Enquanto o Sol se Pôr
13 Surpresas, Lágrimas e Torturas
Notas iniciais
Ativei a veia de drama que faltava na história. Ficou forte. Leiam, chorem se conseguirem(eu chorei), e... pelo amor de Deus, não me matem depois! (LÊ ATÉ O FIM)
Eu estava certo. Ele deveria estar quebrando o quarto atrás de mim, se eu não saísse ele me encontraria, estava certo daquilo. _Não tem ninguém aqui... Não tem,sai daqui! — Rodrigo respondia, parecia que eles estavam em uma briga, e eu não podia fazer nada, dali Eu tinha que sumir logo, que me esconder. Ele iria me ver. Mas a minha perna não deixava. Fiz força pra sair do lugar, me arrastando com as mãos, e estava dando certo. Ia me arrastar até a garagem, pra rua não iria, nunca conseguiria chegar à minha casa daquela forma. Cheguei à garagem, aberta. O escuro dividia espaço com uma caminhonete bem velha. Respirei aliviado, e o choro saiu, aos berros. Eu estava desesperado, e com muita dor. Eram muitos problemas pra uma hora só. Mas daquilo não podia passar. Agora era só esperar até alguém aparecer pra me salvar, e torcer pra que não fosse o pai do Rodrigo. Me encostei no pneu traseiro da caminhonete do pai do Rodrigo, tentando me sentar, e me colocar de pé. Me segurei na traseira assim que fiquei de pé, para que não caísse, ainda não podia confiar na minha perna. O silêncio logo foi quebrado por um novo ruído, e não vinha de longe. Senti as pernas vacilarem, tinha alguém vindo à minha direção. _... onde você vai agora? – Graças a Deus era a mãe do Rodrigo, mesmo assim fiquei calado, novos passos vinham, talvez mais rápidos que os seus _Sai da minha frente! – Era o pai do Rodrigo, ainda em uma crise de nervos _Acende essa merda dessa luz. Eles entraram na garagem, eles iriam me ver, e o que eu iria dizer? Forcei o braço, para me pendurar na traseira da caminhonete, e pulei, para dentro da traseira, e logo depois me tampei com uma lona, tentando não fazer barulho. Mas não consegui ser silencioso. _O que é isso agora? – O pai do Rodrigo gritou, dando um soco na parede, senti o estômago virar um pouco _Foi lá fora. – Foi a resposta da mãe do Rodrigo _Tanto faz. – E o homem bateu a pesada mão na caminhonete, eu tinha que estar errado... não, ele não podia sair com aquela caminhonete dali... ele não faria aquilo Ele entrou na caminhonete, pelo menos era o que parecia, e ligou o motor, que roncou quase tão mais forte que a sua voz, irritante. _Sai da frente! – E ele saiu devagar da garagem, a caminhonete balançando um pouco, fazendo com que meu corpo tremesse um pouco mais Quis sentar, para ver a mãe de Rodrigo, avisar que estava lá, mas era arriscado demais. Minha mãe sempre dizia que numas situações daquelas, o que se tinha de fazer era rezar. Eu rezei. O carro pegou velocidade, as minhas lágrimas também, uma velocidade fora do comum. Algumas caixas e pneus batiam as minhas costas e minhas pernas, um cheiro ruim começou a surgir dali. Tentava espiar pela lona, estava escuro, eu não via nada. Eu precisava de ajuda, rápido, tinha certeza que a minha perna começara a sangrar, mas eu não via nada. O carro balançava cada vez mais, já devíamos estar fora do asfalto e ter entrado numa estrada de chão. As caixas do meu lado balançavam sem parar, fazendo uns barulhos altos. O carro diminuiu a velocidade, me trazendo novos arrepios, e logo, parou. O motor fora desligado, só escutei o barulho da chave, lá fora. Um pouco depois a porta da caminhonete se abriu, e bateu em seguida. Prendi a respiração, pararia até o coração, se fosse capaz. _Aiai... – O homem soltou um suspiro alto, que ecoou por ali, franzi a sobrancelha, devíamos estar em um lugar fechado, um celeiro, um galpão... _Sentiu a minha falta? Os passos dele estalavam as folhas secas no chão, ele estava se afastando da caminhonete. Mas meus olhos mantinham-se arregalados, mesmo no escuro. Ele deu uma risada alta, típica daqueles filmes de terror, de arrepiar qualquer um. Meu Deus, mas no que eu havia me metido? As minha lágrimas já não saíam mais, eu já chorara o suficiente. _Eu falei com você! – O grito foi mais alto, o mais alto que havia escutado daquele... daquele monstro _Sentiu a minha falta? Murmuros, um pouco distante, e logo um novo grito: _Não! – Eu não podia crer, era... era Maria, a voz fraca, chorosa, mas eu tinha certeza, era dela O pai de Rodrigo fez alguns grunhidos, e pareceu andar um pouco mais rápido pro lado de Maria. Meu coração virara uma bateria, eu tinha de fazer alguma coisa.
