Ensinando a Beijar

14 Eu o amo... (Near's POV)


NEAR’S POV

.

Sinto que eu estou indo muito rápido

Mas é só para pular as partes que não tem importância

Aquelas partes que não é necessário a vocês saberem

Aquelas partes medíocres do nosso cotidiano

Que eu acredito que vocês já devem saber ou pelo menos ter a capacidade de imaginar

Para a gente ir direto para o final

O final é mais fácil de contar

Porque você não precisaria pensar em toda a trajetória que você teve que sofrer até chegar nele

Vamos continuar donde paramos

Lembrei-me, de sua risada

Sua risada na biblioteca...

.

.

.

.

.

Sim, ele estava rindo

Rindo, rindo, rindo...

Como se não houvesse amanhã

— Há! Eu sabia! Você realmente... – ele abriu aquele sorriso sacana que só ele conseguia fazer.

Não senti nada, mas como ele já sabe agora não tenho mais nada a perder. Falei tudo o que há anos queria falar a ele:

— É, eu te amo, Mello. É verdade. – eu tive que pausar, e pensar bem em como continuar:

O sucessor do L, o número 1, aquele que nunca precisou de nada nem de ninguém para ser feliz ou me sentir feliz. Eu teria tudo: dinheiro, fama, o que mais eu precisaria? Mas... – Senti uma enorme vontade de sair dali e esquecer tudo e fingir que foi simplesmente um sonho, todavia eu precisava continuar:

Mas o meu coração decidiu me trair e me fazer apaixonar por você. Sim, eu sou o sucessor do L, nunca precisei de nada nem de ninguém, existe um serial killer no mundo afora matando inocentes e eu estou... apaixonado por você. Desculpa. – respirei um pouco e continuei:

Se isso o que sinto por você é amor eu não sei, acho que sou jovem demais para saber o que é amor, eu realmente não sei. Só sei que o que sinto por você é forte, eu sinto coisas que eu nunca pensei que sentiria, Mello. Não estou a fim de transformar isso num monólogo, é só uma explicação. Era o que era para ser, mas parece que virou o meu álibi – disse, eu disse tudo o que eu queria falar para ele há muito tempo.

E o silêncio voltou ao seu trono durante um tempo

Não esperava uma resposta dele a tudo isso

Mas esperando ou não

Ela veio:

— Não o culpo por estar apaixonado por mim. – ele disse, olhando nos meus olhos. Sinceramente, eu nunca pensei que ele daria essa resposta. Mas não ficou só nisso — Afinal de contas, você nunca teve amigos e eu acho que sou a pessoa mais próxima a você, acho qu-

— Não precisa usar os lados da psicologia para tentar entender o que nem eu consigo fazer – interrompi-o, aquilo realmente não era necessário

— Eu só estou tentando colocar as cartas na mesa – defendeu-se – Só queria saber quem é burro o suficiente para se apaixonar pelo seu rival, aquele que mais te despreza – ele concluiu, num tom até irônico

— Eu também queria me entender. Se algum dia vou ter as respostas? Não sei – falei, abaixando a cabeça

— Acabei de tentar entender tudo e você me repreendeu, agora quer as respostas? Elas não vão cair do céu! – ele cuspiu aquelas palavras na minha cara simplesmente

— Mello, você se acha o melhor, né? Bom, agora eu tenho certeza que você vai se achar mais ainda. – falei, na cara dele, e ele não pareceu ter gostado muito – Por isso não queria ter sentimentos. Por eles serem as únicas coisas que não dá para se mandar ou controlar.

— É, mas aconteceu. – falava ele, gesticulando com as mãos — E eu quero deixar claro: eu nunca vou retribuir esse amor!

Ele achava que eu era trouxa

Bom, eu sou já que me apaixonei

Mas não tanto assim

— Eu sei Mello. Nunca esperei isso de você, nunca pedi isso de você. – respondi-o

— Então por que me pediu para ensiná-lo a beijar? – perguntou ele, com certa raiva

— Eu te pedi sim para você me ensinar a beijar, mas não foi por isso, não foi por... Esses motivos – tentava me explicar

— Então foi pelo que?! – perguntou ele, com a voz alta e estressada

— Foi para que você realmente tivesse o privilégio de me ensinar alguma coisa. – respondi simplesmente a ele. Ele fez uma cara de dúvida

— Como? – ele não tinha entendido mesmo

— É como se eu tivesse trocado as minhas vitórias para que você tivesse uma. Afinal, deixar você, o número 2, – ele fechou a cara quando disse isso. Sabia que ele não gostava – me ensinar qualquer coisa seria uma forma de me rebaixar perante ti. Acho que estou sendo bonzinho demais com você – ri desse meu último comentário, encostando-me na porta atrás de mim – Mas sinceramente, não vou mentir: acho que eu também acreditava que existiam chances de você sentir alguma coisa por mim

— Você realmente esperava isso? – ele perguntou, rindo um pouco

— Esperar eu esperava agora receber... eu sabia que não – ri um pouco da minha resposta e ele riu junto comigo

Toda essa situação era engraçada

Depois de tudo isso, acabamos nos esquecendo da hora

O sinal tocou: era hora de novo de estudar

Ao som do alarme saímos os dois da sala

Sem dizer mais nada

Pelo corredor afora

.

.

.

.

.

.

.

.

