Ensine-me a te amar
10 10. A gota que fez o copo transbordar
Notas iniciais

POV. Lucy
Eu estava com um mal pressentimento. Um péssimo pressentimento para ser sincera. E não tinha a ver com minha gravidez dessa vez, pelo menos ainda. Era algo que passara a me incomodar depois que cheguei. Um presságio de que algo estava errado.
Não pode ser comparado à sensação de perigo, era mais profundo. Como algo terrível estivesse acontecendo debaixo do meu nariz e eu não o notasse. É uma sensação ruim, muito mesmo. Tanto que passei a noite inquieta pensando nisso, mal conseguindo dormir decentemente.
O resultado é claro foram dores latentes pelo corpo quando acordei, e não falo daquelas quase imperceptíveis, eu sentia meu corpo rígido e dolorido, mais do que antes.
Fora que meu reservatório de magia (se é que posso chamá-lo assim) parecia não ter melhorado em nada da noite anterior. Sinceramente, que droga é essa? Colocaram alguma praga em mim ou algo assim? Não era pra eu estar num estado tão deplorável assim!
Tentando me acalmar da raiva que sentia por aquele momento, levantei da cama. Ah, um pequeno detalhe: esqueci que estava em um beliche. E caí lá de cima bem bonito. Sufoquei um grito quando vi o chão abaixo, ou o que deveria ser o chão pelo menos, já que um certo Dragon Slayer houvera decidido deliberadamente dormir ali, o que não deveria ser realmente considerado normal.
Caí direto em cima de Natsu, que acordou num baque, proferindo um protesto abafado.
–Itaaaii... -resmunguei, esfregando a cabeça dolorida.
–UMA LUCE CAIU DO CÉU?! -exclamou ele, estupefato.
–ATÉ PARECE! -berrei- QUEM MANDOU VOCÊ DORMIR NO CHÃO?! -devolvi, deixando-o sem palavras por um momento.
–Mas eu não dormi no chão. -afirmou, esfregando as costelas com uma careta de dor.
Natsu pousou uma mão em meu braço e a outra em minha barriga, empurrando-me para o lado.
–Sai de cima, Luce... Tá pesada... Você engordou... -protestou ele, fazendo-me cair de bunda no chão.
–Puxa, obrigada. -resmunguei.
Então, do nada, Natsu se paralisou no lugar. Não percebi a expressão chocada que mantinha no rosto até que ele se ajoelhasse à minha frente, encarando-me com uma careta estranha que eu nunca vira em seu rosto.
–O que foi? -perguntei, apoiando as mãos atrás de mim ao sentir ele se aproximar de mim ainda parecendo incrédulo- Natsu...?
Uma de suas mãos estendeu-se em minha direção na altura do ventre, parecia abalado, como se estivesse diante de um fantasma. Encolhi-me automaticamente, retesando do contato quase que de modo instintivo. Quando ia tocar-me, um segundo antes, uma voz o interrompeu.
–Natsu, que diabos de escândalo é esse?! -praguejou uma voz ainda sonolenta acima de nós.
Ambos nos viramos para fitar um Gray recém desperto que acabara de pôr os pés para fora do beliche de cima, paralelo ao que eu estava.
–Maldito Gray! -Natsu saltou do lugar, levantando o punho para o mago do gelo- Eu estava dormindo aí, idiota!
–Não mesmo. Pelo visto estava bem acomodado no piso quando te joguei aí. -provocou o moreno, saltando para baixo e encarando o rosado com um sorriso maldoso.
–Tá querendo brigar, gelinho tarado? -sibilou o Dragon Slayer, lançando um olhar mortal ao outro.
–O quê disse, boca de lareira?!
–O que você ouviu mesmo! -bradou ele, começando outra das suas famosas (e exageradas) brigas com Gray- Manda ver, picolé nudista!
Ainda estática pela sucessão rápida dos acontecimentos, pisquei, acordando e me levantando do chão. Tentei processar a cena de segundos antes por um momento, mas percebi que foi um erro. Um sensação ruim me veio ao estômago (e não, não estava passando mal naquele dia por algum milagre) e dei as costas para os dois encrenqueiros sem pestanejar, vendo que o estardalhaço acordara os demais presentes.
Ah, o bom humor de Erza pela manhã é realmente impressionante. Natsu e Gray baixaram a bola rapidinho só de ver a aura demoníaca que emanava da ruiva, transformando-se em Happy's bem obedientes.
Quem dera eles ficassem assim o tempo todo. Pensei, sentando-me à mesa.
Meredy, Jellal e Erza puseram-se a fazer o café da manhã assim que os briguentos pararam o escarcéu matutino. E não muito tempo depois estávamos todos comendo e conversando na mesa. Eu não me sentia muito bem (nem fisicamente nem mentalmente) e reparei que Natsu me encarava de um jeito incomum, intrigado, do outro lado da mesa. Franzi o cenho, mas assim que nossos olhares se cruzaram ele virou a cabeça para o lado, evitando meu olhar e assoviando como se nada estivesse acontecendo.
