Ensina-me a Viver

19 O Amor Está no Escuro


Notas iniciais
Eiiiiiiiiii, galerinha!! Olha quem voltou com um capítulo grande! Acho que agora vai gente!!! Hahaha. Bem, não teve muita gente que votou na música de preferência, mas ainda dá tempo gente! Galera, amanhã vou para faculdade e não posto okay :/ Bem, eu ameeeeei escrever esse capítulo, quase tive uma overdose de glicose, na boa! Hahaha. Espero que vocês gostem tanto quanto eu (:

So sing while we're falling apart
I'll take you dancing
We've lived through the wreck of our hearts
And now we're just
Picking up the pieces learning how to see when
Love is in the dark

The Wreck Of Our Hearts — Sleeping Wolf

***

Oliver adentrou na mansão de seu melhor amigo e sorriu ao vê-lo sentado, lendo algo em que parecia ser braile.

— Ollie, o que está fazendo aqui? — O mais novo perguntou, colocando os papeis sobre a mesa de centro e abrindo um sorriso, o primeiro que parecia ser real e que ele o destinara.

— Eu queria te ver — foi sincero, sentou-se no sofá e encarou a parede em tom pastel: — Tem muita coisa acontecendo.

— Tem mesmo — ele concordou, respirando fundo. O que ele mais gostava na sua amizade com Oliver, era que o outro o entendia, sempre se dispunha a ouvir, a ajudar. Ele era a única pessoa com a qual sentia-se bem o bastante para falar, para expressar aquilo que atormentava seu coração.

— Há algo lhe incomodando — o mais velho comentou, ao notar o olhar de seu amigo, que voltava-se para um ponto no chão. — Você sabe que pode me contar, certo? — Perguntou. Thomas era seu melhor amigo, seu irmão de consideração, odiava vê-lo daquela forma, parecendo perturbado, confuso, faria qualquer coisa a seu alcance para ajudar seu melhor amigo.

— Eu não sei o que está havendo, Ollie — encostou a cabeça no sofá e apoiou as mãos sobre a barriga. Sentiu a luminosidade incomodar sua visão inexistente e respirou fundo, fechando os olhos. Ele sentia-se incrivelmente incomodado por aquelas dúvidas, aquelas incertezas.

Ele sentia seu coração agora pulsar como jamais fizera antes, em uma força absurda, contaminando-o com a mais pura e intensa das sensações, em momentos como aqueles, sentia-se mais vivo do que em qualquer outro instante. Mesmo agora, quando tudo parecia impossível, quando aquelas cicatrizes ainda estavam abertas e sangrando em seu peito, ele sentia como se algo o curasse, lentamente, o arrancando a dor. Seu coração ainda estava em pedaços, mas de alguma forma, era como se os cacos agora se juntassem novamente, de forma diferente do que isso.

Ele já não se sentia mais perdido, ou sem caminho. Era como se, diante do mais assustador Oceano, pudesse enxergar um farol, seu caminho para casa. Ali, mesmo com a enseada parecendo tão distante, ele sabia, de alguma forma, que estava chegando em casa.

— Tommy, me diga — o empresário pediu, arrancando-o de seus pensamentos. Ele respirou fundo e mordeu o lábio inferior. Ele sabia muito bem o que queria dizer, mas as palavras pareciam o faltar.

— Eu beijei Caitlin — soltou, sem pensar. Oliver não pôde evitar arregalar os olhos diante daquela sentença. Okay, por essa eu não esperava! Pensou, surpreso.

Ele conhecia Tommy, muito bem, o conhecia melhor do que a si mesmo e então percebeu por quê seu amigo parecia tão perturbado, perdido. Realmente, aquilo era muito para processar. Oliver sabia o quanto seu amigo amara Laurel, o quão feliz ele era ao lado da jovem. Os dois se conheceram com vinte anos de idade, e a paixão foi rápida, como um relâmpago que chega de surpresa, o sentimento atingiu a ambos como um trem desgovernado. Depois de um ano de namoro, o rapaz a pediu em casamento ao qual ela aceitou extasiada. Os dois formavam um belo casal, o amor deles era intenso, quente. Ela o fazia feliz, mais do que qualquer outra mulher com a qual o rapaz ficara.

