Ensina-me a Viver
20 Antes de Você
Notas iniciais
I was calling
For the last time
We'd been here before
They found pictures in the snow
I could tell your eyes
Looked beneath the blue
I woke underneath the trees
For the first time
You Are A Memory — Message To Bears
***
Felicity Smoak acordou com o Sol quente da manhã batendo contra seu rosto. Abriu os olhos e sorriu ao vê-lo ali, parado bem diante dela com aquele sorriso que ela tanto apreciava no rosto.
Ele a fez um carinho na bochecha e ela sorriu, fechando os olhos e aproximando-se, instintivamente, do toque.
— Bom dia — ela sussurrou, espreguiçando-se e o abraçando pela cintura. Sentiu a pele quente, tocou uma das cicatrizes e a dedilhou, desejando poder tirar aquela marca dele.
— Bom dia, meine liebe — ele brincou com uma das mechas de cabelo loiro e disse: — Preciso levantar, hoje volto para empresa e levo Tommy comigo — disse, parecendo animado.
— Uau, ele vai voltar a trabalhar? — Felicity perguntou, levantando-se na cama e o encarando. Aquela era uma excelente notícia, principalmente pois indicava de uma forma ou de outra, o rapaz estava disposto a pelo menos tentar recomeçar.
— Eu consegui o convencer a ir pelo menos amanhã, se dar uma chance, sabe? Acho que o fará bem sair um pouco daquela mansão — comentou, sorrindo. — Ultimamente ele está repleto de coisas na cabeça — falou, suspirando.
Oliver não sabia se devia a contar sobre o que seu amigo o dissera, mas, por vias das dúvidas, optou por não correr o risco.
— Também preciso me arrumar, departamento de TI me espera! — Ela disse, levantando-se: — Antes que você diga, eu já sei, preciso manter o celular ligado, esperar você sair para voltar com você e quando for almoçar, tomar cuidado na rua.
— Isso mesmo — ele riu. — Vamos tomar banho juntos? — Pediu, a puxando para si.
— Eu adoraria — foi sincera. Ele a puxou para o banheiro e fechou a porta atrás de si. Ela havia esquecido do quão grande aquele cômodo era. O mesmo tinha uma grande banheira e um chuveiro no canto. — Vamos para o chuveiro — ela pediu, o puxando pela cintura. Ele a lançou um sorriso e afastou-se um pouco.
Os cabelos loiros dela brilhavam sob a luz do sol que adentrava pela janela, seus olhos azuis ficavam ainda mais lindos sem os óculos e ela parecia como uma espécie de criatura vinda do céu. Ele passou a mão pelos cabelos, sentindo a textura, percebendo-os prenderem por seus dedos. Na última noite de amor que tiveram, não pôde apreciá-la como desejava e agora precisava ter aquele contato mais próximo, humano.
Ele desceu uma alça da camisola e beijou o ombro nu, fazendo-a fechar os olhos, sua pele eletrificada pelo contato, pelo calor. Seu corpo, novamente, parecendo reconhecer o dele, como duas almas que são velhas conhecidas, reencontrando-se, após uma longa viagem. Os olhares cruzaram e ela não teve dúvidas do amor que ele carregava consigo, que ficava cada vez mais visível em cada olhar. Havia ali algo que ela não conseguia identificar, mas que ela sabia, era forte, era intenso.
Ele desceu a outra alça e ela sentiu o tecido frio descer por seu corpo, caindo em seus pés. Ela deu um passo em direção a ele, que manteve-se parado, a analisando, parecendo... Fascinado. Felicity corou diante do olhar, o que era ridículo, mas que a jovem fora incapaz de evitar. Ele parecia quase que admirado, como um artista conhecendo sua nova obra.
Felicity retirou sua própria calcinha, jogando-a no cesto de roupas sujas. Ela sabia que já havia dormido com ele, mas vê-lo ali, a encarando com tamanha intensidade, era outra história. Ele caminhou até o chuveiro e ligou-o. Tirou as próprias roupas e a puxou para dentro. O espaço era grande e os dois cabiam sobre a ducha com grande facilidade. Ele pegou o sabão líquido e posicionou-se atrás dela, molhando-o e passando nas costas dela.
