Notas iniciais
Oieeeeeeeeeeeeeeee... Morta, morta de saudades de vcs... E ansiosa tanto quanto cada uma que espera pelo livro.Bom, já sabem. Quando venho deixar bônus é que tenho recado a dar. Vim lhes contar que o texto já foi revisado pela corretora, por mim e a editora e ontem foi enviado para a diagramação onde será passado para o formato de livro. Agora só estamos na pendência da capa, mas estamos cada vez mais perto...Obrigada pela colaboração e o incentivo, assim como as novas indicações... Vcs são as melhores!Agora vamos aos bônus... BOA LEITURA!

– Eu me esqueci de avisar que amanhã à noite terá Vernissage na galeria. – Bella comunicou à mãe durante o café da manhã. Arriscava a desculpa que formulou durante a noite, depois de ter sido a filha exemplar, não indo à praia como recomendado e ajudando a mãe a preparar o desjejum.

– Um nome chique demais para a exposição de meia dúzia de quadros de algum ilustre desconhecido local naquela lojinha metida a “galeria” – Rosalie zombou mostrando a língua para a irmã que a encarava com uma sobrancelha erguida.

– A Arte & Estilo não é uma lojinha sua chata. – Bella respondeu simulando seriedade.

– Sabe que não gosto quando volta tarde de Wells, Bella. – Renée falou encarando-a séria, sem se importar com o arreliar entre irmãs. – Já bastam as noites de quinta.

Rosalie apenas olhou de uma a outra e voltou sua atenção para a comida depois de lançar um olhar pesaroso pela iminente recusa ao seu comunicado. Bella não pode deixar de notar o rosto corado antes de prosseguir com seu embuste; não se renderia sem lutar.

– Eu sei... Por isso mesmo que estou pensando em dormir na Alice. – quando a mãe ameaçou retrucar, acrescentou. – Não seria a primeira vez... E faz tempo que não vou a nenhuma reunião assim. Por favor, mamãe...

– Ah! Está certo. – Renée aquiesceu ante o olhar suplicante. – Se eu gostasse desses eventos iria com você assim não me preocuparia tanto, mas sabe como os acho aborrecidos... Sem contar que nunca entendo o que esses artistas de hoje querem mostrar através daqueles rabiscos sem forma.

– Está sendo muito crítica. – Bella retrucou, sorrindo satisfeita pela noite livre. – Tudo bem não gostar do Cubismo, mas havia figuras distintas nas telas da mostra que a levei.

– Havia sim. – a mãe concordou também sorrindo. – E por falar nisso, conseguiu terminar o desenho que estava lhe aborrecendo? Posso vê-lo?

– Eh... – a pergunta roubou um pouco da animação; não havia escondido sua obra daquela vez; imprudente. – Não terminei ainda... Vou voltar a ele quando acabar essa panqueca divina. Eu já a parabenizei? – elogiou para desviar-lhe a atenção.

– É a mesma de sempre Bella. – a mãe retrucou, ainda que envaidecida.

Com um sorriso encerrou o assunto e comeu em silêncio. Ao terminar, deixou a função de ajudar a mãe na organização da cozinha para Rosalie e marchou até seu atelier. Logo tratou de esconder o desenho inacabado junto ao primeiro. Após organizar seu espaço, sacou o celular e colocou mãos à obra. Sua primeira ligação fora para a amiga.

– Já estou em aula Bella... – Alice sussurrou tão logo avisou que precisavam conversar. – Não pode me ligar depois?

– Não. – Bella falou rapidamente. – Serei breve, apenas escute... Amanhã à noite eu preciso estar livre e disse à mamãe que irei dormir na sua casa. Obrigada por ajudar.

– Ei! – exclamou; então num sussurro, acrescentou. – Não tão rápido. Que estória é essa de noite livre?... Não me diga que vai aumentar sua participação lá naquele lugar?

– Não vou. – retrucou segura. Por ela nunca mais iria “àquele lugar”, mas esse assunto deixaria para depois. No momento Edward era o mais importante. E como sabia que teria de explicar, falou também num murmúrio. – Tenho um encontro com “ele”.

– Minha Nossa! – a amiga falou acentuando cada palavra. – Está me dizendo que vai se encontrar com o p-a-d-r-e? – disse assim, soletrado num sussurro.

– E-s-t-o-u. – Bella zombou imitando-a.

– E eu tenho que ajudar? – exalou incrédula. – O que foi que eu lhe disse Bella?

– Por favor – pediu livre de humor, vendo seu plano ruir. –, não tenho mais ninguém.

