Ensina-me a Viver
5 Uma Rosa e Seus Espinhos
Notas iniciais

When nightmares come
Keep you awake
Baby close your eyes
I'll take the weight
If I go to speak
I will refrain and be the song
Just be the song
***
John Diggle ficou satisfeito ao ouvir a resposta. Ele sabia muito bem que para conseguir ajudar Oliver, o loiro primeiro precisava permitir isso de alguma maneira.
— Excelente — disse, entrelaçando os dedos. — Mas me diga, você disse que uma amiga o indicou o lugar, posso saber quem?
— Felicity Smoak — respondeu, sem pestanejar. Um sorriso formou-se nos lábios de Diggle ao ouvir o nome de Felicity. Ele a conhecera há alguns anos, quando ela ainda lutava com todas as loucuras que aconteciam em sua vida e ele acabou a ajudando a superar — da melhor forma que se pode superar aquele tipo de coisa — o abandono de seu pai. — Você a conhece? — Ele questionou ao notar e mínima reação de seu psicólogo.
— Sim, somos amigos — John deu de ombros e prosseguiu: — Me conte mais sobre sua esposa, Oliver — pediu, percebendo que era ali a raiz de todos os monstros que assombravam Oliver Queen. — Me conte como ela era, o que gostava de fazer, diga tudo o que você lembra a respeito dela...
— Sara... Ela era engraçada — riu, ao lembrar dos momentos que ambos tiveram. — Era exímia cozinheira, tenho certeza que eu engordei uns sete quilos por causa dela — riu. — Ela era bem calma, na maioria das vezes... Exceto quando ela estava na TPM, nessas horas acho que algum espírito maligno se apossava dela — sentiu a dor, latenta, começar a crescer, mas não a deu muita atenção — Ela era loira, seus olhos eram verdes e ela amava cavalgar, mas não tinha o menor talento pra coisa — fez uma careta ao lembrar de todas as tentativas frustradas de sua esposa de montar em sua égua, Safira. — Ela tocava piano de forma exímia, era melhor do que, definitivamente — respirou fundo. Sentiu o aperto em seu peito apertar e colocou a mão sobre o mediastino, onde jazia seu coração quebrado que se recusava a parar de bater, quase como se tivesse um propósito, uma razão para ainda retumbar em seu peito, para mandar sangue e vida para cada célula de seu corpo. Ele jurava que não compreendia o porquê, era estranho, ele sempre achou que a dor de a perder o mataria, mas de alguma maneira, ali estava Oliver Queen... Vivo.
As coisas não eram como antes, claramente. Com Sara, sentia que sua vida tinha um sentido, uma razão. Ela era aquela que o fazia feliz, que o trazia paz e alegria. Seu mundo se tornava colorido perto daquela jovem linda de personalidade forte e gênio irredutível. Ela era seu mundo. Slade realmente havia o arrancado tudo ao matá-la, pois quando Sara se foi, todo o resto tornou-se sem sentido. Agora, anos depois, sentia que talvez, só talvez, aquelas feridas pudessem se curar.
...
Três semanas haviam passado. Três semanas e elas ainda não haviam ido ao shopping! Felicity não estava nem um pouco feliz com isso. Havia muito para resolver, precisava de maquia
Felicity não estava muito animada para ir ao shopping; porém, ela não teria muito tempo para comprar aquelas roupas depois então era mais fácil apenas ir agora.
— Vamos? — Caitlin perguntou saindo de seu quarto. Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo alto, ela usava um belo sobretudo branco, calças jeans e uma blusa de lã vermelha.
— Vamos — respondeu Felicity levantando do sofá e a seguindo para fora do apartamento.
Quando ambas chegaram ao shopping, foram direto a uma loja que tinha belíssimos vestidos para festas.
— Você já sabe o que vai querer? — Felicity perguntou voltando-se para Caitlin que deu de ombros e disse, mordendo o lábio inferior.
— Eu ainda não consegui pensar em nada, mas acho que vou com o bom e velho azul, e quanto a você?
— Eu pensei em usar algo preto, para poder colocar aqueles brincos de esmeralda que você me deu de presente — respondeu enquanto ambas entravam na loja. Uma bela vendedora de cabelos castanhos foi atendê-las.
— Boa tarde, meu nome é Elisa, no que posso ajudá-las?
