Ensina-me a amar.
16 O fogo vai te consumir.
Notas iniciais

Contive a vontade de chorar. Por mim e por ele! Não que eu estivesse chateada com Tony, só que eu gostaria que ele tivesse me falado seus sentimentos. Nosso relacionamento era pequeno em tempo, comparado à muitos outros. E por isso, eu temia que estivéssemos deixando algo passar.
Eu precisava da confiança dele. Queria que ele me contasse, que confiasse em mim. Que eu fosse a primeira pessoa que passasse por sua mente, quando o peso em suas costas estivesse grande demais para somente ele carregar. Eu queria saber seus medos, seus temores, seu passado. Suspirei, nervosa. Novamente, andando dentro do quarto. Ele ainda não havia voltado.
E saber que ele não estava discutindo com Steve e não estava comigo, me incomodava de uma forma que eu não poderia suportar. Resumindo, eu queria que Tony precisasse de mim. Tanto quanto, eu precisava dele. Não que eu precisasse dele para sobreviver... Mas, eu precisava dele para ser feliz. Para estar bem.
Será que ele sentia o mesmo por mim? Talvez, eu nunca devesse ter vindo a essa missão. Talvez, eu devesse ficar ao lado dele. Nós éramos novos e inexperientes em relacionamentos e em estar juntos. Eu deveria esperar as coisas terem ficado mais sólidas.
O medo de algo destruir ou ameaçar o que tínhamos me assombrou noite a dentro. Eu o amava, eu estava apaixonada e eu tinha certeza que ele era o homem que escolhi. Mas, isso seria o suficiente para passamos incólumes pelas situações que nós passamos?
Nosso amor sobreviveria a isso? Eu orava a Deus que sim! Eu já havia perdido tudo que eu amava e a solidão era minha constante companheira. Não quero perder ele. Não quero!
E eu estava ali, sentada na cama. Com as costas na parede de concreto, encarando a porta. Minhas mãos em volta dos meus joelhos. Sendo, assombrada pelos meus medos e inseguranças. E pelas as dele, também. Esperando que ele voltasse para mim para que eu pudesse curar seus medos e consequentemente os meus também.
E ele abriu a porta, mirando a cama. E fixar seus olhos em mim.
— Baby, o que faz acordada a essa hora? Perguntou, me encarando.
— Esperando você. Respondi, com a voz baixa. Deprimida, eu sequer havia percebido o meu ânimo. Devido a minha preocupação. – Voltar da sua discussão com Steve. Joguei, erguendo meu olhar. Seus olhos se alarmaram suavemente, antes dele se sentar suspirando na cama.
— Eu não queria que ouvisse. Admitiu Tony, envergonhado. Segurando minha mão. – Não queria que me visse assim. Me perdoe. Continuou, me encarando.
— Porque não me disse como se sentia? Acha que gosto de ver você sofrer? De ver você se sentir inseguro e até ferido? Me levantei em um ímpeto da cama, ainda o encarando.
— Porque, eu tenho medo. Porque, eu sou egoísta. E com você, sou muito mais. Se você soubesse o que eu sinto por você. Juro que nunca pensei ser possível amar alguém assim. Só a ideia de qualquer outra pessoa e coisa, ser mais importante para você do que eu. Principalmente, o Rogers. Não posso lidar com isso, Scarlet. Essa amizade ou ligação que vocês parecem ter. Eu tento entender, afinal somos uma equipe. Precisamos uns dos outros, protegemos uns aos outros. Mas, você... Parou, me olhando com os olhos lacrimejados. Chegando perto de mim, como se eu fosse de vidro. – Você é meu limite, amor. Lamento muito não poder lidar com tudo isso da forma certa e apropriada. Você perto dele, me deixa insano. Meu pai, os problemas do passado... Nada disso se compara à você. Para mim. Terminou, segurando meu rosto por entre suas mãos.
— Se você tivesse a menor ideia do quanto eu te amo. Do quanto eu preciso de você. Como, se eu nem pudesse respirar se você não estivesse comigo. Quando, eu te vi naquela armadura pela a primeira vez. Eu entrei naquele portal... Porque a mera possibilidade de ver você em perigo não me deixa em paz. Porque, eu me apaixonei por você naquele momento. Eu quis você naquele minuto! Quando, te segurei ali perto daquele exército de alienígenas... Eu achei minha paz, Tony. O meu motivo para estar aqui. Então, se você acha que é único egoísta, insanamente inseguro e possessivo. Não é, definitivamente. Não sei o que Howard Stark fez a você com relação a Steve e acredite em mim. Eu lamento tanto que você tenha sofrido isso. Mas, você é meu. Minha prioridade. Tudo para mim. Não existe nada mais importante, amor. Disse, enquanto segurava seu rosto colado ao meu. Seus braços me envolvendo, minhas mãos nos seus cabelos. E lágrimas por nossos rostos.