Oliver realmente não sabia como reagir. Após a morte de Laurel, ele achou que seu amigo seria incapaz de seguir em frente, de tentar recomeçar sua vida, de se reerguer. Mas agora, quando ele mesmo estava passando por experiências que pensou que jamais teria novamente, percebeu que a vida sempre arranja uma forma de surpreender. Quando Sara morreu, Oliver não conseguia se enxergar ao lado de mais ninguém, não conseguia se ver amando outra mulher como a amava; contudo, ali estava ele, completa e indescritivelmente apaixonado por Felicity Smoak. Havia diferenças gritantes, que antes ele não via, mas agora tornaram-se claras como a luz do dia. Com Sara, as máscaras e segredos permaneciam, mas com Felicity, tudo aquilo deixara de existir, ela o desnudava, o tirava tudo, até mesmo os medos.

Se eu consegui, por que ele não conseguiria? Se questionou, sorrindo. Era verdade, ele havia conseguido se reerguer, mesmo quando pensou que jamais o faria, ele acabou conseguindo seguir em frente. Obviamente, as marcas ainda estavam em seu peito, ainda ardiam. Às vezes, ele olhava para algo e era impossível não se lembrar dela, entretanto, aquilo já não parecia um fardo, e a dor diminuía mais a cada dia que passava. Eles dois haviam tido uma segunda chance, uma nova oportunidade de aprender, de amar. Oliver não queria que seu amigo perdesse isso, não queria que ele perdesse a oportunidade de um recomeço, de ser tão feliz quanto ele era agora, apesar de todos os problemas que surgiram.

— Você a beijou e ficou confuso — falou, entendendo perfeitamente os receios de seu melhor amigo.

— Exatamente — fechou os olhos. — Eu não consegui me controlar, quando vi, já estava a beijando — foi sincero. — Sequer consigo ficar longe dela... E esse sentimento só cresce, independente do que eu faça — fechou os olhos, parecendo um pouco frustrado.

— Como você se sente, exatamente?

— Eu nem direito como descrever — o mais novo foi completamente sincero. Só o que ele sabia era que era forte, muito. A cada dia que passava, aquela sensação tornava-se mais latente, queimando em suas veias, o incomodando, como se tentasse o dizer algo. — É como se ela afastasse todo o mal, toda a dor — suspirou e jurou sentir o perfume de Caitlin ao redor: — É essa força que cresce, que me lava a alma, me arranca dessa eterna montanha-russa de dor — as palavras agora fluíam sem que ele precisasse pensar nas mesmas, como se as guardasse dentro de si há muito mais tempo do que percebera: — É como se ela me protegesse, me guardasse. É algo que queima, mas, surpreendentemente, não machuca — comentou: — É uma espécie de energia que corre por cada veia do meu corpo e é tão forte — jogou a cabeça da trás: — É como se ela fosse a minha luz no meio da escuridão.

Queen conhecia bem aquela sensação, estava familiarizado com a mesma desde que Felicity entrara em sua vida. O que seu amigo descrevia, de forma tão profunda e real, era o começo do que provavelmente seria a coisa mais forte e poderosa que qualquer pessoa poderá sentir. Amor. Do tipo mais profundo e verdadeiro que pode existir. Não sabia como o informar daquilo, pois usar aquelas palavras com certeza aterrorizaria o outro:

— Eu não sei o que está havendo comigo, Ollie! Não importa o quanto tente, simplesmente não consigo a tirar da minha cabeça — piscou. Seu coração pulsava forte, com intensidade, em um grito gutural, seus olhos ardiam e ele queria apenas a tê-la por perto.

— Eu acho que você está se apaixonando por ela, Tommy — o mais velho murmurou.

