Então e se... Perdesse as memórias?
2 Uma única falha.
Notas iniciais
Fomos andando até minha casa, surpreendeu-me o facto de ele saber onde esta se situava, depois pediu-me as chaves e abriu a porta de minha casa, levando-me para a sala, onde me sentou no sofá.
– Muito bem, White, você vai ficar aqui enquanto eu faço o seu jantar, tente se lembrar das coisas que aconteciam aqui. – Ele pediu depois de afagar os meus cabelos e se dirigir para a cozinha.
Eu o vi se afastar, ele estava a mostrar-se tão útil e prestável… Um amor… Eu sabia que ele era simpático, mas não tinha a noção que ele poderia mostrar tanta preocupação comigo… O tempo foi passando, o cheiro a comida já se acentuava no ar e não havia meio de Black aparecer… Então, como parecia ainda demorado, peguei de minha Nintendo e joguei um pouco o cartucho que estava na ranhura, Pokémon White, e assim fiquei uns minutos até Black voltar à sala.
– Ok, White, agora é só um tempo até –olhou para mim- Oh! Se lembrou como se joga Nintendo?
– Quê? – Perguntei-lhe um pouco confusa.
– Isso que você está jogando. Sabe, ainda é um jogo complexo. – Black sorriu, via melhoras em mim.
– É? É que… Como isto estava aqui, eu pensei que eu usasse isto para alguma coisa… Então joguei isto… O que é? – Disse fingindo não entender e mostrando-lhe o console aberto.
Black olhou a minha face confusa e sorriu.
– Isso é uma Nintendo e você está jogando Pokémon White. – Black explicou se sentando do meu lado no sofá.
– É? E… Que mais posso fazer? Só consigo lutar com estes bichos dos matinhos? – Eu perguntei como se não percebesse como se jogava.
– Não, você pode fazer muito mais. Olhe, está vendo isto aqui na minha mão? – Black sorriu de novo tirando seu Nintendo preto do bolso e o agitando no ar.
– Você também tem um? – Questionei, mas eu sabia muito bem que ele amava esse tipo de jogos.
– Tenho e estou acabando Pokémon Black. Nós podemos fazer uma batalha os dois. – Ele sugeriu.
– Ah… Mas como isso se faz? – Perguntei fingindo procurar algo para ligar os dois consoles.
– Muito fácil, vamos, eu digo-lhe. – Black começou a sua explicação.
E assim, dentro de pouco tempo, estávamos batalhando um contra o outro, já tínhamos jogado antes, em algumas festas, e eu sempre usava a mesma estratégia, era infalível contra Black, e claro, ganhei de todas as vezes que combatemos.
– Puxa, você é forte mesmo! – Black disse no fim da última batalha.
– Eheheh, isto é giro! – Coloquei um sorriso inocente, como se não soubesse como tinha ganho.
– Bem, agora guarde o console, vamos jantar, tá bom? – Black disse voltando a colocar o dele no bolso e estendendo-me a mão para eu me levantar.
– Ah… Está bom… — Fechei o Nintendo e segurei a mão dele.
Assim ele levou-me para a cozinha, sentou-me numa cadeira e deu-me de comer, sim, exato, teve a dar-me comida à boca, ele disse que é perigoso uma pessoa sem memória mexer em talheres… Eu estava com imensa vergonha, Black estava a dar-me de comer à boca! Causava-me muito constrangimento, aquilo era tão íntimo e vergonhoso… Ele me tratava como se eu fosse um bebê…
– Pronto, menina White, á papou tudo. – Ele riu da situação enquanto me limpava a boc com o guardanapo.
– Eheheh. – Fingi um sorriso divertido.
–Bem, já é tarde, você vai ter e ir dormir. – Black disse natural se levantando e começando a arrumar os pratos e talheres.
– Dormir? Já? Mas eu não tenho sono! – Eu não queria ir dormir, queria aproveitar aquele dia com Black…
– Você tem de descansar, White. Vá para o seu quarto, é aquele ao fundo do corredor, bote o pijama que eu coloquei em cima de sua cama que eu já lá vou te ajudar. – Ele explicou.
– Mas… Você vai ficar cá a dormir hoje? – Perguntei um pouco nervosa.
– Sim. Eu te coloquei nesse estado, então tenho de te vigiar o mais que posso. – Black explicou se afastando para arrumar a loiça na máquina.
Eu me levantei e me dirigi ao quarto, fazendo o que ele mandou, depois sentei-me na cama e comecei a pensar se aquela brincadeira não tinha sido muito má ideia… Black ia passar ali a noite e estava a perder o seu tempo comigo por uma razão que nem era real… Eu estava a começar a me sentir um pouco ml com aquilo tudo…
– White? Posso entrar? – Black bateu na porta.
– Hum? Oh! Sim, sim! – Eu disse depois do rapaz interromper a minha linha de raciocínio.
– Oh, vejo que conseguiu vestir o pijama, estamos a ver progressos. – Black sorriu para mim.
– Yey! – Eu festejei com um jeito inocente.
Black ficou a olhar para mim com um ar terno.
– Bem, vamos la deitar-te. – O rapaz disse após sair do seu transe e foi abrir-me a cama.
Após esta estar aberta e ele ter ajeitado as almofadas eu entrei, ele ficou a olhar para mim com o seu ar doce.
– Vai ficar aí até eu adormecer? – Perguntei ligeiramente esperançosa com a resposta.
– Não. – Ele respondeu com um sorriso deslumbrante no rosto.
Eu fiquei um pouco desgostosa ao ouvir aquilo, pensei que era agora que nos íamos separar, mas a sua seguinte fala me arrepiou:
– Eu vou dormir com você.