– Esse detalhe por si só já é indicativo que está fazendo coisa errada. – retrucou a futura cunhada. – Desista enquanto é tempo. Essa brincadeira não tem como acabar bem.

– Não estou brincando. – afirmou embargada; sua chance não poderia ser barrada justamente por seu álibi. – Esqueça o que disse sobre beijinhos, Alice... Estou apaixonada!

A amiga permaneceu em silêncio após sua declaração; por um momento Bella acreditou que a ligação tivesse sido contada, porém ao ouvir um longo suspiro, entendeu que Alice apenas tomava o tempo para assimilar a novidade. Expectante, esperou muda até que esta deliberasse.

– Já se cuidou como conversamos? Não quero ser tia de uma criança sem pai. – falou por fim. Naquele momento Bella liberou o ar que nem percebeu ter prendido. Estava contente com a ajuda, mas a tensão não lhe permitiu sorrir quando a tranquilizou. Sem se mostrar aliviada, Alice retrucou. – Ao menos isso. E como fará? Vai mesmo para minha casa ou só devo confirmar?

Iria depois da aula para se trocar antes de seu encontro, disse à amiga. Depois de tudo acertado sua futura cunhada simplesmente desligou para deixar claro seu desagrado agora que o relacionamento proibido se tornava real. Trêmula, Bella se ordenou que se acalmasse. Alice resistia à novidade, mas ao menos colaboraria; precário, mas era um ponto a favor. Antes de dar o segundo passo, respirou fundo algumas vezes, seus dedos incertos mal acertavam os números já decorados.

Pronto. – ouviu a voz melodiosa após alguns toques.

– Oi. – ela suspirou aliviada. – Bom dia! – cumprimentou mais segura, com o coração aos saltos como se estivessem próximos.

Buon giorno Bella. – o padre respondeu. Seria impressão ou ele riu levemente? Seja como for, seu tom expressava um humor melhor naquela manhã. – Dormiu bem?

– Nem sei se dormi.

Como pode não saber? – ele arremedou livremente sua pergunta da madruga anterior. O ânimo de fato estava melhor.

– Não dormi e a culpa é do senhor, feliz agora? – apesar de retrucar, sorriu aliviada.

Ficarei feliz ao repetir o feito quando estivermos juntos. – disse sugestivo.

Com as sobrancelhas unidas, Bella olhou para o visor, conferindo o número marcado; era com Edward que falava. Sorrindo, voltou o BlackBerry ao ouvido.

– Para ajudar com sua felicidade que liguei... Estarei livre amanhã à noite.

À que horas? – soou prático.

– Após as sete, qualquer uma que determinar... Não sei seus hábitos. – e como Alice ele se calou. Pacientemente esperou por uma resposta.

Ás oito horas está bem para você? – perguntou levemente rouco.

– Está perfeito! – exclamou aquecendo-se com o tom modificado da voz cantada.

Tem como haver desencontros? Como se chama o lugar?

– Não me lembro do nome, mas é o único motel mais próximo... Não tem como errar. Acho melhor não tratarmos nada antes... Quem chegar primeiro escolhe o quarto e avisa ao outro. O que me diz?

Tanta eficiência abalou ligeiramente o bom humor do padre, mas ele não se deixou abater. Repetiu a ladainha que recitou durante o restante da madruga depois de deixá-la; não importava o que ela havia feito “antes”.

– Gosto que seja assim. – concordou, decidido a ser ele a escolher a acomodação.

Bom... Sei que não está acostumado com esse tipo de coisa, então devo alertá-lo que não é bom dar seu nome. Se quiser pode usar o meu.

E novamente ela mostrava sua desenvoltura, golpeando mais uma vez o raro bom humor. Paciência, Edward demandou a si mesmo.

Bem lembrado. – pigarreou para desobstruir a garganta. Ao contrário do que imaginou ao receber o celular, flagrou-se querendo estender a conversa, porém ouviu o som de passos vindo do corredor. Aborrecido com a interrupção, avisou rapidamente. – Preciso desligar agora. Até a noite.

– Até... Ciao. – ele a ouviu dizer antes de desligar e voltar o aparelho ao bolso. Já deixava sua cadeira quando Carlisle assomou à porta.

– Pensei que houvesse alguém aqui. – comentou olhando em volta.

– Estou sozinho. – Edward assegurou desnecessariamente.

– Nunca estamos sozinhos. – o tio falou manso, apontando o alto num gesto corrido. O jovem padre suspendeu a respiração por um instante, não retrucaria. Nem poderia, pois aceitava a verdade. Exasperante era conhecer a intenção oculta na breve pregação, mas não se deixaria abalar. Quem estava constantemente ao seu lado conhecia suas angustias e questões.