Felicity fechou os olhos, sentia as mãos ásperas descendo por suas vértebras, e ele demorava-se por onde quer que suas mãos passassem. Oliver Queen sentia cada vértebra, cada costela, pôde sentir o perfume que o sabão exalava e sorriu ao perceber como amava aquele odor, tão único nela. Ele sentia a água quente caindo sobre os corpos, desceu pela cintura, sentindo a maciez da pele, a espuma formando-se ali.
O banheiro já estava com os vidros embaçados e a jovem sentia seu coração bater numa intensidade desnecessária. Queria-o muito, mais do que qualquer outra coisa. Ele desceu pelas nádegas até chegar as pernas, e subiu as mãos novamente.
— Vire-se, por favor — pediu, a voz rouca. Ela virou-se e deparou-se com aquelas duas íris azuis, as pupilas dilatadas. Ele respirou fundo, e esfregou a linha do pescoço, o torso, os seios túrgidos, a barriga lisa.
— Eu quero você — ela pediu, seu corpo colando-se ao dele sem importar-se com mais nada. Oliver sentiu a parede fria contra suas costas, a água quente caindo por sua pele, os lábios dela colados aos seus em um beijo faminto, quase selvagem.
Sentiu seu corpo reagir ao dela com uma grande facilidade. Apertou a cintura fina, o odor do perfume embriagando seus sentidos, novamente, seu corpo parecia implorar pelo dela em um desejo selvagem, quase irracional. O calor da água, seu corpo em chamas.
Ele inverteu as posições, deixando a água quente cair no corpo dela. Ela mordeu o lábio dele, fazendo-o gemer. Os corpos unidos, colados, a água quente percorrendo cada centímetro, cada parte. Ela mordeu o lábio ao senti-lo penetrando-a e envolveu a cintura dele com apenas uma perna. Ela encostou a cabeça na parede fechando os olhos.
Mordeu o lábio conforme ele estocava lentamente. Seu corpo pulsando, numa mistura de sensações que ela era incapaz de descrever. Havia o desejo, a luxúria, o prazer, mas aquele amor absurdo estava ali também, tomando cada parte dela, de seu coração, dominando-a como da primeira vez que eles dormiram juntos.
Ele movia-se lentamente, aproveitando-se das sensações, deliciando-se ao vê-la tentando não manifestar seu prazer. Seu corpo colado a parede, a água caindo por entre seus seios, seus cabelos molhados, os dentes presos em seus lábios enquanto ela lutava para não gemer.
Oliver começou a estocar mais rápido e ela estava tendo uma dificuldade absurda em conter os gemidos que queriam escapar por entre seus lábios. Aquela mistura de sensações agora tornava-se mais forte. Ela nunca pensou que pudesse sentir algo tão grande, tão absurdo quanto aquilo. Era algo que ia além de qualquer outra coisa que ela vivenciara antes, ela amava aquele homem, de corpo e alma, e estava começando a ter certeza de que sempre seria ele.
...
Oliver adentrou no consultório de John sentindo-se um pouco cansado. Lidar com tudo aquilo durante aqueles últimos dias havia feito com que ele ficasse com uma insônia que agora se recusava a ir embora.
— Boa tarde, Oliver — o psicólogo disse, conforme seu paciente sentava-se diante dele em uma das poltronas.
— Boa tarde — ele o lançou um sorriso fraco e afundou um pouco o corpo na poltrona.
— Você parece abatido — o mais velho comentou, sinceramente. Oliver abriu um sorriso sem graça e falou:
—Há muito acontecendo — explicou, por mais que Diggle já soubesse muito bem sobre o que se tratava. — Simplesmente não consigo parar de pensar em tudo que está acontecendo, sabe?
Diggle ajeitou-se na poltrona e assentiu. Ele entendia muito bem os receios do mais novo, compreendia que toda aquela situação era bem mais complicada do que aparentava; contudo, também sabia que o outro seria capaz de superar aqueles problemas se tivesse ajuda, e ele tinha aquela responsabilidade agora.