Tommy piscou, sentindo as palavras o atingirem como ondas que batem duramente contra pedras. Você está se apaixonando por ela. Sentiu seu coração acelerar ainda mais, com uma força abrupta, como se o dissesse que era exatamente aquilo que há tanto tempo estava tentando o dizer.Isso não é possível! É? Ele amava Laurel, a perda dela ainda ardia em seu peito, bem menos do que antes, mas ainda o ardia, machucando a carne, a alma. Ele sempre achou que a amaria para sempre. Estaria errado?

— Isso não faz o menor sentido — apoiou os braços sobre as pernas, respirando fundo. Faz sim. Sua consciência comentou, com sarcasmo. — Ollie — calou-se. — Eu sempre irei amar a Laurel.

— Eu também achei que sempre amaria Sara, Tommy — o empresário falou, sério: — Mas aqui estou eu, completamente entregue ao meu amor pela Felicity — foi razoável: — Eu também acreditava que seria incapaz de recomeçar, mas acho que a vida gosta de suas ironias — riu, sem humor.

O mais novo percebeu que seu melhor amigo estava absurdamente certo. Tommy nunca pensou que Oliver recomeçaria, especialmente depois da morte de Sara, mas de alguma forma, ele conseguiu pegar cada caco e juntar, colando os pedaços. Ele sabia que as coisas jamais seriam iguais, que agora ele viveria com aqueles restos unidos, com as marcas e cicatrizes.

— Eu não sei se serei capaz de viver tudo isso novamente, Ollie — seus olhos estavam marejando: — É demais, esse sentimento é grande demais, entende?

— Eu entendo, Tommy — garantiu. Ele tinha certeza que era o único capaz de compreender o amigo naquele momento. — Mas você foi forte o bastante para deixar Laurel entrar na sua vida — sussurrou: — Isso só me diz que você é forte o bastante para a deixar ir.

O outro fechou os olhos. Ali, no sofá, com o frio consumindo seu corpo, com o escuro maior e mais intenso, sentiu-se sozinho. Memórias pesadas, cinzas, passando em sua mente como um filme velho. Há duas noites não conseguira dormir, todos aqueles pensamentos invadindo sua mente. As lembranças daquela que ele jurara amar para sempre invadindo em sua mente, em tom de preto e branco, ele ainda se recordava dos sorrisos, dos lábios macios. Lembrava de todas as brigas, de todas as noites de amor, de como ele amava acordar a ver na cama, ainda adormecida. As imagens passavam rapidamente, em frames intensos. As memórias eram diversas, desde que quando a conhecera até quando a pedira em noivado.

Recordações antigas misturaram-se a novas. Lentamente, as imagens assumiram um tom alaranjado, quase sépia. Era a noite da festa da empresa, na qual a conhecera. Pôde lembrar com perfeição do rosto, do vestido azul, da taça de vinho quebrada no chão. Como um quadro em branco, as cores gradativamente passaram a surgir, em tons de vermelho, azul, lilás... Como um caleidoscópio cheio de cores e luzes, lembrava de como os braços dela o deram força, de como sua presença o trouxe luz. O filme, outra em preto e branco, agora tornara-se tão colorido quanto um quadro aquarela, e por mais que não pudesse mais a ver, conseguia a imaginar com perfeição. Seu coração agora parecia em paz, calmo como a brisa dos ventos de Outono.

Ele abriu os olhos, sentindo-se atordoado. Então, ouviu sem melhor amigo dizer:

— O amor está no escuro, Tommy — o mais velho reproduziu uma das frases prediletas de seu pai: — Só precisamos aprender a enxergá-lo.

...

— Fico muito feliz que você esteja aqui, Bar — Felicity soltou-se do abraço do melhor amigo e ele a lançou um sorriso carinhoso:

— Eu queria te ver, precisa saber como você está — sentou-se no sofá e encarou o loft. — Seu namorado tem um apartamento legal — sorriu.

— Pois é — ela riu: — Eu acho meio grande para só duas pessoas, mas com certeza é melhor do que morar em uma mansão com não sei quantos quartos, ainda mais pois ele só tem Thea, aliás, ela é uma graça de pessoa, bastante prestativa! Ela me contou uns segredinhos do Oliver, sabia que ele fez parte de uma peça durante o jardim de infância?! Ele foi a cenoura, deve ter sido tão fofo! Por que ele é fofo, mesmo sendo grande.