— Nós gostaríamos de dois vestidos para festa — Caitlin respondeu sorrindo para a vendedora. — Eu queria algo azul e ela preto, por favor — deu as especificações para a jovem que assentiu e afastou-se, indo em direção às araras e tentando achar o que elas pediram. — E então, ainda conversando com o Queen? — A morena perguntou como quem não quer nada, mas Felicity conhecia muito bem a amiga para saber que ela estava sim interessada em alguma coisa.
— Não nos vemos tem três semanas — a loira disse, fazendo uma careta sem sequer perceber, Caitlin, do contrário, com certeza notou e abriu um sorriso enorme. — Mas ele mandou uma mensagem perguntando se eu iria mesmo a festa da empresa — franziu o cenho ao lembrar que ele fazia essa pergunta com uma frequência estranha.
— Você deu seu número a ele e não me contou?! — A voz dela saiu esganiçada e seus belos olhos castanhos estavam arregalados. Felicity achou que seria legal tirar uma foto da expressão dela mas sabia que isso apenas faria sua melhor amiga ficar ainda mais brava. — Bela amiga você, Felicity Smoak!
— Não fique brava! Não achei que era importante — deu de ombros e só então percebeu que o que dissera incitaria ainda mais a raiva da outra.
— Como assim você não achou que era importante?! — A voz dela estava assustadoramente baixa e aquilo deixou Felicity em choque. — Você dá seu número para o sujeito mais cobiçado de Starling City e não acha isso importante? Uau — disse, separando as vogais em um tom excessivamente dramático. Felicity revirou os olhos e agradeceu mentalmente quando a vendedora voltou com quatro vestidos azuis e seis pretos.
— Nossa, é muito vestido — as duas disseram em uníssono.
— O que faremos? — Felicity questionou olhando para a melhor amiga que encarava as roupas na mão de Elisa. — E se eu experimentar os meus, você dá seu veredito e então eu faço isso com os seus?
— Ótimo! Vá lá! — Empurrou a melhor amiga em direção aos provadores da loja. Felicity pegou seus vestidos e fechou a porta de madeira atrás de si. Tirou as roupas e pegou o primeiro vestido. O vestiu e encarou seu reflexo. Saiu do provador e percebeu que sua amiga concordava com ela. Esse não. Pensou, voltando para o provador.
Depois de provar todos os vestidos, Felicity acabou optando por levar dois vestidos. Um deles era curto e o outro era comprido.
— Você não acha que isso é muito... Sexy? — Perguntou, receosa ao olhar seu reflexo pela milionésima vez. Ela estava trajando o vestido comprido que Caitlin insistia para que ela levasse.
Caitlin revirou os olhos e disse, colocando a mão na cintura.
— Não! Eu acho que ele é perfeito, chama muito mais atenção do que aquele outro sem graça!
— Mas eu não quero chamar atenção! — Felicity disse esperneando como uma criança que quer muito um brinquedo. — Estou bem assim — cruzou os braços.
— Não interessa! Você vai com esse vestido e pronto! — Caitlin disse batendo o pé no chão. — E eu irei usar essa belezinha aqui — disse, com os olhos brilhando. Ela havia escolhido um belo vestido azul marinho curto de frente única completamente rendado com um pequeno decote na perna, deixando à mostra sua coxa esquerda.
...
Ela estava ansiosa. Não sabia muito bem a razão, para ser sincera. Faltavam poucas horas para a festa da empresa e havia um bom tempo que Oliver não aparecia em seu escritório. Não o ver havia se tornado algo estranho, a causava uma sensação inquietante no peito que ela ainda não conseguira identificar.
— Lissy, vamos nos arrumar — Caitlin disse saindo de seu quarto usando apenas uma calcinha e uma blusa regata. — Eu tomo banho primeiro! — Disse, rápido. Droga! Felicity bufou se jogando no sofá e voltando a assistir seu filme. Depois de quarenta eternos minutos, Caitlin saiu do banheiro apenas de toalha e disse:
— O banheiro é todo seu! — A loira levantou, animada e foi para o banheiro. Tirou a roupa e ligou o chuveiro, entrando sob o mesmo sentindo a água quente percorrer seu corpo. Mordeu o lábio inferior, sentindo seu corpo responder as imagens que se formavam em sua mente. Jamais esqueceria de quando Oliver Queen apareceu em sua vida pela primeira vida, há mais de um mês. E conforme ele foi adentrando em sua vida, percebeu que ele podia ser bem mais importante do que ela queria admitir para si mesma.
