Depois de um longo beijo trocado na frente de todo mundo, os dois se afastaram da multidão. Aproveitaram que os dois estavam ocupados discutindo com suas esposas e saíram de fininho. Emma levou Bryan até o lado da casa onde não tinha ninguém e estava um pouco escuro. Colocou o garoto contra a parede e envolveu seu pescoço com os braços. Ele envolveu a cintura dela.

— Você é muito maluca.

— Não gostou?

— Gostei — disse sorrindo de lado —, mas agora eu vou morrer!

Emma deu uma gargalhada.

— Eles só vão te odiar mais daqui pra frente.

— Ótimo! — falou irônico.

— Não valeu a pena? — perguntou bem próxima a ele.

— Valeu sim! — A beijou.

Os dois se separaram rápido ao ouvirem alguém fazer um som com a garganta. Eles olharam para o lado com olhar de pavor.

— Que susto, tio...

— Você gosta mesmo de enlouquecer meu pai, não é?

— Ele que me provocou.

Ethan deu uma risada.

— Você também não vai ficar enchendo, né?

— Por que ficaria? Eu acho que você já é grandinha. E você sabe que o problema maior não é a idade... — disse olhando o garoto.

— Acho que envolve tudo.

— Mas o maior problema, para o meu pai pelo menos, é ele.

— Por quê? — o menino perguntou.

— Ele tem raiva do seu avô.

— É e fica generalizando tudo — disse Emma revirando os olhos.

— Por que tem raiva do meu avô?

— Isso eu não sei — respondeu Emma.

— Ele já foi namorado da minha a mãe há muito tempo atrás.

Emma e Bryan o olharam de boca aberta.

— Por isso esse ódio todo — disse rindo.

— Nossa! — os dois falaram ao mesmo tempo.

— Mas isso é uma besteira! Se minha avó quisesse ficar com o Rony, ficava. Não tem porque ele ficar assim e muito menos descontar no Bryan!

— Fala isso pra ele então. — Saiu de perto deles.

— Eu nunca ia imaginar que era por isso! Meu avô nunca me contou que teve algo com sua avó!

— É... Agora eu entendi porque ele é tão irritadinho em relação a sua família. Não é só com o Rony que ele implica. É com seu pai e com você.

— Vai saber porque...

***

— Eu não consigo! — falou histérico. — Não consigo e nunca aceitarei que ela namore aquele moleque!

— Já disse que você não tem que aceitar nada! — falou estressada. — Draco para de se meter na vida deles!

— Mas ela é minha neta! Isso não pode acontecer!

Hermione suspirou irritada.

— Você gostaria que seu pai ficasse se intrometendo na criação da Clara?

O loiro ficou pensativo.

— Não...

— Então não se intrometa na criação da Emma!

Ele tentou arrumar resposta para aquilo e não conseguiu. Em pouco tempo olhou para o chão e fez um grande bico. Hermione riu e se aproximou dele.

— Não tenho psicológico para ser bisavô... — resmungou e Hermione caiu na gargalhada.

***

Os dois voltaram para onde estavam todos e ficaram juntos dançando. Draco e Enrico não foram perto deles, até porque Clara e Hermione não deixaram. Ethan se aproximou de sua irmã, ela estava sentada em uma cadeira e observava o Enrico. A partir de agora não poderá curtir muito os aniversários de Emma, pois tem que controlar ele.

— Eu achava a Emma abusada, mas hoje eu vejo que é mais que isso...

Clara suspirou.

— Quanto mais eles ficarem proibindo e brigando, pior é.

— Eu sei. Se eles ao menos entendessem isso, talvez fosse melhor.

— Talvez...

— Mas e você o que acha de tudo isso?

— Não sei. — Deu de ombros. — Eu já sabia que isso ia acontecer.

— Desde quando?

— Desde que ela nasceu.

Ethan arregalou os olhos.

— Uau!

— E você? Já arrumou alguma namorada? — Olhou o rosto dele e viu que revirou os olhos.

— É claro que não! Pra que arrumar namorada se posso ter todas?

Clara revirou os olhos.

— Um dia vai perceber que todas, significa solidão.

Ethan ficou em silêncio olhando sua irmã. Odiava quando ela falava essas coisas com ele.

Agora que estava com seus dezenove anos de idade, lembrava muito o Draco quando novo. Principalmente por sair com todas as meninas e não querer nada sério.

***

A festa acabou e todos os convidados foram embora. Enrico e Clara não moravam na casa com os pais de Hermione. Tinham sua própria casa, os dois deram a eles quando podiam cuidar de si mesmos e de Emma.

Mas eles iam dormir ali naquele dia. Coisa que a Emma não gostou porque ter que aturar seu pai reclamando já era ruim, agora o pai e o avô era demais da conta!

— O que estava pensando, Emma?

— Pensando que eu já tenho quatorze anos de idade e já posso muito bem beijar e namorar.

Enrico a encarou com raiva. Ela sempre foi direta e isso sempre irritou ele. Ainda mais numa discussão.

— Você não se importa mesmo com o que a gente pensa, não é?

— Vocês também não se importam com o que eu sinto. Por que tenho que me preocupar com o que vocês acham?

Hermione e Clara trocaram olhares.

— É claro que a gente se importa com o que você sente! É por isso mesmo que não queremos que você namore agora.

— Mas eu quero! Eu gosto dele.

— Só acho que ele pode machucar você.