Após ele dizer isso eu estremeci, ele me empurrou amavelmente para a parede e retirou os sapatos e o casaco, eu corei com o pequeno Streep que ele estava fazendo na minha frente, escondendo parte do rosto para que ele não me visse.
– Oh, que foi, White? – Ele questionou olhando para mim e vendo que eu estava incomodada.
Eu não respondi, apenas desviei o olhar.
– Lamento, White, eu não trouxe pijama, então vai ter de ser assim. – Disse o moreno descartando o boné e despindo a t-shirt.
Eu estava bastante envergonhada, o que estava acontecendo?! Porque Black, o rapaz de quem eu gostava, estava se despindo no meu quarto? Voltei a olhá-lo, ele estava tirando o cinto e despindo as calças, depois ajeitou o seu cabelo com a mão e se dirigiu para a cama.
– Posso entrar, White? – Ele perguntou se inclinando e piscando um olho.
Eu revirei os olhos e me cheguei para o lado, dando-lhe espaço para se deitar. Black deitou-se do meu lado e se tapou, colocando os braços atrás da nuca e encarando o teto.
– Ficou com vergonha, White? – Black provocou um pouco olhando de lado.
– N-não… — Eu me fiz de inocente.
Ele riu e voltou a encarar o teto. Foi estranho, uns minutos em que nem um nem o outro disse algo, eu achava que já estava indo longe demais… Eu só queria passar algum tempo com Black, mas aquilo estava a ser demais! Ele estava só de boxers deitado na minha cama do meu lado! Eu tinha visto o seu corpo… Era tão perfeito… Ele era magro, mas não em demasia, os seus abdominais viam-se mas não era, extremamente definidos, o seu peito estava bem dentro dos parâmetros e tudo combinava com o seu estilo simples e descontraído… Como é que ele conseguia esconder aquilo tudo por baixo de uma t-shirt? Ah… Que mistério tão irresistível…
– Sabe, White, me diverti muito hoje com você. – Black disse fechando os olhos com uma voz muito doce.
– Foi, Black? – Eu me impressionei.
– Sim… Tratar de você, jogar com você… Sabe, assim nem me importava de sacrificar o meu tempo para tratar de uma pessoa doente todo dia. – Ele riu, fazendo-me sentir um pouco culpada.
– Sacrificar? – Perguntei um pouco pensativa.
– É. Eu hoje era para passar a tarde a ver anime, sabe, costumo dedicar a tarde de hoje a mim, mas como coloquei você assim tive de a dedicar a você. – Ele declarou sem qualquer arrependimento na voz.
Eu estremeci, ele abdicou de seu tempo para tratar de mim… Isso era bom, mas… A doença não existia… Era tudo a fingir! Eu estava a sentir-me tão mal, tão miserável, tão egoísta… Eu nunca devia ter concordado com Rosa!
– Ehehe, tem piada, graças a isto não vou ter o meu dia esta semana… — Black sorriu.
Agora eu estava super mal, eu não queria aquilo! Eu tinha de acabar com aquela farsa naquele exato momento!
– Black, desculpe, eu não estou mesmo doente! – Eu berrei sentando-me na cama.
Black não disse nada, apenas me olhou, com o mesmo ar doce e continuando deitado.
– Desculpe, Black, eu não perdi mesmo as memórias, eu lembro de tudo! Eu só fiz isto porque… Porque queria passar tempo com você e não via outra forma de o fazer, mas eu não queria que você abdicasse do seu tempo! Desculpe, Black, eu menti para você! Você deve odiar-me! – Eu confessei limpando as lágrimas que me queriam sair dos olhos.
Ele não respondeu na altura, antes sentou-se também, mas falou como se eu não tivesse dito nada.
– White, essa roupa não a está incomodando? Não se quer pôr mais à vontade? – Ele disse num tom demasiado atrevido e irresistível, assustando-me, mas eu tinha um assunto para esclarecer.
– Black, não me ouviu?! Eu enganei você! – Eu exclamei o afastando um pouco.
– Eu sei. – Ele respondeu calmo, não parecia chateado.
– C-como sabe? – Eu estremeci, afinal… Ele sabia de tudo.
– White, eu percebi que você estava fingindo depois de a gente jogar Nintendo, a sua técnica era a mesma da outra vez e demasiado trabalhada para ser feita na hora, para se lembrar de algo tão complexo você não podia ter perdido as memórias. – Black explicou segurando a minha mão e a acariciando.
– Então… Você sabia… — Eu fiquei pasma.
– É. Foi denunciada pelas suas capacidades de ganhar. – Black sorriu.
– Então… Se você sabia… Porque não disse nada e continuo tratando de mim? – Eu questionei-o curiosa.
– Ora, White… — Ele me puxou contra ele e colocou a minha cara no seu ombro, pondo os seus braços em volta de meu tronco e segurando levemente as minhas costas, apoiando o seu queixo no meu ombro – Eu não disse nada, porque também eu queria aproveitar para estar com você e cuidar de você.
Após a declaração dele, eu fiquei sem palavras… Afinal, Black notava em mim na escola, ele sabia que eu existia… Eu estava tão emocionada que também o abracei ternamente.
– White, se você foi egoísta, eu também fui, então deixa para lá. – Black sorriu afastando um pouco os nossos corpos.
– Black… Eu pensei que você não reparava em mim… — Eu tinha os olhos em lágrimas de emoção, não conseguia acreditar que aquilo era real.
– Eu reparava, White, eu reparava mesmo muito em você, eu apenas… Era tímido e pensava que era normal de mais para ti… — Ele confessou.
E assim, os nossos olhares trocaram-se entre si profundamente, os nossos rostos aproximaram-se e o melhor beijo das nossas vidas foi trocado…
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