Enquanto houver amor

7 Fica, me queira e queira ficar


''Mapeei a dedo tuas sardas, contornei sem jeito tuas linhas que te entregam e desvendam o melhor em ti. Me perdi no céu das suas pintas, me encontrei no céu da tua boca. Tu é labirinto, rua sem saída, me rendi a tua alma nua, vem cá, congela o teu olhar no meu esconde que já percebeu que todo meu amor é teu amor. Então vem cá, que nós até Caio escreveu, parece que nos conheceu. Em mel e girassóis te peço, só te peço. Fica. Fica, me queira e queira ficar.’’ Anavitória (part. Matheus e Kauan).

7:00 horas da manhã, mansão Benson, São Francisco. Davi acabava de acordar e já pensava em Megan. Dormir pensando nela e acordar pensando nela já era rotina. Talvez desde os tempos de Gambiarra no Rio de Janeiro, na realidade desde que Megan entrou na sua vida tudo tinha mudado. Nunca esqueceu a selfie ‘’antes’’ do beijo que nunca aconteceu no dia em que a conheceu, assim como, nunca esqueceu todas as vezes em que ela esteve com ele, ouvindo suas reclamações sobre Manuela. Quando Megan apareceu foi pra mudar tudo. No fundo o Davi sabia que se envolver com ela era ir contra a maré, dificilmente daria certo, mas ficaria marcado o resto da vida. E se fosse para estar com ela, nadar contra a maré seria sua nova direção. Davi acordou e logo tratou de levantar e preparar um café da manhã bem gostoso para sua Bad Girl. Ele sabia que Megan estaria dormindo, afinal era domingo e dificilmente ela teria algum compromisso de sua marca e até mesmo da Marra. Davi era um ás na cozinha, reinventar a gastronomia era seu novo Hobbie e não seria diferente naquele dia. Passos na sala, Davi logo ficou nervoso, ver Megan sempre faria seu coração falhar, logo tratou de dar o seu mais belo sorriso.

—Bom dia Megan eu preparei um café da manhã muito especial, espero que você goste.

—Bom dia Davi, você não precisava fazer nada. But, tudo está com uma cara ótima e não vou resistir. (Megan falou sorrindo e aquilo para Davi já era um início, arrancar um sorriso da sua Bad Girl era tudo o que ele precisava.)

—Megan, eu queria te parabenizar por ontem. Tenho certeza que essa nova linha da sua marca vai fazer muito sucesso! Nada diferente do que você já está acostumada a fazer, afinal tudo o que você faz é...

—Davi, psiuuuuu! Já entendi. Eu espero mesmo que tudo dê certo, coloquei muito amor e empenho na linha. Thanks pelos elogios. Agora vamos comer que temos um longo dia pela frente.

—Megan, esqueci de perguntar. Você tem planos pra hoje?

—Tenho sim, farei vários nadas. (Assim os dois caíram na gargalhada, por um momento eles estavam ali como Davi e Megan, sem rancor, sem mágoas do passado, eles puderam se permitir.)

O café tinha sido ótimo, Davi não poderia estar mais feliz. Por um momento ele sentiu Megan perto. Sabia que teria que ir com calma, afinal ele sempre fez tudo errado e dessa vez tudo teria que sair maravilhosamente bem. Megan também estava feliz, não aguentava mais ficar brigando ou se esquivando de viver. Ela estava decidida a conviver pelo menos um dia sem brigas com ele, talvez até mesmo em um futuro poderiam ser amigos. Não dava pra negar que a faísca ainda existia, mas um relacionamento com o Davi sempre estaria fora de cogitação para ela.

Davi e Megan foram até a sala, pois Davi queria mostrar a ela um novo projeto da Brazuca, afinal esta empresa Megan também ajudou a construir e infelizmente não pode acompanhar de perto o seu desenvolvimento. A Brazuca sempre seria dos três: Megan, Davi e Ernesto e isso nunca mudaria. Embora Megan não estivesse mais presente ela sempre fazia questão de acompanhar o que estava acontecendo no Brasil, a Brazuca sempre faria parte das suas prioridades e queria realmente que tudo continuasse dando certo.

Davi estava animado para apresentar o projeto a ela, afinal era uma parceria entre a Brazuca e a Plugar. O projeto chamava-se Geração Brazuca e fornecia bolsas de estudos para que as crianças e jovens pudessem aprender sobre o mundo da informática e desenvolver projetos na área voltada para o bem-estar da comunidade. Megan ficou emocionada vendo tudo o que estava sendo construído e aqueles rostinhos tão conhecidos por ela das crianças que tanto amava cuidar na Plugar.

—Megan, o que foi? Tá tudo bem? (Davi se aproximou dela fazendo um leve carinho no seu rosto)

—Yes, tá tudo bem. Eu só estou com saudades das crianças da Plugar, afinal eu amava estar lá com elas. Fazia tão bem pra mim. (Megan olhou no fundo dos olhos de Davi suspirando).

—Megan, olha só, você sabe que quando quiser ir ao Brasil todos a receberemos muito bem. As crianças perguntam tanto por ti, até me cansei de responder (Davi mostrou a língua e Megan deu uma larga gargalhada).

—Pode até ser que você não goste mais de responder Silly boy, mas uma vez Megan no caminho, sempre vai estar no caminho. Não importa que você tenha ciúmes de mim, já que as crianças preferem eu ao invés de você!

—Opa, Opa, Opa, quem que prefere quem mesmo? (Davi se aproximou e começou a fazer cosquinhas em Megan)

Entre muitas gargalhadas, Megan conseguiu se desvencilhar de Davi e segurar seus braços. Estavam tão perto que Megan conseguia sentir o hálito de Davi sobre a sua boca. Estavam tão perto, tão perto que em um mísero centímetro a mais aconteceria um beijo. Megan sabia que não poderia olhar nos olhos dele, porque se os olhares se encontrassem naquele momento tudo estaria perdido. Travavam uma batalha de sensações só por estarem por perto, Megan não queria se render, nunca quis, nunca o faria. Mas foi só os olhares se encontrarem que tudo foi à terra. O inevitável aconteceu, lábios sobre lábios. O beijo começou lento, como se nenhum dos dois tivesse coragem pra aprofundá-lo, porém Davi pediu espaço carinhosamente para que houvesse então uma batalha das línguas. O beijo foi aprofundando, nenhum dos dois sabia quanto tempo estavam ali, talvez o tempo tenha parado e ninguém percebeu. Eles estavam aproveitando o momento, tantos sentimentos nesse beijo, ódio, rancor, mágoa, euforia, desejo e amor, sobretudo amor. Se separaram porque o ar foi preciso, os dois se olharam tão fundo como se estivessem conversando pelo olhar. Megan não sabia lidar com o que estava sentindo, era como um mix de emoções renascendo, ela tinha esquecido o gosto dos lábios dele, o quanto aquilo a fez queimar por dentro e desejar mais. Não queria aceitar que estava fazendo essa loucura, mas seu corpo queimava, seu coração parecia que saltaria a qualquer instante, ela sabia que corresponder era um caminho sem volta. Mas por breves segundos a única decisão que ela pode tomar foi um belo foda-se.

Agora estavam os dois, sozinhos em casa, entregues ao desejo, entregues ao querer um ao outro. Sentimentos destorcidos, confusos, perdidos...mas a vontade era de ficar, de querer, de viver, acontecer, de ser livre, de ser um do outro nem que fosse por uma ultima vez.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.