Lidar com Oliver Queen nem sempre era uma tarefa fácil. Ele era um homem que muitas vezes fechava-se, construía, com uma facilidade absurda, os muros ao seu redor o que tornava seu trabalho ainda mais difícil. No começo, quando as sessões começaram, ele não sabia se o rapaz seria capaz de fazer metade do que ele de fato fizera. John sentia-se feliz por ver que o rapaz estava avançando, independente de tudo, de todos, ele havia reencontrado seu caminho.
— E como você se sente com relação a tudo o que está acontecendo? — Perguntou.
Oliver realmente não sabia a resposta para aquela pergunta. Os sentimentos em seu peito eram muito conflitantes, diferentes. Parte de sua alma estava exultante, em uma felicidade que ele sequer podia descrever, mas que ele sentia crescendo por cada parte de seu corpo, cada fibra e molécula. Era como se ele estivesse se afogando e de repente voltasse a respirar, graças a ela. Outra parte de sua consciência, contudo, sentia aquele medo agora mais justificado e racional do que nunca dominar sua consciência, impedindo-o de respirar, pensar.
— Eu tenho medo — passou a mão pelos cabelos loiros, o ar passando com dificuldade por sua traqueia. — Tenho medo de que algo a aconteça e ao mesmo tempo estou tão absurdamente feliz! — Riu, sem humor.
Não havia direito como explicar nada do que se passava em sua mente, era como se ele estivesse preso em uma sala de espelhos, na qual os reflexos não mostravam sua face, e sim a face do seus maiores medos. Agora, ele já havia deixado-a entrar, não haveria volta para aquilo, seu coração parecia ter encontrado sua razão para continuar batendo. Antes, aquele órgão era quebrado, machucado pela vida e por todo aquele amor que ele guardava por Sara, agora, aquele novo amor, de um tipo mais forte e puro, curava seu coração, remendando cada corte, cada ferida.
— Se algo acontecesse com ela, isso te machucaria — Diggle cruzou os braços sobre o peito, compreendendo bem os medos de seu paciente. O amor era um sentimento realmente maravilhoso, mas que podia machucar muito aqueles que o tinham em seu coração.
— Machucar não chega nem perto, Diggle — o mais novo revirou os olhos. Ele realmente não queria pensar naquilo, em como seria a perder para sempre. Estremeceu com o pensamento e voltou a encarar o outro: — E é por isso que tenho tanto medo, tanto receio de que algo a aconteça. Eu pensei em terminar tudo, só que ela não deixou. Naquele momento ele não sabia se sentia-se grato ou furioso por aquilo.
— Você queria encontrar uma forma de a manter salva — o psicólogo respirou fundo. Muitas vezes, ele não entendia a lógica de Oliver, mas naquele momento, ele foi capaz de o compreender. — Eu entendo, mas também sei que isso não faria seus problemas desaparecerem — comentou.
— E o que fará com que eles sumam, Diggle?
— Eles não irão desaparecer — o psicólogo foi realista: — Slade pode até sumir, assim como Cooper, mas a verdade é que outros problemas irão aparecer — sua voz era baixa, calma, medida: — Cabe a você saber como lidar com cada um deles.
...
Caitlin prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e correu para o quarto de Tommy, querendo saber como ele estava.
— Ei — disse, sorridente. Ao entrar no quarto o viu parado diante da cama sem a camisa, os músculos das costas a mostra. Ela contou até dez mentalmente e perguntou: — Quer ajuda? — Ele virou-se para ela com o sorriso mais lindo que ele já a dera e coçou a cabeça:
— Ainda não consigo abotoar direito — reclamou. — Sou um tanto quanto inútil — ele olhava para baixo e ela quis muito abraçá-lo.
— Você não é inútil Tommy — garantiu, segurando a mão dele entre as suas. Aquela típica eletricidade percorreu todo seu corpo e ela molhou os lábios. — É um homem incrível — murmurou, sinceramente.
Ele ainda estava no escuro, mas desde a noite passada as coisas tornaram-se diferentes, mais do que ele poderia prever. Ele sabia que sentia algo por ela, sabia que muito provavelmente seu melhor amigo estava certo. Mas entender como, principalmente depois de Laurel, era sua tarefa mais difícil.
