Notas iniciais
"Sou um ator muito sério que não se importa em ser ridiculamente cômico." — (Alan Rickman em entrevista).

Era um fim de tarde, do dia vinte e quadro de dezembro. Severo Snape andava de um lado para o outro em sua sala, tomado pela fúria. Desde que se tornara vice-diretor de Hogwarts não lhe faltavam aborrecimentos, contudo, essa havia sido a última gota.

— Isso é inadmissível! — esbravejava Severo — Por que não me chamaram? Eu teria resolvido o problema pessoalmente!

— Não é tarefa do vice-diretor resolver esse tipo de coisa Severo, por favor, se acalme.

— EU NÃO VOU ME ACALMAR, MINERVA! — Retrucou Severo, aos berros.

Poucas vezes ele pôde ser visto tão descontrolado como estava no momento. Mesmo nos anos de guerra, seu maior trunfo era o fato ser um homem frio e calculista, e graças a isso, conseguiu escapar das mais diversas situações perigosas. Dessa vez era diferente, contudo, era diferente e esse fato fugia completamente do controle.

— Você deveria ser mais razoável — Disse Minerva, pacientemente.

— Guarde sua opinião para quem se interessar — Retrucou Severo, assumindo o tom baixo e letal.

No mesmo instante, a porta da sala se abriu e ambos viraram para olhar. Não foi nenhuma surpresa, uma vez que a visita já era esperada, mas a chegada deu-se em um momento excelente: mais alguns minutos e Severo provavelmente pularia no pescoço da diretora.

— Boa tarde — Disse Hermione, encarando os dois mais velhos.

— Boa tarde, querida — Cumprimentou Minerva com todo carinho — Você está bem?

— Sim, estou ótima — Respondeu Hermione, sorrindo — E a senhora?

— Estou muito bem — Respondeu Minerva, com um sorriso.

Severo se limitou a cumprimenta-la com a cabeça e indicar uma cadeira em frente à mesa para que ela pudesse se sentar, voltando, logo em seguida, a olhar para fora da janela encanada. A neve caia em grossos flocos de neve, formando uma massa branca de aspecto macio.

— Não é que eu não goste de estar aqui — Começou Hermione — Mas posso saber o motivo pelo qual fui chamada para a sala do vice-diretor?

— Ah, querida... acredito que Severo esteja perdendo o jeito — Alfinetou Minerva, fazendo com que Snape a olhasse de forma ameaçadora — Ele está criando caso.

Severo andou, lentamente, até a parte da trás da mesa, para que ficasse diante das duas mulheres sentadas confortavelmente nas cadeiras. Apoiou as palmas das mãos na madeira maciça e encarou Hermione, olhando profundamente em seus olhos.

— A senhora foi chamada até aqui, porque sua filha estava se agarrando com um garoto, no meio do corredor do sétimo andar — Respondeu Severo, cuspindo cada uma das palavras.

— Ah, é isso? — Exclamou Hermione, dando de ombros — Eu pensei que fosse algo sério

— Claro, como eu poderia imaginar que logo a senhora entenderia a seriedade da situação? — Perguntou Severo, ironicamente — Evidentemente a garota puxou a mãe, que é uma depravada!

— Olhe o jeito que fala comigo, Severo — Alertou Hermione, estreitando os olhos.

— O que? Vai negar que foi você quem me perseguiu e importunou por meses? Quem se jogava em cima de mim a cada oportunidade e... — Severo teve que parar de falar para desviar de um tinteiro que voava em direção ao seu rosto — ...Francamente Granger!

— Há mais de quatorze anos deixei de ser Granger, Snape! — disse Hermione, se levantando — Por acaso sou tão depravada que te fiz casar comigo a força?

Minerva olhava de um para o outro sem saber o que dizer ou fazer. As coisas sempre foram assim desde que tinha conhecimento. Eles eram totalmente opostos e nunca concordavam em nada, mas era inegável que haviam sido feitos um para o outro.

No momento em que assumiram o relacionamento publicamente, o mundo bruxo foi à loucura. Como era possível que a aluna mais brilhante de Hogwarts estivesse se relacionando com o temível Mestre de Poções e ex-comensal da morte? Nem mesmo os amigos mais próximos conseguiram acreditar.

