Ensine-me a te amar

7 7. Os estranhos do bosque escuro


Notas iniciais
Volteeii! E já vou me desculpando. Foi mal, sei que demorei para postar, mas os últimos dois dias têm sido tão corridos que mal tive tempo de sentar pra respirar, ou seja, acabei sem conseguir escrever, mals pelo atraso. Enfim, sem devanear muito, espero que aproveitem a leitura!

A cidade era Flamerym. Tempo de viagem: entre duas e três horas. Distância: 456 quilômetros de Magnólia.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Dessa vez contei mentalmente, e entre um Natsu normal a um esverdeado quase morrendo se passaram uns oito segundos. Oito segundos em uma viagem de três horas não eram nada. E quase me senti mal por ele depois disso.

Sem Wendy por perto não havia possibilidade alguma de recuperação. Ou seja, um Natsu praticamente inanimado no chão por um bom tempo. Para a sua sorte (ou não) nosso meio de transporte era um carro movido a magia, e quem conduzia era Erza, o que certamente encurtaria o trajeto penoso ao Dragon Slayer.

O lado negativo? Não era um veículo grande. O banco único na frente acomodava Erza perfeitamente, porém os três minúsculos assentos na parte traseira deixavam eu, Natsu e Gray completamente espremidos.

Para evitar as discussões sem nexo entre os dois ou ter Natsu vomitando em cima de mim, escolhi o lugar do meio. É claro que isso não me salvou de ser empurrada pra lá e pra cá pelos dois espaçosos, que ficavam alegando estarem com a menor parte do banco para si.

Isso não durou nem três minutos. Foi o bastante para eu já querer matá-los e para Erza interferir e deixar ambos com galos na cabeça.

E agora terei um pouco de paz. Pensei, suspirando.

Happy logo se acomodou no meu colo, enrolando-se sobre minhas pernas. Na verdade creio que o Exceed também não queria que Natsu passasse mal tão perto dele e o colo de Gray com certeza não seria confortável ao pequeno gato azul, que me preferiu como um meio termo.

Sorri ternamente ao ver que ele aos poucos adormecia e, inconscientemente, comecei a lhe fazer carinho na cabeça, sentindo ele relaxar de leve até dormir por completo.

O balanço do carro, a plenitude do cenário, a calma, tudo pareceu atrair o sono para mim. Logo percebi que era incapaz e manter os olhos abertos e me deixei levar pelo cansaço, apoiando-me no que tinha de mais próximo e adormecendo.

(...)

Luce...

Luce!

Resmunguei baixinho, pensando ainda estar dormindo até que...

–Luce, acorda! -a voz, tão conhecida, pareceu muito mais real na terceira vez.

Uma mão quente sacudiu meus ombros de leve, fazendo com que eu abrisse os olhos de imediato. Acordei meio assustada, e a primeira coisa que vi foram os olhos castanhos esverdeados de um certo Dragon Slayer parecendo analisar cada centímetro do meu rosto. Só um detalhe: deveria ter apenas uns dez centímetros nos separando.

–Kyaaa! Perto demais! -foi a primeira coisa que eu disse, afastando-me tão rápido dele que dei de cabeça em Gray, que reclamou audivelmente.

Natsu sorriu de leve, arqueando a sobrancelha (eu estava detestando essa mania nova dele), parecendo intrigado.

–Você dormiu mesmo. -comentou, e percebi que acabara literalmente apoiando a cabeça ao ombro de Natsu quando adormeci, o que me fez ficar completamente vermelha em seguida.

Maldição, ele tem esse efeito sobre mim tão facilmente. Recriminei-me, irritada.

Mas para minha sorte o rosado não houvera notado a cor que se instaurava em meu rosto, na verdade mirava algo fora do carro. E ele não estava enjoado, ou seja, estávamos parados. Gray continuava com a carranca habitual ao meu lado, e parecia impaciente pelo jeito que seu pé batia no chão em um compasso rápido, já Erza não estava presente no banco da frente.

–Onde estamos? -perguntei a ninguém em especial.

–Erza encontrou uma confeitaria que vende bolo de morango logo antes do nosso destino. -Gray resmungou, aparentemente estupefato- É claro que procurar por elas é mais importante que bolo, mas vai dizer isso pra ela.

