Notas iniciais
Oie... Boa noite!... Trouxe mais um capítulo para vcs... Amores, obrigada pelos reviews e pelas indicações... Hoje não vou prendê-las. Bora ao padreco na The Isle... BOA LEITURA!

– Vai sair assim? – Carlisle o interceptou quando já pegava suas chaves. Edward as colocou no bolso da calça jeans juntamente com a carteira com seus documentos e algum dinheiro para as despesas que viesse á ter. Nunca antes havia ido á uma casa mal afamada, mas esperava não parecer diferente dos demais frequentadores ao se apresentar sem suas vestes eclesiásticas. A calça escura e a jaqueta de couro sobre uma de suas tantas camisetas lhe parecia ser uma boa escolha. De toda forma não possuía muitas roupas de passeio.

– Quero momentos de paz e invisibilidade... – disse apenas. – não chamar a atenção por ser um padre tão novo. Ainda sei quem sou mesmo vestido como os leigos.

– Está bem... – o tio falou inquieto. Depois de passar as mãos pelos cabelos, pediu. – Somente não demore. O que aconteceu comigo ainda está muito recente. Nem quero imaginar que pode acontecer o mesmo á você.

– Não acontecerá. – assegurou encarando-o. Por anos aquela expressão consternada o reteve. Naquela noite, somente o instigava á sair. – Fique com Deus!

– E você vá com ele! – ouviu o padrinho dizer quando fechava a porta atrás de si. Ao chegar ao seu jipe, Edward agradeceu não ter encontrado ninguém em frente á casa. Não estava com ânimo de sanar curiosidades e nem poderia dizer aonde pretendia ir. Enquanto manobrava ao redor da praça, evitou olhar na direção de sua igreja ou pensar que seu Criador verdadeiramente estaria com ele onde quer que fosse e testemunharia suas péssimas ações.

Sentia-se em parte culpado, mas não o suficiente para voltar atrás. Descobriria os segredos de Bella – confirmaria tantos outros caso a flagrasse com Jacob – contudo não retrocederia. Seu erro já fora cometido, agora lhe restava agravá-lo.

Uma vez na estrada principal, Edward ligou o rádio do jipe para distrair-se. Não que estivesse nervoso, apenas queria ajuda para passar o tempo. Naquela noite, como raras vezes acontecia em sua vida, não se perdia em questionamentos e divagações. Parecia-lhe que estava tomando o rumo certo, mesmo sendo conhecidamente o errado; ele precisava descobrir onde estava a verdade daquela sensação. Talvez aquele fosse um dos tantos aspectos sobre si mesmo que teria prazer em descobrir depois que estivesse efetivamente com Bella. Ao pensamento acelerou mais; tinha pressa em encontrá-la.

Edward não estava familiarizado á Wells. Não era uma grande cidade, mas não conhecia as ruas ou seus bairros, contudo chegar ao “The Isle” foi relativamente fácil. Bastou pedir informações ao primeiro taxista que encontrou e depois de decorar todas as direções indicadas, seguir viagem. Em minutos, o padre estacionava vários metros á frente da entrada de onde, segundo Bella, funcionava um bar. O local nada mais era do que um grande galpão reformado. Nunca havia frequentado tal lugar, mas algo lhe dizia que aquele estabelecimento era mais do que a moça dizia ser.

O movimento era intenso; de homens em sua maioria. Edward poderia contar nos dedos de uma mão as mulheres presentes. Apesar da fila, havia certa desordem. Por um instante se arrependeu por estar ali. Talvez não devesse saber tanto sobre Bella visto o tipo de relacionamento que manteriam; ser mentirosa e boa em guardar segredos deveria bastar. Não aprovava apenas que enganasse aos pais daquela maneira, mas nem isso poderia condenar. Também não gostava de saber que Jacob poderia usar aquilo contra ela, mas Bella havia dito que deixaria de vir àquele lugar. Vira onde ela trabalhava; o certo á ser feito era ir embora.