Oliver não era como ela havia o imaginado. Em sua mente, ele era um riquinho mimado sem consideração pelos outros, uma pessoa arrogante que se distanciava de todos. Mas agora mais do que nunca, percebeu o quão enganada estava. Ele não era nada disso. Era uma pessoa boa, isso era claro até para os mais cegos. Lógico, como qualquer pessoa, havia cometido erros, mas ele era apenas humano, erros eram inevitáveis.
Lembrou da conversa no elevador e como se sentiu ao saber do passado dele, de tudo o que ele passou e sentiu seu peito apertar. Respirou fundo e esfregou o corpo, tentando não pensar nele, ou em nada daquilo. Mas a cada dia que passava, conseguir não pensar nele se tornava mais difícil. Ele estava cada vez mais preso em sua mente e ela não conseguia processar tudo o que estava acontecendo. Balançou a cabeça e deixou a água cair sobre seu corpo. Lavou os cabelos, hidratou e saiu do banheiro usando apenas sua toalha branca.
Entrou em seu quarto e sentou-se na cadeira, pegando um secador e uma escova. Escovou os cabelos, ajeitou-os e passou o babyliss neles, mexeu as madeixas deixando os cachos soltos.
— Caitlin! — Chamou sua melhor amiga, que surgiu no quarto já vestida. Ela estava belíssima. O vestido tinha lhe caído perfeitamente, realçando sua beleza natural, seus cabelos estavam presos em um coque e alguns cachos caiam sobre seu rosto alvo. Ela havia maquiado os olhos em um tom de azul claro, passado um belo delineador preto e lápis pretos. Em seus lábios ela passara um batom vermelho. Ela colocara dois brincos circulares de safira ladeados por pequenas pedras de zircônia cúbica. A pulseira no seu braço direito combinava com o brinco e em seu pé um par de sandálias prateadas. — Uau, você está linda! — Felicity elogiou sorrindo.
— Obrigada — a morena agradeceu fazendo uma mesura desajeitada e sorrindo. — Vou ajudar você — disse, sem nem precisar que a melhor amiga a dissesse qualquer coisa.
Ela levantou, foi até seu quarto e voltou com seu estojo de maquiagem. Felicity fechou os olhos e permitiu que sua amiga fizesse o trabalho. Caitlin tinha um grande talento para aquelas coisas. Depois de vinte minutos, a morena disse:
— Prontinho — A loira abriu os olhos e voltou-se para o espelho, sorrindo ao ver seu reflexo. Sua amiga havia passado rímel em seus cílios, delineador nas pálpebras e uma maquiagem prateada clara. Em seus lábios, um batom rosa claro realçava seus lábios. — Eu acho que seus cabelos estão lindos assim! Vão combinar certinho com o vestido — disse, sorrindo. — Estou esperando na sala.
Felicity assentiu e falou:
— Muito obrigada Cai, você é a melhor!
— Sei que sou! — A outra disse, já fora do quarto. A loira riu e pegou seu vestido. Colocou o fechou o zíper lateral, analisando o resultado no espelho de corpo inteiro. Sua amiga tinha razão, aquele traje definitivamente ficava melhor nela. O vestido era comprido — ia até seus pés — e tomara que caia. Ele possuía um corset que delineava sua cintura e seu decote em formato de coração realçava seus seios. Na parte do decote, várias pedras de cristais swarovski faziam-se notar, dando um aspecto romântico ao vestido, as mesmas espalhavam-se no corset até sumirem. A parte de baixo do vestido era de cetim, o que causava um aspecto de leveza ao vestido e uma pequena fenda na parte direita da saia deixava a mostra parte da perna de Felicity.
Ela sentou-se na cama e colocou as sandálias prateadas que sua amiga escolhera, as quais eram repletas de strass. Levantou-se e colocou o par de brincos de esmeralda que ganhara de Caitlin ano passado em seu aniversário. Eles eram formados por duas pedras de esmeralda. Uma em formato de gota e a outra, circular, entre elas, seis pedras de zircônia formavam um elo entre as duas joias. Felicity passou seu perfume predileto, pegou a bolsa e foi para sala.
— Uau! Você está linda! — Sua amiga elogiou com os olhos brilhando e Felicity pôde perceber que ela se continha para não dizer nada. — Venha, vamos!