— Lissy — Barry a interrompeu. Ela respirou fundo, parando de falar, e falou:

— Desculpa — olhou para as coxas nuas. Usava um shorts curto e uma blusa regata azul. Nos últimos dias, aquela havia se tornado sua cor predileta. — E Iris, como está?

— Está bem, nós vamos morar juntos! — Ele comentou, parecendo feliz. Ela bateu palminhas e disse:

— Uau! Nossa, que legal Bar! Estou muito feliz por vocês dois! — Disse, o abraçando com uma força desnecessária. — Você e a Iris formam um belo casal, espero que sejam muito felizes juntos! — Disse, o dando um beijo molhado na bochecha.

Os dois ouviram alguém pigarrear e ela separou-se do rapaz, apenas para ver seu namorado parado na porta, com os braços cruzados sobre o peito e um olhar não muito amigável direcionado para Barry. Uau, Oliver ciumento. Ela pensou. Medonho mas sexy. Mordeu o lábio inferior e riu com os próprios pensamentos.

— Você é? — Ele perguntou, seu olhar fixo no de Barry e de repente a jovem sentiu pena por ele.

— Er... Barry Allen — ele tropeçou nas palavras, gaguejando. Ela mordeu o lábio para não rir. — Sou amigo de Felicity — esclareceu, rapidamente. Se olhar matasse, Bar já estaria morto! Ela pensou, sorrindo.

— Amigo? — Oliver arqueou uma sobrancelha e falou: — Okay — disse, alongando a palavra. — Meine liebe, quando terminar de falar com seu amigo — disse, entre dentes: — Suba por favor — pediu. — Preciso falar com você.

— Okay amor — ela disse o lançando um sorriso inocente. Ele os encarou por mais alguns segundos e subiu as escadas, ainda carrancudo.

— Me desculpa, ele é meio ciumento — disse.

— Eu ouvi isso! — Ouviu o seu namorado gritar do andar de cima e fechou os olhos, xingando-se mentalmente. Barry riu e ela o lançou um olhar homicida, que o fez parar de rir.

— Ele parece gente boa — comentou.

— Ele é — ela sorriu, boba: — Já encontraram Cooper? — Questionou, mudando de assunto. Apenas ele, Caitlin e Oliver sabiam de toda a verdade. Ela era grata por perceber que realmente podia contar com eles para tudo.

— Ainda não — o cientista disse, parecendo frustrado: — Joe colocou alertas pela cidade, espalhou folhetos, o pessoal em Gotham avisou todos as rodovias e aeroportos, ele está encurralado — disse. Mas os dois sabiam que pegar Cooper seria bem mais difícil do que aquilo, sabiam do que ele era capaz.

— Tudo irá dar certo — ela tentou soar otimista, mas não conseguiu. Ela já não sabia se acreditava naquilo.

— Nós vamos pegá-lo — ele sorriu fraco e ela assentiu. — Eu preciso ir agora, se precisar de qualquer coisa me ligue — pediu, levantando-se. Ela repetiu a ação dele o abraçou forte:

— Tchau! — Ele sorriu, indo até a porta.

— Tchau! — Ele fechou a porta e a jovem respirou fundo, tentando manter-se calma. Subiu as escadas e foi até o quarto, onde Oliver encontrava-se sentado.

— Ei — ele a lançou aquele sorriso que ela tanto amava. Agora ele já estava sem camisa e tirava a calça. Oliver Queen era uma baita visão. Felicity sentou na cama ao lado dele e o abraçou:

— Você é gostoso — soltou as palavras sem pensar: — Quero dizer, é óbvio que você sabe disso, com esses músculos e tudo mais, mas você realmente é muito gostoso — o beijou no ombro nu, para calar a si mesma e ele sorriu ainda mais.

