Notas iniciais
Oieeeeeeeeeee... morrendo de saudades de vcs... Espero que estejam todas bem... ;)Bom, só avisando que o livro está ainda em fase de edição... Revisão sendo feita e capa sendo escolhida... Sei que muitas estão ansiosas, e acreditem, tbm estou... Assim que tiver novidades venho avisar... Para irmos matando a saudades, trouxe mais um pouco... Desculpem ser msm "pouco", mas vou liberando o que posso... ;)Ahh... Obrigada pelos reviews e pelas novas indicações... :DBjus lindas... BOA LEITURA!

Os breves olhares que acidental ou propositadamente ocorreram durante a manhã no portinho, foram carregados da cumplicidade própria aos amantes. Após os cumprimentos matinais o casal se separou sem mais conversa. Edward, vestido em sua costumeira roupa preta e diferenciado dos homens comuns por seu indefectível colarinho clerical, subiu ao convés juntamente com Charlie, Jasper e os funcionários habituais da embarcação. Juntamente com as famílias dos demais pescadores, Bella, sua mãe, irmã e futura cunhada ficaram em terra, assistindo de longe a benção dada pelo padre.

À luz do dia toda ação da madrugada pareceu surreal à Bella. Estranho crer que a figura compenetrada ao lado de seu pai, fosse o mesmo homem audacioso que esteve em seu quarto e logo após em seu atelier dando-lhe beijos tórridos ou se deixando ser provado por ela. No entanto, ele o era.

– Poderia ao menos apagar esse sorriso. – Alice falou-lhe ao ouvido. – Ou então olhar para outra pessoa. Está dando na vista.

– Não consigo evitar. – Bella cochichou de volta. – Veja como é lindo...

– Peque sozinha sua herege. – a amiga sussurrou um tom mais baixo. – E depois não diga que eu não avisei.

– Fiquem quietas. – Renée pediu, olhando-as reprovadora. – Já vai começar.

Estranhamente as palavras de Alice trouxeram um leve desconforto ao estômago da moça que, talvez influenciada pela sensação incômoda, tenha sentido o calafrio agourento ao erguer os olhos para seu padre. Este, muito confortável em sua função, ladeava o pai de sua amante livre de remorsos. Estava decidido a vagar pelos dois mundos e alimentar sentimentos de culpa não o permitiria aproveitar completamente nenhum deles.

Depois dos prazeres experimentados estava seguro do que queria para si e demonstrava sua determinação em atitudes firmes. Evitando olhar para a moça de pé ao lado da mãe, fez o sinal da cruz ao que foi imitado por todos. Indo à proa, munido da caldeirinha com água benta, aspergiu-a dizendo.

– Que o Senhor, sempre presente na calmaria e na tormenta, abençoe e guarde esta embarcação. Que persevere ante a força dos ventos e a inconstância dos mares. Que a pesca seja farta e seus dignos tripulantes sadios. – enquanto exclamava seus votos e caminhava ao longo do convés, Edward respingava a água sagrada sobre o piso, a cabine e os mastros próximos assim como todos os homens com que cruzava pelo caminho. Por último dirigiu-se a Charlie. – E que o capitão permaneça sábio e forte para todos comandar. Amém!

– Amém! – o pai da moça, como todos à sua volta, o imitaram. – Obrigado senhor! – disse satisfeito.

– Não me agradeça por isso. – Edward pediu sério. – Faço por gosto e espero que tenha uma boa viagem.

– Assim também espero. – falou no mesmo tom como se desejasse dizer algo completamente diferente. Se de fato o quis ou foi somente impressão do jovem padre, ele nunca saberia, pois o capitão pediu logo em seguida. – O senhor se importaria de fazer o mesmo por todos os barcos? Os homens me pediram para perguntar... – concluiu em escusa.

– Certamente que não.

