Ensina-me a respirar
2 Capitulo 1 Uma Agenda Perfeita
Acordei suando frio, não era a primeira vez que tinha aquele pesadelo. Nele, eu estava no lugar do meu pai naquela cama de hospital ligado a muitos aparelhos e sendo devorado por vermes.
Levantei-me, olhei no relógio e marcava perto das quatro da manhã, fui até o banheiro, tomei um banho demorado, logo em seguida enrolei a toalha na cintura e fui até o closet pegar algumas roupas.
Sabia exatamente que teria um dia cheio de reuniões e falaria com pessoas que eu considerava sujas e incompetentes, isso era uma coisa que me deixava com bastante raiva.
Simplesmente não conseguia entender como as pessoas podiam ser tão relaxadas com elas mesmas e suas coisas. Eu pelo contrário, sempre fui muito organizado e a mínima poeira em cima da mesa me incomoda profundamente.
Eu sempre tive que seguir as regras do meu falecido pai, ser do jeito que ele idealizava, por isso fui forçado constantemente a buscar a perfeição em tudo.
Minha relação com ele não era muito boa e no meio disso tudo ficava minha mãe sempre sem saber o que fazer. Como ele mesmo dizia; tudo que eu fazia era envergonha-lo.
Hoje eu posso entender um pouco sobre as coisas da que falava e por isso sou muito exigente com todos a minha volta.
Subi até o terraço da mansão e entrei em meu helicóptero, achei ter ouvido o piloto dizer algo, mas não dei importância e o mandei decolar.
Minha empresa se chamava Luminux, era um império que havia herdado do meu ignorante e detestável pai. Possuíamos como sede um grande prédio no centro do Rio de Janeiro, ele era extremamente alto e ornamentado com espelhos, bem em cima ele tinha o formato de um diamante e nesse andar ficava a minha área exclusiva de trabalho.
Logo que a aeronave aterrissou, Patrícia minha secretária financeira, que agora estava fazendo também o trabalho de secretária pessoal (da pior forma que alguém poderia imaginar), me esperava com alguns documentos em mãos.
— Bom dia, senhor Aguilar, preciso que assine isso por gentileza e os investidores o esperam hoje à tarde para conversar sobre a sede do México.
Patrícia era extremamente irritante, sua aparência não era das melhores, era mais alta que eu e tinha longos cabelos pretos que ficavam amarrados em um coque, seus óculos eram quadrados, seu corpo extremamente magro indicava que a mulher deveria ter algum tipo de doença e isso me deixava nervoso, definitivamente não queria nada de suas mãos.
— Poupe-me de detalhes Srta. França — disse antes que ela pudesse continuar a me incomodar — Adie tudo em meia hora e onde está meu café?! — exclamei com raiva.
Ela sabia que antes de ver qualquer coisa relacionada ao trabalho, gostava de sentar-me em minha cadeira e tomar meu café, e mesmo assim, quebrava minha rotina sem cerimônias. Isso me deixava furioso.
Sentei-me, acendi um cigarro enquanto esperava a chegada do tão demorado café, depois de algum tempo Patrícia deixou o café em cima da mesa. Observei se ele estava na bandeja enquanto eu via algumas noticias no computador, sem dizer absolutamente nada ela se afastou.
— Srta. França? — chamei. — Coloque um anúncio em algumas agências de empregos, faça um processo seletivo e contrate uma secretária decente que seja bem organizada. Como todas as outras que deixei sob seus cuidados eram extremamente incapazes, elaborarei uma prova para que as candidatas façam, contrate a que se sair melhor. Quero isso o mais rápido possível e sem desculpas. Agora pode se retirar, quero ficar só!
— Claro, Sr. Aguilar, como quiser.
Por um momento, achei que Patrícia estava chorando, mas como não gosto de me envolver na vida pessoal dos empregados, não fiz menção de perguntar o por quê.
Adorava meu escritório pois possuía simetria e organização, ele cobria o último andar inteiro e somente num canto afastado tinha uma sala que era para minha futura secretária. Ao olhar para a sala percebi o que tinha que fazer, precisava de alguém quase tão bom quanto eu para ela. Comecei a elaborar uma prova especial, as questões eram basicamente fáceis, porém um total de duzentas e cinquenta questões à deixavam cansativa. Todas tinham um duplo sentido e exigiam um jogo de cintura, que eu queria testar nas candidatas. Mas o ponto chave da prova era um pequeno erro de concordância que quase imperceptível para pessoas iguais a Patrícia. Após terminar a prova, enviei para Srta. França e expliquei no e-mail as condições e pontos que seriam testados.
A manhã passou mais rápido do que de costume, já eram quase onze horas quando meu telefone pessoal tocou.
— O que foi, Júlia? — perguntei sem muita paciência.