O caminho até a empresa fora rápido e só então ela percebeu que foi muito útil Moira Queen ter construído um salão no primeiro andar da empresa. Depois da morte dos Queen, o local nunca mais foi usado. Ao chegarem, as jovens podiam ouvir o som da música tocando ao fundo.
Dois seguranças estavam plantados na porta da empresa. A loira entregou os convites, eles as avaliaram por alguns segundos e as deixaram entrar. Elas atravessaram a recepção e seguiram o som da música.
— Puta que pariu — Felicity arregalou os olhos ao ver o espaço imenso a sua frente. O salão estava repleto de mesas cobertas com toalhas de linho cor de vinho, sobre as mesas, havia três pratos, três taças, vários talheres e guardanapos customizados com o brasão da empresa. Olhou em volta e notou alguns olhares direcionados para ela e sua amiga, a maioria deles eram olhares de homens que definitivamente estavam acompanhados de suas esposas. Ela revirou os olhos e então notou parou ao ver Oliver bem diante dela.
Ele estava usando um paletó preto com um corte maravilhoso, sob o mesmo, o que aparentava ser um colete também preto e uma blusa de linho sob o colete, ele também usava a calça do conjunto. Em seu pescoço uma gravata prata completava suas vestimentas.
— Eu não estava esperando por isso — sua amiga disse grudando nela. No teto, um candelabro brilhava em sua imponência. O local já estava repleto das pessoas mais importantes da empresa e do pais, assim como meros funcionários, como ela.
Caitlin percebeu que sua amiga não havia ouvido o que ela dissera e voltou seu olhar para a direção na qual ela olhava. Reconheceu Oliver Queen imediatamente. Uau, ele é ainda mais bonito ao vivo e à cores. Pensou, o analisando. Arrasou, Felicity! Pensou, animada pela amiga.
— Felicity — ele murmurou ao aproximar-se. Ela está linda. Pensou, ao avaliá-la. Hesitou ao tirar os olhos dela e voltou-se para amiga. — E você deve ser Caitlin, amiga dela — disse, voltando-se a bela jovem que sorriu e corou:
— Sim, sou eu mesma, muito prazer — estendeu a mão e ele abaixou, dando um beijo casto na palma, seu olhar porém não saia de Felicity. Wow, agora entendi o que ela viu nele. Pensou consigo mesma. — Vou procurar nossas mesas, com licença — pediu, retirando-se.
— Oi — ela disse timidamente. Ele sentiu sua mão coçar e não soube a razão, sorriu e disse:
— Olá, você está linda — garantiu, encantado.
— Obrigada — ela corou e abaixou um pouco a cabeça, evitando o olhar. — Bela festa — comentou. — Deve ter custado uma fortuna, não que você não possa pagar, você deve poder pagar isso e muito mais, mas eu imagino que deve ter sido bem caro... Me desculpe — pediu, sentindo-se nervosa. Ao retomar a coragem de o olhar ele tinha um sorriso maravilhoso no rosto.
— Não precisa se desculpar — garantiu. — Você e sua amiga irão se sentar comigo... Se você não se importar, claro — adicionou, rapidamente.
— Não me importo — ela respondeu, rápido demais até para ela mesma. Ele a lançou um sorriso luminoso e tomou a mão dela em uma ação inconsciente. Felicity sentiu a eletricidade percorrer cada parte de sua pele, a energia fluiu por seu coração, fazendo-o acelerar desesperadamente, e ela suspirou ao sentir a derme quente dele. Oliver sentiu seu coração dar um solavanco e estranhou. O toque dela o acalmava, a pele dela contra sua o causava uma sensação de paz que ele não sabia muito bem como descrever.
De repente, a banda começou a tocar a primeira música da noite. Felicity reconheceu o som na hora. Era um cover de "I Can't Stop", do OneRepublic. A letra fluiu por sua mente, enquanto sua mão formigava. As luzes tornaram-se diminutas e então ela notou que havia um espaço próximo do palco para que as pessoas dançassem.