Tal pensamento passou por sua cabeça com a rapidez de ser expulso por sua curiosidade. O detalhe que o mantinha ali era não acreditar completamente que uma pessoa pudesse trabalhar uma única noite. Mesmo com a desculpa sobre as folgas lhe parecia impossível. Preso á essa certeza, sem nem perceber o que fazia, Edward seguiu até a entrada do “bar” para se colocar na fila.

Incomodado, pedia perdão mentalmente pela iminência de entrar em local tão impróprio á sua condição. Vez ou outra arrumava desnecessariamente sua jaqueta sobre os ombros ou passava as mãos pelos cabelos. A fila seguia lentamente. As pessoas que a formavam conversavam animadamente. Ele era o único que sobrava. Tentava desviar a atenção desse fato, quando uma palavra dita por um dos homens á sua frente, chamou sua atenção.

– Nem acredito que você finalmente vai conhecer a virgem. – ele dissera animadamente.

– Nem eu. – o outro disse no mesmo espírito. – Mas se Kátia descobre, eu estou frito.

– Relaxa... A bronca vai valer á pena. Assim que a virgem entrar em cena, você vai cair de joelhos e rezar por ela.

Edward não sabia ao que se referiam, mas duvidava que um lugar como aquele abrigasse mulheres imaculadas. Ainda mais alguma com qualquer toque divino que merecesse tal deferência. Sem que pudesse evitar encarou-os, condenando intimamente tal infâmia.

– Algum problema amigo? – um deles lhe perguntou ao perceber seu olhar.

– Nenhum. – Edward respondeu impassível. – Só estava me perguntando o que uma virgem estaria fazendo aqui.

Depois de olharem-se entre si os homens explodiram em uma sonora gargalhada, irritando-o. O som era extremamente ofensivo. O padre olhava agora de um ao outro sentindo aquele homem genioso que habitava nele se inflamar. Estava prestes á perguntar o motivo de tamanho bom humor, quando um deles disse colocando a mão em seu ombro.

– Desculpe amigo. É que essa á a pergunta que todos nós nos fazemos. O que porcaria uma virgem faz o que faz aqui. – ainda com o cenho franzido, Edward olhou para a mão em seu ombro. Depois de um pigarro o homem á retirou e prosseguiu. – Bom... Pelo sotaque já vi que não é daqui, então me deixe explicar. Na verdade não sabemos a resposta e muitos de nós nem acredita que a safada não tenha pratica em sentar em...

– Eu já entendi. – Edward o cortou.

– Entendeu, não é? – disse piscando e cutucando seu braço com o cotovelo. – Seja como for, a garota é gostosa. Se foi inaugurada ou não realmente não importa. O que vale é a fantasia. E porra... ela sabe fantasiar!

As palavras do homem ainda martelavam na mente de Edward quando finalmente entrou no estabelecimento. Subitamente todo seu desconforto se foi. Era estranho, mas ele se sentiu á vontade naquele ambiente fumarento e escuro. Olhando em volta, localizou o bar. Seu balcão estava lotado, cercado de homens que se serviam de suas bebidas. Alguns abraçados á mulheres sumariamente vestidas. Não era preciso se ter muita experiência para saber que nenhuma delas eram seus pares habituais.

Ignorando-os e evitando fazer pré-julgamentos, o pároco correu os olhos mais uma vez á sua volta. Havia mesas espalhadas pelo salão, cinco moças vestidas em roupas iguais circulavam entre elas. Poucas estavam vazias, principalmente as que estavam dispostas aos pés de uma passarela estendida á frente de um palco iluminado por uma luz amarela. O murmúrio era intenso e se sobrepunha á música ambiente. Em momento algum de sua inspeção, viu um rosto conhecido. Bella não estava em parte alguma.

Talvez fosse melhor que realmente não estivesse. Ainda não saberia o que diria caso a encontrasse, mesmo assim não conseguia ir embora. Uma sensação inédita e ao mesmo tempo conhecia o mantinha preso àquele lugar. Naquele instante entendia todos os pecadores reincidentes que passavam por seu confessionário. Talvez cada um deles tivesse sentido o mesmo que ele em seu primeiro deslize.