_Então eu vou fazer você sentir! – E se jogou, com certeza em cima de Maria _NÃO! – Maria soltou um grito agudo, seguido de um choro piedoso, e triste, era muito pra mim, o que eu iria fazer? Agora tudo fazia sentido, por isso Maria não gostava de Rodrigo, da família dele... nunca ia na casa dele, trocava de assunto quando falávamos deles. O pai do Rodrigo... abusava dela! Mas... como eu era tão idiota? _Não era tão bom quando eu te comia e você voltava pra casa? Por que você foi agir diferente comigo, me ameaçar, sua vadiazinha? Achou que ia se dar bem? Que eu deixaria você sair ilesa? Que fique bem claro... você causou isso! Você! Eu gostava de te deixar tremendo ali mesmo, atrás de umas árvores e você sair correndo com as perninhas abertas pro colinho do seu pai. Mas confesso que aqui também não é nada ruim... Ninguém vem aqui, não é? Maria chorava, compulsivamente... entre alguns gemidos, e uns estalos de tapas. _Eu adoro quando você me bate! – O pai de Rodrigo se mostrava possesso, um completo monstro Mas eu não podia agir, era mais fraco, estava machucado,e o pior... eu não sabia dirigir.. como eu chegaria em casa se alguma coisa acontecesse àquele monstro? Eu tinha que assistir calado! E esperar que ele acabasse para irmos embora... Eu me sentia tão... tão impotente. _Para! Por favor... você está me machucando. Para. – Maria implorava, a voz presa à garganta Eu tapei os ouvidos e fechei os olhos com toda a força que tinha. Eu não merecia escutar aquilo, e Maria não merecia aquilo, e eu não a defendia. _Por favor, pare. Marcos... – Eu podia estar errado, mas jurava ter ouvido ela dizer meu nome, num resto de voz... Maria não estava bem, tudo me indicava que aquilo não era mais um dos ataques do pai do Rodrigo à Maria, era o pior deles... ele estava descontando toda a raiva que tinha ali, na minha melhor amiga _O que você disse? – O pai de Rodrigo perguntou, a voz cansada, mas anda potente _... Marcos... Marcos... Uma gargalhada inundou o local. _Aquele garoto? Que piada! Você é muito engraçada! Cale a boca e fique quieta, vai ser melhor pra você! _Marcos... – Maria falava cada vez mais baixo, e a última palavra saíra como que num sussurro, eu não iria agüentar _Pare! – Irrompi os pulmões, atirando a lona longe A cena era triste, Maria estava de barriga pro chão,sem a parte de baixo da roupa, deitada em meio à alguns papéis sujos, de barro e sangue. Estava amarrada pelos braços, a pele suja, o rosto molhado e triste. Os cabelos, sempre lindos, agora se mostravam suados e desarrumados, tampando um pouco o rosto. O pai de Rodrigo estava por cima dela, com as calças arriadas, com as mãos na cintura fina de Maria. Se assustou quando eu apareci, e deu um pulo pra trás. _O que? – Foi o que disse, arregalando os olhos O lugar, mal iluminado, me fez ver que eu tinha machucado o calcanhar, e arranhado a perna, o sangue secava pela caminhonete. Eu já estava conseguindo andar? Fiz força para pular do carro e caí, no chão, de joelhos... Eu ainda não estava bem. Maria caíra com o rosto no chão, eu não sabia se chorava, ou se havia desmaiado de cansaço ou coisa parecida. Mas não estava bem... Nenhum de nós dois estávamos. Eu e minha mania de me julgar herói e capaz... eu não era capaz merda nenhuma, eu iria