Enquanto o Grande Mestre não descobrir
10 X. Zodiacs
Notas iniciais
#POV Saga#
O tempo passou. Logo, dias se tornaram semanas e semanas se tornaram meses, mas eu continuava ao lado de Fedra. Minha paixão só aumentava e, como consequência, me via cada vez mais longe do Santuário. A pesquisa dela, ou melhor, nossa pesquisa sobre os Cavaleiros de Athena também havia evoluído. Claro que eu distorcia um ou outro fato, porém à vezes era impossível, graças à minuciosamente perfeita pesquisa do Vovô Cipriatis. Admito que o falecido idoso tinha talento como historiador. Além da pesquisa, também aproveitava embalos, bordejos na praia e muita curtição ao lado de Fedra, mas também trabalhava duro no Carlo, pois não queria depender dela para tudo.
Outra coisa que avançou foi meu progresso com Aiolos e Shura. Ambos se policiavam mais nas escapulidas até a casa da minha Ítalo-Grega e, após um tempo, chegaram à conclusão que precisavam de dinheiro. A solução? Pedir ao Grande Mestre uma autorização para trabalhar na “Il Palazzo”. Obvio que o coroa concedeu e, depois, felicitou-me pela proeza alcançada. A sua confiança em mim era clara e, com isso, passei a acreditar nos boatos de que eu seria seu substituto. Marie também parecia feliz. Treinava com empenho, surpreendendo a Kanon e a mim. Quase todos os dias ela passava horas no Templo de Athena, conversando com a pequena deusa, a quem deu o nome de Violeta. Regressava a Gêmeos sempre com uma voz empolgada, como se estivesse sorrindo. Graças a isso, Kanon suspeitou que ela estivesse apaixonada:
–Papo careca, K – ri dele – Por quem a Marie iria gamar lá? Pelo Grande Mestre?
–Ué? Nunca se sabe – o Goiaba me respondeu, enquanto tomava um copo de suco. Era um belo domingo ensolarado e estávamos nos preparando para ir ao Carlo – Há pessoas que curtem coroas.
–Coroas, falou bem... Estamos falando de alguém que sobreviveu uma Guerra Santa. O cara deve ter, no mínimo, uns 220 anos.
–Quem tem 220 anos? – Marie perguntou, entrando na cozinha e pegando uma maçã. Ela já havia se acostumado com a máscara, então ficou apenas lustrando a fruta no lenço branco do uniforme.
–O Grande Mestre, ué! – respondi meio incrédulo. Sabia que, vira e mexe, minha sobrinha fazia as refeições junto ao patriarca, portanto, já teria visto seu rosto – Você nunca reparou?
–Bom, eu sei que ele é velho, que conheceu minha mãe quando ela ainda era aspirante, mas sei lá... Achei que ele tinha pelo menos uns 50, 55 anos no máximo...
–Tão pirada quanto à mãe – riu Kanon, fazendo um cafuné nos cabelos negros dela – Como você está progredindo nos treinamentos, hoje vou te dar uma folga. Qualquer coisa, o Quadradão e eu estaremos na cantina do Carlo.
–Só não se esqueça de pedir autorização ao Grande Mestre, caso precise ir lá – reforcei, colocando meus óculos escuros.
–C-claro, tios... B-Bom trabalho.
Não entendi a repentina gagueira, mas dei de ombros e segui Kanon. Meu irmão vestia uma calça reta azul e uma camisa com listras verticais brancas e vermelhas, como sempre entreaberta. Eu, por minha vez, vestia calças e camisa pretas. Na saída do Santuário, Aiolos e Shura nos esperavam. O espanhol combinava Jeans com uma camisa vermelha e o Sagitariano, bem... Estava usando calça jeans, uma camisa colorida, colete preto com franjas e a inseparável faixa vermelha na testa:
–Não vou falar nada, bicho grilo! – ri – Logo mais o Carlo vai nos obrigar a usar uniforme...
–Ah, Qualé o pó, Saguinha?! – invocou o Sagitariano – Eu só preciso descolar uma grana, poxa.
–Que seja – joguei os braços para o alto – vamos logo que, daqui a pouco, a chefia começa a preparar o almoço.