A adrenalina liberada por fazer algo proibido se mostrava ser altamente toxica e viciante. Estimulava-o e contraditória e simultaneamente o sedava. Era totalmente errado estar ali, ainda mais por estar seguindo alguém que considerava sua amante, mas a familiaridade fazia com que os detalhes não tivessem importância. Sentir como se já tivesse vindo naquele lugar começava á intrigá-lo mais que a improvável ocupação de Bella.

Ainda preso á essa impressão, Edward escolheu uma mesa localizada á um canto do salão suficientemente escuro para que pudesse observar em volta sem ser notado. Assim que se acomodou, uma das moças que circulavam entre as mesas veio até ele. Estava sumariamente vestida. Os shorts jeans curtíssimos deixavam não somente as pernas à mostra, como também o fundo branco dos bolsos. Os seios levavam seus observadores á uma dúvida interessante; poderiam saltar pelo decote da camiseta de malha vermelha ou escapar por baixo da mesma. A peça fora cortada provavelmente por uma faca cega e deixava exposto todo o abdômen plano. Teria que se preparar para ver Bella nos mesmos trajes.

– Boa noite! – ela cumprimentou com a voz macia. – O que vai ser?

– Por enquanto apenas água.

Sem demonstrar estranheza ao seu pedido, a moça se foi. Edward a observou se afastar. Era linda, não restava dúvida. Contudo, as partes expostas de seu corpo bem feito – mesmo que tenham despertado certa comichão, não o excitaram como aconteceu quando viu Bella estendida na praia pela primeira vez. Bom sinal; mau sinal.

O certo seria não sentir nada por mulher alguma, mas já que seu corpo insistia em mostrar-lhe que estava vivo, preferia que sentisse o mesmo por todas e não por uma em especial. Contrariado com a constatação, o padre considerou que deveria perguntar por ela de uma vez. Descobrir se realmente trabalhava ali e partir. Ainda decidia o que fazer quando os dois homens da fila se aproximaram de sua mesa.

– Ei. – disse o que era afeito á toques desnecessários. – Importa-se que a gente sente aqui com você?

– É mesmo necessário? – perguntou sem falsa cortesia. – Prefiro ficar sozinho.

– Por favor. – pediu o outro. – Quebra essa para mim.

– É que hoje não é o dia dele. – o primeiro começou á explicar.

– Meu cunhado está aqui. Se ele me pega e me delata sou um homem morto.

Edward calou ao desejo de lhe dizer que demonstraria mais temor e respeito á sua esposa ficando em casa e não se escondendo em cantos escuros de uma casa como aquela. Contudo naquele momento ele não era melhor que o homem á sua frente e definitivamente não tinha moral alguma para aplicar lições de boa conduta. Ainda preferia ficar sozinho, mas talvez evitar um desentendimento familiar contasse alguns pontos em seu favor.

Va bene !... – resmungou por fim. – Está bem!

– Ah... Valeu cara!

Edward apenas acenou com a cabeça enquanto se sentavam, antes de olhar novamente em volta. Os dois se apresentaram, porém ele não decorou seus nomes. Não era sua intenção socializar com os frequentadores. Logo a moça trouxe seu pedido e, depois de anotar os de seus indesejados companheiros, novamente se retirou.

– Ainda bem que eles não enrolam... – disse um deles. – Quem você quer ver é a primeira á se apresentar.

Por um instante Edward se alarmou. Como aquele estranho poderia saber quem ele desejava ver? Porém bastou olhar em sua direção para perceber que o homem conversava com o amigo que depois comentou.

– São loucos! Se ela é tudo o que me diz, deveriam guardá-la para o final. Não é sempre assim com as grandes atrações?

– Geralmente sim... Mas acho que isso faz parte da jogada. Eles a deixam ser a primeira para que idiotas como nós continuem acreditando em sua “pureza”. – então depois de ir da própria piada, continuou. – A “donzela” não pode chegar tarde, sacou?

Algo no comentário chamou á atenção de Edward mais uma vez. Contudo o pensamento era tão insano que tratou de expulsá-lo. Quando a moça trouxe o pedido dos homens, novamente ele cogitou perguntar por Bella. Agora mais do que nunca precisava saber “onde” ela estava. Determinando que talvez ela estivesse atrasada, nada falou.

