Enquanto você dormia
24 A hospital and a kiss
Notas iniciais

Pov. Damon
O relógio do bar marcava pouco mais que duas da manhã, minha visão estava turva pelo número de bebidas que tomei, e eu daria qualquer coisa para que trocassem a maldita musica que tocava nesse momento, provavelmente alguma banda adolescente com musicas de dar nojo.
— Damon? — ouvi meu nome ser chamado, mas estava concentrado demais em contar mentalmente o numero de vezes que a palavra “garota” foi repetida na música — Damon?
— O quê? — virei um pouco o rosto vendo Klaus e Stefan atrás de mim.
— Você está aqui a quanto tempo? — Klaus perguntou.
— Duas ou talvez três horas, mas como vocês me acharam?
— Acha mesmo que não acharíamos? Elena ligou a uma hora lá pra casa, ficou uns 10 minutos com a Caroline no telefone e ela me obrigou a vir procurar você, e...
— E ele veio na minha casa me encher o saco. — Stefan interrompeu Klaus dando uma cotovelada nele. — Só vamos pra casa, tá legal?
— Não, eu não pedi que vocês me procurassem, então vão pra casa de vocês e durmam. — peguei o copo levando até a boca, mas Stefan arrancou de minha mão cheirando ele.
— O quê é isso? Whisky barato? Quanto disso você já tomou?
— Um pouco, talvez muito.
— Já chega. — Stefan colocou o copo sobre o balcão e chamou o atendente pagando pra ele. — Você vai devolver esse dinheiro quando estiver sóbrio.
— Eu estou sóbrio até demais, irmão.
— Ok, agora levanta e vamos embora. — ele segurou meu braço me puxando, por um momento eu pensei em resistir, mas acabei deixando que eles me levassem. — Você esta de carro?
— Sim.
— Tá, Nik leva meu carro, e me segue que eu vou ir no carro dele. — Stefan jogou a chave para Klaus que agarrou no ar e entrou no carro dele.
Fomos até meu carro e ele entrou no banco do motorista, entrei no banco do passageiro com a certeza de que ouviria um verdadeiro sermão do meu irmão mais novo, ele ligou o carro e saiu rapidamente pelas ruas quase vazias de Boston.
— Vamos, pode começar Stefan, sei que está louco para me dar uma lição de moral enorme.
— Sinceramente? — ele me olhou e eu assenti. — Eu nunca imaginei ter que te buscar em um bar as duas da madrugada.
— Por quê? Eu não posso ter momentos desagradáveis e parar para beber em um bar?
— Se você tivesse 18 anos e nenhum filho, com certeza sim, mas você é um homem de 30 anos, com filhos gêmeos.
— O quê tem eles serem gêmeos? — perguntei.
— Nada, eu só acho isso muito legal. — revirei os olhos ligando o som. — Damon, eu sei o que aconteceu e eu sinto muito, mas não acha que já deu tudo o que tinha que dar.
— Como assim?
— Sei lá, não acha que está na hora de colocar um ponto final na sua história com a Elena? — olhei incrédulo para ele. — Não estou dizendo para que você fiquem separados, nem que fiquem juntos, é só que... você vivem presos a uma história sem ponto final, o acidente atrapalhou o inicio da vida que vocês levariam juntos, vocês não sabem se, no fim, isso iria pra frente ou não, entende? Vocês estão presos a uma eterna reticencia, uma pergunta nunca respondida.
— Não sei, tudo isso é complicado demais, eu levei anos até me acostumar a ficar sem ela, e parte do que eu sinto agora, é justamente por tentar reverter isso. — confessei.
— Por mais que todos neguem, todos vivemos uma vida sem ela, Jeremy e Bonnie, Miranda e Grayson, todos nós, não era como se ela tivesse morrido, mas todos vivemos em um mundo no qual ela não estava presente, e isso nos fez nos acostumar, você pisou feio na bola, mas se ela te perdoou, o que importa?
— Essa é a grande questão, irmão — me encostei na janela do carro observando as casas. — ela me perdoou, mas será que eu vou esquecer o que eu fiz? Eu não vou dizer que passei esses 5 anos sofrendo, mas agora eu me sinto um verdadeiro idiota.
— Você é, mas essa não é a questão, todos erram e alguns erros são muito maiores que outros, porém ninguém é feito completamente de erros, você fez coisas boas também, tanto quantos ruins, ninguém é perfeito.
