Enquanto Houver Razões ❥
1 CAPÍTULO I
Mia acordou sozinha na cama mais uma vez, isso já estava se tornando insuportável. Até quando teria que amar sozinha? Será que teria sido tola ao largar a vida para se dedicar ao marido e a filha? Virou-se de lado e olhou o relógio que marcava 04h27min da manhã, fechou os olhos novamente e suspirou fundo tentando se lembrar a última vez que seu marido estava junto à ela nas noites dos finais de semana. Seus pensamentos se distanciaram ao sentir a mão pequena e quente passar por seu rosto antes do dedinho quase invadir seus olhos.
Giovanna: Mamãe... – disse com uma voz rouca ainda do sono – Tem um bicho bem grande no meu quarto!
Mia: Oi minha pequena – segurou a mãozinha gorda da filha para afastar o dedinho que tentava a todo custo abrir seus olhos, o levou até a boca o beijando e abriu os olhos acendendo o abajur em seguida – Acho que esse bicho está muito encrencado ao tentar invadir o quarto de uma princesa tão linda sabia? – sorria já se esquecendo da atitude do marido.
Giovanna: O papai teve que cuidar de pessoas de novo não é? – deu pela falta do pai, coçou os olhos e colocou a chupeta novamente na boca.
Mia cansou de dar explicações tortas para a filha todas as vezes, e não eram poucas, que a menina procurava pelo pai. Então, para convencer a pequena de 04 anos, dissera que como os bons médicos, o pai ficava sempre no hospital cuidando das pessoas. Puxou a filha para deitar do seu lado, e disse em um sussurro.
Mia: É meu amor... Ele está cuidando de pessoas – olhou a filha com carinho, como amava aquela criatura, não entendia como Miguel podia trocá-la por quem quer que fosse na rua.
Giovanna: Eu queria que ele fosse outra coisa... O pai da Isa não tem que cuidar de pessoas e todos os dias busca ela na escola – disse um pouco enrolado devido à chupeta – Já pensou se você continuasse cuidando de pessoas mamãe? – disse com os olhinhos bem abertos – Ninguém ia cuidar de mim!
Mia: Acho que precisamos dormir só mais um pouquinho, o que acha? – disse tentando mudar o rumo da conversa, virou-se de lado passando os braços por cima da filha a puxando.
Giovanna: Mas e o bicho que está bem lá – apontou o dedo para a porta.
Mia: Quietinha Giovanna – disse por fim, puxou a coberta e se cobriu com a filha. Até fechou os olhos, mas à essa altura o sono já havia ido embora há tempos, lembrou-se do comentário que a menina havia feito, e seus pensamentos voaram, para quase cinco anos atrás.
# FLASH BACK #
Havia saído do hospital mais cedo, não estava se sentindo bem há alguns dias e de tanto sua cunhada Maite a perturbar, resolveu enfim fazer o teste de gravidez. Entrou em seu apartamento procurando por Mel, um cão labrador que havia ganhado de Miguel, sorrio ao ver a cachorra deitada na enorme cama de casal abanando o rabo ao ver a dona.
Mia: Mel sua folgada! Quantas vezes tenho que te expulsar da cama? – dizia enquanto tirava as sapatilhas e se jogava na cama junto com o animal – Ah Mel... Sua vida é bem tranquila não? O que acha de trocarmos hein? – Questionava enquanto fazia caricias na pelagem do animal.
Maite: MIA! – gritava entrando no quarto e se jogando do outro lado da cama, deixando a Mel entre as duas.
Mia: M-a-i-t-e – com a mão no coração – quer me matar ou o quê?!
Maite: Não seja dramática – rolou os olhos – Eai, o que deu? – passava a mão na cachorra junto com a cunhada – vou ser titia ou não? Anda Mia, estou nervosa!
Mia se sentou na cama e apanhou o grande envelope que deixou no móvel próximo da cama, esticou para a cunhada em seguida.
Mia: Certíssima Mai – respirou fundo – Estou de 4 semanas, titia.