Ao desembarcar, evitou olhar na direção da moça. A frase não dita por seu pai o indicou que deveria tomar maior cuidado; tudo poderia apenas ser fruto de uma mente consciente de suas faltas, mas era preferível não arriscar quando estavam tão perto de ficarem juntos; finalmente.

Bella acompanhou todas as benções ainda com a sensação incômoda na base de seu estômago. A certa altura, cogitou ser somente alguma reação corporal tardia a pílula contraceptiva, não nenhum tipo de premonição ou qualquer bobagem sensitiva. Ou talvez fosse a tão conhecida ansiedade causada pela expectativa do que viria com a partida de seu pai. Livres também de Jacob, Edward e ela poderiam retomar as caminhadas na praia – quem sabe iniciar as corridas – como forma de estarem mais tempo na companhia um do outro. E haveria a consumação do romance.

Ao pensamento suas entranhas novamente se torceram. Decididamente era ansiedade, ela determinou. Tranquilizada com o reconhecimento aguardou pacientemente pelo término da benção que se tornou coletiva. Quando o padre veio em sua direção, juntamente com seu pai e irmão, Bella rogou que seu rosto não estivesse tão vermelho quanto a quentura sentida denunciava estar.

– Até breve! – Edward disse a todas, sem olhá-la em especial. – Preciso ir embora, então... Boa despedida para todos. Tenham um bom dia! Senhor... – falou para Charlie. – Faça uma boa viagem.

– Obrigado! – o capitão disse simplesmente. A retirada do padre, este se voltou para sua família. – Bom... Não preciso repetir as recomendações de sempre, não é?

– Não senhor. – Bella suspirou teatralmente lhe sorrindo. – Devemos obedecer à mamãe, não nos metermos em encrenca e cuidarmos umas das outras.

– Isso mesmo! – ele retrucou sério. – E dessa vez acrescento; menos idas solitárias à praia, menos encontros desnecessários com amigos improváveis e mais dedicação ao seu futuro noivo, mocinha... E quanto a você – falou se voltando para Rosalie – espero que James logo apareça e até lá, sumido ou não, se lembre de que tem um compromisso firmado com ele.

Seu pai era vidente ou algo do tipo? Bella pensou contrafeita. Dirigia-se a elas como se tivesse certeza do mal feito futuro. Não poderia responder por Rosalie, mas no que dependesse dela, obedecê-lo nas últimas recomendações estava fora de questão.

– Não esqueço nem um só minuto. – a irmã afirmou sem emoção.

– Só para confirmar... – Bella chamou a atenção do pai. – Estou proibida de ir à praia?

– Eu não disse isso. – Charlie retrucou. – E acredito que tenha sido entendido.

– Eu entendi – afirmou tranquila, quis uma confirmação para que sua mãe não se tornasse o problema.

– Sentirei sua falta. – o pai disse subitamente embargado, puxando-a para um abraço.

Enlaçando-o pelo pescoço, Bella novamente sentiu o calafrio de mau agouro e antes que soubesse o motivo, lágrimas lhe vieram aos olhos. Cedo demais foi deixada e, como coração fundo no peito, assistiu seu pai dizer o mesmo à irmã antes de também abraçá-la e então se despedir da esposa. Os pais não eram afeitos a demonstrações públicas de carinho, então apenas se abraçaram brevemente e trocaram um beijo fortuito.

Jasper por sua vez foi praticamente arrancado dos braços da noiva antes de seu pai o obrigar a se despedir da família.

– Se cuida Bells. – falou socando-a levemente no ombro. Ao envolvê-la nos braços, falou ao seu ouvido. – E se não sente nada pelo padre pare de olhar tanto, está ficando esquisito.

A recomendação a deixou sem palavras até que todos embarcassem, recolhessem suas âncoras e as amarras para finalmente partirem entre acenos e os gritos das derradeiras despedidas. E alguns minutos além, quando somente então se deu conta de que a multidão havia dispersado – até mesmo sua mãe e irmã partiram – restando ela e Alice a olharem os barcos já distantes.