— Nada, Pastel, só liguei para perguntar se deixei minha calcinha no seu quarto, porque eu não estou achando! — Disse ela em voz simples.
— Ninguém merece você sabia!? Por que não vai até lá e procura, evite deixar suas coisas espalhadas pela casa, você sabe que odeio bagunça!
— Ah para, Daniel, você sabe que eu sou super organizada com as coisas! — bronqueou ela.
— Júlia, como lhe expliquei ontem eu não estou muito bem no momento, sabe que estou sem secretária aqui na empresa e por isso tudo está acumulando por aqui...
Júlia era minha única amiga, quase sempre fazias as coisas para me perturbar e tinha um certo orgulho disso, a conheci quando estava ainda no primário numa das escolas que meu pai me colocou em São Paulo.
Nossa amizade era muito sincera. Até demais, se posso me atrever a dizer isso. Aos quinze anos ela descobriu sua sexualidade, desde então nunca a vi com um homem.
Ela tinha uma aparência muito bonita, apesar de seu cabelo curto arrepiado. No geral, era bem feminina, gostava de roupas coladas e de se maquiar, seus olhos eram castanhos escuros assim como seu cabelo.
Júlia era uma excelente arquiteta, não só em seus projetos profissionais, como também em arquitetar planos para me meter em furadas e constrangimentos. Contudo ela sempre me protegeu, eu realmente gostava dela.
Após meia hora de palavrões ao telefone, desligamos marcando um jantar na minha casa. Continuei fazendo meu trabalho até a hora do almoço. Pedi para que Patrícia me trouxesse comida de um restaurante onde costumo fazer minhas refeições quando estou no centro.
Enviei alguns emails até a comida chegar e falei com algumas pessoas. Pedi a empregada para arrumar a mesa de almoço, assim que a comida chegou, me pus a comer.
Logo após terminar, tive que voltar rápido ao trabalho, pois tinha uma remessa de joias raras que estava chegando do Marrocos com exclusividade para o Brasil. A nova linha estava prestes a sair e eu precisava cuidar de tudo basicamente sozinho, pois não conseguia confiar em mais ninguém para assuntos de tamanha importância.
Eram quase duas da tarde, Patrícia entrou em minha sala pelo elevador dos empregados.
— Com licença, Sr. Aguilar, uma menina deixou seu currículo na empresa hoje e como estamos com urgência decidi lhe dar a prova e devo dizer que fiquei impressionada. Aqui está sua prova. Também dei uma cópia de sua agenda para que analisasse.
Acendi um cigarro e comecei a analisar a prova que a garota havia feito, todas as respostas estavam certas e ela havia detectado o erro de concordância que eu coloquei, sua letra era impecável e tinha observações na prova explicando cada resposta que ela havia dado.
— Deve servir, ela começa amanhã?
— Sim, senhor, amanhã ela estará aqui como o senhor pediu. Porém devo avisar que ela é um … — Antes de ela terminar eu a cortei, não queria ouvir mais nada.
— Pode ir, Srta. França — disse em tom direto.
— Tudo bem, senhor, obrigada!
Ao dizer isso pude ver um leve sorriso de canto na boca de Patrícia, o que não estava acostumado a ver, ao menos dessa vez ela não estava chorando.
Quando deu por volta de cinco horas da tarde, eu já havia terminado uma conferência on line com alguns fornecedores de pedras preciosas, resolvi ir mais cedo do que de costume para casa. Peguei meu elevador particular que me leva direto a uma parte exclusiva da garagem do prédio.
Realmente eu adorava carros e viagens, sempre quando estava estressado costumava andar de carro com a capota aberta, mas devo confessar que não fazia isso hà tempos. Entrei no meu Mercedes SLR e fui em direção a minha casa na Barra da Tijuca.
Eu e Júlia chegamos praticamente ao mesmo tempo. Ela com seu ridículo Fusca New Beattle rosa.
— Daniel, chegou cedo hoje? — disse ela saindo do carro e me dando um selinho na boca, sempre nos cumprimentávamos assim.
— Estava cansado e resolvi passar um tempo com você hoje, mas se tiver algo pra fazer eu vou entender!
— Bom, como você sempre chega muito tarde, antes do jantar eu ia me encontrar com uma garota, mas como você chegou mais cedo hoje acho que vou desmarcar e ficar um pouco com você. Afinal quem conversaria com você a não ser eu?
— Dei uma risada leve e entrei com Júlia em casa, fomos direto para a área de lazer da casa onde tínhamos um bar e uma mesa de sinuca. Coloquei bebidas para ambos e acendi um cigarro enquanto Júlia desmarcava com a menina.
— Então, quem é essa nova garota que você supostamente iria sair hoje? Perguntei tentando puxar assunto assim que ela desligou.
— Ninguém em especial, só um lance mesmo. Disse ela mexendo no guarda-chuvinha da bebida.