— Eu machuco ele também.

Todos riram quando ela falou isso.

— Não estou falando fisicamente, Emma.

— Mas eu também machuco ele, pai! E não acho que ele vá fazer isso. Vocês têm que parar de comparar ele com o avô dele!

— Eu não comparo ele com o avô... — resmungou.

— Então qual o problema?

Enrico balançou a cabeça em negação.

— Só tenho medo de você sofrer.

— Faz parte da vida.

O loiro suspirou e olhou Draco. Apesar de não gostar nada disso, ela tinha razão.

— Se fosse outro garoto, vocês iam reclamar tanto?

— Claro que sim!

— Eu acho que não — disse Clara e os dois fuzilaram ela com o olhar. — Aliás, tenho certeza que não.

— Fica quieta, Clara!

— Fica quieta, Clara? Está mandando minha filha calar a boca?

Clara e Hermione reviraram os olhos.

— Ela não está ajudando!

— Isso é verdade.

— Chega! Eu não vou ficar discutindo nada com vocês! — Emma disse estressada.

— Espera — disse Clara quando ela ia subir as escadas. A menina a olhou. — Quero falar com você. Só nós duas. — Olhou Enrico, que cruzou os braços e amarrou a cara.

— Tá — respondeu de má vontade.

As duas subiram para o quarto e Clara fechou a porta. Emma sentou na cama e suspirou.

— Eu não vou brigar com você.

— Que bom.

— Mas precisamos conversar algumas coisas...

— O que? Sobre sexo?

Clara comprimiu os lábios.

— Ah mãe eu não quero falar disso...

— Eu sei que é um assunto constrangedor, mas é melhor falar comigo do que com seu pai, não acha?

A menina ficou pensativa.

— O que você quer falar sobre isso?

Clara deu uma risadinha.

— Quero que me diga o que você sente com tudo isso, ter beijado, estar gostando dele e o ciúme do seu pai e avô.

— Hum... Eu gostei de beijar o Bryan. É tudo muito novo e eu sabia que eles iam ficar nervosos, mas não imaginei tanta sufocação... E meu tio disse que meu avô implica por causa do Rony ter namorado minha avó. Meu pai eu acredito que seja só por minha causa... Ou não sei.

Clara limpou a garganta.

— Eu também namorei o Alex.

Emma ficou de boca aberta olhando a mãe.

— Isso explica muita coisa — resmungou.

— Mas o meu pai não sabe disso, então não conte!

— Claro que não! Se ele souber vai ser pior pra mim.

As duas riram.

— E o que você me diz sobre sua primeira vez?

As bochechas de Emma ficaram rosadas e Clara sorriu.

— Mãe... Eu sei que sou abusada e vocês devem estar pensando que é a primeira besteira que vou fazer, mas... Eu morro de medo dessa situação.

Clara ficou em silêncio uns segundos. Emma apertava as mãos com força.

— Isso é normal, Emma. Toda garota fica nervosa com isso.

— Mas o meu medo é duas vezes maior porque eu sou maluca e posso estragar tudo...

Clara deu uma gargalhada e Emma cruzou os braços.

— Desculpa, filha. Olha... — Sentou na cama ao lado dela. — Esse tipo de coisa só tem que ser feito quando você estiver pronta e confiante.

— Eu sei. Pode ter certeza que não vou fazer nada se eu não quiser.

— Disso eu não tenho dúvidas.

As duas riram.

— Será que eles vão ficar me vigiando 24horas por dia?

— Vamos conversar melhor sobre isso.

Emma suspirou. Clara chamou o Enrico para participar da conversa. O loiro entrou no quarto e olhou sua filha sentada na cama.

— Bem, te chamei para podermos resolver logo esse assunto.

— Qual deles?

— O namoro dela.

Enrico revirou os olhos.

— Tem solução?

Emma respirou fundo e cruzou os braços.

— Claro que tem, Enrico! Larga de ser chato! — Clara brigou com ele. — É simples, ela pode namorar o Bryan, ou quem ela quiser.

— Você não está falando sério, né?

— Nunca falei tão sério em minha vida.

— Mas...

— Você tem que confiar na sua filha, Enrico.

O loiro ficou em silêncio olhando a menina. Várias imagens vieram em sua mente agora. A garotinha loirinha de maria chiquinha correndo pela casa e enlouquecendo a todos. Jogando comida na cabeça do tio, quebrando alguns móveis da casa...

Enrico respirou fundo e olhou Clara. Ela esperava ele responder o olhando calma.

— Tudo bem — disse baixo.

— O que? Eu não ouvi — disse Emma e o loiro revirou os olhos.

— Não força!

— Enrico!

Ele soltou um grunhido de irritação.

— Está bem, pode namorar aquele... Garoto.

Emma sorriu largamente e ele sorriu junto.

A garota pulou nos braços de Enrico e quase fez os dois caírem no chão. Clara riu.

— Obrigada, pai! Mas você não vai ficar me vigiando, vai?

— Claro que vou!

Emma revirou os olhos.

— Mas não 100% do tempo — respondeu Clara e Enrico a olhou indignado.

— Só dele já ter aceitado ajuda muito — a menina disse alegre.

— Agora temos a parte dois...

— Como assim? — perguntou confusa.

— Meu pai — disse Clara.

Emma suspirou e Enrico riu. Sabia que ia ser bem pior a "parte dois".