Aquela letra descrevia com precisão como ela estava se sentindo. Havia lutado muito mas na verdade simplesmente não conseguia tirar Oliver Queen de sua cabeça. Não era apenas pelas óbvias qualidades dele, pela beleza, gentileza e menos ainda pelo dinheiro. Era algo mais. Ela não fazia ideia de como explicar, mas ele era diferente de todos os homens que ela conhecera. Era tão quebrado, tão machucado, mas ainda acreditava que era digno de uma chance de ser salvo, ser consertado. Desde que o conhecera, sua vida mudara um bocado e agora algo em seu cerne a dizia que as mudanças não iria acabar... Que iriam continuar e que sua vida nunca mais seria a mesma.
Isso é tão clichê! Pensou, abrindo um sorriso. Parecia uma daquelas histórias na qual a mocinha pobre conhece o empresário milionário e a vida dela acaba mudando de forma vertiginosa. Mas nessa história, no conto de sua vida, as rosas tinham seus espinhos. Oliver Queen era alguém quebrado. Mas ela acreditava nele. Nem o conhecia, isso era fato, mas de alguma maneira acreditava muito naquele homem com um passado que o marcara de várias maneiras, algo a dizia, bem no fundo, que talvez ele conseguisse superar, que talvez, ele pudesse tentar algo novo...
A única questão é que ela não tinha certeza do que seu coração retumbante estava tentando a dizer. Oliver puxou a cadeira para Felicity indicando que ela sentasse, ela obedeceu e sorriu ao ver Caitlin na mesa de bebidas pedindo algo para si.
Caitlin pegou duas taças de Romaneé Conti e sorriu ao ver Felicity sentada em uma mesa distante. Caitlin sentiu seu corpo esbarrar com o de alguém e deixou ambas as taças caírem no chão. Ao olhar para a pessoa, não o reconheceu, mas definitivamente era o segundo homem mais bonito da festa.
— Ah meu Deus! Mil perdões! — Pediu ao ver que ela havia machado o terno branco dele com o vinho mais caro já feito. — Eu te sujei todo, me desculpa! — Pediu, com medo de mexer na mancha e piorar ainda mais as coisas. — Eu pago outro terno — prometeu, sentindo os olhos lacrimejarem.
— Ei, não fique assim — Tommy pediu ao ver os olhos dela marejando. — Está tudo bem — murmurou, olhando nos olhos castanhos da jovem e perdendo-se no olhar por alguns milésimos de segundo. — Você se machucou? — Perguntou, preocupado.
— Não, eu estou bem — ela o garantiu, percebendo que por algum milagre não havia manchado seu vestido. — Me desculpe mesmo, não costumo ser atrapalhada — foi sincera.
— Não se preocupe com isso, okay? — Hesitante, ele colocou a mão no braço dela e a lançou um sorriso doce. — Sou Thomas Merlyn e você?
— Er... Caitlin Snow — respondeu, apenas, abrindo um sorriso. Ela conhecia aquele nome, Felicity já falara de Tommy Merlyn mas ela não sabia muito sobre o rapaz, agora, o vendo pela primeira vez, percebeu que ele parecia uma pessoa incrível. — Tem certeza que não quer que eu pague pelo terno? — Questionou, mordendo o lábio inferior e apontando para a roupa manchada de vermelho.
— Claro que não, dinheiro não é um problema para mim — falou e sua voz não soou arrogante. Tenho certeza de que não. Lembrou ao lembrar que ele era filho de um dos homens mais ricos da cidade. — Minha noiva está me chamando, foi um prazer conhecê-la — ele disse sorrindo e se afastou dela. Caitlin deu de ombros e foi em direção à mesa na qual sua melhor amiga estava, mas ao notar que ela conversava com Oliver, preferiu não interromper.
A primeira música terminou e de repente a banda começou a tocar "Marvin Gaye" de Charlie Puth com Meghan Trainor. Felicity sorriu ao ouvir a letra familiar. Oliver a observou em silêncio sem saber exatamente o que fazer. Se John estivesse aqui me ajudaria. Pensou, suspirando. John estava o ajudando muito naquelas últimas semanas, duas vezes por semana Oliver ia a sessão e os dois conversavam sobre assuntos mínimos e caso o loiro se sentisse confortável, falariam sobre Sara.
