Enquanto você dormia
11 Heartbeat
Notas iniciais
Encarei o copo de bebida a minha frente, a festa tinha acabado a mais ou menos uma hora, mas como sempre para Fran tinha que estar tudo perfeito antes que fossemos embora, e eu estava cansado, queria dormir, por mim eu ficava aqui mesmo deitava na cadeira e dormiria tranquilamente, não era só o fato de estar exausto por ter que dar tantos sorrisos falsos ou por ter que aturar Fran reclamar o quanto ela achava que Elena estava errada.
Estou exausto por pensar em Elena e o único momento em que eu não penso nela é quando estou dormindo e isso é ótimo porque de certo modo quando eu não penso nela eu sonho com ela, oque é bem melhor, porque nos sonhos estamos juntos, e a realidade dói bem mais.
– Querido, podemos ir? Vou ter acordar cedo amanhã. – Fran colocou a mãos nos meus ombros.
– Claro, vai na frente. – Virei o resto do liquido do copo, e a vi saindo pela porta, ela era uma garota legal, divertida, e merecia minha total atenção.
Peguei as chaves e o celular sobre o balcão e fui em direção a saída, Fran já estava no carro e o mesmo já estava ligado, entrei rapidamente e a vi mexendo no celular com uma cara levemente preocupada.
– Droga, o voou foi adiantado, eu tenho que estar no aeroporto em 4 horas. – Ela murmurou ainda encarando o aparelho.
– Tudo bem, nós vamos pra casa dormimos três horas e depois vamos para o aeroporto. – Ela negou com a cabeça.
– Sabe aquela colega que eu te falei? A que vai comigo – Assenti – Tenho que buscar ela e ela mora a uma hora daqui, uma hora pra ir, uma pra voltar, mas o tempo de pegar as malas, não vai da para você me levar ao aeroporto.
– Tudo bem, eu te busco quando voltar. – Ela assentiu guardando o celular e dando partida no carro.
Aquela mulher conseguia ser mais rápida que um piloto quando era preciso, o caminho que deveria levar 30 minutos, levou somente 10, e sem burlar nenhuma lei de transito e sem fazer nenhuma ultrapassagem.
Assim que chegamos em casa ela mau estacionou e já pulou do carro correndo em direção ao entrada, eu tive que passar para o banco do motorista e desligar o carro, desci do carro em seguida o trancando e passando pela porta que a Fran tinha deixado aberta, subi as escadas aonde haviam sapatos e mais acima o vestido dela, recolhi tudo do chão e andei até o quarto aonde ela colocava uma calça jeans e mantinha o celular preso a orelha.
– Damon, pega o meu passaporte! –Ela mandou e eu abri o criado mudo pegando e entregando a ela – Esta bem, eu já estou indo! – Ela gritou com a pessoa no telefone e o desligou me encarando – Tenho que ir.
– Antes de entrar no avião manda uma mensagem de onde deixou o carro, vou lá buscar. – Ela assentiu.
– Damon... você, você sabe que se não fosse importante eu não iria passar duas semanas fora do pais – Ela ficou me encarando com seus grandes olhos azuis cintilando – Quer dizer... antes não tinha problema mas... agora, por favor não me decepcione.
– Eu nunca faria isso, vem aqui – A chamei dando um leve beijo em seus lábios – Não sou a pessoa mais confiável do mundo mas...
– Não diz nada – Ela colocou a mão me calando – Isso nunca melhora nada, só me beija.
– Tudo bem. – Me inclinei mas para ela a beijando, ela estava calma, talvez calma demais para quem esta atrasada – Não quero apressa-la mas você esta atrasada.
– Tem razão, tchau, eu te amo. – Ela levantou pegando as malas e correndo até a porta.
– Eu... – Ela saiu antes que eu terminasse a frase.
Fiquei deitado olhando para o teto bege do quarto por alguns minutos, tirei o blazer o jogando sobre a poltrona, e depois a camisa ficando só com a calça e a substituindo pela calça do pijama, passei o lençol até minha cintura e me mantive encarando o teto bege, até ouvir o passos e alguém se encostar na porta, e olhei os olhos azuis de Paola parecidos com os meus.