Chegou finalmente a noite

Tinha sido um dia longo

Na verdade, todos os dias essa semana tinham sido longos demais

Eu estava no meu quarto

Logo já ia dar o toque de recolher

E eu já estava no meu quarto com meus brinquedos

As outras crianças deveriam estar aproveitando o tempo antes do sinal tocar

Mas eu não era como as outras crianças

Eu estava montando uma torre de dados quando ouço batidas na minha porta

Levanto-me em direção à porta e abro

E dou de cara com ele:

Aquele que me atormentou o dia todo

A semana toda

Aquele que me tirou a paz

Ele

Vocês sabem de quem estou falando

— Oi Mello – disse friamente, e foi a melhor maneira que encontrei para recepcionar ele

— Nossa, que frieza – dizia, já adentrando o meu quarto – Eu também não estou feliz em olhar para a sua cara de novo – completou enquanto olhava as coisas pelo meu quarto

— Então por que está aqui? – disse, fechando a porta

— Ah, eu to aqui para acabar logo com a minha promessa de uma vez. Para nós dois ficarmos livres um do outro de uma vez por todas – ele falava olhando para todos os lugares menos para mim – Ah, eu nem sei como eu me envolvi em tudo isso mais – lamentava-se olhando para baixo

— Eu sei. Foi quando você me beijou na frente de todos – retruquei com o melhor sorriso irônico que podia fazer

— Hum, senta aqui logo – ele me mandou, já se sentando em minha cama

E eu como um bom menino sentei ao lado dele

— E agora? Vamos conversar – rindo ironizei, em razão a nossa última aula

— Não me estressa – ele falou de modo debochado – Só... me beija e eu vou tentar corrigir algum erro – ele falava apoiando um braço na minha cama e ficando em direção a mim

Apesar de tudo

De tudo mesmo

Mesmo, mesmo

.

.

.

.

.

.

Eu não queria isso

— Que foi? Anda logo! – falou já estressado – Devia estar me agarrando e me tirando todo o ar – comentou. Babaca – Não era isso que queria, amorzinho?

— Não era não – falei olhando naqueles lindos olhos azuis – Você pode me dar um milhão de beijos, eu preferiria que você me desse ao menos um verdadeiro – falei, desviando agora o meu olhar

Acho que se ele me desse ao menos um com verdadeiro sentimento eu ficaria mais “feliz”

Eu acho que já cheguei ao ponto de mendigar amor

— O que falta nos meus beijos? – perguntou ele, não deixando de me fitar

— O que falta nos seus beijos Mello é o mesmo que falta nos de muita gente: Amor – falei na cara dele

Bom, acho que ele não gostou muito

— Amor? Tá brincando? – ele riu, endireitando sua postura – Pra que amor?Ah é, tinha me esquecido: Você está em amor – ele dizia rindo da minha cara.

Ele achava que falando essas coisas iria me afetar

Bom, só um pouco

Ele continuou:

— Caso você também não lembre eu sou o professor aqui!

— Então me ensine alguma coisa! – falei, já sem paciência

Tinha sido um dia estressante para nós dois

Acho que funcionou o que eu tinha dito, porque nesse momento ele se aproximou rapidamente e me beijou

Foi um beijo calmo e terno

Bem diferente dos anteriores

Ele entrelaçava seus dedos nos meus cachos

E eu apertava sua blusa

Ficamos um tempo assim até que o ar se fez necessário

Nós dois bufávamos em busca de oxigênio

— Então, como eu estou? – falei ainda de olhos fechados e na mesma posição

— Como eu tinha dito: beijar é prática. Para você ser bom... Deve beijar bastante – dizia ele enquanto contornava meus lábios com seus dedos

Ele sabia como me tirar do sério

Eu não me importava mais com o que quer que ele fizesse

Porque eu sei que para ele era só mais um beijo

Mas para mim era algo maior

Continuamos a nos beijar

Loucamente, se me permitem dizer

Ele continuava com uma mão nos meus cabelos

E com outra na minha cintura

E eu com as duas mãos agarrando seu pescoço

Eu devo admitir: era muito bom

Fomos novamente interrompidos por esse chato e necessário O2

— Sabe, seus beijos estão ficando ótimos, muito bons – ele dizia ainda na mesma posição inclinando a cabeça um pouco para cima em busca dos meus olhos

— Então eu logo logo irei passar? – perguntei soltando um risinho

Ele nada respondeu

Foi até estranho

Ele sempre tinha uma resposta

Ele ficou de olhos fechados um tempo, pensando creio eu numa resposta

— Olha... – ele começou mas com certo receio — Eu não estou aqui simplesmente para cumprir minha promessa – ele falou, endireitando sua postura na cama

— O que? – perguntei, realmente confuso com sua resposta

— Acho que já acabamos com as nossas aulas – disse ele pondo-se de pé e ajeitando sua roupa – Melhor eu ir embora agora

— Como? – eu estava realmente confuso com tudo isso – Espera aí!

Eu pedi e ele já estava com a mão na maçaneta da porta, pronto para sair. Mas antes ele pode me dizer:

— Não estou aqui pelo seu amor, por causa dessa promessa, ou qualquer coisa assim – ele disse, abrindo a porta — Seus beijos são bons – foi tudo o que disse depois de abrir a porta e se colocar a fora dela – Bom, considere-se aprovado. Meus parabéns, Near – disse simplesmente antes de fechar a porta

Me deixando realmente confuso

“Seus beijos são bons”

Ele realmente gostava dos meus beijos ou era simplesmente uma maneira de acabar com o que me restava de sanidade?

.

.

.

.

.

Ah, como eu o odeio!

Ah, como eu o amo!

Ele falou aquilo simplesmente para me dar falsas esperanças... Será?

Ah, como eu odeio ele!

Ah, como eu o amo!

Ele tira de mim

E depois me dá um pouco

Ele é um imbecil

Ele é um babaca

Ele é um idiota

Ele é...

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Ele é o cara que eu amo

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

CONTINUA...