– Sobramos nós duas. – a amiga falou passando o braço pelo o de Bella. – Como na chegada.

– Fico feliz que esteja aqui. – então secando o rosto das lágrimas que ainda corriam, tentou sorrir ao dizer. – Seria muito egoísmo de minha parte se dissesse que estou feliz em vê-la livre de meu irmão?... Senti sua falta esses dias.

– Também senti. – Alice afirmou num muxoxo triste. – Mas acho que não vai fazer muita diferença... Consegui estágio como contadora então... tenho que me dividir entre ele e a faculdade.

– Tudo bem!... – Bella anuiu, sentindo-se estranhamente sozinha. – Vamos nos falando por telefone.

– Mas eu estou aqui e com a manhã livre... Quer me atualizar?

Bella encarou a amiga considerando as possibilidades. Com tantos projetos em andamento e os próprios problemas para administrar, não achou justo sobrecarregá-la com seus fardos pesados. Não a preocuparia com a chantagem sofrida ou com os detalhes sórdidos de seu relacionamento proibido uma vez que a leveza da paquera inconsequente fora substituída pela seriedade e necessidade de sigilo. Havia perdido o único que a conhecia sem máscaras e quanto antes de acostumasse a estar sozinha, melhor. Procurando seu melhor sorriso, falou.

– Já que temos a manhã uma para a outra, comece você a me atualizar... Como foram esses dias de amor extremo? – indagou revirando os olhos apaixonadamente.

Alice sorriu e se deixou contagiar. A essa altura, os barcos eram pontos distantes no horizonte indicando que permanecer no cais era desnecessário. Ainda assim, sem vontade alguma de deixá-lo, seguiram para o banco de Bella e, acomodadas sobre o assento de cimento, conversaram até que fosse hora de cada qual cuidar de seus afazeres; a vida seguia.

Edward passou o restante da manhã impaciente. Em nenhum momento Bella indicou ou prometeu procurá-lo, ainda assim a esperou. À hora do almoço encontrava-se com o humor alterado; evitando até mesmo longas conversas com seu padrinho ou a inocente senhora Williams. Sentia seu peito tão revolto que acreditava ser capaz de rosnar como um animal bravio a mais leve contrariedade.

Era naquela ansiedade desesperada que a moça o deixava; pensou largando o garfo ruidosamente sobre o prato com a comida praticamente intocada.

– Bom! – a vizinha começou cautelosa, já enxugando as mãos num dos panos. – Vou para minha casa... Se os senhores precisarem de qualquer coisa é só me chamar.

– Obrigado pelo almoço Sra. Williams. – Carlisle agradeceu com um sorriso tranquilizador.

– Obrigado por tudo! – Edward o imitou num ruminar de palavras.

– Quero crer que o mau humor não seja por minha companhia. – o tio comentou a saída de Sarah.

– Não é. – o jovem padre retrucou, recolhendo seu garfo para tentar engolir alguma comida. Alheio ao olhar preocupado que recebia de seu padrinho.

– Folgo em saber. – voltou a falar sem emoção. Após um instante no qual comeram em silêncio, acrescentou. – Amanhã irei à Washington.

– Para quê? – indagou, encarando-o desconfiado. Edward novamente deixou o garfo, porém pousando-o educadamente na borda do prato ainda cheio e esperou.

– O reitor Ramiro solicitou minha presença. – falou casual. – Não especificou o motivo.

– Por que eu acho que está mentindo para mim? – Edward procurou por seus olhos vendo neles a agitação própria aos incomodados.

– Talvez porque ultimamente não acredite em nada que digo. – Carlisle se defendeu. – Não posso mudar sua nova opinião a meu respeito. Não posso dizer o que deseja ouvir quando não seria a verdade.

– Tem razão. – concordou recolhendo o prato para colocá-lo sobre a pia, definitivamente sem fome. Então se voltou para Carlisle que o encarava de onde estava. – Não pode mudar minha nova opinião... Então espero que não esteja indo se encontrar com o reitor ou qualquer outra pessoa, para tratar de transferências que não solicitei.