– Já arrumou tudo que pretende levar? – mudou de assunto.

– Não há muito a arrumar. Terminei agora. – Carlisle disse com expressão preocupada. – Se não fosse necessário eu ficaria.

– Disse que não sabia o motivo de estar sendo chamado. – Edward uniu as sobrancelhas ao inquiri-lo. – Subitamente é necessário que vá?

– Foi apenas uma maneira de dizer. – o tio se justificou. – E não posso me negar a atender o reitor Ramiro.

Novamente considerou suspeita a viagem repentina que poderia lhe trazer problemas. Todavia, ainda que desconfiado, não cria que Carlisle o delatasse quando possuía seus próprios segredos.

– Acredito que não. – falou ainda o encarando perscrutador. – Bom, quando quiser é só avisar que o levo a Wells.

– Não será preciso. Ontem Sam me ofereceu carona, vou com ele.

Edward não questionou. Talvez fosse melhor que se separassem à porta de casa. Uma viagem até a cidade daria margem a novas discussões; ou a um silêncio sepulcral. Ambas as alternativas não eram animadoras e apenas serviriam para afastá-los mais. Sentia-se enganado, mas ainda o queria bem.

– E a que horas sairão?

– Poderia ao menos disfarçar a ansiedade em me ver pelas costas? – o tio indagou sentido, demonstrando a Edward o quanto esteve certo em desejar evitar estarem juntos no trajeto até Wells.

– Não o quero pelas costas. – em parte dizia a verdade. – Está viajando de livre e espontânea vontade. – subitamente cansado, sugeriu fazendo menção de sair. – Acho melhor que fiquemos longe até que parta... Estou farto de nossas brigas.

– Não Eddie. – Carlisle chamou, detendo-o. – Desculpe-me, eu não deveria ter dito isso. Bom, sairemos daqui a uma hora.

Desconcertado com o pedido de desculpas e a mudança repentina, Edward colocou as mãos nos bolsos. Ao tocar o aparelho que o manteria em contato com Bella o apertou procurando força para enfrentar o que viesse. E então entendeu; mesmo que indiretamente, seu tio havia lhe indicado o caminho. Antes de se ressentir, deveria ser grato. Procurando os olhos azuis, descobriu que sentira sua falta e que o queria de volta não importando como convivessem futuramente.

– Já que temos uma hora, o que me diz de passarmos ao salão e rezarmos pedindo por uma viagem tranquila, livre de percalços e um regresso seguro?

– Se eu puder acrescentar que fique igualmente tranquilo, firme diante das tentações e seguro no caminho que escolheu seguir, tanto melhor... – falou indicando a porta.

– Então vamos. – Edward tomou a frente; taciturno. As tréguas demorariam a se estabelecer. – Vou reforçar todos os seus pedidos, pois preciso mesmo me manter seguro no caminho que escolhi.

O momento da despedida não foi melhor. Distantes da naturalidade anterior, os padres apenas apertaram-se as mãos educadamente; cada qual absorto em seus próprios pensamentos. Edward, mesmo preocupado com a viagem solitária à Washington e reafirmando que sentiria sua falta, sentiu-se aliviado quando Carlisle embarcou na caminhonete de Sam e finalmente se foi; estava livre.

– Que ele faça uma boa viagem. – Sarah Williams falou ao seu lado, lembrando-lhe que a liberdade era relativa.

– Ele fará. – disse apenas, não consternado com a presença da vizinha.

– Agora somos somente nós dois. – a senhora falou lhe sorrindo ternamente. – Algum pedido especial para o almoço?

– Na especial, por favor... – por ele a dispensaria, mas não queria magoar a prestativa senhora que o ajudou quando mais precisou. Bastaria reduzir sua presença. – Sabe que meus hábitos alimentares são simples, então não se preocupe com o jantar. Passarei com o que fizer para o almoço.

– Não estou certa quanto a isso. — encarou-o. – Já come tão pouquinho... Acho que preciso cuidar melhor do senhor, agora que seu tio não está.

– Como o suficiente. – retrucou decidido a encerrar a conversa maternal e invasiva demais para alguém que desejava estar livre de quaisquer amarras. Lembrando-se que havia surgido um compromisso logo após a reza conjunta com seu padrinho, escusou-se. – Perdoe-me, mas agora preciso deixá-la.

– Vai sair? – indagou mal disfarçando sua curiosidade.

– Vou até a casa dos Trent. O filho caçula veio me pedir para abençoar o pai que está enfermo.

