Ensina-me a amar II - Destino sombrio.
11 Se você precisa, pode ir.
Notas iniciais

Aqui de cima, tudo parecia insignificante...
Darkness parecia um pesadelo distante que nunca se realizaria, que nunca ameaçaria a família que eu e Tony lutamos com sangue, suor e lágrimas para construir.
O abismo.
Em um momento, você está na beira ou até mesmo, dois passos longe da borda. Mas, em um estalar de dedos, tudo se desfaz. É interessante desafiar a linha tênue que foi traçada por nós e vê-la se apagar ao vento. Enganosamente, achei que tudo em minha vida estava construindo em bases fortes...Meus poderes, meu casamento, minhas filhas, minha vida.
Mas, agora, é como tudo se tivesse se transformado em um castelo de areia. Um pequeno sopro destruiria tudo... Como chegamos até aqui?
Aqui de cima, eu parecia inabalável. Arrogante afirmar, mas como uma deusa, com plena ciência e controle dos seus poderes. Eu já havia lutado tanto... Parecia tolice desistir agora.
Então, porque eu me sentia tão fraca, tão sem esperança?
Porque, tudo o que eu queria era pegar minhas filhas, meu marido e sumir, para que os problemas não nos achassem, nunca mais. Mas, isso hoje era um luxo para mim.
Eu era o caos. A fonte do problema, o monstro que tinha outro monstro, pior ainda dentro da cabeça.
Mas, daqui de cima... Parecia que era inatingível.
— Então... Ficar isolado a milhares de metros do chão é seu novo método para ficar sozinha? Disse, uma voz que eu conhecia bem demais. Impossível disfarçar o sorriso.
— Difícil entender o conceito, esposo? Digo, erguendo uma sobrancelha, o som da armadura o mantendo ao meu lado era a única coisa entre nós agora.
— Eu amei você, no dia que você segurou aquele míssil ao meu lado. Disse, segurando minha mão.— Naquele momento, eu tive certeza de que queria dividir minha vida com você. Sendo o homem de ferro ou não... Eu não pensava que um dia teria uma família, queria ser apenas o homem com a armadura. Mas, você amou o homem de ferro e amou Tony Stark.
— Tony... Digo, o nosso fim era inevitável. Possivelmente, temporário... Mas, ainda sim, inevitável.
— Baby, só não desista de nós. Não hoje, nem amanhã ou por todos os dias de virão... Mesmo, quando tudo estiver acabado, não desista de nós. Porque, aonde for, nós vamos nos encontrar.
***
Strange era um homem singular, no mínimo. Um homem poderoso... Entretanto, ele era firmemente guiado pelas regras, pelo menos aparentemente. Eu podia sentir a magia emanando do sanctum, era simplesmente, diferente. Se era Darkness ou eu, sinceramente, não sabia mais. Não havia limites para a coisa dentro da minha cabeça, nenhum que eu conhecesse.
— Você chegou cedo. Diz Strange, me observando. – Sabe, que isso não vai dar certo, não é? A imortalidade vem com um preço que eu recuso a fazer você ou ele e principalmente, eu pagarem.
— Não quero torna-lo imortal. Digo, sabendo que seria impossível esconder nossos detalhes sortidos. – Quero dividir meus poderes com ele. Só os de regeneração, de preferência.
— Mesmo, por amor, isso sempre cobra um preço. Eu sei que o amor de vocês pode ser a coisa mais forte que eu já vi. Mas, sinceramente, nem esse tipo de amor pode sobreviver ao que você quer fazer. Diz, se sentando em uma pequena cadeira, que parecia velha e confortável. Monges...
Escute o mago, garota. Não seja tola... Isso pode matar você.
— Ela está falando com você, não é? Pergunta, com uma curiosidade mal disfarçada na cara. Assinto da forma que consigo, me sentando na cadeira a sua frente. – Você deve ser um receptáculo quase perfeito. Se não fosse tão forte, para resistir ao controle dela por tanto tempo.