– Já disse que não sei do que se trata. – o tio reiterou secamente. – Quando eu voltar, conto-lhe como foi se ainda desejar saber.

A menção de uma volta incitou sua curiosidade quanto ao tempo que ficaria longe. Iluminado pelas possibilidades Edward pigarreou e tentou imprimir banalidade à voz.

– Vai amanhã... E quando volta?

– Não saberia dizer, mas confesso que não tenho pressa. – falou sustentando-lhe o olhar; seu tio sabia de suas intenções. – Se me disser que não precisa de mim, pretendo ficar uma semana.

– Não preciso. – afirmou seguro, livre de remorsos ao perceber a verdade em cada palavra. Pela primeira vez em anos não se sentia perdido com a possibilidade de ficarem separados. Na verdade passou a ansiar a manhã seguinte, sentindo crescer em seu peito a necessidade de liberdade.

– Exatamente como previ. – Carlisle murmurou muito sério. – Ficarei uma semana então. Só espero que nesse meio tempo, não faça nada de que se arrependa.

– Não farei. – então, subitamente livre da zombaria particular que utilizou na afirmação, perguntou preocupado. – Saberá ir sozinho?

– Não há mistério... – disse-lhe dando de ombros. – É apenas uma viagem entre estados.

– Se é assim, só me resta desejar uma boa viagem. – e conhecendo-se, partiu rumo ao banheiro, dizendo. – Se precisar de ajuda é só pedir.

Edward não compreendeu as palavras ditas em um resmungo. Já diante do espelho conseguia identificar a satisfação que quis ocultar ao deixar o padrinho. Teria oito dias de liberdade justamente quando mais eram preciso. Tinha que encontrar uma forma de contar a novidade à moça; se possível, ainda naquela noite.

Chegar a sua casa trouxe certo alivio à moça. O dia fora estressante; em parte por sua culpa que, agitada, não conseguia acalmar seus jovens talentos. A aula se tornou barulhenta e improdutiva, causando-lhe uma dor de cabeça persistente; talvez estivesse mesmo sob os efeitos colaterais do anticoncepcional. Cansada, mas sem se importar com o que de fato a abalava, subiu ao quarto depois de cumprimentar a mãe – atenta a TV – e a irmã. Esta em uma atitude muito suspeita teclando em seu notebook há muitos dias abandonado.

Atirou sua pasta sobre a cama sorrindo intimamente e foi ao seu banho. Esperava que Rosalie estivesse recuperando o tempo perdido em conversas mudas pelos sites de relacionamento. Poderia fazer o mesmo via mensagens caso tivesse dado a Edward o presente que lhe comprou, ainda devidamente escondido em seu atelier. Deveria ter aproveitado sua última visita para lhe entregar o BlackBerry similar ao seu. Não faltarão oportunidades, pensou se dedicando a lavagem de seu cabelo. Poucos minutos depois, já pronta para se juntar as mulheres restantes na casa, desceu. A mãe havia sumido para a cozinha; apenas Rosalie permanecia no mesmo lugar. Tão logo a viu, chamou-a animada.

– Venha ver isso. – sussurrou indicando o monitor. – Emmett quer que eu me encontre com ele aqui. – a irmã lhe indicou parte de uma conversa onde Emmett deixava o endereço de um Motel.

– Você vai? – perguntou incrédula, duvidando da tamanha ousadia.

– Estou seriamente tentada. – Rosalie disse receosa. – O que acha?

– Eu não acho nada. – Bella murmurou-lhe ao ouvido. – Só sei que você é maior de idade e não fariam nada que já não tenham feito ao redor dessa casa.

– Fique quieta! – a irmã demandou olhando para a cozinha. – O que aconteceu com a discrição?