Revirei os olhos, Erza sempre seria Erza.

–Eu quero destruir alguma coisa. -disse Natsu, também meio incomodado- Ou alguém. Alguém seria ótimo.

Sem comentários. Pensei, cética.

Para nossa sorte Erza não demorou em voltar. E, como o esperado, parecia estar num ótimo humor (e levava uma caixa que eu suspeitava conter um bolo inteiro), ou seja, mais motivada, aceleramos o ritmo em direção ao ponto do acidente.

O lugar era um declive numa das várias estradas de terra que circundavam Flameryn. Quando se olhava se cima era possível perceber a profundidade da depressão que se instalara na terra, parecendo descer uns bons vinte metros até alcançar um pequeno riacho. O chão era terra bruta, e a estradinha era terrivelmente pedregosa e rústica. Não haviam sequer ladrilhos em pedra para amenizar o impacto, tanto que até eu estava ficando enjoada de tanto sacolejar e ser jogada pra cima e pra baixo no assento (agora imaginem como Natsu estava).

Dei graças aos céus quando paramos, justamente no ponto em que os moradores houveram comentado. Com a geografia instável do declive descer o barranco foi um tanto trabalhoso. Era preciso ter cuidado para se manter firme sobre as pedras, e ficava ainda mais difícil à medida que descíamos, já que os pedregulhos abaixo estavam cobertos do musgo do rio (que eu seu pico poderia aumentar duas vezes em volume).

Natsu estava animado como sempre (animado demais) e acabou se empolgando na descida, o resultado: ele caindo direto no riacho de água escura, ficando completamente encharcado.

–Você é um idiota maior do que eu pensava. -disse Gray, rindo do estado nada agradável em que o rosado se encontrava.

–Cala a boca. -resmungou ele de volta, envolvendo seu corpo em chama para secar a água.

–Natsu, seja mais cuidadoso. -repreendeu Erza, rígida- Juvia, Wendy e Charlie desaparecem nesse ponto. Não sabemos o que pode ter acontecido, mas é possível que tenham caído no rio.

–Não acho que esse fluxo de água seria capaz de levá-las longe. -falei, constatando o que a não aquele riacho não deveria ter mais do que dois ou três metros.

–Espere. -murmurou Natsu, farejando o ar atentamente.

Ele se aproximou de algum ponto mais perto da margem e abaixou-se nas pedras.

–Isso não é um bom sinal. -disse somente, com os olhos semicerrados.

–O que foi? -perguntei, me abaixando ao seu lado para ver o que estava lhe preocupando.

Percebi que havia uma mancha carmesim escura em uma das pedras lascadas.

–É sangue. -falou o Dragon Slayer, apertando os lábios- E é da Wendy.

–Não... pode ser. -resmunguei, começando a realmente me preocupar- Consegue rastrear o cheiro delas?

Ele negou com um aceno.

–Já devem ter passado uns dois dias desde que estiveram aqui, e, pela umidade no ar dessa região, é difícil determinar isso. Não creio que consiga encontrar uma direção.

–E Juvia e Charlie? -indagou Erza, aproximando-se de nós.

–O cheiro delas está um tanto disperso, mais fraco. Juvia mesmo é bem difícil, já que seu corpo é feito de água, mas tenho certeza que elas estiveram aqui. E tem algo mais no ar... um cheiro forte que eu não consigo reconhecer muito bem...

–É bom? Ou ruim? -indaguei, ansiosa.

–É... entorpecente. Irrita meu nariz. -ele fungou, coçando o nariz- Parece algum tipo de analgésico forte.

–Ah, meu Deus... É clorofórmio! Natsu, elas só podem ter sido raptadas!

–Tem certeza disso, Lucy? -questionou Gray (só de cueca), de braços cruzados.

Assenti, tendo cada vez mais certeza.

–Clorofórmio é usado como sedativo instantâneo, como o éter, e é muito usado para incapacitar as pessoas. Se é mesmo clorofórmio então é quase de certeza que elas tenham sido sequestradas.

–Pelo menos podemos ter quase certeza de que ainda estão vivas. -complementou Erza, oferecendo-nos algum comentário positivo- Vamos fazer uma busca na área por hoje.