A verdade sobre o envolvimento deles era um absoluto segredo, somente os amigos mais próximos tinham conhecimento de que Hermione fabricou um vira-tempo ilegal e voltou ao passado, se relacionamento com o rapaz durante o último ano letivo.

Assumiram o relacionamento logo após o fim da guerra e se submeteram a uma audiência de esclarecimento no Ministério da Magia, com fim de provar que nunca tiveram qualquer envolvimento enquanto eram professor e aluna.

Oficializaram a união em uma cerimônia simples e íntima, para poucos convidados, realizada nos jardins da Mansão Snape (antigamente conhecida como a casa dos gritos), onde continuam residindo, com seus dois filhos, Rúbeo Henry e Elieen Katherine, gêmeos.

Severo é vice-diretor de Hogwarts e continua exercendo o cargo de professor de poções, enquanto Hermione, também docente, assumiu a cadeira de Transfigurações, após Minerva McGonagall tornar-se diretora da Escola de Magia e Bruxaria.

Todos os ex-alunos de Hogwarts estavam casados. Harry e Ginevra, como não poderia ser diferente, casaram-se logo após a ruiva acabar os estudos, e já estavam no terceiro filho. Neville e Luna tiveram um breve relacionamento. Ronald demorou um certo tempo para superar o fato de que Hermione o havia dispensado para ficar com Severo Snape, mas depois, reencontrou Lila Brown e reataram o namoro fracassado no sexto ano. Draco Malfoy, finalmente, pedira Astória Greengrass em casamento e residiam na Rússia, porém, o filho deles, Scorpius, estudava em Hogwarts, afinal, Severo era padrinho do menino e jamais iria admitir que esse frequentasse outro colégio.

— Não, Flor, não me casei com você a força — Respondeu Severo, apertando a ponte do nariz para se concentrar — Sinto muito pelo modo como falei, fui grosseiro e desrespeitoso.

— Vou pensar se te desculpo — Provocou Hermione, sorrindo levemente — De qualquer forma, Elieen já havia me contado, não foi surpresa para mim.

— Ela te contou que fica aos amassos pelos cantos da escola? — Perguntou Severo, voltando a se aborrecer — E você não fez nada a respeito?

— Acalme-se... ela só me disse que Minerva a encontrou e deu-lhe uma detenção — Respondeu Hermione, com simplicidade — E que provavelmente você mandaria me chamar, exatamente como fez..., Ela te conhece como ninguém.

— Se me conhecesse tão bem assim saberia que eu não admito esse tipo de comportamento! — Retrucou Severo, aumentando o tom de voz — Ela é uma criança!

— Ela já tem treze anos, Príncipe, e está apaixonada, é natural. — Disse Hermione, procurando amenizar a situação.

— Ela é uma criança e eu exijo que se comporte como tal! — Repetiu Severo, ignorando totalmente o que a esposa havia acabado de falar.

— Tudo bem — Disse Hermione, resignada — então acho que você deveria falar com ela.

— É claro que eu vou! Estava pronto para dizer isso para Minerva pouco antes de você entrar — Respondeu Severo, com um sorriso diabólico surgindo nos lábios — Mas, aproveitando que está tão bem informada sobre a falta de vergonha de nossa filha, me diga, quem é o rapaz que está com os dias contados?

— Bom... sabe... talvez se ela mesma te disser... — Hermione respondeu se atrapalhando com as palavras e desviando o olhar, fato que não passou despercebido para Severo.

— Flor... — Disse Severo, dando a volta na mesa e chegando com o rosto bem próximo ao dela — Quem Elieen estava beijando no corredor do sétimo andar?

— Tiago Sirius Potter — Respondeu Hermione, estremecendo.

Severo ouviu a resposta da esposa ecoar em seus ouvidos como um berrador, logo em seguida, a sala foi lentamente ficando escura e o chão sumiu debaixo de seus pés, fazendo-o tombar dentro de um enorme breu.

Severo acordou, mas não abriu os olhos, sentia a maciez da cama e o toque aveludado do lençol em seu corpo. Tudo não havia passado de um sonho, tinha certeza. Frequentemente era atormentado pelos piores tipos de pesadelo, mas, esse, sem sombra de dúvidas, entraria para o topo da lista.