— Você também é — a mordeu o lóbulo da orelha, fazendo-a gemer e ficou satisfeito com aquela ação dela. — Está me desconcentrando — ela reclamou, fechando os olhos. Ele riu alto e envolveu.

— Essa era a intenção — disse, safado. — Mas precisamos conversar — disse sério.

— Ah não, conversar é chato — ela fez um bico adorável e ele sorriu.

— Por favor — pediu. Ela bufou e saiu do colo dele, sentando-se ao lado do rapaz.

— Diga — pediu, voltando-se para ele.

— Eu vou contratar um segurança particular para você — anunciou. Ela abriu a boca e ele colocou o dedo sobre os lábios, impedindo-a de falar: — Não é um pedido, você pode chorar, fazer um escândalo, mas eu não vou voltar atrás — prometeu.

Ao olhar os olhos azuis aos quais ela tanto presava, soube que ele falava bem sério. Ela realmente não iria o convencer do contrário, seria uma batalha perdida.

— Tudo bem — concordou. — Mas tem uma condição — falou, com um sorriso vitorioso.

— Sabia que estava bom demais para ser verdade — ele revirou os olhos. — O que você quer, meine liebe?

— Que você contrate um segurança para si mesmo — ela disse, sorrindo animada. Ele bufou e percebeu que essa seria a única forma de a convencer a aceitar aquilo.

— Tudo bem — ele deu de ombros. Ela o beijou nos lábios e se aconchegou no peito dele. Naquele momento, ela se sentiu em paz.

...

Caitlin tocou a campainha do loft de Oliver e sorriu ao ver sua melhor amiga do outro lado. Felicity sorriu ao vê-la e disse:

— Eu estava com tanta saudade! — A abraçou carinhosamente, e a morena sorriu:

— Eu também estava com saudades, trouxe frapuccino para você — a deu a bebida, fazendo-a rir. Ela bebeu um pouco enquanto Cailtin perguntava: — E Oliver?

— Foi para sua seção com Diggle — disse, sentando-se no sofá e batendo no mesmo. A mais nova sentou-se ao lado dela e pegou o copo da mão da amiga, bebendo um pouco do líquido.

— Ei, você disse que era meu! — Reclamou, fazendo bico.

— E é seu — a devolveu. — Deus, eu preciso de bebida! Vocês têm qualquer coisa alcoólica por aqui?

— Tem whiskey ali — Felicity respondeu, apontando para um mini bar. Caitlin encheu o corpo e bebeu tudo num gole só. — Você não é de beber, o que houve? — Perguntou, verdadeiramente preocupada pela amiga.

— Thomas Merlyn aconteceu! — Caitlin disse, sentando-se no sofá com o copo e a garrafa em mãos. — Eu não sei o que faço, Lissy! — Respirou fundo. Ia colocar mais bebida no copo mas desistiu, abriu a garrafa e bebeu o conteúdo direto dela. Dane-se o Oliver. Pensou, dando de ombros.

— Beber não vai resolver seus problemas, só vai te deixar de ressaca amanhã de manhã — Felicity disse. Sua melhor amiga a lançou um olhar mortal e a loira encolheu-se.

Caitlin sorriu e disse, levantando-se:

— Vamos sair!

— Oi?! — A mais velha perguntou confusa.

— Vamos para balada! — Bateu palminhas, animada. Uou, ela é fraca para álcool. Felicity fez uma careta.

— Não sei se é uma boa ideia — mas sua amiga já estava a puxando pela mão, sem se importar.

— Eu só quero não sentir por um tempo, por favor Lissy? — Pediu. Fazia muito tempo que não ia à uma festa de verdade, dois anos para ser exata. Ela não tinha boas experiências, por razões óbvias, mas sabia que uma balada seria o melhor para simplesmente esquecer.

— Okay, vou mandar uma mensagem pro Oliver — ela digitou algo no celular e mandou uma mensagem para o namorado. — Vamos — pegou a chave do carro. — Mas você sabe que precisamos de ingressos, certo?

— Eu sei, a gente dá um jeito — ela deu de ombros. A loira entrou no carro, sendo seguida pro sua amiga que sentou no lado do passageiro. — Vamos para a Wicked, é a a melhor balada da cidade — Caitlin disse, animada.