Imediatamente, sua boca estava na minha. Exigente, intensa, necessitada e poderosa. Como, se nossos corpos, almas e corações exigissem aquilo. Não havia um caminho diferente para nós, apenas o nosso caminho juntos. Inseparáveis! Nós contra o mundo. Senti minhas pernas cederem, tamanho a intensidade dos nossos sentimentos.
— Me ame com sua alma. Assim, como eu te amo com a minha. Pedi, abraçada a ele.
— Eu te amo com minha alma. Assim, como você me ama com a sua. Disse, apenas. Seus olhos gritavam a verdade e seu amor por mim. Sorri, convicta. Nós éramos feitos um para o outro. Naquele momento, eu soube que daria minha vida por ele.
***
O plano estava estabelecido. Impedir os aero porta-aviões.
Derrubar três naves gigantescas na capital dos Estados Unidos. Adicione isso na conta dos Vingadores. Porque, eu tinha impressão que apesar de estarmos certos... Tudo isso se viraria um dia contra nós? Suspirei, andando ao lado de Tony. A segurança de todo o prédio estava reforçada. Helicópteros, carros, motos e eu não duvidava em nada que o Bucky/Braço de metal está por aí.
— Isso vai ser muito complicado. Disse, olhando para eles.
— É... Mas, a gente dá conta. Disse Tony, segurando minha mão. Tony estava com Fury, para invadir o gabinete de Alexander Pierce. Já eu, Steve e falcão destruíamos tudo e mandaria o projeto Insight água a abaixo, literalmente.
Invadimos a sala de comando.
— Atenção, agentes da Shield. Aqui é o Steven Rogers. Ouviram muito sobre mim nos últimos dias, á alguns de vocês foi ordenado que eu fosse caçado. Mas, é hora de saberem a verdade. A Shield não é o que pensamos que fosse, ela está sendo controlada pela Hidra. Alexander Pierce é o líder deles. O pessoal da Strike e do Insight também são da Hidra. Não sei quantos mais são, mas sei que estão no prédio. Podem estar ao seu lado... Estão quase conseguindo o que querem. Controle absoluto! Atiraram em Nick Fury e não vai terminar aqui. Se vocês lançarem esses aero porta-aviões hoje. A Hidra vai poder matar todo mundo que estiver em seu caminho. A menos que a detenhamos, eu sei que estou pedindo muito. Mas, o preço para a liberdade é alto. Ele sempre foi. E é o preço que estou disposto a pagar. E se eu for o único... Então que seja, mas aposto que não sou. Disse, Steve. Para que todos o ouvisse. Assenti, sentindo orgulho. Era aquilo que nós somos e o que nós fazíamos.
— Você tinha tudo por escrito? Ou saiu, tudo de improviso? Perguntou, Falcão. Não contive o riso.
— Ele é o Capitão América, cara. O capitão América. Disse, batendo no ombro dele. Enquanto, saia dali atrás de Steve. Agora, tudo se complicava. Ninguém se enganava mais. Quem era da Shield era Shield, quem era da Hidra era Hidra.
— Os aero portas aviões estão sendo lançados. Alertei, ao ouvir uma movimentação no deck. Eu tinha duvidado que alguém não tivesse ouvido. Assim que terminei de falar, ouvimos a voz de Hill nos alertando da decolagem.
Corremos para fora, mesmo que fosse meio difícil acompanhar Steve. Ri sozinha com o pensamento. Às vezes, eu sentia saudades dos meus dias normais na cabana. Quem sabe, quando terminássemos aqui... Eu e Tony! Sem missões, sem ninguém para nos interromper. Sem problemas, somente nós dois.
— Quem atirar em você é vilão. Disse, Steve. Jura? Voei junto com Falcão por alguns minutos e voltei dando cobertura a Steve, derrubando agentes da Hidra que atiravam nele. Alcei voou em frente aos aero porta-aviões juntos com Falcão, mas diferente dele destruindo algumas armas com pequenas explosões.