Esse idiota... Pensei com uma gota na cabeça.
Bufei e fixei o olhar no meu café da manhã, que resumia-se a uma fatia de pão com geleia e suco de morango. Deveria realmente comer mais do que isso depois de pular o jantar na noite anterior, entretanto se me empanturrasse demais com certeza colocaria tudo pra fora mais tarde. Essas novas restrições eram realmente irritantes.
Deixei a mente viajar durante esse tempo, perdendo-me em todo tipo de pensamento. Qualquer coisa que me desviasse o foco da ideia de que, quando voltássemos, teria de contar a Natsu e Happy sobre a gravidez, ou seja, teria de contar a toda a guilda. Conhecendo aqueles dois tenho certeza que fariam um belo estardalhaço por isso. Seja de um jeito bom ou de um ruim, sei que a notícia seria bem polêmica.
Estava completamente fora de órbita quando, de repente, uma voz me despertou.
–Minna-san...? O que vocês... estão fazendo aqui? -indagou a menina de cabelos azulados, sentando-se com dificuldade na cama de baixo do beliche- Onde... eu estou?
–Wendy-chan! -exclamei, indo rapidamente em direção à pequena Dragon Slayer do céu- Ainda bem que você acordou!
Em questão de segundos todos já estavam reunidos em volta do leito de Wendy, fazendo mil e uma perguntas e dando graças pelo despertar da menor.
–Lucy-san, Natsu-san, Erza-san, Gray-san e Jellal...? -seus grandes olhos escuros arregalaram, ela parecia confusa- O que aconteceu?! Onde... onde estou?
–Estamos na base da Crime Sorciere, não se preocupe Wendy, está segura aqui. -assegurou-lhe Jellal- Eu e Meredy as trouxemos para cá.
–Vocês foram atacadas. Consegue lembrar de algo? -indaguei, ajoelhando-me ao lado da cama dela.
Wendy negou com mínimo acenar, parecendo ainda mais confusa.
–Eu... apaguei logo. Não consegui ver quem era. Me desculpem... -ela encolheu os ombros, parecendo martirizar-se- Se não fosse pela Juvia-san eu e Charlie... com certeza já estaríamos...
–Não se preocupe com isso. -interrompeu Natsu, percebendo que lágrimas se formavam nos olhos da menina- Vamos dar uma surra em quem fez com isso com vocês. Pode apostar!
–Aye! -concordou Happy, sorrindo com o parceiro.
–Natsu-san, Happy... -murmurou ela, sorrindo timidamente.
–Partiremos logo, Wendy. -avisou Erza, séria- Temos de levar você, Charlie e Juvia a Poluchka-san para que ela possa medicá-las devidamente. Acha que consegue andar até a ribanceira?
A pequena pareceu ponderar antes de responder-me.
–Eu... não tenho certeza.
–Ah, não tem problema. -Natsu sorriu amigavelmente para Wendy- Qualquer coisa eu a carrego.
–Muito bem. -disse Erza com um sorriso satisfeito- Partiremos assim que arrumarmos as coisas. E nada de fazer corpo mole, vocês dois!
(…)
Foi questão de minutos para que estivéssemos já embarcando em um confortável e rápido coche, que prometia nos levar expressamente para os arredores de Magnólia, onde residia a curandeira.
Não tinha muito espaço no veículo, porém com certeza era o mais rápido na situação em que nos encontrávamos. Logo tudo estava de volta ao normal. Natsu passando mal, Juvia e Charlie ainda estavam desacordadas, Erza olhando pelas duas, Happy dormindo no meu colo e Gray com seu habitual mal humor. Eu ainda deleitava-me com o barulho ensurdecedor dos meus próprios pensamentos.
A cena que acontecera mais cedo ainda rondava minha mente de um jeito estranho. Ainda mais pelo fato de nunca ter visto Natsu daquela maneira tão de repente.
Ele... desconfia. Tenho certeza, ele desconfia de algo. Pensei, controlando-me para não gemer em agonia.
Logo teria de contar, e não tinha a mínima ideia de como fazer isso. Não era tão simples como um Ah, sabia que estou grávida? Ou um Pois é, agora parece que estou comendo por dois.Não. Porque não conseguiria colocar o verdadeiro sentimento de estar esperando um filho em meras palavras.
Sem perceber, estava com as mãos ao redor da barriga de leve. Ela não houvera crescido em nenhum volume perceptível, pelo menos ainda, mas ainda estava diferente. Eu ficava tensa só de pensar naquilo e me recusava a pensar nisso tanto quanto podia. Eu não queria me apegar a esse filho assim, não queria me sentir ligado e ele e depois ter de sofrer o dobro de decidisse não tê-lo, ou mesmo se o perdesse.