– É verdade... O velho Jonas Trent está nas últimas. – ela murmurou pesarosa, porém logo acrescentou dando de ombros. – Mas se eu fosse o senhor já iria me acostumando. Ele está morrendo desde a época do padre Embry.

– Tanto melhor. – Edward retrucou, sorrindo condescendente com a maldade velada da senhora. Poucas coisas naqueles dias o aborreceriam. – Mais um motivo para empenhar-me mais em minha benção. Enquanto houver vida há esperança. Até logo Sra. Williams.

– Por que estou lhe achando estranha Bella? – Renée a encarava com as sobrancelhas unidas; perscrutadora.

Seria por estar visivelmente ansiosa? Considerou sem desviar a atenção do rádio que as colocaria em contato com o FS I. Desejava que a mãe começasse a lidar com a máquina assim poderia escapulir para seu quarto quando não estivesse no clima de conversar com o pai. Na verdade não estava para conversas com ninguém. Queria apenas a noite seguinte e caso ela demorasse a vir como ocorreu com aquela chegaria a ela sem uma única unha inteira ou fio de cabelo sem estar incolor.

– Não faço ideia mamãe. – disse em voz alta, inconformada com sua total inépcia em estabelecer encontros secretos.

– Tem a ver com as ligações cada vez mais raras de Emmett? – a mãe voltou à carga. – Vocês brigaram?

– É isso. – Bella estava prestes a negar, porém reconsiderou uma vez que o fim do relacionamento estava próximo. – Eu não quis dizer ontem, mas estávamos brigando quando me ouviu falar sozinha.

– Não fique assim querida? – sua mãe tocou-lhe o ombro, confortando-a. – Tenho certeza que é somente uma briguinha passageira. Está claro o quanto ele gosta de você e não se esqueça de que seu pai está muito contente com esse namoro.

E esse era todo o ponto; ironizou para si enquanto repetia o prefixo utilizado pelo pai esperando por sua resposta. Se Charlie Swan estava satisfeito o mundo deveria se adequar para que ele se mantivesse assim não importando o quanto os pobres mortais estivessem miseráveis. Contrariada, agradeceu o chiado característico e voz metalizada de Charlie a lhe responder.

– Boa noite papai. Como este tudo por aí? – perguntou, descartando o comentário da mãe.

– Tudo calmo por enquanto e espero que continue assim, apesar da previsão de chuva. E aí, notícias de James?

– Não. – disse já deixando a cadeira vaga. – Eh... Vou passar para mamãe e então vocês conversam... Boa noite papai... Diga ao Jasper que estou mandando um beijo. – então, sem esperar por resposta passou o fone para Renée. – Assuma daqui, vou subir.

Não dando tempo de sua mãe retrucar, deixou a sala sob o olhar avaliativo da irmã que as ouvia sem participar. Ledo engano imaginar que ficaria sozinha ao entrar no quarto. Logo Rosalie assomou à porta já no assunto que veio abordar.

– Então? Dirá ao menos para mim o que a perturba? – sentando em sua cama, descartou uma das hipóteses. – Sei que não é saudade de papai, senão teria ficado para conversarem como sempre.

– Não tenho nada. – negou veemente, indo à varanda para apreciar o por do sol que cada vez mais se dava mais cedo com a proximidade da mudança de estação. – Vocês que tiraram o dia para cismar comigo.

– Não acredito em você e vou descobrir o que há. – Rosalie avisou e então arriscou. – Anda toda “suspiros” por alguém, não é? Está apaixonada? Por que não diz de uma vez?

– Porque não tenho o que dizer. – bufou.

– Iria me poupar o trabalho de investigar e...

– Certo Sherlock! – Bella interrompeu-a aborrecida, empurrando a irmã para que deixasse a varanda. – Não vou facilitar nada então vá caçar pistas...

Ao atirar Rosalie para dentro do quarto, fechou a porta com estrondo, considerando-se uma estúpida elevada à décima potência; como poderia deixar transparecer o que sentia daquela forma? Por sorte a irmã não a conhecia como Jasper ou Jacob, caso contrário já teria matado a charada. Precisava se policiar a cada minuto quando estivesse junto a ela para não liberar nem mesmo um bocejo quanto mais um suspiro maldito.

Procurava em sua mente pelo dia exato que se tornou uma apaixonada folhetinesca quando seu BlackBerry tocou. Reconheceu o toque escolhido para seu “herói” imediatamente.

– Bella. – e então seu nome era música e apagava qualquer aborrecimento.

– Oi... – suspirou; sim, era uma mocinha de folhetim, determinou sem se importar em ser patética.

Quero vê-la essa noite. – Edward disse sem preâmbulos.