Fomos à outra margem do rio com facilidade. Happy levou a mim e a Natsu, Gray fez uma ponte de gelo e Erza pulou, é Erza pulou mesmo.

No outro lado da margem chegamos à um pequeno bosque, um que também daria na pequena cidade de Flameryn ao seu fim, como num mini labirinto. O único contratempo eram as inúmeras trilhas que poderiam ser seguidas, caso as meninas houvessem sido sequestradas aqueles que as pegaram poderiam ter ido por qualquer um daqueles caminhos.

E aquelas estranhas por meio das árvores davam saída para outros lugares também, como algumas vilas mais ocultas ao norte ou mesmo alguns depósitos e construções abandonadas no meio do próprio bosque.

–Será mais rápido se nos separarmos e procurarmos nos pontos onde há trilhas. -restringiu Erza, pondo as mãos na cintura.

–Mas logo é fim de tarde. Vamos arriscar ficar aqui depois de escurecer? -indaguei, receosa em me ver sozinha

–É somente um reconhecimento do perímetro, voltaremos antes que o sol se ponha. Natsu, Lucy, vocês vão para leste. Eu e Gray iremos a oeste. -ela nos lançou um olhar firme- Nos encontraremos aqui ao pôr do sol. Não se esqueçam.

(...)

–Esse lugar é gosmento! -reclamei, encolhendo-me com a brisa fria que soprava no fim de tarde- E nojento. Quero sair daqui...

Não sei quanto tempo faz desde que entramos nessa maldita trilha, mas sei que tudo o que preciso é sair desse lugar. É muito úmido aqui, o ar, o musgo nas árvores... parecia um pântano. Era insupotável.

Fora que nos contamos com um detalhe: não dava para saber se ainda era dia ou se já houvera escurecido. As copas das árvores eram tão volumosas que era impossível saber se já houvera escurecido ou se ainda era dia. Tanto que, em algumas partes do trajeto onde estava mais escuro, tropecei em pedras escondidas, raízes e troncos caídos na trilha. Estava com a roupa cheia de lama, irritada, e gosmenta.

Por que tinha que ser um lugar assim? Elas não podiam sumir em uma pousada agradável ou algo do gênero? Bufei com aqueles pensamentos Como se elas tivessem escolha. Espero que estejam bem, Juvia, Wendy, Charlie.

Natsu não parecia tão mal. Na verdade estava contando quantas teias de aranha e lesmas nos encontrávamos, o que era... Argh, era a cara dele! No fundo tenho certeza que esse Dragon Slayer idiota deve estar procurando por algum cheio que possa nos levar a elas, mas não posso ter certeza. Natsu ainda é Natsu.

Justamente enquanto pensava nisso fui barrada por ele, que colocou o braço à minha frente me impedindo de avançar. Sua expressão estava séria.

–O que foi? Ouviu algo? -questionei-o.

Ele olhou de um lado para o outro um tanto agitado. Happy também aproveitou para se esconder um tanto atrás do parceiro, percebendo sua inquietação.

–Não é bem isso. O cheiro... eu conheço.

Assim que ele falou isso uma sombra de moveu dentre as árvores, deixando-me arrepiada. Por instinto, segurei o braço de Natsu, que já se punha em posição defensiva.

–Quem é?! Pode aparecer! -exigiu ele.

–Não lembra de mim? -perguntou uma voz alguns metros à frente- Acho que talvez isso já era de se esperar, Natsu Dragneel.

–Essa voz... -murmurei, uma memória faiscando em minha mente.

Um vulto se aproximou lentamente, sua forma pequena ficando mais definida à medida que se aproximava. Até que uma réstia de luz escapou por entre as folhagens, relampejando em suas feições.

Os cabelos eram rosados claros, seus olhos verdes exibiam um brilho divertido e um simplório sorriso tarjava seus lábios finos.

–É sempre bom revê-los, Natsu, Lucy, Happy. -disse ela amigavelmente.

(...)

POV. Erza

Esse lugar é bem característico. Pensei enquanto contornava um tronco caído no meio da trilha.

–Isso é um saco, será que já anoiteceu? -perguntou Gray, impaciente.

–Não temos como saber. -constatei mais uma vez, frustrada por não ter pensado nisso antes- Devíamos voltar. Os outros já podem estar esperando, e aqui é um lugar ruim para se ficar à noite.