– Desapareceu quando você me chamou aqui e me colocou a par de seus encontros amorosos. – zombou antes de beijar a bochecha rosada da irmã. – Boa sorte com o que decidir

Deixando-a foi até a cozinha procurar ocupação junto à mãe. Esta demonstrou ter sentido a mesma necessidade de ação naquele primeiro dia sem o marido, pois não havia o que ser feito. Com a refeição simples finalizada e a casa mais vazia, comeram mesmo à mesa da cozinha. Por vezes tentaram entabular algum assunto, porém qualquer tema escolhido logo caía no silêncio conjunto. Após a refeição, cada uma das três mulheres encontrou afazeres distintos. Renée voltou a TV, Rosalie subiu ao quarto e Bella marchou para seu atelier.

Debruçada sobre sua mesa de desenhos, a moça procurou distração traçando riscos aleatórios com grafite sobre uma das grandes folhas em branco. Logo descobriu que seus traços não tinham a casualidade inicialmente pretendida, adquiriam formas distintas que logo lhe mostraram olhos conhecidos; desprovidos de cor ainda assim tão azuis. Animada por eles cobriu-os com sobrancelhas grossas e expressivas. Então partiu para o nariz grego, longo, reto e forte. Apagou-o e recomeçou por três vezes; entregue a tarefa. Perdia-se na simetria dos lábios que sentia a falta, quando notou a movimentação à sua porta.

Buona sera Bella!

Foi preciso tapar a boca para não alardear seu espanto. Ainda não recuperada do susto, tremendo violentamente e sem ter muita certeza de que se manteria de pé, ela deixou o banco. Foi até Edward – muito a vontade como se não fosse errado estar ali vestido em jeans e camiseta. Antes de responder, ela saiu para olhar em direção à porta da sala. Ao vê-la às escuras recuou confusa para finalmente cumprimentá-lo.

– Boa noite. Que horas são?

– Perdoe-me, mas não vim lhe informar as horas. – e antes que pudesse assimilar suas palavras, foi capturada e beijada fortemente.

E quem queria saber o horário afinal, pensou passando os braços ao redor de seu pescoço. Caso restasse alguma dor em sua cabeça, esta se foi num passe de mágica. Toda a consciência que tinha do próprio corpo era aquele calor que a aquecia por inteiro enquanto tinha a língua experimentada com avidez por seu padre. Queria poder se perder em todas as sensações que a visitavam, mas ainda lhe restava um fio de consciência que a fez tocá-lo no peito e afastá-lo.

– Espere. – pediu num sussurro quando Edward tentou retomar o beijo. – Minha mãe...

– Ela já subiu. – ele informou calmamente. – Eu esperei.

– Esperou? – o ar se tornou rarefeito por imaginar Edward ao redor de sua casa, vigiando até o momento oportuno para ir até ela; teria pressentido e por esse motivo também “esperado” enquanto o desenhava?

– Precisava vê-la. – explicou como se aquele desejo bastasse para cruzar a cidade no meio da noite, pela segunda vez seguida, e se arriscar ser descoberto. Como não amá-lo mais?

– Também senti a sua. – exalou junto à boca masculina. – Eu o vi mesmo essa manhã?

– Não tenho muita certeza. – Edward respondeu intimista. O tempo parecia estranho longe dela. E fora justamente para falar sobre o tempo que poderiam estar juntos que esperou pacientemente até que Renée deixasse a sala. Agora diante da moça, não deveria se distrair, nem abusar da sorte, pois a mãe ainda não dormira. Segurando Bella pelo rosto, falou sem rodeios. – Vim lhe dizer que meu tio vai deixar a cidade amanhã pela manhã.

– Ele vai embora?! – exclamou alto demais.

– Shhh... Acalme-se, sua mãe pode ouvi-la. – pediu manso antes de explicar. – Carlisle não vai embora. Vai passar alguns dias em Washington; oito, para ser exato. Estarei sozinho em casa. Acha que consegue ir até lá uma madrugada dessas? Quando não estiver impedida.