Felicity digitou o nome no celular e descobriu o endereço. Chegar lá fora fácil considerando com o quão difícil foi de fato entrar na balada:

— Olha, a gente só entrar — Caitlin pediu, impaciente.

— Eu entendi senhorita, mas só com ingressos — o segurança disse, calmamente.

— Eles estão esgotados?

Ele negou e Felicity sorriu, vitoriosa. Abriu a carteira e jogou as notas sobre a mão do segurança, puxando a amiga para dentro da balada sem dizer mais nada. Nem acredito que estou fazendo. Pensou, inconformada. Nossa, isso é que é balada.

O lugar era imenso, tinha dois andares. O inferior era composto basicamente de uma imensa pista de dança e de um bar que ficava na lateral. Os barman faziam manobras incríveis com os drinks. Ela não conseguia enxergar muita coisa, as luzes estroboscópicas brilhavam com intensidade, a música insuportavelmente alta tocava e todos na pista de dança moviam seus corpos freneticamente.

Caitlin a puxou até o bar e pediu uma dose de tequila para o barman que a lançou um sorriso em forma de cortejo. Felicity se sentia meio deslocada ali, fazia tempo que não ia a uma festa daquelas, mas não era tão ruim assim.

Só o que Caitlin Snow queria agora era esquecer. Queria esquecer daquela sensação que ardia em seu peito, queria largar aquela dor e aquele medo para trás, era só daquilo que precisava. Sentia aquele amor correndo por suas veias, e por alguma razão, aquilo ela não queria apagar.

Uma dose. Duas. Três. Ela tomava sem que Felicity sequer percebesse, já que a mesma estava muito ocupada observando as pessoas ao seu redor. Mais uma. Duas. Três doses. Sentia seu corpo quente, uma euforia que há muito desconhecia correndo por seu corpo, fazendo-a sorrir.

— Ei gata, quer dançar? — ouviu um cara perguntar. Virou-se e não conseguiu o ver direito sob aquela luz azul diminuta. Ele era ruivo e alto, ela sorriu e disse:

— Claro! — Ele sorriu e ela disse a amiga: — Já volto.

— Okay! — Felicity berrou ao ver sua amiga afastando-se: — Me vê uma água por favor — pediu. O rapaz a encarou confuso e não questionou, entregando-a a bebida.

Caitlin foi para meio da pista e sentiu as mãos do homem em sua cintura. Ele cheirava a álcool e cigarro, uma mistura desagradável, nem um pouco parecida com o perfume de Tommy. Ele a puxou para si, grudando seu corpo no dela e seguiu seu instinto, sem afastar-se dela. Podia ouvir a música ao seu redor, as cores misturavam-se, piscando num ritmo alucinante e o álcool fazendo efeito em sua corrente sanguínea.

Sentimentos opostos a dominavam, sentia tristeza, alegria. Ele a apertou mais e ela apenas obedeceu o ritmo, seu corpo completamente grudado ao dele. Fechou os olhos, não queria olhá-lo e perceber que não era Tommy. Sentia seu corpo quente, seu estômago embrulhando, por alguma razão, sentiu frio.

Ela queria tanto que ela sensação angustiante sumisse! Queria tanto livrar-se daquele medo, daquela dor. Queria tanto que ele a quisesse! Era só do que precisava. Ele desceu as mãos pelo corpo dela, como se quisesse tê-la para si. Sua consciência outrora adormecida de repente deu as caras, murmurando: Não é ele quem você quer, saia de perto!

Ela riu, ignorando o aviso e se colou ainda mais ao rapaz, tentando cessar aquela sensação que agora crescia em seu peito. A dor simplesmente não passava, não se aplacava. Ela queria viver aquele momento como se o amanhã não existisse, mas aquilo era mentira, e ela sabia bem.