morrer também. A vida real nunca foi como as histórias, os contos... Os personagens sofriam, não muito, mas depois se davam bem no fim. Na vida real não tem dessa, se eles sofrem, eles sofrem mesmo... e quase nunca se davam bem. Eu não sei se aquela morte seria uma morte digna pra Maria, perdendo a dignidade, a pureza, sem aproveitar a vida. E eu... pelo menos, eu vivera a minha verdade, mas não soubera aproveitar o verdadeiro amor. De tudo eu tirava uma conclusão... Deve-se aproveitar a vida ao máximo, porque o fim pode ser logo mais, antes até do que esperamos. E viver, de acordo com o coração... Se eu negasse Rodrigo, com certeza eu não viveria o amor da minha vida, mas que durou tão pouco tempo. O homem ainda não acreditava na cena, mas pôs-se a vir pro meu lado, fechando as mãos com força. Resmungava uns xingamentos... Eu estava perdido, as lágrimas ofuscavam a minha visão. Olhei para trás, a caminhonete. Me arrastei para debaixo dela, antes que ele me pegasse. _Sai daí! – Ele gritou, tentando agachar, era gordo demais para fazer aquilo sem que caísse no chão, eu me encolhia no meio do carro Eu tinha que pensar, eu tinha que pensar... Eu estava longe, sem ajudas, sem andar, lutando com um homem duas vezes mais alto, milhares de vezes mais forte, milionésimas vezes mais nervoso, mas eu era mais inteligente. Era a única vantagem. Me castiguei por não andar com celular... Eu nunca precisara de um até então. Celular, como... como eu era burro! O celular do Rodrigo, ele devia estar comigo, em algum lugar. Passei a mão nos bolsos, e lá estava o celular. _Seu desgraçado! – O pai de Rodrigo agora balançava o carro, as rodas saíam no chão Minha mão tremia, eu não conseguia discar. Olhei na agenda, os números de quem eu não conhecia, continuei procurando até que vi: Casa. Era o telefone da casa do Rodrigo. Liguei, o telefone não demorou para ser atendido. _Alô – Era do outro lado da linha _Rodrigo... Rodrigo – Eu gritava desesperado _Marcos? Marcos! O que? Ai meu Deus, o que ta acontecendo... O pai do Rodrigo chutava terra em cima de mim, eu fechava os olhos forte, mas o carro balançava mais, ele iria conseguir virar. _O seu pai... ele, ele pegou a Maria, ele quer me matar! Ele me trouxe pra um lugar escuro, fechado! – Eu gritava, misturando um pouco as palavras Rodrigo entrou em desespero, as minhas palavras pareciam começar a fazer sentido. _Lugar escuro? Você sabe onde? _Não! Eu não vi como chegamos... É tudo escuro, eu não posso sair daqui. Eu to debaixo do carro, meu Deus, eu não consigo correr, eu to machucado! _Marcos! Como é aí? Me explica... Eu vou achar esse lugar. _Eu não sei, escuro, grande... Tem um monte de terra e folhas no chão. Rodrigo calou, eu desesperei... _Rodrigo, você tá aí? – Só me faltava o celular dar problema naquela hora _Rodrigo, fala comigo! Escutei um gemido agudo na linha do telefone, Rodrigo dera um grito. _Marcos, é a fazenda do meu pai. Sai daí... Eu não conseguia!
Notas finais
Reviews. Me animeem, neh? Gostaram, não? Bem... a fic ta chegando ao fim, espero que estejam gostando, o fim ta praticamente pronto, entãão, se quiserem dar dicas, ou dizerem o que acham que devia acontecer, quem sabe eu não levo em conta? até breve
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