– Essa noite? – repetiu incerta. Não era o que queria? Então porque o súbito receio?

Precisamos conversar... Acho importante antes de nosso encontro amanhã.

– Sobre o quê? – não queria saber na verdade, impressionada com a seriedade da voz.

Digo quando chegar aí. Irei um pouco mais tarde assim teremos certeza que sua mãe e irmã estarão dormindo.

Antes de responder foi até a porta do quarto e a abriu de sofre, temendo que Rosalie a tivesse escutando, porém este estava vazio.

– Combinado. – disse indo conferir o banheiro; ninguém. Depois da despedida breve, a moça olhou o visor, acabrunhada. Poderia ter uma vaga ideia do que seria e antecipadamente tentou decidir o que fazer.

Horas se passaram sem que tivesse chegado a uma conclusão minimamente satisfatória. Nem mesmo conversar banalidades forçadas com Jacob por alguns minutos a ajudou a distrair sua tensão. A ligação feita por se sentir culpada de nunca visitá-lo serviu apenas para saber que o amigo estava bem; recuperando-se de sua “queda” e nada mais.

Quando descia pela grade ao lado da varanda, sentia-se oprimida por não saber o que dizer ou como os rumos da conversa afetariam o futuro de seu relacionamento ainda tão frágil.

Como da última vez, foi preciso calar um grito alarmado ao ser capturada antes que chegasse ao chão.

– Precisa parar de fazer isso. – Bella pediu num sussurro entrecortado; já mantida contra o peito sólido. – Quase me mata de susto!

– Merecido já que quase me matou de saudade. – Edward sentenciou antes de beijá-la.

Não exagerara; a falta sentida fora verdadeiramente incômoda e se agravou ao constatar que ela não o visitaria na sacristia como esperou que fizesse. Por esse motivo lhe telefonou, indo contra ao que imaginou inicialmente. Pareciam-lhe que oito dias seria muito pouco para desperdiçarem logo de início.

Queria apenas estar com ela livre de cuidados, para enfrentar as horas que viriam até estarem juntos novamente, longe de tudo e de todos. Então, ao ser abraçado pelo pescoço, separou-se dela antes que quisesse mais.

Antes que dissesse qualquer palavra, ela falou num murmúrio vacilante.

– Também acho melhor pararmos... Veio para falar da boate, não foi?

Não havia sido, mas ao ser lembrado, Edward considerou que seria oportuno conversarem a respeito.

Vero... Seria bom esclarecermos isso de uma vez por todas, mas não aqui... Não quero ter que sussurrar cada palavra.

– Então venha. – Bella o tomou pela mão e levou para além dos limites do quintal, seguindo para a praia.

A noite não estava necessariamente escura, mas com a maré baixa não seriam vistos se ficassem próximos à faixa de areia molhada, distantes dos fundos das casas. O único incômodo seria o frio do vento marinho, caso fosse sentido. Bella estava muito quente; abalada por ainda não saber o que diria. Verdade ou consequência?

– É bonito aqui. – ele falou alheio às suas aflições. Também pelo cenário, mas principalmente por ela, desejável em uma camisola instigante ainda que muito decente. Os cabelos soltos, esvoaçando ao sabor do vento.

– De onde eu vejo é bem bonito. – ela exalou permitindo-se sorrir a despeito de seu nervosismo. Como reparar em belezas naturais com ele diante de si, tendo os cabelos do mesmo tom da areia sob seus pés descalços, iluminados pela lua não muito alta? Com um suspiro, focou no que era preciso fazer. Melhor irem logo ao ponto. – Veio me pedir para parar não foi?

– Imaginei que nem fosse preciso pedir. – Edward retrucou colocando as mãos nos bolsos da calça jeans, contrafeito. Já livre do encantamento que a natureza dava a ela. – Achei que minha posição tivesse sido entendida e aceita.

– Então veio somente confirmar que eu pararia? – ela perguntou confusa. Fora ele que sugerira o assunto, não?

– Já não importa o que vim fazer. – falou ácido, não gostando da colocação empregada nas perguntas. – Diga-me você o que vai fazer.

– Bom... – começou. Era chegada a hora então seguiria o roteiro da forma que lhe era apresentado. Não poderia parar com as apresentações como pretendia e um padre não resolveria seu problema, então... Desejando-se boa sorte, prosseguiu. – Eu gostaria que entendesse que não posso deixar a boate de imediato.

– E posso saber por que não? – sibilou. – O que a prende àquele lugar?