— Entendo, espero que seja bom! — falei dando um trago no cigarro.
Júlia me olhou por um tempo e me serviu mais Conhaque.
— Mas e você, Daniel, quando vai arrumar uma mulher? Francamente você está precisando!
Engoli a fumaça que estava tragando e comecei a tossir, respirei fundo e sem querer pensei em Melissa que há uns anos antes tinha me deixado de uma forma tão cruel e seca que eu simplesmente não conseguia esquecer.
— Não tenho tempo para relacionamentos e você sabe disso! — respondi em meio a tosses. — Olha, eu já tenho uma mulher e ela está tomando Conhaque comigo.
— Eu não conto, Daniel, estou falando de alguém que você possa namorar sabe, fazer sexo!
— Mudando de assunto, consegui contratar uma secretária nova e ela começa amanhã. — falei tomando um gole da bebida.
— Espero que essa dure pelo menos um mês, o que seria um recorde para você. — disse ela rindo dando um beijo na minha bochecha.
— Não tenho culpa se as pessoas de hoje não estão preparadas para o mercado de trabalho.
— Daniel, por acaso você já viu essa nova secretária? — perguntou Júlia estranhamente.
— Não, quem fez a entrevista foi a Patrícia, só vi os resultados — respondi franzindo a sobrancelha. — Por que a pergunta?
— Nada não, só curiosidade mesmo.
O restante do dia passei pensando no que Júlia me disse, eu não tinha medo, apenas não tinha tempo para relacionamentos. Fiquei mais irritado do que de costume e acabei indo dormir mais cedo.
Meu quarto era espaçoso, como tudo meu, bem organizado e limpo. Entrei nele sem trancar a porta pois sabia que Júlia provavelmente iria dormir comigo, fui até o banheiro e tomei um banho bem demorado. Realmente, o que Júlia me disse estava me incomodando.
Quando me deitei não demorou muito e Júlia apareceu, ela me olhou com indiferença, retirou o roupão e ficou só de calcinha.
— Você adora me tentar, não é? — perguntei olhando para seu corpo.
— O que foi? Até parece que nunca me viu nua! — disse ela rindo e caminhando lentamente em minha direção.
— Júlia, não inventa ideia!
— Calma, Daniel, você está muito tenso e vou lhe fazer uma massagem! Ao dizer isso ela montou em cima de mim sem ligar para o pequeno detalhe de que eu também estava nu.
— Você adora me tentar, até o dia que eu resolver te pegar de jeito! — falei me empolgando pelo momento.
— Olha, pra quem está sempre por cima, você parece bem animado estando por baixo! Ao dizer isso ela passou suas mãos pelo meu peito e deu uma leve inclinada o suficiente para morder minha orelha.
— Acho melhor você parar com isso antes que não tenha mais volta. — falei ameaçando ela, porém sem obter sucesso na persuasão.
Ela começou a me tocar em pontos estratégicos do meu corpo, sem beijos e toques nas áreas genitais, porém todo o resto passou por suas mãos e lábios. Comecei a me animar além da conta e quando percebeu isso ela me olhou com um olhar de fome, chegou bem perto do meu ouvido e disse em sussurros.
— Boa noite, Daniel Aguilar! — saiu de cima de mim, pegou o meu braço e se deitou deixando que eu ficasse na posição de conchinha com ela.
— Um di..a, Júlia, você me paga!
— Põe na conta e parcela em dez, agora me deixa dormir!
Tentei me aconchegar e pensar nas coisas que tinha para fazer no outro dia, admito que não dormi bem naquela noite.
Acordei bem cedo no outro dia, olhei para o lado e vi que Júlia dormia profundamente e parecia sonhar com algo bom. Levantei-me e fui até o banheiro para me aprontar, o dia seria corrido. Tudo estava como sempre, porém não tive pesadelos essa noite. Isso me deixou pensativo e notei que dificilmente eu tinha pesadelos quando Júlia dormia ao meu lado. Tomei meu café, e em seguida peguei o helicóptero para ir até a empresa.
Logo ao chegar, fui direto a minha mesa ver o computador e só algum tempo depois percebi que tinha uma jovem mulher em pé, me olhando com uma agenda em mãos. Ela era da minha estatura, possuía cabelos castanhos enrolados que combinavam bem com seus olhos e vestia um casaquinho furreca e uma saia longa de estampa como se fosse uma Hippie. Eu a encarei por algum tempo para ver sua reação mas ela parecia esperar algo, então rapidamente concluí quem ela seria.
— A Srta. França não lhe informou que a faxina deve ser feita antes da minha chegada ao escritório? E onde está seu uniforme? — falei rapidamente voltando a minha atenção a alguns papeis. — pode sair, não preciso de uma faxineira que não sabe ao menos seu lugar!