Depois disso ele ficou em silencio e eu também não disse nada, fiquei divagando sobre as coisas que acabei de ouvir e só voltei a mim quando já estava na porta de casa, quase todas as luzes estavam acesas, menos a do quarto das crianças.
— Você quer entrar? — perguntei ao meu irmão que negou rindo e colocou a chave do carro em minhas mãos.
— Boa sorte. — depois de dizer isso ele saiu do carro e entrou no carro dele.
Sai do carro e o travei, andei a passos absurdamente lentos até a porta de casa, estava tanto silencio que eu imaginei que não tivesse ninguém acordado, assim que abri a porta percebi que estava errado.
— Ele chegou. — Paola falou se aproximando de mim. — Onde estava?
— Por aí, fazendo... coisas.
— Você está cheirando a bebida. — ela revirou os olhos. — Da próxima vez que sair pra tomar um porre, avisa.
Ela se virou e sentou nas escadas, suspirei rindo até ver Elena parada um pouco atrás do sofá, olhei novamente para Paola que estava sonolenta.
— Maninha, será que pode nos dar uns minutinhos a sós? —perguntei e ela assentiu.
— Claro, me chamem se precisar. — ela subiu as escadas rapidamente.
— Por que você fez isso? — Elena perguntou. — Será que você não se importa nem mesmo um pouco comigo?
— É claro que me importo! Eu te amo!
— Não, você não ama. — ela levantou a voz pela primeira vez. — Quem ama não faz nada do que você fez.
— Eu sinto muito Elena, por tudo eu...
— Não, esse é o problema, você não sente. — ela levantou as mãos cobrindo o rosto. — Você prometeu me esperar para sempre, jurou que me amava, prometeu o mundo, mas nunca me deu nada.
— Elena, eu...
— Não! Agora você vai me ouvir! — assenti abaixando a cabeça. — Eu conheci homens incríveis minha vida toda, homens honrados, verdadeiros príncipes, mas infelizmente eu não mando no meu coração, e olha por quem ele clamou, mas quer saber? As pessoas estão erradas! Podemos sim amar com a cabeça, por que eu não sei como, mas meu coração convenceu minha cabeça a te amar também, então eu comecei a queimar Damon, e eu te procurei em busca de água, mas eu só encontrei um inferno ainda pior, eu não me arrependo de ter te amado, ou de nada do que fizemos, temos dois filhos lindos, mas se antes era você que queria ir passar dois meses sei lá onde, dessa vez, sou eu que peço, na verdade, eu te imploro, me deixe parar de te amar, me deixe me livrar desse sentimento que só me machuca, vá embora, desapareça no mundo, se case de novo, tenha mais filhos, eu não me importo, não mais.
Ergui a cabeça vendo-a chorar, as lágrimas escapavam pelos olhos fechados, andei relutante até ela que assim que percebeu minha aproximação se assustou dando um passo para trás, mantive o mesmo ritmo dos meus passos até estar bem perto dela, segurei seu rosto com ambas as mãos e ela balançou a cabeça em negação sussurrando um “não”.
— Ei! — segurei de forma um pouco mais firme seu rosto e me aproximei beijando sua testa, quando me afastei pude olhar para seus olhos, tão doces. — Vá pra casa, Elena. E tome cuidado.
Ela assentiu se virando e pegando a bolsa, ela não hesitou em passar por mim, continuei virado de costas e pude ouvir o barulho da porta batendo, as lágrimas queimavam em meus olhos enquanto eu lutava para manter a calma.
— Damon? — a voz de Paola me fez finalmente olhar para a porta. — E aí?
— Eu acho que a perdi. — ela veio até mim e me abraçou, retribui o abraço instantaneamente. — Acho que a perdi para sempre.
— Ei, não! É claro que não.
— Você não viu o que ela disse, como ela foi embora sem nem pensar. — minha irmã me soltou olhando em meus olhos.
— Não, mas eu vi o quanto ela ficou preocupada com você, será que vocês nunca vão conseguir se acertar? Por que precisam ser tão teimosos?
— Eu vou subir, tá legal? Pode apagar as luzes?
— Claro.
— Obrigado. — subi as escadas e andei rapidamente até meu quarto, me joguei na cama apenas tirando meus sapatos e me jogando em baixo dos lençóis.