– Não estou presa. – como já estava decidida pela consequência era seguir em frente. – Vou sair e até já comuniquei a Barry, mas assumi o compromisso de que esperaria até que ele arrumasse alguém que me substituísse. Não quero voltar minha palavra atrás e deixá-lo na mão assim sem mais nem menos. Seria poucos dias; um ou dois. Não pode entender?

– Para lhe ser bem sincero não entendo nem mesmo o que a levou a um antro como aquele em primeiro lugar.

– Hoje nem eu mesma sei. – Bella falou intimista. – Mas na época acreditei estar apenas me divertindo. Não vi maldade na brincadeira.

– Brincadeira?! – Edward remedou atônito; incerto quanto à integridade mental da moça. – Dançar nua na frente de estranhos é sua ideia de brincadeira?

– Como disse – retrucou incomodada com o julgamento que inevitavelmente ele lhe fazia –, na época me pareceu que sim... E se quer saber eu nem os vejo; pouco me importava quem estivesse na plateia. Não os conheço... Só o que me interessava era a sensação de liberdade, a transgressão. Era isso que me divertia.

– Estranha forma de transgredir contra o que quer que seja... E havia um conhecido. – lembrou-lhe seco, sentindo a conhecida pontada possessiva em seu peito. – Se ele é somente um amigo deveria se importar que lhe visse daquela maneira.

– Das primeiras vezes incomodou, mas depois Jacob passou a fazer parte da massa sem rosto. Até me esquecia de que estava lá.

– Assim como espera que aconteça comigo? – o padre indagou raivoso por imagina que ela jogasse com ele como fez anteriormente com outro; não era um moleque. – Saiba que jamais assistiria passivamente mulher minha se despindo para outros.

– Acontece que não sou sua mulher não é mesmo? – lembrou-lhe agastada. Pedia apenas um pouco de entendimento. Queria o mesmo que ele, mas estava de mãos atadas. E quem ele pensava que era afinal? Aborrecida acrescentou. – O senhor já deixou claro que nem mesmo posso considerá-lo meu namorado. Não temos nada um com o outro, como acha que pode me cobrar alguma coisa?

As palavras estalaram no rosto de Edward com a força de uma bofetada. Conscientemente ele sabia que Bella tinha razão, porém não era sua parte racional que o movia naquele momento. E o homem de brios que não toleraria ser desfeiteado de nenhuma maneira se perguntou o quanto ela podia ser dissoluta?

– Sabe que minha posição não me permite manter qualquer tipo de relacionamento quanto mais nomeá-los. Justamente por isso, tendo nome ou não, depois de tudo o que fizemos... ou o que você fez comigo bem ali – apontou em direção a casa – acreditei que tivéssemos “alguma coisa”.

Havia ido longe demais, Bella percebeu tardiamente ao seguir-lhe o raciocínio.

– Por favor, me entenda. – tentou contemporizar finalmente sentindo mais que o frio noturno nas palavras gélidas do homem ofendido. – Não foi dessa forma que quis colocar. Há sim alguma coisa entre nós, apenas acho que não pode me cobrar um comportamento exemplar...

– Quando eu mesmo não o tenho? – Edward cortou-a invernal. – É a isso que se refere? Um padre sem vergonha que se rende ao assedio de uma moça deve aceitar qualquer promiscuidade que venha dela, pois não tem moral para questionar?

– Não! – exclamou alarmada. Edward não estava muito longe da verdade, mas dito em voz alta soava como afronta e completamente fora do contexto. – Não coloque palavras na minha boca. Como eu poderia considerá-lo errado por me aceitar depois do tanto que lhe provoquei? Estou pedindo apenas que me entenda. – falou tocando-lhe o braço; não queria perdê-lo.

– Pois não há meios. – ele replicou afastando o braço bruscamente como se seu toque o incomodasse. – Como entender alguém que ao se denegrir permite que humilhem os pais constantemente? Eu também estive lá Bella... Assim como Jacob e amanhã qualquer outro de Sin Bay... Talvez até mesmo seu irmão. É admirável que não tenha acontecido até hoje... E quando outra pessoa descobrir o que chama de diversão? Qual acha que será a reação de sua família? O que Charlie dirá? Acredita que ele lhe dará os parabéns por entreter todos os homens dessa monótona cidade? – zombou maldosamente; ferido.

Bella estava ciente de todas aquelas coisas; sentira na alma a agonia de ser descoberta. E queria parar, gritou mentalmente, mas não poderia. Precisava apenas de tempo. De preferência com ele ao seu lado. Faria com que a entendesse depois, no momento passou a ser primordial acalmá-lo.