Maite: AH MEU DEUS! AH MEU DEUS MIA! – se jogou por cima da amiga não se contendo com tamanha felicidade – Eu sabia! Você já contou pro meu irmão? Vai contar quando pros nossos pais? Quer menino ou menina? Eu vou ser a madrinha não é? – A morena tinha um turbilhão de perguntas. Enquanto Mia tentava desprender dos braços em volta de seu pescoço.
Mia: Mai você está me sufocando! – sentou-se na cama assim que foi largada depressa por Maite.
Maite: Desculpa amiga, é que não consegui me controlar. Bom, dá para responder apenas a última pergunta? – disse em um sorriso torto.
Mia: Nunca se controla não é? – rindo se levantou e andou para o banheiro de sua suíte, falava alto para que a amiga a escutasse. – Não me lembro a primeira pergunta, quem dirá a última Mai! O que posso te dizer é que não tenho ideia de como seu irmão irá ficar ao saber disso. Praticamente nos formamos agora na faculdade, depois de tantos anos nos dedicando à medicina, pensei que íamos relaxar e curtir um pouco sabe? – já voltando para o quarto – Pensei que agora nosso casamento iria decolar, sair desse banho-maria que estamos, você notou o quanto estamos mal das pernas, estou de verdade, muito receosa.
Maite que agora havia sentado em uma poltrona próxima da cama do casal olhava os exames da cunhada enquanto escutava o drama. Levantou o rosto assim que a outra parou de falar, baixou os exames e suspirou.
Maite: Amo meu irmão com todas as forças do meu coração, mas não posso negar que ultimamente ele anda dando muitas mancadas. Mas veja pelo lado positivo, sua gravidez pode ser o que dará um up no relacionamento de vocês! – sorrindo – Ah Mia, minha mãe não irá caber de tanta felicidade!
(...)
Um pouco mais tarde naquela mesma noite.
Depois de muito pensar no que o futuro estava lhe reservando, Mia decidiu esperar pelo marido que só sairia do hospital tarde da noite, ambos trabalhavam no mais luxuoso e eficiente hospital de São Paulo, Hospital Israelita Albert Einstein. Mia atuava na área da Obstetrícia, enquanto Miguel era Cardiologista. Após horas de espera, acabou pegando no sono, acordou quando sentiu algo ser jogado contra seu corpo. Abriu os olhos ainda perdida devido ao sono e então percebeu que Maite não estava tão certa, aquela gravidez não iria melhorar seu relacionamento...
Mia: Você ficou maluco? – sentou na cama recolhendo as folhas de seu exame que Miguel esparramou.
Miguel: PODE ME EXPLICAR QUE MERDA É ESSA? – Disse exaltado apontando os exames. – Você está grávida Mia? Pelo amor de Deus! Fez de propósito não fez? – seus olhos faiscavam ódio, não podia acreditar que Mia mesmo sabendo da opção dele de não terem filhos, deixará isso acontecer.
Mia: Miguel se acalme, por favor, não quero discu... – Suas palavras foram interrompidas pelas fortes mãos de Miguel a chacoalhando – Aí! Me solta, você está me machucando!
Miguel: NÃO QUERO ME ACALMAR! – Soltou Mia que caiu sentada novamente na cama – Sabia que eu tinha outros planos droga. – Passava a mão pelos cabelos nervoso. – Não sei... Não sei o que vai fazer, mas eu não quero esse filho Mia!
# FIM DO FLASH BLACK #
Agarrada a filha que agora já dormia tranquila, lembrou-se de como aquilo soou como uma bofetada, sabia que Miguel ficaria furioso ao descobrir que teriam um filho, sabia o quanto ele tinha almejo em crescer em sua carreira, viajar a congressos, conhecer o mundo, era deveras ambicioso, sabia disso. Mas jamais, nem por um milésimo de segundos podia imaginar que ele pediria para tirar a criança, ficou em choque ao ouvir as palavras do marido, mal conseguia raciocinar, perderá a fala, o ar, via tudo escuro, sentia seu corpo tremer e não sabia ao certo se era raiva ou se era tristeza. Acabou apagando, e quando acordou estava deitada em sua cama, com Mel ao seu lado, esperando pacientemente a dona sair do sono profundo. Recordou que olhou em volta e viu Miguel, sentado na poltrona a olhando, aparentemente mais calmo que antes. E tiveram outra discussão, a segunda de muitas que tiveram durante a gravidez. Deixou claro que seguiria em frente com a gravidez, mesmo contrariado Miguel teve que aceitar. Mia pensou que com o passar do tempo ele chegaria a gostar da ideia, mas ledo engano. A cada dia, a cada descoberta, a cada pequeno presente que o bebê ganhava, era uma discussão. Mia passou a gravidez recebendo os mimos de seus pais, seus sogros, de sua cunhada e de sua amiga Roberta Maria.
