Ensinando O Amor Para Um Coração Partido

1 Capítulo 1 - A alegria vem ao amanhecer


Não era mais tão engraçado sem ele por perto.

Ver aquele desenho sem graça até tinha graça quando ele estava do meu lado, rindo de coisas bobas e me fazendo cócegas para acompanhá-lo nos risos. Suspirei decepcionado, colocando as mãos na frente do rosto e contendo o choro, que estava quase vencendo minha vontade de enterrar essas lembranças.

“Apenas um show” nunca mais seria um desenho para se rir. Não por mim.

Desde que me mudei de Busan pra Seoul, nada deu muito certo. Pyeong não vinha me visitar mais, contando que os pais dele e os meus eram contra nosso namoro e contra o próprio homossexualismo de nós dois. É simplesmente deprimente saber que ainda existe gente que se coloca contra algo tão natural, que não faz mal a ninguém, e que nunca matou um número devastador de pessoas, como uma bomba, por exemplo.

A única luz que estava sendo projetada na sala de meu apartamento, era da TV, o que era péssimo, já que eu era míope. O chão lustrado servia de pista de dança para que meus pés calçados com meias escorregassem e fizessem círculos ali, os móveis, da mesma cor da madeira das paredes e chão, um bege polido, que dava um ar elegante ao ambiente; o rack era a única coisa de cor diferente na sala, era da metade para baixo, preto, e a outra, branca. O sofá em que eu estava deitado era daquele tipo que drena toda sua energia e vontade de levantar, afundando seu corpo e te aconchegando estranhamente no exato formato da sua silhueta, sua cor também era bege.

Ao tentar me levantar, a lei da gravidade me puxou novamente, me deixando imóvel no sofá, olhando para o teto escuro, escuro como meus pensamentos decorrentes. Era a quarta ou quinta vez que chequei o celular para ver se alguma mensagem não lida iria me surpreender, mas infelizmente, todas essas vezes eu fui frustrado. Sendo assim, joguei meu celular longe.

Minha separação deixou tantas sequelas...Ah...como eu queria desaparecer...

“Kick Kick Kick keopdo eobshi Push Push tallyeobwah sumi teok! kkeutkkaji chaolla Don't stop the board!” — Meu celular tocando, Kick, F(X).

Corro igual uma mula, apalpando o chão cegamente, meus óculos fizeram muita falta nessa hora. Depois de tatear muito o chão e cantinhos escuros da sala, achei o celular.
FINALMENTE, UMA MENSAGEM!

“Seu saldo é menor que 47 wons, para recarregar seu celular...”

Bufei ao ler aquele ultraje.

Que vergonha, corri para absolutamente nada. A única coisa que eu podia realmente fazer agora, era rir. Então o fiz, o fiz como se não houvesse amanhã. Rí loucamente, o mais alto que pude, e de forma mais extrovertida também. Até que minha mãe gritou do quarto:

-Moleque, cala a boca, já são 03 da madrugada!

Emudeci.

Ao ser reprimido, me deitei no sofá, me afundando novamente ali. A quem eu queria enganar? Eu estava mesmo deprimido, ferido...meu ego, despedaçado. Logo, com a vista totalmente embaçada de lágrimas, chorei, e logo adormeci.

No dia seguinte, meu celular despertou no horário de sempre, e lá vou eu, tomar banho, me vestir, comer alguma coisa, e ir para o colégio.

No meio do caminho, tirei o celular e fones de ouvido do bolso, os plugando e selecionando uma playlist qualquer. Não sei ao certo se foi intenção do meu celular me trollar, mas começou a tocar Airplane, F(X). Mordi os lábios, e tentei mudar de música o mais rápido o possível, selecionando Step. Andando tipicamente na calçada, foi tudo muito normal, ninguém olhou torto, não encontrei ninguém que eu quisesse matar... Mas de repente, senti uma coisa diferente, como se estivesse puxando a atenção dos meus olhos.

Um homem bem alto, com uma barba baixa e pele lisa passou por mim, olhando bem no fundo dos meus olhos, inevitavelmente, fiz o mesmo. Tudo parecia se mover em câmera lenta, os cabelos dele estavam sendo levemente influenciados pelo vento, as pálpebras se fechando e se abrindo em slow motion...meu Deus, o que era aquilo? Quando ele sorriu, uma fileira branca de dentes perfeitamente alinhados se revelou, reluzindo ao brilho do sol. Algumas folhas da cerejeira ao lado começaram a cair, fragmentando minha visão quando elas entravam na frente.

Acho que não foi só eu quem viu as coisas em câmera lenta, e admirou a beleza de alguém. O homem esbarrou no meu ombro, e eu, com minha mão boba, acabei soltando o celular.

Foram peças voando para todos os lados. Meu Samsung se espatifou no chão, e eu já fui agachando para pegar tudo, porém, aquele cara foi mais rápido, e com muita destreza pegou as peças e me entregou. Ele se vestia bem demais. Trajava terno, calças sociais, sapatos bem lustrados, uma gravata com um nó impecável...

-Desculpa, eu não...nossa, sou tão desastrado!

Pensei seriamente em respondê-lo, mas as palavras não saíam! Aquela beleza estonteante...quer dizer, eu não estou em condições para pensar em nada, afinal, aquilo foi só uma coincidência, não é mesmo? Afinal, todo dia um homem lindo aparece, sorri para você, recolhe suas coisas do chão e pede desculpas, certo?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.