Enough response
1 Side A
Notas iniciais

O primeiro Natal do casal não havia sido muito animador. Seus pais já haviam aceitado seu namoro, mas o restante dos parentes acabou não gostando muito da novidade, ainda mais sendo dada num dia de comemoração como aquele. Foi impossível não participar de alguns atritos, ouvir indignações e o quanto trazia vergonha para a família, mas Katsuya estava preparado para aquilo e, se tinha o apoio dos pais e da irmã, era o suficiente para si. Sabia o que o futuro lhe aguardava a partir do momento que começou a namorar outro homem.
Outros natais e festas de fim de ano vieram depois desse, bem mais tranquilos e divertidos, depois que decidiram comemorar apenas os dois ou somente com pessoas mais próximas, exceto a vez em que perderam sua irmã num festival.
No ano anterior comemoraram numa cafeteria, junto com um casal de amigos. A troca de presentes foi uma das melhores partes, principalmente ao ver a reação do namorado abrindo o presente de Izumi-san. O momento do beijo roubado quando as luzes se apagaram ainda estava fresco em sua memória.
Esse ano, Katsuya ainda não tinha decidido o que fazer, mas queria que fosse tão ou mais especial que os anteriores. Até tentou conversar com Mikaru para combinarem algo que os dois gostassem, mas o empresário insistia em dizer que não se importava de passar a data em branco, afinal era uma celebração religiosa sem importância para ele, além de ser usada para aumentar as vendas no comércio.
Para a infelicidade de Mikaru, seu pessimismo não havia tirado o ânimo de Katsuya.
— Está pensando em fazer algo de especial com Takeo-san esse ano? – como de costume, Hayato e Katsuya haviam se encontrado para um lanche, onde aproveitavam para comentar a respeito do namorados e planos que faziam – Eu tentei descobrir algo que Mikaru gostaria, mas ele insiste em dizer que não se importa. Pelo menos uma árvore decente eu gostaria de montar.
— Uma árvore? Que fofo! – Hayato não conseguiu evitar o sorriso pela ideia inocente do rapaz – Fico imaginando o natal dele, com uma árvore pequenininha e sem graça num canto da sala…
— E ainda por cima comprou pronta. – Katsuya desabafou, arrancando um sorriso de canto do amigo.
— Isso foi cruel, Katsu… Não devia concordar com minha afirmação.
— Não estou sendo cruel! Eu não falaria algo ruim dele assim… Mas o que você disse é verdade.
— Sério? – Hayato bebericou o café, ponderando – Hm… devemos aumentar o tamanho dessa árvore?
— Espaço ele tem de sobra!
— E o que mais pensa em decorar? Talvez algumas luzes nas janelas, fitas vermelhas e prateadas para a mesa de jantar…
— Isso! vai ser o suficiente! Não precisa ser nada exagerado, Mikaru não gosta dessas coisas. Algo bonito e simples, combina melhor.
— Certo. Quer companhia pra ir às compras ou montar os enfeites?
— Hm… eu queria fazer algo pra ele sozinho. – confessou após pensar um instante – Sem falar que ele pode fazer pouco caso só de imaginar que você foi junto, quanto mais ajudar a decorar. Eu vou tentar e se não conseguir, posso te ligar?
— Claro que sim! Aquele loiro azedo também merece um dia especial.
— E vocês? Devem fazer coisas diferentes todos os anos, não é? – não era a primeira vez que Katsuya se pegava imaginando como seria ter um namoro com o de Izumi e Takeo. Eles faziam a relação parecer tão simples! Mesmo contando os problemas pelos quais já passaram, o fato de superarem juntos era tão incrível!
— Não mesmo. Às vezes viajamos pra algum lugar especial, muitas nós passamos em turnê, mas ultimamente estamos comemorando as datas especiais em casa. Se Takeo não propor nada, vou montar uma cabana na varanda, encher de luzes e almofadas, pedir pra ele preparar algo gostoso. É o nosso cantinho do amor. – Hayato confessou, um pouco envergonhado.