Seria altamente arriscado, Bella considerou. Apenas por imaginar a adrenalina já corria veloz em suas veias. Antes que conseguisse juntar duas palavras com coerência, Edward a envolveu pela cintura, emoldurando-a ao seu corpo forte. A impetuosidade juntamente com toda sua solidez não ajudou com o raciocínio. E para confundi-la de vez, ele prosseguiu com sua voz musical.

– Você tem que ir... Temos um assunto inacabado, lembra?

Como esquecer? Porém ao iniciarem aquele “assunto” ainda era a garota inconsequente e ele o sacerdote arisco; estava claro que nenhum dos dois não mais existia. Todo cuidado seria muito pouco. Bastava a ameaça de um escândalo pairando sobre sua cabeça. Não precisava de outro que também o comprometeria, contudo aquela era uma chance única para ser desperdiçada.

Na verdade, o que a travava era desejar privacidade maior para o primeiro encontro. Livre de impetuosidades reconhecia desconhecer as reações que dois virgens poderiam ter então preferiria que fosse longe de qualquer curioso. De preferência longe de Sin Bay.

– Acho melhor nos encontrarmos em outro lugar, senhor. – falou por fim.

– Por quê? – ele inquiriu afastando-se um passo. Fechando o semblante, acrescentou seco. – Mudou de ideia?

– Não, não! – negou atabalhoada, voltando a abraçá-lo. Edward apenas se deixou envolver, sem se mover. Tentando entender a negativa quando tudo conspirava em seu favor.

– Então o que é? – insistiu duramente. – Não admito que brinque comigo.

– Não estou brincando. É que... – preferia tanto que ele descobrisse sem ser preciso dizer, mas não havia maneira então, juntando sua coragem, disparou. – Não acho prudente perder minha virgindade na casa ao lado a da senhora Williams.

Caso Bella tivesse confirmado que tripudiava não teria ofendido tanto a sua inteligência. Segurando-a pelos ombros a fez soltá-lo; precisava olhá-la.

– Suas mentiras não conhecem limites?

– Não estou mentindo. – falou receosa ainda que sustentasse o olhar endurecido; como das outras vezes, entendia-o perfeitamente. – Não fique bravo comigo.

Edward queria que pudesse ser verdade; ser o primeiro homem dela quando já não tinha tanta certeza de que ela seria a primeira na dele. Infelizmente não reconhecia a firmeza no olhar agitado e como sempre suas ações falavam por si. A pergunta era; esse fato lhe importava?

– Bella? – o chamado de Renée os separou abruptamente.

– Estou aqui mamãe... – respondeu apressada. Deixando-o foi até a porta para que a mãe não entrasse; segurando as mãos trêmulas, encontrou-a no meio do corredor externo. – O que foi?

– Com quem está falando? – a mulher perguntou desconfiada, abraçando-se ao próprio corpo, fechando seu robe sobre a camisola longa.

– Com ninguém. – Edward a ouvir fazer o que sabia melhor; mentir. Nervoso por não haver outra saída, rodou pelo espaço mínimo rogando que Renée acreditasse e se fosse. A moça novamente falou. – Estava resmungando com meu desenho. Sabe como fico quando não dá certo... Já ia dormir. Desculpe se a acordei.

– Não acordou. – a mãe retrucou. – Estava me preparando para deitar quando a ouvi... Foi maluquice achar que havia alguém.

– Com certeza. Quem viria aqui à essa hora?

– Um namorado talvez... – Renée arriscou. Edward deduziu que sorria. –, mas o seu mora muito longe.

Não tão longe, Edward se pegou a zombar. Então se repreendeu; não era o namorado. Ainda remoia o pensamento, quando sua atenção foi desviada para o desenho que via de ponta cabeça. Contornando a mesa onde estava disposto imediatamente se reconheceu nos traços precisos. Não mais ouvia as vozes. Nem pensava no perigo de ser descoberto ou em nomes para seu relacionamento, apenas se encarava naquele reflexo incompleto.