Para ser sincero, aquela não era sua única preocupação. Tommy não era mais como antes, agora seu mundo era uma eterna escuridão, e Caitlin merecia mais do que ele podia a dar. Ela merecia alguém que pudesse a levar para ver as estrelas, ou ir ao cinema com ela e ele já não podia a dar nada daquilo. Expulsou aqueles pensamentos e percebeu que ela se movera.
A jovem pegou a blusa e o ajudou a vestir, abotoando lentamente.
— Você quer colocar uma gravata? — Ela perguntou, ajeitando os cabelos dele. Agora, ele já não tinha mais a barba e seu rosto parecia bem mais jovem, ela gostou.
— Não, detesto aquelas coisas — ele estremeceu, fazendo-a sorrir. — Daqui a pouco Oliver chega — ele respirou fundo. — Obrigado por me ajudar — agradeceu.
— Não há de quê — ela falou, guiando-o pelo corredor e o ajudando a descer as escadas da mansão.
Eles sentaram-se no sofá e ficaram em silêncio, a jovem, instintivamente, apoiou sua cabeça no ombro dele e fechou os olhos, aproveitando aquela proximidade. Por enquanto, aquilo a bastava. Por muitas vezes, ela quis se distanciar, quis apenas dar meia volta e esquecer tudo aquilo, esquecê-lo. Mas era realista, seu coração tinha o nome dele marcado, a ferro e fogo, para o bem ou para o mal, ela era dele.
Tommy inalou o perfume, seu coração novamente manifestando tudo aquilo que seu cérebro relutava em aceitar. Pela primeira vez em dois meses, ele lembrou do acidente, mas naquele momento, a dor simplesmente não pareceu fazer companhia. Ele havia tido uma segunda chance, uma oportunidade de refazer sua vida, o rapaz sabia que havia de fato tido uma grande chance. Antes, ele não sabia ao certo a razão, entretanto, agora, ele acreditava que a jovem ao seu lado tinha uma grande razão para ter entrado em sua vida.
Agora, ali, ele se perguntava se não deveria aceitar aquilo que a vida o dera de braços abertos. Mas ele não sabia se estava pronto, pois para se abrir para aquilo, precisava abrir mão de seu passado, entretanto, apesar de tudo, o mesmo ainda estava lá, o atormentando. Tommy sabia que as coisas seriam difíceis, mas algo em sua consciência o gritava, dizendo-o que todas aquelas dificuldades valeriam a pena.
Ele ouviu o som da campainha tocando e levantou-se, pegando a bengala. Caitlin o acompanhou até o lado de fora e disse:
— Você vai se sair bem — sua mão ainda estava enlaçada a dele. Ele sorriu e ela sentiu aquele amor crescer ainda mais, se é que aquilo era possível.
— Obrigado — ele agradeceu. — Espere eu chegar em casa.
...
Oliver sorriu ao ver sua Felicity no Big Belly Burger.
— Hey — a deu um selinho rápido e sentou-se na poltrona de frente para ela, que o lançou um sorriso lindíssimo.
— Hey! — Ela parecia mais animada do que o comum. — Eu estou faminta! Você me alimentou super bem mas por alguma razão estou morrendo de fome, quero muito uma batata frita e um cheeseburger mas tenho medo de ficar obesa e você encontrar uma daquelas modelos brasileiras maravilhosas e não me querer mais... Você não ia me trocar não é mesmo? Por que se fosse eu iria ficar bem magoada já que você é tipo tudo de bom e eu vou ficar quieta — ela prendeu os lábios e ele sorriu:
— Jamais te trocaria por ninguém, meine liebe — ele jurou, fazendo um carinho na bochecha dela: — É você que eu amo — jurou.
— Também te amo — os olhos dela brilhavam como duas safiras e aquilo fez o coração dele aquecer.
Havia tanto que ele queria a dizer. Tantas palavras que ele guardara em seu peito, em sua mente, por medo, por proteção. Ele queria que ela soubesse como ele mudara por ela, como Felicity Smoak salvara sua vida.
Antes, sua vida tornara-se uma escala de cinza, algo triste, sem sentido. Ele se afogava, e ninguém era capaz de salvá-lo. Durante anos, ele havia desistido de si mesmo, da felicidade. Oliver havia passado por grandes perdas, sofrimentos, os quais o mudaram completamente. Ele afundou-se naquela escuridão e esqueceu-se que havia luz e beleza lá fora.