#POV Marie#
Após meus tios saírem, permaneci um tempo devaneando na cozinha, mas logo retornei para meu quarto, a fim de comer minha maçã em paz. Sabia que não havia mais ninguém além de mim e das servas na terceira morada, mas não queria arriscar, ou melhor, não queria sujar minhas mãos com o sangue de algum soldado que me visse sem a máscara. Só havia um homem, fora meus tios, que eu permiti ver meu rosto e o permiti por amor – embora ele ache que faço isso para satisfazer a vontade da criança Athena:
–Será que o que o tio S disse é verdade? – pensava, enquanto mastigava a maçã, que estava doce e suculenta – Será que o Shion é assim tão velho ou ele só falou isso para me irritar? Mas para que me irritar se ele não sabe o que sinto?
Terminei de comer a fruta, me levantei da cama e fiquei encarando meu reflexo em um espelho enorme que havia no meu quarto. Eu estava um pouco mais alta e meus braços um tanto quanto definidos. Em apenas seis meses de treinamento, eu já era uma das aspirantes mais prodigiosas do Santuário e todos atribuíam isso ao meu sangue, não a minha capacidade, mas pouco me importava. O que me incomodava agora era outra coisa:
–Uma vez mamãe me disse que a bisavó dela se casou com um cavaleiro de ouro bem mais velho... – falava para meu reflexo no espelho – Se ele estiver na casa dos 50, não há tanto problema... Ele é a segunda voz aqui. Acima dele, apenas a Violeta... Se eu chegar nela e disser “amiga, estou apaixonada pelo Shion” ela vai responder “que lindo, Marie! Case-se com ele hoje mesmo!”. Agora, se ele realmente tiver 220 anos, a coisa além de complicada, vai ser feia... – suspirei, passei a mão nos cabelos e concluí – AH! Duvideodó! O Quadradão estava debochando de mim, isso sim. E eu vou subir agora ao Salão do Grande Mestre para conversar com o Shion!
Coloquei minha máscara, passei um perfume de leve, ajeitei o uniforme e saí do quarto. Ainda passei pela cozinha e surrupiei um chocolate. Queria dá-lo de presente a ele. Corri pelas 12 casas, pedindo passagem aos jovens Cavaleiros de Ouro, o que eu achava uma afronta, já que boa parte deles era bem mais jovem que eu, enfim... Cheguei depressa e pedi para ser anunciada. Por sorte, ele estava livre e pode me atender:
–Grande Mestre – ajoelhei em forma de reverência.
–O que faz aqui, Marie? – Ele perguntou, fazendo sinal para que eu me levantasse – Achei que estivesse nos campos de treinamento.
–O ti-... O Mestre Kanon me deu uma folga hoje, disse que eu estou progredindo bem e, parece que o Carlo solicitou a presença dele.
–Hm... Entendo. E você veio aqui pedir permissão para brincar com Athena?
–Na verdade... Eu vim conversar com você – falei sem jeito, meu rosto já havia começado a esquentar – Te trouxe um chocolate.
–Er... Muito... Obrigado.
–Espero que aprecie... Esse é um dos meus preferidos. – comentei, provavelmente mais vermelha que um tomate embaixo da máscara.
–Bem... – Ele respondeu, com a voz aparentemente receosa – faremos o seguinte: Vou pedir às servas que preparem almoço para dois e, após isso, degustamos o chocolate. O que achas?
–Falou e disse! – tapei a boca, esquecendo-me da máscara e abaixei a cabeça em seguida, cheia de vergonha – Perdão, Grande Mestre. Eu quis dizer que não há problema...
–HAHAHAHA... – riu, enquanto se levantou do trono e chegou perto de mim – aqui entre nós? Pode me tratar sem formalidades. Porém, apenas enquanto estivermos sozinhos. Na frente das servas, dos seus tios e de Athena, sou o grande mestre, fa-lou?
–Falou! – respondi cheia de empolgação, e com um sorriso por trás da máscara. Após alguns segundos de silêncio, coloquei minha perna direita atrás da esquerda e, meio sem graça, falei – Eu... Queria ver seu rosto.
–Er... – Ele colocou a mão atrás da cabeça. Agora sabia que ele estava sem graça. – Eu vou pedir às servas que preparem tudo e que não chamem Athena. Assim conversamos em paz. Um momento, Marie.
Assenti com a cabeça e ele foi em direção à cozinha, mas logo, retornou ao salão principal e me encontrou encostada em uma pilastra, olhando o céu:
–Aqui, na Grécia, faz sol quase o ano todo. – indagou, tirando o elmo – No Brasil também é assim?
–Sim. Dependendo do lugar. Em outros chove a maior parte do ano... É muito diversificado...
–Apesar da idade, eu sou péssimo em geografia – suspirou, fazendo sinal para que eu passasse – Vamos nos sentar aqui na varanda. Assim observamos o céu enquanto conversamos.