Definitivamente, hoje não é um dia bom para ser da Hidra.
Falcão foi alvejado por um jato da Hidra e me senti obrigada a interferir. Manipulando o ar em formato de furação com minhas mãos, me choquei contra uma de suas asas se despedaçando no hangar do aero porta-aviões.
— Scarlet, valeu mesmo. Disse Falcão, pelo comunicador.
— Sempre que precisar, estamos aqui. Respondi, me concentrando em colocar o chip em um dos locais que Steve e Hill me designaram. – Feito! Disse, pelo comunicador.
— Preciso de uma mãozinha. Disse Steve, com esforço.
— Já estou indo. Gritei, voando em direção ao aero porta-avião que ele estava. Ele pulou de um aero ao outro, para que Falcão fosse pega- lo. O colocando, em segurança em outro. Assim, que pousei do lado deles. – Avise na hora que for pular assim. Informei, ouvindo Falcão falar sobre o peso dele. Fomos surpreendidos com o Braço de metal/Bucky arremessando Steve do porta aviões, me joguei junto pegando em sua mão. O segurando em meus braços, alçando voo para o hangar novamente. Vendo Falcão ser arremessado do aero porta-aviões.
— Porra! Gritei, soltando o Steve no Hangar. Mergulhei para pega-lo, antes que atingisse o chão. O vi abrindo o paraquedas e o auxiliei, o fazendo flutuar no ar por alguns minutos. Respirando aliviada, ao vê-lo pousar no chão. Voei o mais rápido que pude até alcançar o aero porta-aviões, pousando do lado de Steve.
Encontramos Bucky entre o compartimento do chip e nós. Será que ele não poderia facilitar nada? Resmunguei, comigo mesma.
— Muitas pessoas vão morrer, eu não deixarei Bucky. Disse Steve, o encarando. Percebi o quanto aquilo era difícil para ele. Ele sequer se moveu do lugar. — Bucky, não me obrigue a fazer isso.
— Eu cuido dele e você coloca o chip? Ou você cuida dele e eu coloco o chip? Perguntei sussurrando, antes de começamos outra vez.
— Eu cuido dele e você coloca o chip. Pediu Steve, enquanto o entregava em minhas mãos. Assenti, enquanto Steve arremessou o escudo e eu me ergui chutando Bucky para fora da ponta de ferro. Steve pulou junto com ele, pousei na frente da porta abrindo o compartimento.
Quando senti uma dor em meu abdômen. Puta merda! Ele tinha atirado em mim de novo? Era uma espécie de fetiche? Ao contrário das outras vezes, não parei sequer para olhar o ferimento. Tirei o chip, colocando o nosso. Ouvindo a voz de Hill no comunicador, enquanto Bucky tentava chegar a mim para impedir. Ouvi seu grito de raiva, por não conseguir me impedir.
— Pronto, Hill. Chips conectados. Disse para ela, no comunicador. Ela pediu para que eu e Steve saíssemos o mais rápido possível. – Não se preocupe, nós sairemos. Dispare agora! Só dispare, Hill. Exclamei, enquanto me preparava psicologicamente para outra briga. Só que essa eu não poderia, bater nele tanto quanto as outras vezes.
— Scarlet, saia daí agora. Gritou Tony, pelo comunicador.
Ouvi os disparos dos aero porta-aviões derrubando uns aos outros, não havia tempo a perder. Precisávamos sair dali o mais rápido possível. Minha atenção se voltou para outro fator. Saltei de onde estava, pousando em frente ao Bucky. O chutando para o afastar. Ele me encarou, e voltou a lutar comigo e Steve.
— Por favor, tente pensar. Pedi, desviando novamente dos seus golpes. – Nós, queremos que você se lembre de quem é. Terminei, falando enquanto ele acertou um soco em mim. Me desequilibrando. Steve o socou tão forte em resposta, que ele caiu no chão. Ele o segurou, quebrando seu braço. Os destroços caiam em cima de nós, enquanto brigávamos. – Precisamos ir, Steve. Gritei, quase implorando.
— Não sem ele. Respondeu, me encarando. Um pedido silencioso através de suas palavras. Tentei pensar em minhas opções, eu poderia derruba-lo e tira-lo daqui. Soquei seu rosto. — Você me conhece. Afirmou, Steve.
— Não conheço. Gritou Bucky, o socando. Já chega! Caminhei em sua direção a fim de pôr um fim definitivo naquilo.