De repente, os lábios dele estavam colados aos dela. Caitlin sentiu como se uma chave estivesse sendo acionada em seu cérebro, abriu os olhos e o empurrou para longe. Limpou a boca e sentiu lágrimas quentes caindo por seu rosto. Sua mente estava um borrão, ela já não conseguia pensar direito. Puxou Felicity enquanto as lágrimas queimavam sua face, sua garganta pegando fogo, seus pulmões ardendo.

— O que houve? — A loira perguntou preocupada ao ver o estado da melhor amiga.

— Vamos embora daqui! — Implorou, soluçando. Sentiu nojo de si mesma, o gosto do cigarro ainda impregnado em sua boca. Só queria dormir, esquecer tudo aquilo. Só queria que Tommy estivesse ali. Felicity a guiou para fora da balada sentindo-se incapaz de contestar a amiga.

Caitlin entrou no carro e permitiu-se chorar, como nunca havia feito antes. Mas não era um choro escandaloso, alto. Era silencioso, as lágrimas caíam por sua face, molhando seus lábios, sentiu o gosto salgado e seu estômago embrulhou ao pensar que havia beijado outros lábios que não os dele.

Se sentia estúpida. No que estava pensando? Ainda sentia a dor, o desespero, nada mudava. Abraçou o próprio corpo e encostou a cabeça na janela, respirando fundo. Ela tinha que aceitar os fatos, Thomas Merlyn jamais iria querê-la.

...

Caitlin abriu a porta da casa de Tommy sentindo-se grogue. Não sabia direito como havia chegado ali, mas sua cabeça doía e ela fedia a cigarro e bebida.

— Deus, você chegou! — Tommy disse, levantando-se do sofá. Estava tudo escuro. Ele não havia conseguido dormir quando a jovem não aparecera, ligara para Oliver que o avisou que ela havia saído com Felicity.

Ela não soube direito como ele a encontrara, mas sentiu aqueles braços a envolverem com carinho.

— Você está cheirando a bebida — ele afastou-se dela. Não gostou daquilo. — E a cigarro... Onde estava?

— Fui para balada — ela respondeu apenas. Ele a encarou em silêncio, sentindo como se tivesse tomado um soco no estômago.

— E você ficou com alguém? — Não quis soar bravo, mas não pôde evitar o tom de julgamento em sua voz.

— Sim, eu fiquei — respondeu casualmente.

— Com quantos? — Não conseguiu pensar, quando percebeu, já havia perguntado.

— Só um — foi sincera. Ali, o vendo, toda aquela sensação excruciante tomou seu peito. Ela respirou fundo, contando até dez.

— Boa noite, Caitlin — ele sussurrou, afastando-se dela.

— Você tá bravo comigo? — Ela perguntou, sentindo que estava prestes a desabar.

— Não, meu anjo — ele não podia vê-la, mas sabia onde ela estava. Aproximou-se e tocou-a na bochecha, secando uma lágrima que caía ali: — Só quero que seja feliz, só isso — a beijou na testa. — Não chore — pediu, beijando-a por onde as lágrimas caíam. — Não estou bravo com você, juro — a beijou na bochecha e ela simplesmente não conseguiu se controlar.

Ela o tocou nos lábios. Você me faria a mulher mais feliz do mundo. Pensou, fechando os olhos, sentindo a textura da pele, sentindo seu coração bater em seu peito. Ele passou a mão pelos cabelos, pelas bochechas, a linha do maxilar, seu coração agora batia tranquilamente, como se tivesse encontrado o que sempre procurava. Ali, lembrou das palavras de seu amigo: O amor está no escuro. Só precisamos aprender a enxergá-lo.E de alguma forma, agora ele o enxergava.

...

Ele sorriu ao encarar a foto, seus olhos azuis animalescos, intensos. A foto de um homem loiro de olhos azuis entre seus dedos, conforme seu sorriso alargava-se. Se prepare Oliver Queen, aí vou eu...

Notas finais
É isso gente, o que vocês acharam? Como eu já disse, amanhã eu não postarei nada, mas comentem pois quanto mais comentários, mais rápido eu posto u_u Espero que vocês tenham gostado, viu? Não saiam sem comentar! Beijos :3