Só percebi que estava franzindo o cenho quando notei que Natsu voltara a me encarar de soslaio. E, mais uma vez, quando me virei para fitá-lo o mesmo desviou o olhar para qualquer canto aleatório.
Mas como isso é irritante. Parece uma criança. Bufei, apoiando o rosto nas mãos.
Outra coisa fora do comum era a atitude de Erza. A ruiva, que normalmente era a mais atenta do grupo, parecia avoada naquele dia. Os olhos estavam distantes da realidade e tive de sacudir seu ombro para que despertasse quando chegamos ao nosso destino. Só pode ser alguma coisa envolvendo Jellal, foi minha conclusão.
Sorri, torcendo internamente para que os dois tivessem se acertado. Não poderia esperar nada menos deles. Afinal creio que de todas nós, Erza seja quem tem a relação mais complicada. A prisão e o histórico de Jellal o condenavam tanto quanto ele mesmo, e isso só parecia afastá-los ainda mais um do outro. É claro que não consigo entender como é estar no lugar dela, eles eram muito discretos sobre isso, mas me surpreendo com seu autocontrole até mesmo naquele tipo de situação.
A Erza sempre parece tão madura. Ou pelo menos na maioria das vezes. Pense, lembrando de como a ruiva poderia ser imatura dependendo das circunstâncias.
Com um suspiro resignado reparei que já estávamos em frente à casa de Poluchka-san. Um arrepio percorreu meu corpo quando me lembrei da minha última visita à singela casa da curandeira. Lembrei-me das lágrimas de choque e da agonia que senti à princípio, sentindo um pouco da mesma voltar. Um gosto ácido tomou minha boca. Eu nunca fui a pessoa mais controlada quando se trata de sentimentos. Na verdade consigo ser bem escandalosa na maioria das vezes, o que era o meu jeito de extravasar.
–Lucy... Lucy! -chamou Gray, irritadiço- Acorda aí, já chegamos.
Pisquei, levantando do lugar e desembarcando do coche ainda um tanto aérea. Gray segurava uma Juvia desacordada sem prestar muita atenção no fato, Natsu recuperava-se da viagem aos poucos, Erza auxiliava Wendy a andar até a porta e Happy carregava Charlie com todo o cuidado nos braços.
A reação da curandeira com a nossa presença foi a mesma de sempre. A senhora de cabelos rosáceos bufou, soltou uma frase sobre os jovens de hoje em dia, suspirou e repreendeu o mestre pelo jeito que nos tratava mais uma vez, aceitando bem à contragosto cuidar das enfermas.
–Que tipo de missão vocês andam pegando nessa guilda?! -reclamou ela quando viu o estado das três meninas- Se ficarem pegando trabalhos assim não vão durar muito tempo, saibam disso! Essa molecada parece ansiosa por se matar nesses tempos...
–É muito grave, Poluchka-san? -indaguei, assistindo atentamente enquanto Erza acomodava Wendy em uma das camas destinadas aos doentes.
–É magia. -determinou a velha senhora com convicção- Parece algum feitiço que causa uma deficiência na produção de magia, como algo que as impede de recobrar as forças. Eu diria que é um jeito para mantê-las fora de combate por um bom tempo.
–Pode fazer alguma coisa? -indagou Erza, séria.
A curandeira bufou.
–Quem você acha que eu sou? Uma amadora? Eu não poderia ser considerada curandeira se não fizesse uma coisa simples dessa. Só preciso de um tempo para neutralizar os efeitos da magia no corpo delas e estarão bem novamente.
–Mas por que Wendy foi a única que acordou se a magia nelas é a mesma? -perguntei, confusa.
Poluchka-san arqueou a sobrancelha para mim.
–Não é óbvio? É porque a menina é uma Dragon Slayer. Esse tipo de magia se regenera com mais facilidade, fora que ela contém uma quantidade muito maior de magia no próprio corpo do que a gata branca por exemplo. Quanto à maga da chuva só posso dizer que os ferimentos físicos são um agravante para sua condição, a febre é prova disso, e também ela pareceu se esgotar muito mais nessa batalha do que a menina, ou seja, se não conseguisse repor sua magia logo, com certeza morreria em alguns dias.
–Poderia ser tão sério assim? -exclamou Gray, boquiaberto.
A senhora assentiu brevemente.
–A magia em si não é muito perigosa quando identificada logo, mas com o passar do tempo começa a absorver a magia que se regenera nos corpos de seus hospedeiros até deixá-los completamente exauridos. Isso pode levar a morte facilmente. Seus descuidados. -resmungou ela, revirando os olhos- Vou começar com a menina, e vocês tentem por favor não destruírem nada enquanto isso. Isso vale pra você também, acabei de concertar minha porta. -ela falou para Natsu, que encolheu os ombros com uma expressão arrependida.