Quando Giovanna nasceu, Miguel deixou toda a raiva de lado e se apaixonou pela menina, não parecia nem de longe o mesmo homem de antes, se aproximou até de Mia, e por 04 anos foi o marido e o pai exemplar que sempre desejou. No entanto, agora tudo voltava a ser como antes, ele estava frio, estava distante, não brincava mais com a filha e nem se importava com a esposa. Mas diferente de antes, ele não era mais um recém formado lutando pelo crescimento profissional. Era agora diretor do hospital, atingirá o nível máximo de autonomia dentro do Albert Einstein, todos o adoravam, o veneravam. Fazia viagens, realizava palestras, era conhecido, conquistará tudo o que sempre quis, enquanto Mia renunciou tudo, carreira, vida social, sonhos, absolutamente tudo para se dedicar à filha. E agora o motivo do gelo que havia se tornado, era muito, muito pior. Não sabia se era injusto ele ter conquistado tanto e ela não, mas quando sentia o amor incondicional de sua filha, seus beijos melecados e carinhos sem medida, se achava mais sortuda que ele.
Escutou o barulho da porta e em seguida o molho de chave ser jogado em um canto qualquer. Era ele. Olhou novamente o relógio e notou que eram O5h12, Deus! Como havia viajado em seus pensamentos. Tirou com cuidado a filha de seus braços e ajeitou ela na cama cobrindo suas pernas em seguida. Se levantou, vestiu os chinelos e ajeitou o shorts do pequeno pijama que vestia. Apagou o abajur que ainda se mantinha acesso e foi atrás de Miguel.
Mia: Miguel? – entrou na cozinha, devido ao silêncio passou direto para a área de serviço estranhando o marido ali – Miguel o que esta fazendo aqui?
Miguel: Hã? – jogou algo direto na máquina de lavar – Ah! Oi Mia, eu estou... Quero um remédio, minha cabeça – colocou o indicador e o polegar rente a testa como se pudesse apertá-la – Está explodindo.
Mia deu lhe as costas e voltou para a cozinha, procurou pela caixinha de medicamentos retirando uma cartela de comprimidos em seguida.
Mia: Tome – entregou um comprimido para ele junto com o copo com água – Miguel, sabe que prometeu para Roberta que iríamos almoçar com ela e Diego hoje certo? – observou o marido virar o copo com água de uma vez só – Não podemos dar outra desculpa.
Miguel: Mia... – deixou o copo sobre o balcão da cozinha – Não enche o saco, e ainda mais à essa hora da manhã! Acabei de chegar, estou um caco... – retirou-se da cozinha, e foi seguido pela esposa.
Mia: Não tenho culpa se prefere virar a noite na rua, ao invés de ficar com sua família. Ou vai me dizer que estava de plantão Doutor? – disse irônica.
Miguel: Me erra! – bateu a porta do quarto de hóspedes se jogando na cama de sapatos e tudo, caindo em um sono profundo.
Mia fechou os olhos ao escutar o estrondo que a porta fizera, e encostou-se a parede em seguida. Não aguentava mais essa situação, até quando iria suportar? Lembrou-se do dia anterior, de Miguel saindo para ir trabalhar, estava impecável como sempre, bem diferente do Miguel que vira agora, todo amarrotado e cheirando álcool, então em um pulo já estava de volta na área de serviço. Correu até a máquina e abaixou-se abrindo a tampa. Puxou a única peça que havia lá dentro. Uma camisa, branca, de linho. A camisa que Miguel vestia na manhã anterior antes de ir para o trabalho. Como se tivesse certeza que iria achar algo, revirou a camisa de cima à baixo, olhava por todo canto, e então como se fosse clichê entrou uma marca, laranja-bem-vivo, bem próximo à gola, eram marcas de batom. Não sabia como uma mulher teria coragem de usar um batom desses, mas tinha certeza que era batom.