– Acordado maninho? – Ela murmurou vindo até a cama e se sentando.
– Estou dormindo, não está vendo? – Ela revirou os olhos e se deitou do meu lado.
– Elena? – Ela falou em tom sugestivo.
– Oque tem ela? – Ela riu baixo e me olhou de forma petulante.
– Ela estava linda, não estava? –Assenti encarando minha irmã – Sem querer me gabar mas... fui eu quem escolheu tudo.
– Tinha a sua cara mesmo. – Voltei a olhar para o teto.
– Oque aconteceu?
– Ela primeiro discutiu com a Fran, depois comigo e então passou a festa toda com o Parker! – Ela riu alto e voltei a encara-la.
– E você ficou com ciúmes! – Ela continuou a rir.
– Não... eu não... a Fran, ela não...
– Calma Damon! – Ela me interrompeu – Não tem problema sentir ciúmes, mas se você sente isso é porque você ainda sente algo.
– A Fran ela, ela não merece! – Ela negou com a cabeça.
– Não, mas... você também não merece – Ela garantiu – Lembro de quando você voltou da Itália com ela, eu estava triste, passei um mês com o Stefan e estava com saudade suas e dos gêmeos, e ainda mais da Elena, eu fui no hospital, todos os dias, como você pediu, cheguei a dormir lá varias noites, e eu a amava como minha irmã, até mais que a Rose, e então você trouxe a Fran na bagagem, eu te odiei Damon, muito, mas eu fui crescendo e te entendendo mas tem algo que você não sabe, promete não ficar triste comigo? – Assenti – Lembra que todo dia 15 eu ia para casa da minha amiga? Então eu não ia, eu ia para o hospital, ia ver a Elena.
– Ok, você deveria ter me contado mas... eu também tenho que dizer algo, promete ficar só entre nós? – Ela assentiu – Eu fui ver a Elena quando ela acordou.
– Mas...
– Calma! – Pedi e ela assentiu – Escuta e você vai saber o porque ela não sabe que eu fui.
***Flashback On***
Deixei o telefone cair ao ouvir as palavras “Ela acordou”, minha garganta se fechou e me olhos se fixaram no porta-retratos dos meus filhos na estante, fiquei preso em uma reunião o dia todo e fui jantar depois disso, quando voltei para buscar minhas coisas ouvi esse recado, já passava da meia-noite.
Não consegui pensar em nada, só em vê-la, só em vê-la om meus próprios olhos, poder toca-la e ver ela responder a eles, corri para pegar a chaves do carro e corri para o elevador da empresa, já estava vazia então não tive que dar explicações a ninguém, assim que o elevador abriu eu passei correndo pelo vigia noturno e passei pela porta rapidamente, correndo até o carro.
O hospital ficava longe então quando eu cheguei lá já era quase 1:30 da manhã, algumas enfermeiras passavam tranquilamente de um lado para o outro e eu fui até a recepção encarando uma senhora em seus 40 anos que olhava para o monitor do computador.
– Senhora? – Chamei sua atenção e ela me encarou com seus óculos enormes.
– Sim? – Ela tinha uma voz suave.
– Eu preciso ver uma paciente, Elena Salvatore – Ela encarou o computador.
– Ela não deve receber visitas, mas se for da família, pode me falar seu nome e me dar sua identidade? – Assenti e entreguei minha carteira de identidade.
– Ah, claro, Damon Salvatore, o marido dela, você pode entrar – Me virei e ela segurou meu braço – Ela esta no segundo andar, mas esta a base de analgésicos e calmantes, ela vai estar sonolenta.
– Obrigado. – Subi de elevador e avistei o nome dela no quarto N° 138, andei a passos leves até o quarto.
Abri lentamente a porta e ela estava deitada de lado de modo que ela nunca ficou porque podia atrapalhar a respiração mas agora ela estava, ela estava encolhida virada para o outro lado, me sentei encarando o rosto delicado dela.