Ouviu a porta do quarto ranger e semicerrou os olhos. Hermione entrou com uma bandeja de chá e alguns biscoitos. Estava linda usando apenas uma lingerie vermelha de renda branca, exibindo as maravilhosas curvas que o deixavam louco de tanto prazer. Esperou até ela apoiar o que carregava no criado mudo ao lado da cama e, logo em seguida, puxou-a para um beijo ardente e cheio de paixão, que foi retribuído com entusiasmo.

As vezes ele se esquecia que já estavam juntos por tantos anos, toda vez que a beijava, era como se fosse a primeira vez. Ela era capaz de despertar sentimentos e sensações que ele nunca imaginou ser capaz de possuir. Tinha certeza que seu coração pertencia totalmente à Hermione Granger Snape.

— Dormiu bem, Príncipe? — Perguntou Hermione, encerrando o beijo.

— Não sei... com uma moça tão linda em meus braços, acho que ainda estou sonhando — Respondeu Severo, beijando o pescoço da castanha e fazendo-a rir.

— Eu falei sério, amor, está se sentindo melhor? — Perguntou Hermione, acariciando o rosto dele com a mão.

— Não entendi — Disse Severo — Como assim?

— Bom, você desmaiou, não é? — Respondeu Hermione — E bateu forte com a cabeça, te dei algumas poções, mas quero ter certeza que está se sentindo bem.

Foi como se tivesse mergulhado no lago negro em pleno inverno. Era tudo verdade, e não um terrível pesadelo. Sua doce e pequena Elieen, sua menininha, estava envolvida com o filho de Potter.

— Hermione, chame Elieen aqui, preciso conversar com ela — Disse Snape, afastando totalmente o corpo de Hermione e assumindo o semblante sério que a maioria das pessoas conhecia, e temia.

— Não posso, Príncipe — Respondeu Hermione, com cautela — Ela não está em casa.

— E aonde ela está? — Perguntou Severo.

— Está com Gina e Harry no Largo Grimmauld, nós combinamos de passar o Natal com eles — Respondeu Hermione, preocupada — Não se lembra?

Severo ponderou por um momento. Não se lembrava de ter concordado em passar o Natal na casa de Harry Potter, mas provavelmente deveria ter sido algum pedido de sua filha, nunca conseguia negar nada a ela. De qualquer forma, essa visita viria bem a calhar. Queria mesmo ter uma conversinha com o testa-rachada e seu filho desavergonhado, e essa seria uma excelente oportunidade.

— Tem razão, Flor, então é melhor nos arrumarmos — Disse Severo, com a voz tão mansa que fez Hermione arquear uma sobrancelha.

— Está mesmo se sentindo bem? — Perguntou Hermione, colocando a mão direita sobre a testa dele para verificar a temperatura.

— Sim..., mas posso ficar ainda melhor se você cuidar um pouco de mim — Respondeu Severo, passando as mãos pelo corpo dela.

— Tenho certeza disso — Disse Hermione, rindo — Prometo cuidar de você quando voltarmos, agora tome seu chá e coma alguma coisa enquanto eu me arrumo, ou vamos nos atrasar.

Severo Snape sentia uma piora significativa em seu humor conforme o tempo foi passando. Tomou o chá com biscoitos muito lentamente, para deixar bem claro para Hermione o quanto a ideia de passar o Natal com a família Potter o aborrecia. Entretanto, não conseguiu conter um sorriso ao ver Hermione completamente vestida, esperando por ele. Era impressionante o quanto a idade fez bem a ela. A maturidade não havia apagado os traços meigos e bondosos em seu rosto, e hoje tinha certeza de que o cabelo era muito mais bonito castanho e volumoso, do que loiro e liso.

Depois do casamento, Severo Snape não ficava mais preso ao preto habitual, e quando não estava trabalhando, se permitia usar outras cores. Era verdade a mudança do preto para o cinza chumbo ou azul anil não poderia seria considerada por muitos, como algo grandioso, mas se tratando dele, era um verdadeiro milagre.

— Você está linda, Flor — Disse Severo, parado na soleira da porta, abotoando a manga da camisa.

