrar mais vezes…— Lily desejou que não.
James adentrou o local aconchegante, onde o clube tinha suas reuniões. Logo atrás, a garota reparou em uma das salas com luzes acesas. As cortinas de cores negras e alaranjadas balançavam, enquanto a lareira estava apagada. Havia apenas o breu da lua os iluminando.
— Obrigado, acho que vou esperar por aqui mesmo, espero que o tal de Remus não fique muito tempo prendendo Sirius — James sentou-se em um dos sofás, de frente a lareira, enquanto Lily acendia as luzes.
— Você disse Remus? Então é por isso que ele não apareceu… — sussurrou Lily, consigo mesma.
— É seu amigo?
— Sim. O arruaceiro é seu amigo, suponho?
— Sim. E, realmente, ele é um arruaceiro… o melhor, inclusive — comentou Potter orgulhosamente.
— Algo me diz que não vai ser a primeira vez que você vai visitar esse lugar em horários de detenção.
James sorriu novamente para ela e Lily apenas revirou os olhos e bufou pela décima vez.
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