As pessoas veem poesia em várias coisas e este tópico é muito particular, pois se trata de percepção e de sentimento –– e para este não há limites.

Em primeiro instante, pensei que este não se tratasse de um texto poético, mas um desabafo, uma espécie de carta aberta; porém meus pensamentos borbulharam a respeito do que eu poderia classificar como um texto rico em poesia ou não. Uma coisa é o que o autor tem em mente, e outra é o que o receptor absorve –– que é tão importante quanto.

Segundo Oscar Wilde, toda crítica é uma espécie de autobiografia. Segundo o Teatro do Oprimido de Boal, há uma terceira classe entre o espectador e o ator, o espect-ator, que consiste no princípio do espectador ter um papel ativo na peça que lhe está sendo apresentada. E em minha particularidade, eu diria que, à sua própria maneira, o receptor é tão artista quanto o emissor.

O ponto que eu quero chegar com esta introdução é a pessoalidade da ARTE sobre o artista. Em tempos de isolamento social é que a nossa dependência pela arte se explicita, uma vez que a usamos como forma de escape perante os horrores do mundo. Entretanto, a arte é, sim, desvalorizada.

O trabalho do artista somente é validado a partir do momento em que é realizado um “grande feito”. Esse grande feito é relativo, mas comumente associado a: publicação e exposição de sua obra, como se fosse preciso uma prova “física” de sua competência, pois o abstrato não basta. E àqueles que optam pela não-realização do tal grande feito, o fracasso lhes é associado.

E esta é a definição de uma pessoa bem-sucedida: alguém que realiza os famosos grandes feitos (aquele que EXPÕE o seu trabalho ao mundo). Passei um bom tempo com a palavra “bem-sucedido” na cabeça e a conclusão que eu cheguei se distancia da ideia que foi apresentada acima. O artista fracassado, cujo trabalho não é reconhecido, que vive e ama intensamente aquilo que produz e produz sem titubeio, é aquele que mais se aproxima da minha percepção de alguém bem-sucedido. O amor incondicional pela SUA arte é a minha definição de “grande feito”.

Para finalizar, resgato uma frase do teatrólogo Constantin Stanislavski, pois é a ela que sempre recorro quando a frustração se apodera da razão: “aprendam a amar a arte em vocês mesmos, e não vocês mesmos na arte”.

Viva os artistas fracassados.

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