– Acha que já não pensei em tudo isso? – falou pausadamente, começaria por amansar a si mesma. – Já lhe disse que vou sair. Não quero correr esses riscos que citou. Assim que Barry arrumar uma substituta eu caio fora.

– “Caia fora” imediatamente. Qualquer uma daquele antro pode fazer o que faz. Não há diferença. – falou exaltado; inflamado por vê-la nitidamente na última apresentação. E nas anteriores quando se mostrou muito a vontade e recebeu a gratificação diretamente em sua calcinha com maior desenvoltura. Desprezando seu corpo fraco por se excitar à visão, moderou a voz. – Acho que apenas tenta ganhar tempo.

– Juro que não.

– Disse em meu confessionário que gosta do que faz e eu comprovei pessoalmente. Aquele palco é mesmo um parque de diversões para você. – o padre continuou como se ela nada tivesse dito.

– Já foi um dia, não é mais. – assegurou.

– Disse que recebe um bom dinheiro... – Edward realmente não a ouvia preso em seu ciúme eclipsante. – Se eu lhe oferecer semanalmente mais do que ganha em sua única apresentação, deixaria de ir?

– Agora está me ofendendo. – Bella retesou-se. – Não sou uma prostituta!

– Isso é relativo. – prosseguiu ressentido. – Já lhe disse que para mim elas são melhores do que você, pois entregam o que lhe pagam para ter.

Edward não dizia nada que não tivesse entendido por conta própria, mas em sua boca; maculando a voz cantada que tanto adorava, a verdade adquiria proporções avassaladoras que a esmagavam como se fosse o mais repugnante dos vermes. Não se considerava assim tão desprezível.

– Não preciso ouvir essas coisas. Se eu sou pior que uma puta é melhor pararmos por aqui. – ela gritou dando-lhe as costas.

Engolindo as lágrimas que ameaçavam vir à tona, precipitou-se em direção a sua casa. Foi contida pelos cabelos da nuca antes de completar o segundo passo. Não doeu, mas o susto lhe roubou o ar. Antes que se recuperasse, foi espremida de encontro ao corpo maciço de um Edward furioso.

– Não se atreva a me deixar falando sozinho. – ou tentar dispensá-lo, pensou aterrado com a possibilidade. Trêmulo pelo temor de que ela realmente rompesse o pouco que tinham, vociferou. – Não pode me deixar; não agora. – que estava completa e desgraçadamente apaixonado, poderia acrescentar para que ela entendesse daquela vez.

– Então como será? – Bella indagou embargada. – Eu realmente não posso parar e já deixou claro o que pensa de mim, então... ?

– Acho que não se trata de diversão ou dinheiro. – como ele não viu antes? – O que a prende àquele palco é seu apego à fantasia.

Então Edward a estreitou mais em seu abraço.

– O quê? – Bella estava confusa com a brusca mudança de atitude; o tom rouco e baixo.

– Aceitar que não seja a famosa “Virgem” talvez facilite sua saída. – aquele era o ponto, determinou prendendo mais forte o cabelo que ainda segurava para erguer a cabeça da moça e ter acesso à boca entreaberta. Beijou-a com sofreguidão, sem se importar com a resistência inicial. Os socos fracos que recebia em seus ombros apenas serviram para estimulá-lo a imprimir maior força, não a deixaria partir. – Aceite a verdade cara mia.

Queria saber do que se tratava, mas Edward não lhe dava espaço. Capturou-lhe a língua com um gemido gutural enquanto a apertava mais; novamente lhe tirando o ar. A restrição a excitava mais do que sufocava. Não morreria asfixiada pela paixão demonstrada, porém ainda queria entender o que a havia desencadeado quando brigavam ferrenhamente. Tentando se valer do restante de suas forças, quis afastá-lo.

– Pare de tentar fugir. – o padre pediu finalmente livrando sua boca para prender os lábios na curva de seu pescoço. – Vou fazer com que encare a verdade.

– Qual...? – foi tudo o que Bella conseguiu exalar ao rolar da língua inexplicavelmente experiente sobre sua pele sensível e ter um seio esmagado ainda sobre o bojo da camisola de malha. E novamente a noite esquentou, aquecendo-a por inteiro e estabelecendo o conhecido latejar doloroso no vale entre suas pernas.

– Que não é virgem porcaria nenhuma. – Edward falou por fim, já arriando a alça de sua camisola, substituindo a mão pela boca afoita.

– Mas eu sou... – miou num suspiro inaudível, amolecida pelo sugar ritmado d bico eriçado de eu seio.