Felicity deliciou a música até o final e riu ao ouvir a violinista assumindo o comando e começando a cantar uma música que Felicity não reconhecia. O som do sintetizador ecoava pelo ambiente enquanto o som frenético da batida retumbava pelo são. A letra, novamente, a causou um efeito estranho. De alguma maneira torta, sentia que cada sílaba da música havia sido escrita para ela. A moça cuja a voz era melódica e forte cantava numa velocidade absurda, seguindo o ritmo com perfeição. As luzes eram diminutas e quando a música acelerou ainda mais seu ritmo, eles as acenderam as luzes estroboscópicas, que refletiram pelo salão. As cores misturavam-se num ritmo alucinante, enquanto piscavam, vertiginosamente. Felicity sentiu-se que aquelas palavras pertenciam a ela mas era difícil assimilar tantas informações ao mesmo tempo.
Ela podia sentir o olhar de Oliver sobre si e ofegou. Os sons e cores misturavam-se e a voz da mulher cantando o que seu coração parecia gritar a fizeram ficar ainda mais afoita. Sua cabeça estava começando a doer e ela respirou fundo, sua mão automaticamente pela de Oliver, porém ele estava voltado para o outro lado. Suspirou e afundou o corpo na cadeira. A música finalmente acabou e a violinista agradeceu, dizendo:
— Esse foi um cover de uma das minhas músicas prediletas: Untouched, da banda The Veronicas! Muito obrigada, galera — agradeceu sorrindo e voltando para seu posto principal.
— Você está bem? — Oliver questionou, parecendo preocupado. Só então ela havia percebido que massageava suas têmporas e que seus olhos estavam fechados.
— Dor de cabeça — respondeu, respirando fundo. As luzes voltaram a incidir normalmente pelo salão e ela sorriu ao ver Caitlin voltando sabe-se lá de onde e sentando-se.
— Essa festa está excelente, senhor Queen.
— Me chame de Oliver — ele pediu, cuidadosamente. — Se importa se eu roubar sua amiga por um instante? — Perguntou e Caitlin sorriu e disse:
— Ela é toda sua — disse, movendo a cabeça para a frente. Oliver levantou-se e ergueu a mão para a loira que suspirou e pegou a mão dele, deliciando-se com o contato.
Ele foi até a banda e sussurrou algo no ouvido do rapaz, que sorriu e assentiu. Ele foi falando para todos os integrantes da banda, que logo depois começaram a tocar uma música que ninguém conhecia ali.
— Você gostaria de dançar comigo? — Perguntou, fazendo-a arregalar os olhos. A melodia suave da canção, aliadas com a voz doce e cálida do vocalista, acalmaram seu coração. Ela assentiu, aproximando-se um pouco dele. Oliver hesitou um pouco antes de colocar sua mão nas costas dela. O violão fez-se ouvir e a letra ressoou por sua mente, ecoando em seu coração. Uma sensação de calmaria a atingiu e ela sentiu-se como se nada existisse em volta deles.
Oliver começou a guiá-la e ela se ajeitou, colocando a mão sobre o ombro dele. Ele a encarou e seu olhar era diferente de todos os outros que ela já viram. Sem perceber, ele aproximou-se mais dela e uniu seu corpo ao da loira, que apoiou sua cabeça no peito dele e ouviu o som suave das batidas de seu coração. Aquilo parecia tão... Certo. Ela não sabia o que era, mas sentia-se tão diferente com ele... Como se não houvesse mais dúvidas, medos, segredos... Como se ele fosse seu porto-seguro no meio de uma tempestade.
Oliver relembrou, sem amargura, que a única pessoa com a qual dançara fora Sara, pouco antes dela falecer. Com Felicity em seus braços, contudo, sentiu algo que há tanto tempo não sentia. Seu coração parecia estar se recompondo de cada surra de que levara, de cada ponto que tomara. Era como se ela abrandasse sua dor sempre tão latente. Assim que a viu pela primeira vez, sabia o quão especial ela era, só não imaginava que seria tanto... Oliver suspirou, inalando o odor de lírios que ela possuía e apenas permitiu que a melodia os guiasse, sem se importar com os comentários maldosos ou os olhares.
Conforme processava a música, ela se deu conta do que a mesma dizia. De uma maneira estranha, a mesma soava como uma aceitação silenciosa. Aceitação do sentimento que surgia em seu peito, que ela não conseguia explicar, ver, mas de alguma forma estava lá... Em seu coração. Dane-se se essa história é como uma rosa e seus espinhos! Pensou, teimosa. É isso os que as torna o que são, belas e cheias de vida! Os espinhos poderiam machucá-la, ela sabia, mas por alguma razão ela estava disposta aquilo... Ela estava disposta a correr o risco.
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