Mia: Idiota! – falava sozinha – Como pode ser tão idiota Mia? – fechou a mão com força em volta da camisa, se pudesse entraria naquele quarto e faria Miguel a engolir inteira! – Por quê? – sussurrava, sentindo um nó na garganta. Então, enquanto soltava a camisa, percebeu que havia mais marcas, e não era uma ou duas, eram dezenas, fazia um caminho por toda a parte das costas. Estava com os nervos à flor da pele. Então enquanto protegia a filha de um maldito bicho que nem existia, ele recebia diversos beijos de uma grande filha da mãe brega? Ele ia ver só.
Mia saiu da cozinha como um furacão. Segurava a camisa com tanta força que seria capaz de furá-la, iria limpar aquelas marcas com a língua dele! E então iria mandá-lo embora, iria jogar as roupas dele pela janela, como sempre sonhou em fazer quando era criança, ao imaginar uma briga com o marido. Ele teria que sumir de sua vida, bastava! Não iria tolerar mais nada. Fechou o punho da mão livre, preparou-se para esmurrar a porta quando escutou uma voz, baixinha, mas que ela escutaria até do outro lado do mundo. Então virou para a filha e sorriu.
Mia: Filha! – amassou a camisa e a deixou em cima de um móvel no corredor – Onde estão seus chinelos mocinha? Lembra que estava tossindo há poucos dias? – andou até a menina a pegando no colo.
Giovanna: Eu escutei um barulho bem grande – coçando os olhos e deitando a cabeça no ombro da mãe em seguida – Daí eu esperei você voltar, mas você demorou.
Mia: É que o papai estava com dor, e então fui dar um remédio pra sarar logo, porque vamos daqui à pouco para a casa de sua madrinha – andava de volta para o quarto enquanto pensava que além de querer matá-lo pela camisa, queria matá-lo por não ter se preocupado em acordar a filha ao bater a porta – Por isso, eu e você vamos dormir mais uma vez e quando acordarmos já vai estar bem claro, combinado? – ajeitou a menina em sua cama e deitou do seu lado.
Giovanna: OBA! Quero muito ver minha dindinha, estou com saudade do tamanho de um... – olhou para o teto pensativa – Mamãe um prédio de cem andares é muito?
Mia: Oh sim! É razoavelmente grande – sorriu consigo mesma ao ver a filha procurar algo, que em sua cabecinha era enorme, para assemelhar ao tamanho bem grande do amor/carinho/saudade que sentia por todos.
Giovanna: Minha saudade está do tamanho de um prédio de cem andares!
Mia: Minha nossa! – tirou a franjinha dos olhos da filha – Então vamos dormir só mais um pouquinho para matar sua saudade logo – sem precisar fazer esforço Giovanna já estava de olhos fechados. Pensou o que teria acontecido se tivesse esmurrado a porta. Seu coração parou, pois doía só de imaginar. Não iria aguentar vê-lo partir, e agradeceu mentalmente à Giovanna por ter lhe chamado. Seria realmente cômico ver as roupas de Miguel voarem do trigésimo primeiro andar.
Miguel acordou sentindo a cabeça pesada, lembrou do remédio que havia tomado e que parecia não fazer efeito nenhum, levantou tirando os sapatos e os deixando no meio do caminho. Abriu a porta encontrando a casa em um silêncio profundo, pelo menos teria um tempo de paz. Ia se dirigindo para a cozinha quando algo chamou sua atenção. Pegou a camisa embolada em cima do móvel e enrugou a testa. Tinha quase certeza que tinha a jogado na máquina. Sorriu ao lembrar da noite que tivera com Camila. Céus, essa mulher estava lhe roubando o juízo. Andou até a área de serviço e jogou novamente a camisa na máquina, torcendo para Adelina, a senhora que cuidava dos afazeres de casa, a lavasse antes de Mia encontrá-la. Camila bem que tentou arrancá-la e lavar em sua casa, mas Miguel não queria chamar a atenção entrando no prédio sem camisa.