Por mais que eu estivesse exausto, não consegui dormir, fiquei horas rolando na cama até conseguir fechar os olhos por apenas alguns minutos e então acordei novamente, dessa vez escolhi levantar e tomar um banho, já era quase manhã e decidi não voltar pra cama, coloquei uma bermuda e uma camiseta saindo do quarto.
— Papai? — Bella chamou quando passei na frente do quarto dela, por algum motivo, a porta estava aberta.
— Oi, meu amor. — entrei no quarto dela sentando ao seu lado na cama.
— Acho que estou doente. — ela sussurrou.
Coloquei a mão na sua testa sentindo-a bem quente, Bella espirrou e depois se escondeu nos lençóis com uma carinha triste.
— Vamos lá pra baixo? Eu faço o café e te dou um remédio.
— Eu não quero remédio. — ela reclamou.
— Tá, mas vamos descer ok?
— Me leva.
Ela esticou as mãos pra mim e eu a peguei no colo, o corpo dela estava bem quente e ela se agarrou em mim prendendo uma perna de cada lado da minha barriga e enroscando a cabeça no me pescoço, desci as escadas com ela e a deitei no sofá colocando o lençol nela que ligou a televisão.
Meu corpo estava sofrendo os efeitos de uma noite mal dormida e eu só queria descansar por alguns minutos, mesmo que não achasse que realmente conseguiria dormir.
Fui pra cozinha e comecei a fazer o café da manhã, Suzy ainda não tinha acordado, e eu teria que esconder o antitérmico de Bella na comida, ou ela não tomaria.
— Por que a Bella está deitada no sofá? — Suzy perguntou entrando na cozinha.
— Está doente, vim fazer o café dela pra tentar fazê-la tomar um antitérmico.
— Deixa comigo, vai pegar o remédio que eu termino de me virar aqui. — assenti e subi as escadas entrando no meu quarto e pegando a caixinha de remédios.
Assim que peguei o antitérmico voltei para a cozinha, Miguel e Paola já tinham acordado e Suzy estava servindo o café para eles.
— Por que a Bella tá no sofá pai? — Miguel questionou pegando uma torrada.
— Ela está doente. — expliquei. — Terminou Suzy?
— Sim, aqui. — ela me entregou uma bandeja com os alimentos preferidos de Bella.
— Deixa comigo. — Paola falou limpando a boca no guardanapo e se levantando. — Eu faço ela tomar o remédio primeiro e depois tomar o café, relaxa.
— Boa sorte então. — entreguei a bandeja e o remédio para ela que piscou para mim.
Ela piscou para mim saindo da cozinha, sentei na mesa pegando uma panqueca e colocando calda enquanto Suzy servia meu café.
— A gente vai na festa da tia Bonnie? — Miguel perguntou.
— Sua irmã está doente, provavelmente não.
— Mas papai...
— Damon! — a voz assustada de Paola cortou as reclamações de Miguel me fazendo soltar a xícara de café rapidamente.
— O quê foi? — perguntei vendo Paola desesperada na porta da cozinha.
— A Bella ela tá se debatendo e não tá...
Me levantei rapidamente e sai da cozinha vendo minha bebê se debatendo no sofá, ela parecia ter uma convulsão, corri até ela segurando seu corpo com as mão enquanto ela jogava seu corpo para um lado e para o outro, cada vez com mais violência, peguei ela tentando mantê-la parada.
— O quê está acontecendo? — Miguel surgiu assustado na porta cozinha.
— Suzy fica com o Miguel, Paola vamos leva-la ao hospital.
Minha irmã assentiu e nós saímos pela porta, alguns vizinhos estavam em seus quintais e nos olharam assustados, as convulsões de Bella estavam cada vez mais fortes, e meus braços não conseguiam conter os movimentos abruptos e violentos do seu corpo, minha irmão destravou o carro e entrou no banco do motorista, eu entrei com Bella no banco de trás e tentei manter seu rosto parado.
Minha irmã dirigiu como uma verdadeira profissional, Bella continuava convulsionando com os braços e pernas balançando de um lado para o outro enquanto seu corpo se contorcia, os lábios dela estava meio roxos e uma espécie de espuma branca saia por sua boca, ela não parecia ter consciência e eu não sabia como ainda mantinha a minha, o caminho para o hospital pareceu dobrado, mas Paola finalmente parou em frente a emergência.