–Tenho mais medo é de pegar um doença estranha desse musgo todo. É irritante. -o moreno bufou incomodado.

–Vamos fazer a volta. -falei, em tom de ordem- E se eles não estiverem lá os esperaremos na entrada da trilha. Caso não apareçam teremos de procurá-los.

–Com quem o Natsu ia arranjar confusão aqui? Esse lugar é inútil, então não acho que tenha conseguido fazer besteira de novo.

–Ele pode ter se perdido.

–Mas não está seguindo a trilha... Ah, é mesmo, estamos falando do Natsu. -Gray pôs as mãos atrás da cabeça, suspirando- É bem capaz de ele ter saído do caminho por qualquer razão estúpida.

–E com seu brilhante senso de direção era bem capaz de nunca mais conseguir sair daqui. -complementei, resignada.

–Pelo menos a Lucy está com ele.

–Sinto pena dela. -confessei, abrindo um meio sorriso.

Gray, mesmo que à contragosto, fez o mesmo.

Demos a volta na trilha a começamos a fazer o caminho de volta.

Tivemos, na verdade, muita sorte por existirem essas marcações no terreno por aqui, pois uma coisa que percebi observando as árvores é que nunca se pode ter certeza do senso de direção desse lugar. A vegetação é basicamente a mesma em todos os lugares, o que auxiliaria qualquer um a se perder mesmo aqui dentro. Fora que não podemos sequer saber se é dia ou noite além das copas da árvores. Tentei subir em uma delas antes, porém os troncos com musgo era um empecilho e tanto, e contando com o fato de que esses troncos devem ter em média seus seis metros de altura acho difícil imaginar que conseguiria escalá-los tão facilmente.

Estava justamente pensando nisso quando ouvi um farfalhar nas folhas dos arbustos rasteiros. Quase que automaticamente saquei minha espada da bainha, parando de andar.

–Gray. -chamei-o, chamando a atenção do rapaz.

O moreno pareceu perceber a situação de imediato, pois logo estava às minhas costas, o punho fechado sobre uma das palmas preparado para qualquer ataque.

–Quem está aí? -questionei em tom de alerta, meus olhos procurando qualquer mínimo movimento e meus ouvidos atentos à qualquer som estranho.

Ouvi passos vindo até mim, pés leves roçando contra as folhas caídas no chão. Passos suaves, calculados e ao mesmo tempo decididos.

Ajustei o fio da lâmina prateada em minhas mãos, meus olhos captando o movimento vagaroso do estranho que vinha em minhas direção.

Era um homem, aparentemente, um pouco mais alto que eu, porém a pouco iluminação impedia-me de ver suas feições, mesmo ele se prostrando a menos de três metros de mim.

Então parou. Observando-me por um momento.

–Abaixe a espada, Erza. -disse aquela voz, calma, suave.

Um arrepio percorreu meu corpo, fazendo aquele calor estranho se espalhar por meu peito. Eu nunca haveria de não reconhecer aquela voz, nem em um milhão de anos.

Abaixei a ponta da arma ligeiramente, ainda incrédula do que ouvira.

Ele ergueu uma das mãos. De suas palmas brotaram duas pequenas esferas de luz prateada, o suficiente apenas para iluminar seu rosto.

Os olhos continuavam os mesmos. Castanhos esverdeados, intensos e profundos, como se capazes de analisar a alma de quem mirassem. Os cabelos estavam um tanto mais bagunçados do que eu lembrava, mas sua coloração chamativa não mudara em nada.

Um sorriso terno tocou suas feições, os olhos afetuosos me fitavam como se eu pudesse desaparecer a qualquer instante, a calma já não residia neles por aquele momento, e toda a sua atenção voltava-se para mim. Por aquele infinito de segundo, fiquei paralisada, incapaz de discernir o fato de o estar vendo novamente.

–Já faz tempo demais, não é, Erza? -Jellal murmurou, sorrindo com tristeza.

Notas finais
Respondendo antecipadamente à futuras perguntas: Sim, terá Jerza nos próximos caps. Decidi escrever também (mais à margem á claro) sobre os outros casais de FT. Não se preocupem pois isso não irá mudar nada na trama da história, ok? Bom, espero que tenham gostado do cap. e até o próximo 0/!