— Você também — Respondeu Hermione, sorrindo — Adoro te ver assim, mais leve.

Severo sorriu em resposta, venceu a distância entre eles e a tomou nos braços, beijando-a logo em seguida. Durante o beijo, rodopiaram no eixo e aparataram em frente à casa de Potter, no Largo Grimmauld, número 12. Como já eram esperados, não era necessário bater na porta, então, simplesmente entraram.

— POTTER! — Gritou Severo, assim que adentrou à sala.

Todas as conversas e risadas foram encerradas e as cabeças viraram para encara-los. Elieen e Rúbeo empalideceram completamente ao ver a expressão no rosto do pai. Hermione bateu com a palma da mão na testa, em evidente desaprovação.

— Vai ter que ser mais específico, Severo — Disse Harry, com um sorriso zombeteiro brotando nos lábios — Somos muitos Potters aqui.

— Aquele que quiser morrer primeiro — Disse Severo, lentamente.

Tiago Sirius e Elieen foram os primeiros a sair correndo da sala, seguidos de perto por Rúbeo Henry, Alvo Severo, Lílian Luna, Arthur e Molly Weasley, que não tinham nenhum interesse em enfrentar a ira de Severo Snape.

Harry levantou do sofá e serviu dois copos de whisky de fogo, depois, caminhou até onde Severo e Hermione estavam. Severo ignorava completamente o olhar de decepção no rosto da esposa.

— Pegue, Severo — Disse Harry — Precisamos conversar. Mione, acho melhor ajuda Gina a reunir a família para o jantar, o que acha?

— Claro Harry — Respondeu Hermione, com um sorriso — Vou tentar tranquilizar as crianças.

Severo virou as costas para Potter e subiu as escadas, em direção ao escritório, no andar de cima, sem sequer se preocupar em verificar se estava sendo seguido pelo outro. Sentou-se confortavelmente na poltrona, sem esperar por qualquer convite e bebeu um grande gole do copo. Harry entrou logo em seguida e fechou a porta, sentando-se de frente para Severo.

— Pelo visto não preciso dizer para que fique à vontade — Zombou Harry.

— Não acho necessário — Respondeu Severo, lentamente — Seu filho também não esperou por minha autorização para ficar à vontade com minha filha.

— Fiquei tão surpreso quanto você — Disse Harry, com sinceridade, tomando um gole do copo — O que podemos fazer a respeito?

— Mantenha seu filho longe de Elieen, Potter — Respondeu Severo, em tom baixo e letal — Ou eu mesmo farei isso.

— Acha que obrigarem a se afastar é a solução, Severo? — Perguntou Harry, com amargura na voz — Eles passam a maior parte do tempo juntos durante as aulas e compartilham a torre da grifinória, não conseguiríamos fazer isso.

Para a grande tristeza de Severo e profunda satisfação de Hermione, Elieen Katherine Granger Prince Snape havia sido selecionada para a grifinória, fato esse que ainda rendia provocações de Hermione com irritante frequência. Porém, tinha o trunfo de que Rúbeo Henry Granger Prince Snape era o melhor aluno da Sonserina.

— Muito perspicaz, Potter — Responde Severo, mordaz — Mas acredito que sei ser bem persuasivo.

— Como queira, Severo — Disse Harry, em tom preocupado, passando a mão pelo rosto — Mas acho que não deveria fazer isso, eles estão apaixonados.

— Me poupe do seu sentimentalismo, Potter. — Retrucou Severo, girando os olhos e bebendo do copo novamente.

Leves batidas na porta interromperam o diálogo. Harry autorizou a entrada e Elieen apareceu na soleira, olhando timidamente para dentro. A mocinha entrou lentamente, tinha o rosto avermelhado, mas carregado de confiança. Ela herdara praticamente tudo de Hermione em relação à aparência, exceto os cabelos, negros e lisos como os do pai.

— Quero falar com você papai — Disse Elieen, com a voz firme — Por favor.

— Estou esperando por uma explicação, Elieen — Disse Severo, com um tom indiferente e olhar carregado de censura.

Harry aproveitou o momento para deixar o local sem se despedir, retornando para a festa no andar de baixo.