— Acho que Mikaru me chutaria pra fora da casa dele se eu fizesse algo assim.
— É? Nunca vai saber se não tentar. – Hayato jogou verde, esperando que a ideia brotasse algo legal. Aqueles dois precisavam de mais momentos a sós com um clima agradável para namorar.
— Mas… será que eu faço?
O máximo que poderia acontecer era Mikaru não gostar e Izumi tinha razão. Nunca saberia o resultado se não tentasse.
* * *
Mikaru depositou as chaves ao lado da porta e retirava os sapatos quando notou um clarão vindo da sala. Correu até lá, mal conseguindo parar sem se apoiar no batente, imaginando o que poderia estar pegando fogo.
Eram luzes. Várias e minúsculas delas. Em tons de vermelho vivo, que após alguns instantes mudaram para o roxo, em seguida azul, verde e continuavam intercalando as cores. Katsuya estava parado a poucos passos, também admirando o piscar das luzes, mas desviou a atenção à sua chegada, abrindo um sorriso enorme.
— Feliz Natal! – Katsuya caminhou na direção de Mikaru de braços abertos, mas parou a poucos passos, quando notou que ele não vinha em seu sentido.
— O que é isso? – Mikaru apontou para a árvore, onde notou, após um segundo olhar, alguns pacotes próximos à sua base, negando com um aceno – Pensei ter dito que não íamos comemorar.
— Não precisamos comemorar, se não quiser. Mas nada me impede de te dar um presente.
— Um? Tem vários pacotes ali. Ou só embrulhou caixas pra enfeitar? Não é como se eu precisasse de alguma coisa ou não pudesse comprar...
— Esses presentes não são meus, apenas a árvore. – Katsuya abaixou os braços, deixando que essa fosse a única demonstração de seu descontentamento. Não podia obrigá-lo a gostar da data, de presentes ou de qualquer coisa que fosse – Aqueles são da minha irmã, dos meus pais, e dos seus amigos, Takeo e Izumi-san.
— Aquele vocalista idiota esteve aqui?
— Não, ele me entregou na rua. Apenas Takeo-san veio aqui.
— Certo… – Mikaru olhou para os lados, como se procurasse algo que o ajudasse a decidir o que fazer – O que vem agora?
— Como assim?
— Você montou essa árvore e decorou a casa. O que quer fazer?
— Ah… nada, na verdade. – Katsuya deu de ombros, sorrindo sincero. Realmente não fizera aquilo esperando algo em troca – Eu só queria decorar, achei que merecesse algo diferente da sua árvore usual.
— Mas não quer comemorar? Sair pra dar uma volta na cidade ou comer?
— Bom, Izumi-san convidou a gente pra ir pra casa dele, disse que seria legal se virasse tradição a gente se reunir.
— Pensei que eles fossem viajar. – Mikaru ponderou a ideia, pensando o que aqueles dois poderiam aprontar em casa e se valeria a pena a vergonha que iria passar.
— Ele também comentou algo sobre isso, mas parece que desistiram. Não sei o que houve.
— Takeo ia oficializar o pedido. – contou com um sorriso de canto. Ele sabia dos planos do amigo, mas não imaginou que fosse desistir em cima da hora – Certo, só vou tomar um banho e me trocar e podemos ir.
— Nós vamos? – Katsuya encarou-o incrédulo, sem ter certeza que ouviu direito.
— Sim, você quer ir, não é? Só aviso que não comprei presente pra ninguém esse ano. Não estava pensando em sair.
— Como se eu fosse me importar com presentes! Não está indo só pra me agradar, não é?
— E se estiver? Não fica feliz com isso?
O sorriso no rosto do rapaz foi resposta o suficiente. Era claro que ele ficava feliz! Não imaginava que o namorado fosse aceitar tão fácil.
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