Antes de Felicity Smoak, ele não tinha mais pelo que viver, pelo que lutar. Seu peito estava adormecido, e ele jurava que nada mais seria capaz de acordá-lo, trazê-lo de volta à vida. Aquele torpor tomou conta de toda sua vida, e ele o aceitou de bom grado. O medo começou a fazer parte de sua vida, e nada fora capaz de o arrancar daquele caminho.
Os dias pareciam meses, os meses, anos. O tempo, sua maior maldição, parecia não passar, independente do que ele fizesse. Suas noites, outrora calmas, eram dominadas pelos mais terríveis pesadelos, e a culpa o assolava mais do que todo o resto. Naquele época, Oliver Queen apenas existiu, como um fantasma perambulando, sem energia, sem nada.
Foi numa tarde chuvosa, quando pisara num escritório de TI, que toda sua vida mudou. Ao vê-la mastigando uma caneta, tagarelando sobre seu pai, Robert, que Oliver soube que ela diferente de qualquer outra pessoa que ele conhecera. Ali, naquela sala, sua vida ganhou uma nova cor... Vermelho.
Ela havia o trazido um novo sentido, e conforme cada dia passava, cada momento e sentimento, uma incrível palheta de cores vibrantes formava-se em sua mente, e ele sabia que havia encontrado o que sempre precisava.
— Sabe... Antes de você eu era uma verdadeira bagunça — riu, sem humor. — Eu era quebrado, obscuro — ela iria dizer algo mas ele a impediu, colocando o dedo sobre os lábios dela: — E aí você apareceu e então tudo ganhou sentido, razão... Eu tinha tantos medos, tantas dúvidas e de repente todos sumiram, como mágica.
Ali ele percebeu que por mais difíceis que as coisas estivessem, tudo valia a pena por ela.
...
Tommy bateu na porta do escritório de Oliver e disse:
— Estou indo dar uma volta, já volto.
— Okay — Oliver disse encarando a tela do computador, sem ouvir direito o que o melhor amigo dissera.
Tommy pegou sua bengala e tateou em volta. Estar na Queen's Industries facilitava seu trabalho de encontrar as coisas e lugares. Tateou e encontrou o botão do elevador, agradecendo por perceber que o mesmo estava em braile.
Ao sair da recepção sentiu o vento frio batendo contra seu corpo e sorriu. Ele gostava de andar por ali, o acalmava, como poucas coisas faziam. Podia ouvir o barulho das folhas das árvores dançando ao seu redor e sorriu ao lembrar de Caitlin Snow, aquilo estava ficando cada vez mais comum.
— Ei cara, passa a carteira — ouviu uma voz masculina dizer. — Passa a carteira ou eu atiro! — Percebeu o ar agitando ao seu redor e tateou os bolsos, procurando pela carteira. Merda, onde está?
— Eu... Eu não trouxe comigo — murmurou, apoiando-se na bengala. Ouviu um som metálico e de repente, uma dor aguda tomou todo seu dorso. Colocou a mão sobre o peito e sentiu o sangue quente escorrer pelo ferimento, sujando-lhe as mãos.
Tommy caiu de joelhos no chão, seus lábios secos. Ouviu o barulho ao seu redor conforme tombava para frente. O homem sem rosto puxou o relógio de seu pulso, enquanto o rapaz lutava para manter-se acordado. Sentia o sangue escorrendo pelo ferimento, ouviu várias ao seu redor, mas já não conseguia mais pensar. Ele podia sentir-se sendo arrastado por uma correnteza sem fim, que o puxava para longe da consciência. Em sua mente, apenas um rosto sendo desenhado, como um fotografia, ele a viu ali. Os cabelos castanhos, os olhos da mesma cor, um sorriso delicado, o vestido azul... Pôde sentir seu coração desacelerando, a inconsciência tornando-se mais intensa ao seu redor, mas por algum motivo, ele apenas sorriu.
...
Caitlin ligou para o celular de Tommy pela vigésima vez em menos de meia-hora e simplesmente não conseguia falar com ele. Sentou-se no sofá, esperando que ele voltasse para casa. Ele não voltou.
Fale com o autor