Suas pernas vacilaram ante a languidez com que era provada. Antes que percebesse estava estendida sobre a areia fria e macia com todo seu colo despido, tendo o peso de Edward sobre si. Estava muito acesa, mas no fundo de sua mente algo gritava para que voltasse à razão, não era para ser daquela forma. Cogitou protestar e então era novamente beijada e tocada intimamente por uma mão torturante.

– Por favor, senhor... – implorou.

Fosse qual fosse o teor de seu pedido, serviu apenas para incitar o padre a ir adiante. Não se tratava mais de fazê-la aceitar sua verdade e sim finalmente possuí-la, talvez até confirmar a si próprio que já havia estado com uma mulher. Talvez viesse dali todo o ardor desesperado que dava vida própria àquela porção pulsante sempre rebelada; não conhecer, mas sim saciar a necessidade sufocada por anos.

– Por favor... – ela gemeu em agonia, acreditando que desfaleceria ao estimular insistente em seu ponto de prazer. Já não se importava que acontecesse ali, como na beira da estrada ou contra a parede da casa dos Clearwater, mas preferia que Edward fosse um pouco mais delicado. A impetuosidade demonstrada começava a assustá-la.

– Vá devagar... – choramingou ainda a vagar entre o prazer e o temor.

Teatro, ele sabia. Não fazia nada que outro já não tivesse feito. Para alguém que se lamentava, ela estava muito pronta, separando as pernas para recebê-lo.

– Preciso de você... Ora!

– Apenas vá devagar. – repetiu num murmúrio; também o queria. – Nunca fiz isso antes.

Sem responder-lhe, Edward prendeu seus lábios mentirosos e os beijou profundamente. Estendendo-se sobre ela, substituiu sua mão por aquela parte enrijecida, ainda coberta, para que ela soubesse o quanto a desejava. Com isso conseguiu excitá-la, mas na mesma medida alarmá-la; o descuido estava claro. E ele a machucaria se a invadisse sem gentileza. Então a constatação a despertou, apavorando-a de vez.

– Pare, por favor... – pediu ao ter a boca liberada e sentir a preparação para irem além.

Non posso... – rosnou roucamente já lutando com os fechos de sua calça e os excessos de pano que se interpunham entre eles. Percebendo a urgência que não permitiria a Edward parar ou ao menos se refrear por alguns instantes, Bella se debateu procurando por liberdade. Não precisava ser daquela forma.

– Não.

A fraca negativa soou ao expectante padre como fala ensaiada. Resistir fazia parte do texto de “moça imaculada”. Alucinado, com a respiração suspensa, Edward posicionou seu membro hirto diante daquele espaço que gloriosamente o receberia. Ao entrar, confirmaria a mentira e faria de Bella sua mulher de forma inquestionável.

Pareceu que a ouviu negar uma última vez, mas não teve certeza; e então arremeteu seu quadril de encontro ao dela num único movimento.

O grito embargado da moça não o assombrou mais do que a resistência dolorosa encontrada naquela parte dela que deveria acolhê-lo inteira e prontamente. A surpresa o atordoou por um segundo e mesmo muito estimulado a prosseguir, afastou-se dela desnorteado.

Queria entender o que acontecia, porém foi novamente surpreendido ao ser empurrado para longe. Fora atingido no peito, por um dos pés de sua amante que durante o ataque terminou por espalhar areia para todos os lados. Atordoado, não esboçou reação ao vê-la levantar e, trôpega, correr em direção a casa. Somente então Edward entendeu. Bella não havia mentido; machucou-a e ela estava partindo.

A compreensão atingiu sua mente antes que seu corpo. Demorou segundos preciosos até que conseguisse se recompor para que a seguisse, maldizendo o sigilo do encontro que não lhe permitia gritar ordenando que ela o esperasse.

Ao vê-la ganhar distância, tentou acreditar que a venceria na corrida. Contudo sua esperança era vã; poucos metros a separavam de sua segurança; separavam-na dele. Edward chegou aos pés da grade quando Bella já saltava para a varanda. Em uma última tentativa alarmada, falou num sussurro que sabia ser suficiente para que ela o ouvisse.

Bella aspetta... Lascia che ti parli... – ao ouvir a porta sendo fechada, percebeu ter falado em sua própria língua; ela nem ao menos o entendeu. – Inferno.



Notas finais
Tenso... Se vcs ficaram como as meninas do orkut e do face estão divididas entre a vontade de estrangular o padre e o sentimento de que a Bella fez por merecer. Basicamente é isso... os dois estão errados. Agora é ver no que dará... Como não quero deixá-las sofrendo de curiosidade, hoje a noite ou amanhã pela manhã posto o bônus seguinte.... Bjus suas lindas...