— Eu realmente gosto de Tiago papai — Disse Elieen, olhando-o nos olhos — Se você der uma chance, pode descobrir o quanto ele é legal e...

— Você é muito nova para namorar, Elieen — Interrompeu Severo — E eu não gosto desse moleque.

— Mas papai, se você ao menos o conhecesse melhor! — Exclamou Elieen.

— Não é preciso — Disse Severo, com um sorriso irônico — Eu o conheço desde o dia em que nasceu.

— É mesmo? — Perguntou Elieen, arqueando uma sobrancelha e parecendo a cópia do pai — Então o que sabe sobre ele?

— O necessário — Respondeu Severo, com indiferença — É um fedelho com os dias contados, caso não se afaste de você.

— Pare com isso papai — Implorou Elieen — Eu o amo!

— Você não tem idade para amar ninguém — Disse Severo, fechando os olhos e massageando as têmporas com as mãos — E esse assunto está encerrado, vamos descer logo para esse maldito jantar.

— Não tenho, é? E quanto ao tio Harry e tia Gina? Eles se amam desde novos! — Pontuou Elieen — Tio Arthur e Tia Molly também. Até mesmo a mamãe! Ela me disse que sempre foi apaixonada por você!

A última parte chamou a atenção dele. Abriu os olhos e ficou admirando o olhar de desafio no rosto da filha, em silêncio. Hermione havia dito que se deu conta de seus sentimentos por ele durante o sétimo ano em Hogwarts, o que tornava esse argumento inválido, mas ficou surpreso que a ela usasse a mãe para ganhar uma discussão. O sangue sonserino corria fortemente em suas veias.

Respirou fundo, lembrando de si mesmo na idade de Elieen. Fora perdidamente apaixonado por Lilían Evans desde muito novo, logo, sabia que isso de fato poderia estar acontecendo. Infelizmente, com um Potter e, justamente aquele que levava o nome do homem que mais odiara em toda a vida.

— Elieen, você tem razão — Disse Severo, se dando por vencido — Eu não tenho o direito de escolher com quem você pode se relacionar.

A menina sorriu abertamente e saiu correndo, pulando no colo de Severo em seguida. Ele a tomou nos braços e abraçou com toda força. Ele a amava mais do que a própria vida, e não seria capaz de impedir a felicidade dela por um simples capricho.

— Mas se ele te magoar, eu vou direto para Azkaban — Disse Severo, com fúria na voz — Pense nisso.

Elieen deixou escapar uma sonora gargalhada dos lábios, o que o deixou mais tranquilo ao perceber que tudo estava bem.

— Tudo bem papai, eu mesma te ajudo a acabar com ele — Respondeu divertida — Agora, vamos jantar?

Ambos saíram juntos do escritório e desceram para cozinha, onde uma enorme mesa muito bem decorada e recheada de comida os aguardava. Severo jamais admitiria em voz alta, mas gostava desse clima familiar. Sempre tivera especial apreço pela família Weasley, e a amizade firmada com Potter nos últimos anos era uma das melhores coisas que tinham lhe acontecido.

Notou que Tiago fazia o possível para manter-se distante, e nem sequer conversava com Elieen na presença dele. Sentiu-se extremamente satisfeito com isso, queria mesmo que o rapaz molhasse as calças só de pensar nele. Ficou muito satisfeito ao pensar nas próximas aulas de poções, e o quanto seria fantástico assisti-lo dançar.

Tarde naquela noite, enquanto todos se despediam, Severo fez questão de se esconder atrás da parede da sala e aguardar. Poucos minutos depois, viu Tiago pegar Elieen pela mão e puxa-la para sentar no sofá. Ambos sorriam apaixonadamente. Entendeu, enfim, que eles realmente se gostavam e mereciam uma chance. Porém, no momento em que o menino se inclinava para beija-la, achou melhor agir.

— Tiago Potter — Disse em tom letal, se revelando — O que pensa que está fazendo?

A aparição de Severo fez o menino levantar correndo do sofá e se proteger atrás de uma cadeira, do outro lado da sala.

— Onde está sua coragem grifinória, afinal? — Provocou Severo, sorrindo maliciosamente.

— Papai... — Alertou Elieen.