Passei levemente a mão nas maças de seus rostos e ela abriu um pouco os olhos, os fechou em seguida, tentei afastar minha mão mas ela a segurou com delicadeza a mantendo ali, seu toque quente fez com que meus olhos se enchessem de lagrimas.
– Onde você estava? – Sua voz doce só fez com que as lágrimas aumentassem – Porque esta chorando?
– Você está perfeita. – Murmurei sem responder – Como se sente?
– Eu sinto frio, e dor. – Ela tinha uma voz sonolenta e arrastada.
– Vou achar um outro cobertor. – Me levantei mas ela apertou mais uma vez minha mão.
– Não precisa, só fica aqui – Ela pediu e eu voltei a me sentar – A quanto tempo estou aqui?
Ela acordou a uma dia, mas desmaiou e tem sido mantida a base de analgésico desde então, pelo menos foi oque Miranda me disse na mensagem, e também pediu para se eu tivesse a curiosidade de vê-la não contasse nada a ela, por enquanto.
– Não importa, você esta aqui agora. – Ela assentiu levemente fechando os olhos.
– Eu estou com sono – Comentou se virando na cama – E com frio, você pode se deitar aqui um pouco?
– Não acho que isso seja permitido, mas se quiser posso deixar você em paz. – Ela negou com a cabeça.
– Só um pouco, por favor – Ela se afastou dando espaço para mim, me dei por vencido e me deitei ao lado dela, a cama era pequena e quase metade das minhas costas ficaram para fora, ela colocou a cabeça no meu peito e delicadamente coloquei a mão em seus cabelos castanhos – Como estão os bebês?
– Bem, muito bem. – Ela afundou mais a cabeça no meu peito.
– Você é quente, não estou mais com frio. – Está passou a mão me abraçando de lado.
– Fico feliz. – Sorri e dei um beijo em seus cabelos.
– Eu te amo. – Ela sussurrou.
– Eu também, Elena. – Depois disso pude ver a diferença em sua respiração e ela voltou a dormir.
***Flashback Off***
– Você disse que a amava? – Minha irmã estava boquiaberta.
– Oque mais eu poderia dizer? – Ela deu um mini sorriso.
– Não, você não precisava me contar isso, pelo menos se não quisesse minha opinião. – Ela sorriu minimamente.
– Você vai dar sua opinião de qualquer jeito. – Ela concordou dando de ombros – E a Elena nem se lembra disso, malditos calmantes.
– Pois bem, ai vai... – Ela respirou fundo e endireitou o corpo – Acorda! Você ama a Elena, e não a Fran – Abri a boca para reclamar, mas ela não deixou – Nem me venha com “Eu amo sim”, se a amasse essa conversa não estaria acontecendo – Ela levantou da cama colocando as pantufas de abelha dela – E Damon, seja rápido porque Andrew é um conquistador e tanto, e sem contar que ele é muito lindo.
Ela saiu do quarto me deixando sozinho, encarei o relógio digital no qual já marcava 4:00 horas da manhã, me levantei apagando as luzes do quarto e fechando a porta, coloquei o despertador para bem cedo, e me joguei na cama, fechando os olhos.
***
Olhei para a porta branca, ela parecia bem ameaçadora agora, não a porta mas oque aconteceria quando fosse aberta, respirei fundo antes de tocar a campainha, e ouvi alguns passos do outro lado e assim que a porta se abriu vi Elena com o rosto um pouco suado e os cabelos presos.
– Cria...
– Não –A impedi de gritar e ela ficou confusa – Quero falar com você, antes de levar eles.
– Ok, vamos nos sentar aqui. – Ela se sentou no balanço diante da casa.
– Eu quero pedir desculpas por...
– É tarde demais para se desculpar! Tarde demais! – Ela me interrompeu e eu a fitei respirando.
– Ontem eu te escutei sem protestar, será que pode fazer o mesmo? – Ela assentiu – Eu queria me desculpar por tudo, mas principalmente por ter sido fraco, fraco para não te esperar, fraco para achar que meu sofrimento superava o seu, por achar que com outra pessoa eu iria te esquecer, desculpe por ser o idiota que fui, desculpe por ter duvidado da sua força, desculpe por ter mentido para nossos filhos, desculpe...