— Eu vou estacionar e...
Não deixei ela terminar de falar e sai com Bella nos braços, a porta automática se abriu e eu entrei correndo.
— Me ajudem! Minha filha está mal!
Uma mulher na recepção pegou um telefone e logo dois homens chegaram com uma maca e uma mulher corria atrás deles, coloquei minha filha na maca e os homens a viraram de lado enquanto um deles segurava seu corpo o outro limpava a boca dela.
— Levem para a pediatria! — a mulher gritou e eles saíram com minha filha, tentei ir atrás porém a mulher me impediu. — Nós vamos cuidar da sua filha, mas a melhor o senhor esperar aqui.
— Mas...
— Apenas fique aqui, assim que a estabilizarmos, eu venho falar com o senhor.
Ela saiu correndo atrás dos homens que tinham levado minha filha, algumas pessoas estavam me olhando um tanto assustadas, mas nenhuma delas estava tanto quanto eu, permaneci parado na porta no mesmo lugar até que minha irmã entrou e veio até mim.
— Calma, ela vai ficar bem. — Paola me abraçou e depois se virou para a recepcionista. — Será que poderíamos ficar na ala infantil enquanto esperamos?
— Claro, no 2º andar. — Paola agradeceu e basicamente me carregou pelos corredores até a sala de espera do segundo andar.
— Precisamos avisar pra Elena, eu vou...
— Eu já fiz isso, ela deve chegar daqui a pouco, calma. — Sentamos em uma espécie de segunda sala de espera.
Os minutos se passavam angustiantes enquanto não havia resposta, eu já estava a beira de entrar em colapso quando Elena chegou, ela veio até nós e antes que eu pudesse me conter, me levantei e a abracei.
— O quê está acontecendo? — ela perguntou beirando o desespero também.
— Com licença. — a médica se aproximou de nós e eu soltei Elena olhando para ela. — A filha de vocês está bem, podem ficar tranquilos.
— Graças a Deus. — suspirei aliviado. — Mas o que aconteceu com ela.
— Foi uma convulsão febril.
— Mas a febre não estava tão alta. — falei.
— Sim, mas a convulsão não acontece pela febre alta e sim pelo aumento rápido na temperatura, não se preocupem, isso é normal em crianças de seis meses até seis anos, e a filha de vocês provavelmente não vai ter isso novamente, ela está dormindo agora, demos alguns medicamentos para mantê-la assim por um tempo, para o corpo dela descansar um pouco, podem entrar se quiserem, dois de vocês.
— Vão vocês, eu vou ligar pra Suzy e dizer que está tudo bem, Miguel deve estar assustado.
— Faça isso. — Me virei para a médica novamente. — Vamos.
— Me sigam, por favor.
Segui a médica pelo corredor até um dos quartos, por ser a aça infantil era todos enfeitados com ursinhos de pelúcia e a parede era de um amarelo bem claro ao invés do branco convencional, minha princ4sinha estava deitada na cama do hospital, parecia estar menor do que nunca, com uma roupa branca de hospital e os cabelinhos soltos espalhados pelo travesseiro.
— Quando ela acorda? — Elena perguntou correndo para ficar ao lado de Bella.
— Em duas ou três horas, desculpe, mas eu preciso preencher o prontuário dela, será que poderiam me dar algumas informações? — assenti rapidamente e ela pegou uma prancheta. — Seu nome?
— Damon Salvatore.
— Nome da paciente?
— Isabella Salvatore.
— Idade da paciente?
— 5 anos.
— Quando e como a crise começou?
— Logo pela manhã ela me disse que estava doente, como a febre não estava tão alta eu decidi apenas dar um antitérmico, porém ela começou a convulsionar e eu a trouxe.
— Ok, as informações pessoais você pode dar para uma das garotas lá fora, nós vamos mantê-la em observação por 24 horas e depois podem leva-la pra casa. — a médica sorriu amistosa.
— Doutora, pode me dizer o que levou a crise?
— Acredito que um gripe ou um resfriado, ela tem apresentado algum sintoma?
— Sim, ela tem tossido bastante e espirrado também.
— Então é isso, se ela acordar antes do tempo, me avisem. — assenti e a médica saiu do quarto.
Andei para o lado oposto da cama, e segurei a mão de Bella, ela ainda estava quente, e um pouco grudenta por causa do suor, me aproximei dela beijando seus cabelos.