Miguel: Olá Mel, como tem passado garota? – deu um afago na cachorra antes de ir para o quarto dele e de Mia. Apenas a filha estava na cama, buscou a mulher pelo quarto e nada. Escutou o barulho do chuveiro, andou até lá já que a porta estava aberta. Viu a morena tomando banho pelo vidro do box, sentiu um arrepio subir dos pés à cabeça. Como era linda. Foi de passo em passo já tirando a camisa que pegou na roupa de passar antes de retirar a com marcas da noite passada, abria a calça e foi deixando cair a cada passo que dava em direção ao chuveiro.
Mia tomava banho de costas, entretida. Nem notou quando Miguel abriu a porta, se assustando ao sentir ele colocar o corpo no seu e subindo as mãos pela barriga dela, até preencher cada uma com os seios da mulher.
Miguel: Estou com saudade. – mordiscou a orelha de Mia.
Mia estremeceu com o toque do marido. Como o amava, como queria que tudo o que estavam vivendo passasse e pudessem ser felizes novamente, os três. Sentiu o corpo de Miguel colado no dela e a respiração quente próxima de seu pescoço, e se lembrou então, de uma única cor: laranja-bem-vivo.
Mia: Me solta Miguel! – tirou as mãos dele de seu corpo – Saia daqui.
Miguel: Mia qual é? Sou seu marido caramba! – estava todo molhado, usava apenas uma boxer preta.
Mia: Ah você jura? – desligou o chuveiro e se enrolou na toalha que estava próxima dali – E o que fez você esquecer disso ontem a noite, querido? – saiu do banheiro deixando ele com a cara no chão. Ela nunca havia o rejeitado desse jeito.
Após se trocar, acordou Giovanna e lhe deu banho também, Miguel ainda estava trancado no banheiro, sabe lá Deus fazendo o quê.
Giovanna: Manhê, au! – coçou um lado da cabeça que estava amarrado em uma Maria-Chiquinha.
Mia: Você não para, é isso que dá! – dizia amarrando o outro lado com muita concentração, deixando as duas partes divididas de forma simétrica.
Giovanna: Eu não, e a vovó Suzana disse que você é ferpesc – disse fazendo careta, tentando lembrar a palavra – ciosa! – Mia deu uma gargalhada alta.
Mia: Se diz perfeccionista! E pronto sua reclamona, acabou. – pegou a sandália da Monster Hight que a pequena havia ganhado de Maite, e que desde então não aceitava andar com outra coisa nos pés. Lembrou de procurar no Shopping, um tênis das monstrinhas, pois na escolinha a professora já havia alertado que sandálias só nas sextas-feiras. E não estava disposta a enfrentar mais uma semana de birra na hora de calçar o tênis antes de levar a filha para a aula.
Assim que acabou de vestir os sapatos, Giovanna saiu feito foguete para seu quarto, precisava encontrar os desenhos que havia feito para entregar no final de semana. Um para cada avó, um para a madrinha e um para a tia. Mia levantou da cama, borrifou o perfume por seu colo e se aproximou da porta do banheiro.
Mia: Estamos indo, não vai ir? – olhava a porta aguardando a resposta do marido.
Miguel: Pode ir na frente, vou resolver umas coisas e até o almoço estarei lá.
Mia: Se não for, ligue você para seu grande amigo se justificando Miguel, não vou inventar desculpas dessa vez – saiu sem esperar resposta, pegou a chave do carro e dirigiu-se para a porta da sala – Vamos filha, ainda temos que comprar uma sobremesa – olhou o relógio, estava atrasada mais uma vez.
Giovanna: Calma né – andava em direção a porta com todos os desenhos bagunçados contra seu corpo.
Mia: Isso não aconteceria se não fosse tão bagunceira como seu pai – pegou as folhas de papel ajeitando todas e entregando de volta para a filha – anda – disse tocando no ombro da pequena fazendo andar para o hall do apartamento, trancaram a porta e desceram pelo elevador.
Passaram em uma doceria e compraram duas tortas para o almoço, Giovanna não se conteve quando encontrou um Cupcake das benditas monstrinhas, implorou para a mãe comprá-lo, jurou que escovaria os dentes todas as noites sem reclamar. Mia negou de primeira, mas como sempre não conseguiu manter o não para a filha.
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