Ensaio sobre os dias de hoje

1 É isso o que somos?


A sociedade em que vivemos me incomoda. As relações superficiais em que a gente se submete pra receber um pouco de atenção. Cada like, cada seguidor novo é uma vitória, e são apenas números. É como consumir crack, quando alguém clica ali, no curtir, no seguir, a sensação de prazer, de fazer parte de algo chega, e a gente se sente bem por um tempo, sei lá, uns segundos. Mas depois disso a gente quer mais. Não tem limite. Não existe um “quero tal quantia, depois disso eu sossego”. É aquela mesma desculpa do pai que, na sarjeta, diz pro filho que vai parar de beber, que aquela é a última cerveja. O pai se engana, engana o filho. Talvez eu esteja exagerando. Talvez nem seja tudo isso. Mas na minha cabeça o problema é mais grave do que parece.

Quer um exemplo? Olhe pros seus amigos – se tiver algum. Quais deles são mais felizes? Os que passam o dia no instagram, twitter, facebook? Ou aqueles que chega a ser dificil se comunicar. Aqueles que passam o tempo fazendo coisas mais interessantes. Lendo, escrevendo, tocando, estudando, vendo filmes, saindo por aí. Compare. Quem é mais feliz. O seu amigo com dez mil seguidores e reclama da vida o dia todo no twitter, que fala do tédio, da sensação de solidão, ou aquele, que não se importa muito com as redes sociais, posta as coisas esporadicamente.

É dificil admitir isso, até porque todos nos estamos sendo consumidos por isso. Mas é deprimente me olhar e perceber que eu queria ter mais seguidores do que tenho, mais amigos do que tenho. Perceber que quando saio, o importante não é aproveitar aquele momento, mas sim, saber se as pessoas sabem onde eu estou, o que estou fazendo, e mostrar como estou me divertindo. É rídiculo.

Mas esse texto não é sem motivo. Não tô escrevendo só por escrever, fingir que entendi o que passa comigo e ignorar o problema. Escrevo na verdade pra tentar expor o que penso. Tirar o pensamento cômodo da minha cabeça. Mudar alguma coisa em mim. Só assim, aos poucos, vou me distanciando desse mundo vazio da busca por atenção e chego mais perto do mundo que quero. Rodeado de amigos e conhecimento. Conversando sobre assuntos relevantes, rindo das besteiras que aconteceram, me preocupando cada vez menos com o celular, com as mensagens, com os seguidores.

Muita vergonha pra dizer o nome, 2018.

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