— Você me assustou, princesa. — sussurrei perto dela. — Quase tive um treco.
— Damon. — Elena chamou. — Como isso aconteceu?
— Eu não sei, ela estava tomando os remédios e o resfriado estava quase passando.
— É melhor deixarmos ela descansar. — Elena falou e seu afastou de Bella indo até a janela do quarto e fechando a cortina. — Parece que os hospitais me perseguem.
— Eu posso te fazer uma pergunta? — falei baixo saindo de perto de Bella.
— Claro.
— Se o acidente não tivesse acontecido, acha que teríamos tido um futuro? Quer dizer, acha que teríamos dado certo como casados?
— Damon... — ela balançou a cabeça, os cabelos castanhos cobriram parte seu rosto, as mãos desceram pelas costas na blusa vinho e pararam no bolso do shorts jeans que ela usava. — Não é hora e nem lugar para isso.
— Só preciso que me responda essa pergunta.
— Sim, eu acho que teríamos dado certo. — ela olhou para mim diretamente. — Eu acho que apesar das centenas de coisas que dariam errado, nós conseguiríamos passar por cima e ser felizes.
— Então por que está dando tudo tão errado? — perguntei.
— Somos marcados demais, sofridos demais, nossas almas já sabem o quanto fomos machucados um pelo outro, direta e indiretamente, agora elas tentam se repelir, para evitar cicatrizes maiores.
— Acredita mesmo nisso?
— Eu tenho que acreditar, por que... isso, é a única explicação que não me faz odiar a mim mesma por tudo que está acontecendo.
— Não tem que se odiar, me odeie, é mais fácil. — ela riu negando.
— Não, não é. Eu passei meses tentando e o máximo que eu consegui fazer foi dizer aquelas coisas ontem. — me aproximei dela com passos cautelosos.
— A parte do “eu te amo” ou do “some da minha vida”? — Antes que ela percebesse já estava perto o suficiente para sentir sua respiração começando a ficar ofegante.
— Acho que os dois. — ela ergueu o rosto deixando-o a poucos centímetros do meu. — As coisas que eu disse ontem, acho que tudo, eu estava cansada e provavelmente um pouco embriagada, então talvez eu tenha sido um pouco mais áspera, do que realmente deveria.
— Você disse o que sentia, e eu estou feliz com isso, você abriu seu coração, liberou toda sua magoa, mas agora é minha vez, ok? — ela assentiu. — Você é tudo que eu preciso, eu não mereço você, essa é a verdade, eu nunca fui o cara certo pra nenhuma garota, mas eu nunca realmente precisei de nenhuma outra garota, você e eu temos algo tão forte que devem ter sido necessárias mil vidas para construir, e eu te garanto, que não será uma dela a destruir isso, eu acredito em destino, e sei que ele brinca com a gente, mas você foi minha força quando eu estava fraco, minha luz quando eu estava na escuridão, meu porto seguro quando eu precisei de um, você foi tudo que eu precisei e tudo que eu jamais mereci, e é por tudo isso que eu te amo, e se não me quer em sua vida, tudo bem, mas se me quiser, eu nunca mais sairei do seu lado, se você me quiser como eu te quero, eu sempre vou estar com você.
— Sempre é muito tempo. — ela falou ofegante olhando diretamente para meus lábios. — Talvez não devesse prometer isso.
— Não, na verdade, sempre é tão pouco tempo que acho que devemos começar agora.
Então eu finalmente dei o passo que faltava para que nossos lábios se encontrassem, não era um beijo urgente, era como se aquele fosse o primeiro beijo de muitos, segurei a cintura dela com uma mão e acariciei seu cabelos, só a soltei quando meus pulmões gritavam por ar.
— Sabe que isso não deveria ter acontecido? — ela sussurrou com a testa encostada na minhas.
— É eu sei. — ri um pouco antes de continuar. — Mas nunca gostei de fazer o politicamente correto mesmo.
Ela riu e então me beijou novamente, de forma intensa, poderia jurar que faíscas saiam de nossos corpos enquanto nossas línguas se moviam de maneira ritmada, aquela era uma Elena que eu teria que conhecer novamente, mas com certeza nossos corpos já se conheciam da maneira mais profunda que alguém pode conhecer outra pessoa, e não levaria muito tempo até que eu a conhecesse novamente, até que eu a tivesse por inteira comigo.
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