— Tenho coragem, senhor, mas não sou burro — Respondeu Tiago, ainda no mesmo lugar — Gostaria de acrescentar que estou apaixonado por sua filha e não tenho a menor intenção de me afastar dela. — Finalizou o rapaz, estufando o peito, mas tremendo até o último fio de cabelo.

— Ah! Olha a coragem ai! — Disse Severo, divertido — É pouca, mas deve servir para alguma coisa no futuro.

— Já chega, querido — Disse Hermione, que acabara de entrar na sala — É melhor irmos.

— Sim, Flor, já vamos — Respondeu Severo, com simplicidade — Não precisa se afastar de Elieen, Potter. Ela me convenceu de que pode existir algo em você que valha a pena conhecer. Contudo, é bom ter cuidado. Se ela derrubar uma só lágrima por sua causa, as próximas serão as de seus pais.

— Severo! — Exclamou Hermione, exasperada — Chega disso!

— Não se preocupe, Senhor — Respondeu Tiago, saindo de trás da cadeira aonde estava se protegendo — Eu só pretendo fazê-la sorrir.

Severo girou os olhos e virou de costas, fazendo um sinal de náusea para Hermione, que disfarçou o riso. Deram as mãos e seguiram em direção ao hall de entrada, onde Rúbeo Henry os aguardava, conversando despreocupadamente com Alvo Severo.

— Ele é patético igual ao pai — Disse Severo, baixinho, arrancando um riso de Hermione.

— Melhor se acostumar, Príncipe, você ser contra deixa tudo mais interessante para eles — Respondeu Hermione — Quando mais perigoso, mais divertido.

É mesmo, Flor? — Perguntou Severo — Perigoso como ter um amor secreto pelo professor de poções durante anos?

Hermione ficou extremamente vermelha com o que ele disse, e desviou o olhar para o porta guarda-chuvas, vazio e desinteressante.

— Elieen te disse isso? — Perguntou Hermione, evitando encara-lo.

— Sim, foi o argumento dela para me convencer a aceitar esse precoce relacionamento — Respondeu Severo.

— Ela é bem parecida com você, não é? — Divagou Hermione.

— Acredito que seja uma ótima mistura nossa... O que é péssimo para nós mesmos — Respondeu Severo,

Ambos se encararam e não conseguiram conter o riso. Elieen chegou logo em seguida e os quatro desaparataram para a Mansão Snape. Severo levou os filhos para a cama, e só retornou depois que eles dormiram.

Quando entrou em seu próprio quarto, viu que Hermione já o esperava, deitada na cama, com uma lingerie sensual, nas cores da Sonserina. Ficou extasiado com a visão, sem conseguir dizer nada.

— Eu prometi que iria cuidar de você quando voltássemos — Disse Hermione, com os olhos cheios de luxúria.

— Gosto que cumpra sua palavra, mocinha — Respondeu Severo, desabotoando as vestes — Quero que me conte mais sobre seus sentimentos secretos... acho que vai lhe render uma bela detenção...

Durante horas Severo e Hermione se amaram ardentemente, fantasiando com situações pouco convencionais e nunca antes experimentadas por eles. Ao final, Hermione deitou-se confortavelmente nos braços de Severo e ficou acariciando-o com os dedos.

— Sabe, amor... da última vez que você esteve tão fogoso assim, eu engravidei dos gêmeos — Disse Hermione.

— Não seria uma má ideia ter outra filha — Respondeu Severo.

— Prefere que seja menina? — Perguntou Hermione.

— Não tenho preferência — Respondeu sincero.

— Então... — Perguntou Hermione, levantando para olha-lo nos olhos — Quer mesmo ter mais uma criança?

— Quero — Respondeu Severo — Mas, independentemente do sexo, vai estudar em outro país, bem longe da família de Potter.

Hermione riu com gosto e deu um tapinha em Severo, que fingiu ter ficado ofendido, como pretexto para agarra-la novamente. A noite rendeu momentos maravilhosos e memoráveis para ambos.

Notas finais
É a primeira da série de ones que pretendo criar para "Enigma do Tempo", contando um pouco mais sobre a vida dos personagens após o casamento. Espero por vocês nos comentários! Obrigada por tudo, sempre. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!