– Ufa! Mamãe já foi. – Bella anunciou ainda mais baixo. Ao vê-lo compenetrado a mirar o desenho, aproximou-se. – Gostou?

Antes de responder Edward correu os dedos levemente sobre os olhos incolores.

– Me vê assim tão triste? – murmurou distraído.

– Estava compenetrada. – explicou. – Não parei ainda para analisá-lo... Acha mesmo que está triste aí?

– Assim me pareço. – falou sem desviar os olhos do retrato, subitamente considerando se um falado, estampando seu rosto, seria exatamente igual.

– E nesse aqui? – ouviu-a perguntar ao seu lado. Movendo o rosto se deparou com outro desenho, aquele completo. Ela tomou até o cuidado de colocar o colarinho romano; retratara o padre, também triste.

– Não estou diferente. – falou por fim. Então algo lhe ocorreu. – Você desenha sem uma referência ou é algum momento específico.

Bella entendia a curiosidade e não era sua vontade negar.

– Hoje nem era minha intenção desenhar o senhor... Mas esse primeiro é do nosso encontro na praia. Quando mandou que eu ficasse no meu lugar.

Então a tristeza retratada era justificada. Caso Bella pudesse entrar em sua mente naquela manhã poderia ter recriado até mesmo uma acentuada confusão. À constatação o remeteu ao assunto interrompido por Renée. Se Bella, mesmo não entendendo sua dualidade o aceitava, poderia retribuir não questionando seu apego à própria fantasia.

– Aquela foi uma manhã ruim. – admitiu.

– Para mim também. – ela se aproximou. – Por isso não quero que fique bravo.

– Não estou. – então lhe sorriu. – E entendo. Mas se não será em minha casa, como faremos?

Boa pergunta, Bella pensou já analisando as possibilidades. Repentinamente algo lhe ocorreu, o problema seria expor a ideia. Para alguém que sempre se considerou descolada, ter o rosto quente e provavelmente vermelho antes mesmo de dizer o que pensava, era novidade.

– Bom... – começou pausadamente – está claro que aqui em Sin Bay não tem lugar adequado.

– Ao que parece não.

– Pois bem... – pigarreou. – Ao sul da 95, poucos quilômetros além da Sanford, há um motel...

– Está sugerindo que nos encontremos num motel de beira de estrada? – Edward murmurou incrédulo. Imediatamente a lembrança do quarto que dividiu com o padrinho lhe veio à mente. Péssima ideia, então negou lacônico. – Não.

– Então não sei como poderá ser... – a moça retrucou. Percebendo sua tristeza, o padre estendeu a mão e tocou-lhe o rosto. Queria lhe dar uma alternativa, como não a tinha, considerou deixar sua restrição de lado, mesmo que não lhe agradasse.

– Se eu aceitasse, quando seria?

– Posso dizer com certeza amanhã? – perguntou sorrindo, animada com a dúvida auspiciosa. – Preciso arrumar uma boa desculpa para passar a noite fora.

– A noite inteira? – a expectativa o animou.

– A noite inteira. – Bella confirmou alargando o sorriso.

O plano finalmente o agradou. Ter a moça uma noite inteira para si era mais do que poderia esperar; longe de todos, onde poderia esquecer quem era. Daria certo, teve certeza.

– Isso me lembra de que precisamos ter um meio de comunicação só nosso. – ela prosseguiu. – Não podemos esperar por nossos encontros sempre que precisarmos conversar.

– Posso dar-lhe o telefone da sacristia. – sugeriu.

– Não acho seguro... Assim como ter seu celular seria arriscado.

– Não tenho um. – falou simplesmente.

– Então será perfeito. – ela exclamou mesmo num sussurro. Talvez por ser padre a descoberta não tenha lhe causado estranheza. Restava agora saber como ele reagiria. – Não fique bravo, mas tomei a liberdade de lhe comprar um presente.