— Não, Scarlet. Não faça nada! Por favor. Implorou, Steve. Segurando minha mão, me impedindo de seguir.
— Não me peça isso. Pedi, o olhando. Eu não podia deixar eles se matarem na minha frente, sem fazer nada. Não podia deixar que ele machucasse Steve, para lembra-lo do passado. Aquilo era demais.
— Você me conhece a sua vida toda, Bucky. Pediu Steve, enquanto pedia com as mãos para ficar quieta. Outra investida, outro soco e outros.
— Você é minha missão. Gritou ele, o olhando. Chorei, vendo aquilo. Seu braço de metal desceu mais uma vez em direção ao rosto de Steve.
— Já chega! Disse, o encarando. Minha mão parou a sua, antes que tocasse de novo em seu rosto. Fogo corria em minhas veias, minha raiva tão profunda e incontrolável. Eu queria queima-lo de dentro para fora. Como um veneno! Até, as explosões da nave haviam parado. Me lembrava exatamente da última vez que isso tinha acontecido. Eu quase havia matado pessoas inocentes, no fundo algo em mim implorava para parar. – Não toque nele. Exclamei, minha voz estava diferente. Meus olhos ardiam e eu sabia que eles estavam vermelhos e assustadores. Eu não tinha o controle mais. Havia apenas o poder.
Eu e o fogo éramos um só agora. Ele se achegava a mim, lambendo minha pele como uma caricia, eu estava sentindo literalmente, as chamas por minha pele. Pedindo libertação, implorando por minha fúria. Suspirei, quase dominada. Praticamente, rendida.
Segurei em seu pescoço, o erguendo. Seus olhos antes confusos, estavam apavorados agora. Ele tentava se libertar daquilo, implorava com o olhar. Mas, eu não conseguia solta-lo.
Mate-o. Uma voz em minha mente implorou. Não! Eu não podia... Gritei, tentando raciocinar.
— Scarlet, por favor. Volte! Ouvi a voz de Steve gritar, me virei lentamente para ele. – O solte, ele não vai me machucar mais. Implorou, tentando me convencer. Sua mão segurou a minha, seu rosto estava tão machucado.
— Steve, eu... Não queria. Me perdoe! Falei, o soltando. Ajoelhando, colocando as mãos em minha cabeça. – Me perdoe, Bucky. Pedi, desesperada. Seu olhar, assustado. Deus! Se Tony visse isso? Ele teria medo de mim. Eu quase matei alguém. O vidro abaixo de nós cedeu, lançando nos três água abaixo.
Peguei Steve, assim que nós chocamos com a água. Voando rapidamente para fora.
Eu poderia sim, nós pegar antes. Mas, apenas deixei que a água entrasse em contato com minha pele. Afastando todo a raiva e a influência do fogo para longe de mim. Pousei na beira do rio, colocando Steve ali.
Manipulei a água. A usando para curar as feridas de Steve que sumiam com rapidez de sua pele, enquanto as minhas já estavam saradas. A água tinha propriedades curativas e cicatrizantes, outras das minhas... Peculiaridades. Nunca pararia de me surpreender, como os elementos eram influenciados e comandados pelo meu estado de humor. A raiva que eu senti por ver Bucky ferir Steve despertou algo que eu não sentia á muito tempo.
Todo aquele poder, o desejo de destruição. O calor.
Bucky emergiu ao nosso lado, me encarando. Ele estava ferido e molhado, parecia muito desnorteado. A culpa me consumiu, ergui minha mão para toca-lo. Mas, ele a segurou. Me encarando.
— Me deixe ajuda-lo. Por favor. Pedi, humildemente. Não queria assustar ou machucar ele ainda mais. Ele assentiu, soltando minha mão. Tirei água do rio e a fiz percorrer seus ferimentos, o curando. Seus olhos percorriam curiosos o que a água fazia em seu corpo. Assim, que seus ferimentos foram curados. Tirei minha mão dele, o deixando partir. — Sabe que ele irá procurar você, não sabe? Perguntou, ainda o olhando. Parou e virou seu rosto, ainda de costas. Assentiu, e continuou a andar.
Sumindo de minhas vistas. Me virei para Steve, enquanto ele abria os olhos. E me encarava, confuso. Ouvindo a armadura de Tony pousar perto de nós, tudo havia acabado relativamente bem. Afinal...
Senti seus braços me envolverem em um abraço urgente e desesperado. E ali, eu estava em casa. Com Tony perto de mim, tudo ficava bem.
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