Ri baixo e sorri mais uma vez. Quando já estávamos acomodados na varanda, perguntei:
–Está tudo tão quieto... Onde estão os bocomocos de plantão?
–Boa parte dos mestres tira o domingo para descanso. – respondeu, finalmente livrando-se da máscara acinzentada – Por isso tanta paz. Só não imaginei que o Kanon fosse fazer o mesmo hoje. Na verdade, sendo bem sincero com você, eu jamais imaginei o Kanon mestre de alguém.
–Isso não é comum mesmo... – concordei com ele, finalmente tirando a mascara e o encarando.
Ele fitou meus olhos vermelhos por um tempo e, do nada, me abraçou. Um abraço forte, carregado de afeto. Pelas barbas do profeta! Isso foi real ou apenas mais um sonho? Seja o que for eu o retribuí, soltando o ar e dando um sorriso:
–Per-... Perdoe-me, Marie – ele murmurou, após me soltar, se afastando um pouco – Eu precisava te dar esse abraço.
–Eu também queria isso...
–Eu não... O que eu queria era... – ruborizou e então, eu tive certeza do que ele sentia. Certeza que se tornou absoluta quando ele respirou fundo e concluiu – O que eu queria era te beijar, mas ficarei apenas na vontade. Esse desejo é imoral!
–Quem disse que é? Shion... Eu também quero... – cheguei mais perto, o olhei nos olhos e sorri – Não é imoral quando ambos querem.
Ele tornou a se afastar, passou a mão nos cabelos esverdeados e disparou:
–Você sabe quantos anos eu tenho?
– Isso... É necessário? – Um arrepio percorreu minha espinha e pela primeira vez tive medo.
–Sim... Assim você entenderá porque isso é imoral, por mais que nós dois queiramos isso... Diga: quantos anos você acha que eu tenho?
– Eu...
–Diga... Não tenha medo. Eu não... Ficarei ofendido.
– Tem... 50?
Soltei de uma vez o que estava preso na garganta. Não podia ser mais. Era impossível. Ele arfou, olhou para o céu e vi uma fina lágrima escorrer no lado direito de seu rosto. Sem olhar para mim, ele disparou:
–Tenho 201 anos a mais que isso, minha querida.
– O... O quê? Não pode ser, Shion...
Lágrimas caíam de meus olhos sem que eu tivesse controle. Por mais que odiasse admitir, tio S tinha razão.
–Odeio destruir suas expectativas, mas é isso... Eu, juntamente com Dohko de Libra e Arles de Altar, sobrevivi a uma Guerra Santa dois séculos atrás. Tinha apenas 18 anos... A deusa Atena antecessora incumbiu-me de cuidar do Santuário e preparar os novos Cavaleiros para a próxima batalha... Como a deusa já renasceu, significa que esse período se aproxima novamente.
– Shion... Isso... É impossível...! Não pode ter tantos anos assim... Nosso... Amor seria impossível!
Sentei no chão e fiquei com o olhar perdido, com as lágrimas caindo. Todos os planos que tinha feito sumiram em segundos. Ele, por sua vez, sentou ao meu lado e passou o braço em meus ombros.
–Eu sei que é doloroso, mas é verdade... Eu sou um nativo de Lemuria... Imagino que sua mãe ou seus tios já devem ter lhe falado que esta é uma raça abençoada por Athena com a Longevidade, detentores de muitos segredos do Santuário...
Assenti com a cabeça, tentando controlar os soluços do choro. Amar e não poder amar... Só podia ser um castigo dos deuses.
–Desculpe-me por te decepcionar – a voz dele estava meio embargada, provavelmente, ele também queria chorar – Só te peço que não deixe de vir me visitar. Eu... Sofreria muito... Se não pudesse mais te ver.
– Eu não quero desistir de nós... Quero lutar por isso.
Ergui minha cabeça e o encarei, olhando profundamente em seus olhos. Sabia que era loucura, mas arriscaria.
–Eu também não queria, mas... – inspirou – Athena renascer significa o retorno do mal... E o fim da minha vida.
–Então eu irei junto. – Respirei fundo e pela primeira vez o toquei no rosto. Sua pele era tão ou mais fina que a minha. Quente. Com ambas as mãos, eu o fiz olhar para mim. – Eu te amo, Shion. E nada vai mudar isso.
–Marie não... Pelo seu bem... Serei obrigado a pedir que se afaste.
Aquilo foi pior que os golpes que o tio K me dá durante as sessões de treinamento. Desolada, retirei as mãos de seu rosto e baixei a cabeça:
–Então eu renuncio minha armadura e vou embora do Santuário. Se isso for o que julga melhor para mim, Grande Mestre...