–O que você fez? -indagou Erza para o rosado quando nos acomodamos nos sofás da pequena 'sala de espera'.
Natsu deu de ombros.
–Vim aqui com Lucy depois de uma missão há pouco e acabei causando um pequeno acidente.
–Você tirou a porta do batente. -relembrei-lhe, inclinando-me para frente para enfatizar a frase- E não foi bem um acidente.
Erza deu um tapa na cabeça dele.
–Aiii! -reclamou o rosado- Pra que foi isso?!
–Seja mais educado na casa dos outros. -repreendeu-o- Poluchka-san é uma grande amiga do mestre e da guilda, mas não é obrigada a ajudar ninguém.
–Aye. -concordou ele desanimado.
Passamos um bom tempo em silêncio depois disso. Bom, pelo menos eu e Erza. Gray e Natsu já trocavam provocações e socos, parecendo crianças de novo. Acho que se Erza não estivesse ali eles já estariam explodindo metade da casa, o que também não é incomum.
Depois de mais ou menos um quarto de hora Poluchka-san manteve-se focada no trabalho de neutralizar os efeitos da magia no corpo de Wendy. Depois daquele tempo voltou a sala.
–Como ela está? -questionei de imediato, levantando e indo em direção à curandeira.
–Dormindo. Está cansada, mas logo estará nova em folha. -assegurou-me, fazendo um alívio inegável surgir em meu peito.
–Ainda bem. -sorri para ela, sentindo como se um peso fosse tirado dos meus ombros.
–Senhora curandeira! -chamou Natsu de repente, chamando a atenção da rosada- Eu fico feliz por ela estar bem, mas acho que você deveria ver a Luce de novo.
–Como é que é?! –exclamei, indignada.
–Ué, você está esquisita, mais do que o normal. -ele se aproximou de mim e apontou para minha barriga- E acho que 'ta com lombriga.
Nós quatro o encaramos atônitos por um segundo, como se estivéssemos esperando que o rosado dissesse que estava brincando, mas esse não parecia o caso. Senti uma veia saltar na minha testa e não hesitei em lhe acertar meu Luck Kick direto na cara.
–De onde saiu isso, idiota?! -gritei, sentindo o rosto queimar de raiva- Até parece que eu ia ter um treco desses!
–Aiiii, Luce! -ele esfregou o rosto onde eu o atingi e voltou a me olhar intrigado- Mas é verdade!
–Idiota, qual é o seu problema? -zombou Gray, bufando e cruzando os braços.
–De onde você tira essas coisa, Natsu? -perguntou Erza com uma gota na cabeça.
–Eu não estou inventando! -repetiu ele, levemente irritado- Eu ouvi. -Natsu se levantou e apontou para mim de novo- É um batimento cardíaco. Fala pra eles, Luce! Você deve ter comigo alguma coisa estranha, ou...
Senti meu rosto se colorir de vermelho vivo.
Ah, meu deus, ele é um IDIOTA. Gritei mentalmente, esfregando a mão no rosto de frustração Eu ainda não acredito que estava consciente o suficiente pra ter me levado pra cama um dia.
Senti todos os olhares em cima de mim e de repente me senti um tanto sufocada pela pressão e expectativa naqueles olhos. Engoli em seco, como se estivesse sendo cercada por eles.
–Natsu... eu... n-não comi nada estragado. -gaguejei, me amaldiçoando mentalmente pelo nervosismo que sentia.
Ele franziu o cenho.
–Então como essa coisa estrou aí?
Fiquei ainda mais vermelha e pousei a mão sobre a barriga, recuando um passo automaticamente.
–Essa coisa... não é uma lombriga nem um bicho. Qual é o seu problema, Natsu?!
O rosado inclinou a cabeça para o lado, confuso.
–O que aconteceu com você afinal? Te colocaram uma magia também?
É incrível como a imbecilidade dele me tirou a paciência. Acho que estava me ressentindo secretamente de Natsu por estar passando por tudo isso sozinha, creio também que uma parte minha ainda sentia raiva dele, e que me arrependia de tudo. Acho que minha frustração me cegou naquele momento, acabei explodindo sem querer. Não reparei o quão mal estava me sentindo até aquele momento, e aquilo foi como a gota que fez o copo transbordar. Eu estava exausta mentalmente, me sentia exaurida de tanto remoer tudo aquilo e aquela pressão foi demais para mim aguentar.
Meu corpo queimava de raiva, minhas mãos estavam fechadas em punhos e pela primeira vez na vida realmente gritei com Natsu.
–Não é uma magia, idiota! –berrei, sentindo a raiva me dominar- Que inferno, Natsu! É um bebê! Eu... eu estou grávida, droga!
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