— Eu tento. Mas, tem ficado cada vez mais difícil. Digo, cruzando as pernas. Eu sabia que meu destino era inevitável.
— Sim. Eu entendo... E dividir seus poderes com Stark, pode te enfraquecer de uma forma que não seria possível evitar o controle dela pelo seu corpo ou sua mente. Pelo menos, enquanto você se recupera. E quando, se lida com algo antigo, como esse, horas podem parecer dias. Diz, me encarando com tranquilidade. Tranquilidade que eu não sentia e duvido que ele sentisse também.
— Não podemos fazer um feitiço de contenção? Murmuro, usando o pouco de magia que eu conhecia. Ele assente levemente, me dando esperança. – Não me leve a mal. Mas, Tony se sente tão inseguro... Estranho não é? Questiono, Tony tinha tudo, tudo o que o mundo poderia oferecer a um homem. Inteligência além de todas as capacidades, o homem mais rico do mundo (Se você considerar a fortuna no âmbito pessoal. Sorry T’Challa.), tinha uma família maravilhosa, era amado e odiado com a mesma intensidade.
— Eu posso entende-lo. Você é um ser muito poderoso, comanda a natureza e desfruta de um nível de imortalidade que a maioria dos humanos nunca poderão. Stark é essencialmente egoísta em alguns âmbitos e com você, isso pode se estender potencialmente. Acho que ele teme ser apenas um capítulo de uma longa vida que você pode ter. Diz, acenando levemente para mim. Tony era tudo, nunca poderia imaginar uma vida sem ele, era como viver incompleta, sem nenhuma esperança de um futuro melhor, eu o amava de forma mais profunda que o oceano e tão alto quanto as estrelas do céu.
— Isso é impossível. Afirmo, convicta.
— Não é a mim que você tem que convencer. Diz, com o máximo de gentileza que consegue. – Eu recomendo que você pense bem no que fará. As consequências podem ser altas para você e principalmente, para sua família.
Assinto, agradeço brevemente e saio com toda a intenção de voltar. Mas, Strange estava certo, com a hidra e Darkness esperando uma falha minha para agir. Eu teria que fazer cada passo detalhado, porque não queria perder Tony. Não queria perder Ava ou Juliett, eles era tudo de mais precioso que posso ter.
***
— Olá, baby. Murmuro, vendo Tony trabalhar, a garrafa de whisky em uma mesinha com um pequeno baldinho de gelo. Coloco um pouco de whisky para mim com três pedras de gelo e me sento no sofá. Tony continua em silêncio...
— Olha... Suspiro, pensando no que eu vou falar. – Eu sei que nós estamos enfrentando muitos problemas ao mesmo tempo. Você está chateado, por causa do envelhecimento. E tem uma entidade antiga e perigosa na minha cabeça, que quer acabar com o mundo e provavelmente, tem interesse em você. Só que Tony, preciso que você saiba que é meu mundo, que em nenhum momento eu consigo imaginar a minha vida sem você...
— Eu... Menciona Tony, se virando para mim. Seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas, dando dois passos em minha direção.
— Eu te amo e quero dividir a minha eternidade com você. Porque, é a única pessoa que eu vejo... Mas, se você quiser ir, eu vou deixar. E dizer isso está me partindo no meio, mais se o fato de ser imortal machuca você e te dá medo, eu acho... Que eu devo deixar você viver sem mim. Não vou lutar, não vou pedir ou brigar. Por mais que cada célula do meu corpo implore que eu deixe o mundo em chamar para que você fique ao meu lado. Vou dizer Adeus... Digo, chorando, a dor que sinto em falar tudo aquilo é paralisante. Meu corpo todo entra em choque e tenho que controlar cada movimento que dou. E Tony não está muito diferente de mim, ele chorava. Deslizo minha mão livre do copo em seu rosto, eu o amava tanto, eu pensei que só sentiria esse amor em livros.
Caminho para fora do laboratório em silêncio. Deixando pela primeira vez em anos, Tony sozinho.
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