Ensaio sobre a estupidez

Grell era um estúpido.

Sebastian desejava ter outra opinião mas sabia que era verdade.

Grell era simplesmente estúpido.

- Sebby, olha para mim! Estou a voar!!!

Grell estava deitado para baixo, em cima do carrinho que era usado para servir os lanches e almoços, enquanto abanava os braços e impulsionava o carrinho pelo corredor.

- Estou a voar!!!

Sebastian levou a mão à cabeça e suspirou.

Não havia qualquer dúvida. Grell era estúpido.

- O que se passa aqui? Porquê este barulho todo?

Ciel abriu a porta do seu escritório. À sua frente passou o carrinho a alta velocidade e o impacto do vento gerado pela rapidez despenteou totalmente o cabelo da pequena criança.

Ciel adorava pensar por si próprio e não queria partilhar as mesmas ideias que o seu mordomo, afinal ele era o mestre. Mas não havia margem para puderem discordar um momento que fosse naquele assunto. Grell continuaria a ser estúpido mesmo que evitasse concordar com isto.

O carrinho despenhou-se contra a parede e Grell ficou esmagado entre os destroços.

- Afinal… talvez não consiga voar…

Ciel levou a mão à cabeça e suspirou.

Esta era a verdade. Grell era estúpido.

- Sebby, olha para mim! Estou a dançar!!!

Grell estava agarrado a um cortinado do enorme salão enquanto dançava, enrolava-se dele, dava mais uma volta e cantava.

- Estou a dançar!!!

Sebastian virou as costas e ignorou a cena.

Quem sabe, talvez aquela estupidez fosse contagiosa.

- O que se passa aqui? Porquê este barulho todo?

Ciel vinha a descer as escadas mas parou ao visualizar a situação. Deu meia volta e voltou a pisar os mesmos degraus no sentido inverso. Teria de mandar retirar aqueles cortinados infestados com estupidez.

O cortinado foi puxado exageradamente o varão caiu até ao chão, batendo na cabeça de Grell.

- Afinal… talvez não consiga dançar…

Eu já disse que Grell era estúpido?

- Sebby, olha para mim! Estou a fazer strip!!!

Grel estava agarrado ao varão no meio do salão, enquanto abanava-se à volta dele, esfregava-se e despia peça por peça da sua roupa.

- Estou a fazer strip para ti, meu amor!

Sebastian enrugou a testa e tentou permanecer imparcial perante a ocorrência.

Talvez o Grell fosse mais estúpido do que tinha pensado.

- O que se passa aqui? Porquê este barulho todo?

Ciel voltou a aparecer no topo das escadas mas ao ver o que estava a acontecer levou imediatamente as mãos ao rosto, cobrindo os olhos.

Aquilo já passava dos limites da estupidez.

Grell começou a esfregar as partes baixas no varão mas não reparou num pequeno prego saliente.

- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!

- Jovem mestre, vou servir o chá no seu quarto…

Sebastian agarrou na mão da criança e ambos desapareceram do topo das escadas enquanto ignoravam o sucedido.

Aquilo já não era estupidez… apenas não havia outra palavra para descrever.

Grell era estúpido. Mas a mansão estava silenciosa.

Sebastian abriu a porta da cozinha e ficou admirado por não ouvir nem ver nada.

- Onde está o estúpido do Grell a dizer “Sebby, olha para mim!”.

Sebastian arrepiou-se só de ouvir a sua voz a repetir tal coisa.

Subiu as escadas e entrou na sala do piano.

Ciel estava em cima do piano a espernear-se enquanto esticava a sua mão numa tentativa vã de chegar ao teclado. Não sabia ele que bastava sentar-se no banco e tocar?

- Jovem mestre, se quer tocar piano seria melhor sentar-se correctamente…

Ciel assustou-se e perdeu o equilíbrio. O seu corpo pendeu do piano para o chão mas foi agarrado pelas mãos do seu mordomo demónio. As suas bochechas coraram e recusou-se a responder a tal comentário.

Grell era a estupidez em pessoa. Mas ele não se via em lado nenhum.

Ciel abriu a porta da cozinha e o seu sangue congelou.

Sebastian dançava valsa em cima da mesa com um gato preto entre os seus braços, enquanto cantava.

Fechou a porta sorrateiramente e regressou para trás enquanto tentava fingir que não vira nada…

Grell já não era o único estúpido. A mansão Phantomhive tinha-se transformado num palco de teatros de estupidez. Desde Sebastian a beijar e cantar para um gato, a Ciel que rastejava por debaixo das cadeiras e mesas para ver se os tapetes estavam todos limpos.

No entanto… Grell ainda continuava a ser o estúpido que originara toda a estupidez que se seguira.

Fim

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