– Eu já cansei de ouvir, você acha que é assim? – Ela perguntou e antes que eu respondesse ela continuou – Acha que eu vou te perdoar tão fácil, ou só esta fazendo isso porque viu que alguém nesse mundo ainda me acha atraente, vamos responda! É por causa do Andrew?
– Esse idiota não nada com isso, eu estou me desculpando por...
– Porque sua namorada viajou, é por isso porque ela foi viajar e você ficou sozinho se sentiu mal e veio aqui – Ela se levantou e pareceu ir embora mas voltou – Oque diabos você acha que eu sou?
– Nada, eu só vim me desculpa por ter sido um completa idiota e...
– Damon, você acha que eu sou um cachorro, que vai ficar procurando o dono esperando que ele lhe de carinho ou lhe jogue um osso, Damon eu não sou seu cachorro – Ela se exaltou – Não é porque sua namoradinha saiu do país que eu vou ser seu passatempo!
– Você acha que eu sou tão fútil assim, não é? – Questionei e ela assentiu – Droga, se você acha isso, porque se casou comigo? Porque se apaixonou? Porque dizia que me amava?
– Porque eu te amava seu idiota! – Ela começou a chorar – Porque eu amava quem eu era quando estava com você, porque eu amava sua ironia, seus ciúmes, seu jeito de sorrir, e o jeito que eu sorria quando você me abraçava, amava seus beijos, e quando você me fazia ficar nervosa e eu te batia, eu amava o fato de estar grávida dos seus filhos, eu amava poder te abraçar a qualquer momento, o fato de você aguentar todas as minhas crises e sempre saber quando eu estava triste, porque eu amava quem você era!
– E oque você acha que eu sentia por você? – Ela negou com a cabeça colocando a mão no rosto – Acha que eu não te amava? Eu aguentei cada crise sua, eu vi você feliz e depois triste, eu te aguentei quando você me batia por se sentir estressada, e quer saber, li todos os livros sobre TPM, porque eu não me importava se eu ia ficar chateado, eu só me importava se você estava feliz!
– Sua ideia de felicidade é estranha! – Ela ergueu novamente o rosto – Eu pareço estar feliz? Eu pareço estar contente? Damon oque me dói não é o fato de você ter arranjado alguém, é o fato de você ter desistido de mim, o fato de involuntariamente ter feito meus filhos desistirem de mim!
– Eu nunca desisti de você! – Só percebi oque tinha falado depois que falei, então decidi continuar – Estudei tudo oque pude sobre coma, tenho artigos de jornais e conversei com todos os especialistas, e todos eles disseram que era impossível você voltar, e ainda sim, ai está vocês, eu nunca desisti!
– Você não desistiu, tudo bem – Ela se aproximou de mim suspirando – Como explica ter afastado meus filhos? Ter mentido? E a Italiana?
– Eu vi seu coração... – Tirei todos os outros pensamentos da minha cabeça e me concentrei em seus olhos – Eu vi seu coração parar, o vi parar duas vezes, não queria que eles se sentissem como eu me senti! Eu não queria que eles te vissem morrer, como eu vi.
Lagrimas saíram novamente de meus olhos, e abaixei minha cabeça e me virei, não queria que ela me visse assim, não queria parecer fraco diante dela, senti sua mão tocar a minha e me assustei mas ainda sim continuei virado, sua mão me puxou me virando para vê-la, ela guiou minha mão até seu peito e senti seu coração bater.
– Ele parece parado? – Seus olhos castanhos agora cheio de lagrimas, ela levou a outra mão até meu rosto, sua mão quente e macia fez um leve carinho na minha bochecha – Eu pareço morta? – Me aproximei mas dela colocando minhas mãos em sua cintura, porem ela me afastou – Isso não foi para te beijar, foi para fazer você parar de usar isso como desculpa – Seus olhos fugiram dos meus – Eu não estou morta!
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