–Não você não pode... Você... – Cortou as palavras. Tive a impressão que ia me revelar algo importante, mas se arrependera – Você será uma peça fundamental para o futuro dos seus tios, de Athena, do Santuário... E até meu.
–Se não podemos ficar juntos, o que farei aqui? Diga-me? – Me encolhi, colocando o rosto entre os joelhos para esconder as olheiras que provavelmente já apareciam.
–Seja minha companheira... – ele disparou, sem medir as palavras – nunca poderei demonstrar tudo que sinto por você, nunca poderei te fazer mulher, mas fique ao meu lado?! É tudo que te peço.
Aquilo era demais pra mim. Levantei rapidamente e ao abrir a boca para responder uma escuridão me envolveu e não vi mais nada.
#POV Saga#
O expediente na Il Palazzo foi bastante lucrativo. Por volta das 4hrs, limpávamos o salão ouvindo Save your kisses from me, do Brotherhood of Man, quando o trio das Ternurinhas baixou por lá. Claro que, depois de quase seis meses, Fedra já sabia diferenciar Kanon e eu, portanto, quando o toupeira do meu caçula foi tentar enganá-la, acabou esbofeteado:
–Tanto tempo e tu não deixou de chinfragem, Quadradinho?! – debochou a morena.
–Chinfragem? – ele riu, passando a mão sobre o vergão que o tabefe deixou na sua face esquerda – Nada, dendeca... Só estava tirando uma onda, mora? E posso saber o que as gatas vieram caçar aqui? Por que almoço já se foi...
–Zitto, animalle! (cale-se, animal!). Obvio que viemos chamar os meninos para um embalo básico.
–Claro... Eles né? Enquanto isso, eu fico aqui, sofrendo... Servido mesas sozinho! Bom que me sobra mais gorjetas, mas mesmo assim, o abacaxi sempre acaba nas mãos do Kanon!
–Aff, não amola, Quadradinho!
–Ai, Fedrinha... – Agnes interviu – O que custa levarmos o Quadradinho dessa vez? Só vamos beber a beira da piscina mesmo...
–Calma aí, Agui – Sofia falou dessa vez – Antes a gente tem que falar com o Carlo, né? Vai que os meninos precisam ajudar no jantar.
–Ah, è per questo che io amo queste ragazze! (Ah, é por isso que eu amo essas garotas!) – exclamou o cantineiro, saindo da cozinha e abraçando calorosamente as jovens – Io non vou abrir para o jantar. Então podem se divertir, mas com moderação, capito?
–Mais do que estendido, Carlo! – falou Shura, passando a mão sob a testa suada.
–Então, podem sumir daqui! Io termino o resto da limpeza
–Relaxa aí, Italianera! – Indagou Aiolos – Deixa a gente tirar o avental, pelo menos.
–Ma vocês são tutto lerdo! Io já estaria bebendo cerveja na casa da ragazza uma hora dessas. Camminare! (Andem) – exclamou batendo palmas – Vão logo se divertir!
Rindo, obedecemos nosso chefe e, logo, estávamos tentando achar uma forma de cabermos todos no carro, já que Kanon iria conosco dessa vez:
–Seguinte gente... – Agnes tomou a frente – Fedrinha vai dirigindo, o Quadradão vai no banco de carona com o Anúbis no colo. No banco traseiro, Shura senta na direta, e eu no colo dele, Aiolos na esquerda com a Sofi o colo e o Quadradinho vai no meio!
–Ótimo, grilo resolvido... – Kanon falou – Mas porque eu estou sendo chamado de Quadradinho, hm?
–Oras, porque você é irmão do Quadradão! – respondeu a loira de Shura – E vamos logo antes que a cerveja esquente no porta malas!
Fedra dirigiu com cuidado, pois alegou que, se acelerasse, faria questão de brecar com força na avenida principal apenas para ver um daqueles panacas voando longe. Sim, ela seria bem capaz de fazer isso, só não o fazia pelo fato de seu amado... Labrador ser um dos ocupantes do veículo.
Quando chegamos ao casarão, Anúbis pulou de meu colo e saiu correndo para os fundos da casa. Não entendi porque, então simplesmente ignorei o fato. As garotas entraram, enquanto nós nos encarregávamos de colocar as cervejas no freezer. Antes que pudéssemos nos lembrar do fato de que estávamos sem trajes de banho, Agnes retornou, vestindo short jeans curto e um top azul, amarelo e rosa, trazendo o toca-fitas nas mãos:
–Meninos... Separamos roupas para vocês usarem, afinal vocês estão elegantes demais para uma festa na piscina. – agitou os cabelos – são coisas que a Fê considera jovial demais para o pai dela. Sigam-me.