— Desculpe, senhor Aguiar, mas não sou sua faxineira, sou a nova secretaria particular. — disse ela com simplicidade — Devo lhe informar agora de sua agenda… — mas antes que ela terminasse de falar, eu a interrompi.
— Vá até o quinto andar, fale novamente com a Srta. França e deixe a agenda aqui em minha mesa.
— Sim senhor. — e ela saiu pelo elevador com toda a simplicidade do mundo.
Não acreditava que Patrícia seria incompetente o suficiente para me mandar alguém desse nível, ainda mais sabendo que sempre busco o melhor. Peguei o telefone e liguei para o de Patrícia.
— Sim, Sr. Aguilar, como posso ser útil? — falou ela em voz de alerta.
— Ser útil? — disse quase rindo sarcasticamente — Me manda essa pessoa em trapos, sem modos e que não tem nenhum preparo para lidar com a empresa! — disse aos berros, furioso com a incompetência dela.
— Desculpe-me, senhor, mas ela passou em todas as suas aprovações. — Patrícia tentava se justificar.
— Demita-a e contrate alguém decente, se não poder fazer isso é porque não serve para trabalhar comigo.
Desliguei o telefone com raiva e peguei a agenda para ver meus a fazeres. Quando analisei a letra percebi que não era de Patrícia, comecei a foliar e por incrível que pareça eu nunca tinha visto uma agenda tão bem organizada. Fiquei pasmo, como alguém como aquela garota poderia fazer minha agenda ficar assim dessa forma?
Peguei rapidamente o telefone e liguei para Patrícia.
— Sim, Sr. Aguilar? — falou ela forçando a voz por algum motivo. — No que posso ser útil?
— Dê qualquer papel para ela e mande-a subir! — disse rapidamente. — Quero conversar com ela.
Não acreditava que estava fazendo aquilo, mas a agenda não mentia, ela era a secretária que eu estava precisando. Depois de um tempo, a porta do elevador se abriu e ela veio com alguns papéis em mãos, me olhou por um minuto e até podia jurar que ela estava me estudando.
— Aqui estão os documentos Sr. Aguiar, o senhor tem uma reunião com a Diamonds Interprese agora pela manhã e acho que deveríamos estar de saída. — falou com bastante calma.
Olhei para a agenda e vi que estava lá anotado, também tinha especificações e pontos chaves da reunião.
— Primeiro, meu nome é Aguilar e não Aguiar. Segundo, foi você que fez essa agenda?
— Sim, senhor, e também tenho um arquivo com alguns gráficos se quiser ver! — disse ela se animando, mas a cortei rapidamente.
— Precisa melhorar bastante se quiser trabalhar comigo, agora adie a reunião em uma hora para ajeitarmos os erros que você deixou na agenda, também quero fazer uma reunião antes com você então trate de se apressar.
— Sim, Sr. Aguiar, digo, Aguilar! Farei isso imediatamente.
Rapidamente a garota saiu em direção sua mesa e começou a escrever algo no computador e ligar para algumas pessoas. Depois de uns dez minutos ela veio novamente até mim e podia jurar que ela estava andando saltitando.
— Pronto Sr. Aguiar, Adiei em quarenta minutos e fiz algumas alterações na sua agenda. — falou ela me estendendo a agenda.
— Coloque em cima da mesa. — Disse rapidamente, não gostava de pegar nada das mãos de outras pessoas. — Qual é seu nome?
— Flora Linda, senhor. — falou ela rindo do próprio nome. — foi um erro na hora de registrar, meu pai... — Novamente a cortei, não estava nem um pouco afim de ouvir a história de vida dela.
— Não precisa me contar, pois bem, Srta. Linda, vá até o estacionamento e pegue um carro da empresa, não tolero atrasos e não quero também que chegue fedendo a ônibus velho. Suas roupas precisam ser adequadas para o ambiente de trabalho, então peça a patrícia um adiantamento para que compre novas roupas, melhor, diga a ela que vá com você, ela pode não ter muita utilidade, mas pelo menos não se veste como uma sem teto. Um fato importante que precisa saber é que sou muito exigente no meu local de trabalho então espero não ver bagunça e muito menos sujeira no meu escritório e isso quer dizer que sua sala também deve ser igualmente higienizada dentro dos padrões. Eu não costumo pegar nada da mão de pessoas que eu não conheço então pode deixar tudo que quiser me entregar na mesa a minha frente para evitarmos constrangimentos.
Os alimentos devem ser entregues nas bandejas, pratos e talheres de uso exclusivo meu que estão na cozinha na entrada ao lado da sua sala e eles devem ser esterilizados na maquina uma horas antes de cada refeição minha e novamente no momento em que for solicitado por mim. Eu tenho o costume de beber bastante café então seu trabalho é garantir que sempre tenha pronto para quando eu quiser tomar. Outra coisa, seu perfume me irrita, não use.
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