– Um presente? – Edward indagou franzindo o cenho. Não se lembrava da última vez que recebeu algo do tipo. Pelo menos nada que não fosse relacionado à vocação que abraçou; como bíblias, hinários, terços ou os crucifixos que Carlisle constantemente o fazia trocar.

– Espere. – ela pediu indo até seu armário para resgatar a sacola guardada desde a noite em que comprou o aparelho. Em menos de um minuto a estendeu para que ele a pegasse. Edward a tomou com uma ansiedade desconhecida. Ao verificar o conteúdo a encarou inquiridor.

– Um celular?

– Somente para nossas conversas. É mais seguro.

Voltando a atenção para a caixa, não pode deixar de comparar sua situação com a do tio. A similaridade dos casos novamente lhe trouxe a certeza de que Carlisle mantinha uma relação como a sua. Não sabia como lidar com o inesperado, mas determinou que se o arranjo funcionava para o tio, funcionaria para ele.

– Obrigado! – agradeceu sinceramente. – Mas terá que me mostrar como usá-lo. Nunca tive um desses.

– É... Esse modelo é novo. Um pouco complicado, mas quando se acostumar verá que não difere dos outros que teve.

– Nunca tive qualquer outro. – corrigiu já que não se fez entender.

– Nunca?! – Bella abafou a exclamação com as mãos sobre a boca; atônita. Em que mundo Edward vivia?

– Pelo menos não que eu me lembre. – murmurou curioso quanto àquele assunto; alguma vez tivera celular? Quantos detalhes sobre si ainda se descobriria ignorante?

– E como não se lembraria? – Bella interrompeu seus pensamentos, encarava-o com estranheza.

– Esqueça. – demandou aborrecido; não estava disposto a explicar. – Eu leio o manual.

– Não. Eu posso...

– Tudo bem Bella. – tinha consciência que a moça não era culpada por seu esquecimento, mas não conseguia ocultar sua irritação. – Posso ser esquecido, mas possuo discernimento suficiente para entender algumas instruções básicas.

– Certo... – ela anuiu, como sempre sem entender a variação súbita de humor. – Não terá muitos problemas, a vendedora já fez as configurações básicas e eu inseri o número do meu na memória. Também o coloquei no silencioso, assim quando tocar ninguém ouvirá. Mas terá que estar com ele o tempo todo.

– O tempo todo? – ele não estava certo quanto aquilo. Sem dosar a frieza da voz, perguntou ainda. – Quantas vezes você pretende ligar? E não espera que eu atenda todas as vezes não é?

– Não... Sei que nem sempre será possível. – encarou-o, perguntando-se o que o teria deixado tão irritado quando parecia ter gostado do presente.

– Folgo em saber. Agora acho melhor ir embora antes que Renée apareça para ver o que tanto resmunga.

– Nesses primeiros dias que papai vai para o mar ela toma remédios para dormir. – Bella explicou; não queria que ele se fosse sério como estava. – Não levantará mais... Fique.

– Preciso levantar cedo... E é melhor não abusarmos da sorte. – Edward a trouxe para seus braços, sabedor de que era o responsável pelo rosto amuado por sua frieza anterior. Após beijá-la de leve, sorriu e falou. – Vou deixá-la terminar meu desenho. Sei que não dou muitos motivos, mas tente me deixar mais alegre.

– Posso tentar, mas não agora... Acho que vou deixá-lo como está. Ele saiu de minha saudade e como já o vi... – falou receosa; confusa com a nova mudança. – Vou seguir seu exemplo e dormir.

Edward gostou do que ouviu. Também havia sentido sua falta, contudo não lhe diria. Como esclareceu antes, não ficaria se declarando. Ao invés de palavras, preferia mostrar em ação. Estreitando-a mais em seu abraço a beijou apaixonadamente.



Notas finais
Espero que tenham gostado... Bjus lindas... Bom final de semana!... :D