Seguimos a loira até um quarto na parte baixa da casa. Havia dezenas de roupas, desde fantasias a coisas da década passada, além de alguns objetos decorativos. Agnes deu a Shura uma bermuda vermelha e uma camiseta branca, a Aiolos uma bermuda branca florida e uma camiseta carmim com o símbolo “Love and Peace”, Kanon recebeu um sungão branco com listras azuis e uma camiseta azul e eu, uma bermuda jeans e camisa florida. Obvio que Aiolos debochou de mim, pois nunca usava roupas coloridas demais, porém como foi a Fedra que escolheu, não recusei a usá-la.
Quando voltamos ao deck, já caracterizados com o look piscina, Fedra e Sofia já estavam nas respectivas espreguiçadeiras, tomando cada qual um Bloody Mary. Fedra usava um short azul escuro e uma mini blusa branca, enquanto Sofia usava um vestido curto rosa e rendado. No rádio, como sempre, Agnes colocou suas adoradas fitas de Disco Music:
–Olha só, como eles estão bonitões – riu Fedra, levantando da espreguiçadeira e vindo me abraçar – Espero que não se incomode com a camisa florida, Saguinha.
–Não faz meu estilo, mas por você eu uso.
–Ai credo, que nojo! – debochou Kanon, já com a cara enfiada no freezer, caçando uma cerveja gelada o suficiente – Sejam menos cafonas, por favor?
–Cala a boca, Quadradinho! Você está aqui por caridade!
Logo, nós sete estávamos dançando e rindo devido à bebida. Em respeito à presença de Kanon, pedi que curtíssimos assim, sem nenhuma escapulida para os quartos. Quando estávamos com pileque suficiente, Anúbis surgiu detrás da casa, completamente sujo de terra. Fedra gritou:
–FILHO DUMA CADELA!
–Obvio que a mãe dela é uma cadela, chuchu! – indagou Kanon, chegando perto, enquanto fazia a “dança da bundinha” ao som de Boogie Fever, The Sylvers – Ele é um cachorro.
–Não tô falando do Anúbis, seu goiaba – respondeu, com uma bundada suficientemente forte para derrubá-lo no chão – Estou falando do corno do meu jardineiro! Se meu bebê está sujo assim, significa que o futuro adubo do meu jardim não terminou de plantar as roseiras que pedi. – olhou para o Labrador – Agora eu vou precisar te lavar, querido...
–Opa! – exclamou Aiolos, que tirava fotos de Sofia e Agnes usando uma Polaroid – Ouviram, né? Vamos ajudar a Fedrinha a dar um trato no Anúbis!
–Falou e disse.
As loiras nos guiaram até um quarto de limpeza, onde pegamos uma bacia grande, vidros de shampoo, um escovão e uma mangueira. Quando retornamos, a morena nos olhava incrédula. Assobiei com os dedos, fazendo com que o Labrador pulasse na bacia e, com a mangueira, o molhei. Ou melhor, tentei molha-lo. O jato de água atingiu Agnes, Sofia, Aiolos e Shura, mas não acertou Anúbis. Fedra ria descontroladamente, ainda mais quando o Sagitariano começou a ensaboar o cão. Anúbis sacudiu o pelo, molhando nós cinco. Kanon, não perdeu tempo, correu até a câmera e ficou tirando algumas fotos:
–Aii Deuses! – arfou Fedra, ainda rindo – Vai, deixem-me fazer isso, seus pirados.
–Nada disso, eu que vou dar banho no meu amigão aqui!
E, falando isso, mirei a mangueira em sua direção, deixando-a com a camisa e os cabelos molhados. Desacreditando, ela pulou em cima de mim e ficou tentando me acertar alguns tapas. Ao fundo, uma música fazia a trilha sonora perfeita:
Oh, Geminis, Librans, Taurians (Oh, Geminianos, Librianos, Taurinos).
Pisceans, Ariens, Cancerians (Piscinanos, Arianos, Cancerianos)
They´re searchin´ for the sign that goes with their own sign of the zodiac (Procurando pelo signo que combine com o seu signo no zodíaco)
Mal sabia eu que aquele seria um dos meus últimos momentos de felicidade. Que, após meses tão perfeitos, eu iria dos Elísios direto ao Tártaro.
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