– Gostosa, não? – Edward apenas olhou de soslaio para o homem. Decididamente preferia estar sozinho. Notando seu crescente mau humor, seu companheiro de mesa indicou seu copo com água. – Dia ruim?

– Você nem imagina. – respondeu secamente. Antes que o inconveniente prolongasse o assunto, o clima do salão mudou. A iluminação do palco passou por uma sequência frenética de cores antes de voltar á luz amarelada. Imediatamente todos á sua volta se precipitaram em aplausos, assobios e gritos de incentivo.

Naquele momento Edward se perguntou o que ainda fazia ali uma vez que não perguntaria por Bella e já havia visto que ela não servia ás mesas. O incômodo de estar diante de desconhecidos indesejados se sobrepunha á sensação estranhamente familiar que conhecer ambientes como aquele e também tornava sua permanência desnecessária. A moça poderia estar ali como em qualquer outro lugar e ainda assim não mudaria o que decidiu para ambos. Talvez ela aproveitasse as noites de quinta para realmente estar com Jacob. Ao pensamento, o coração do jovem padre afundou em seu peito. Acostume-se, demandou.

Resignado, preparou-se para levantar e sair. Então seus olhos acidentalmente pousaram em uma figura parada próxima ao palco, paralisando-o. O rapaz estava afastado apenas alguns passos, na penumbra, mas para quem o conhecia, seu rosto e seu porte eram inconfundíveis. Naquele instante Edward teve a confirmação; de uma forma ou de outra estavam juntos. Não a via em parte alguma, mas se Jacob estava naquele salão, Bella também estaria. Mas onde?

Edward mais uma vez correu os olhos em volta, detendo-se em cada uma das moças perturbadoramente “não” vestidas. Durante a nova inspeção tentava controlar seu coração para o choque de vê-la parcialmente despida, porém, como das outras vezes, não a viu. Então voltou sua atenção á Jacob. Ele não bebia e decididamente estava sozinho. Alheio á todos em sua volta, permanecia de braços cruzados em uma atitude defensiva e rígida. Parecia mais deslocado do que ele próprio deveria estar e não olhava em nenhuma direção definida.

Não, Edward pensou se acomodando em sua cadeira e cruzando os braços. O rapaz olhava fixamente para um ponto em especial; não desprendia os olhos do palco á sua frente. Novamente o pensamento insano lhe veio á mente, mas antes que ganhasse força as luzes mudaram de tom, provocando nova manifestação entusiasmada dos presentes. Assim como ele, Jacob não acompanhou a balburdia.

– Boa noite caros amigos! – uma voz masculina vinda do fundo do palco se fez ouvir. Como resposta, obteve mais aplausos, gritos e assobios. – Como bem sabem nossa estrelinha mais apreciada não pode passar de sua hora. Antes da meia noite nossa donzela precisa estar sob a proteção de seus amados e crédulos pais. – ele obteve mais aplausos, daquela vez, misturados á risadas divertidas após suas palavras cúmplices. – Pude dar uma olhada em nossa menina e posso lhes garantir que ela está de tirar o fôlego.

– Chama ela de uma vez, então! – alguém gritou das mesas. Logo outros fizeram coro.

– Claro! Claro!... – o homem disse lhes acenando para que se aquietassem. – Ela já vem... Está louca para vê-los também, mas antes preciso lembrar a todos de nossas regras. Nossa menina não gosta de ser tocada além do necessário, então na hora de agradá-la sejam breves. Todos aqui conhecem nossa fama de tratar bem os clientes, mas a recíproca tem que ser verdadeira. Então tratem bem todas as nossas “protegidas”. Tomem apenas o que elas lhes oferecerem, fechado?

Após o uníssono de assentimento o homem deixou o palco. Á sua saída pareceu que o tempo ficou suspenso. Praticamente todos se calaram, restando apenas um murmúrio baixo. Diante daquele novo comportamento, Edward sentiu seu coração disparar em antecipação. Ainda considerava não estar certo, quando a música encheu o ambiente. As luzes mudaram do irritante amarelo para um tom avermelhado e então a atração mais esperada surgiu.

Veio caminhando timidamente pelo lado esquerdo do palco até chegar ao centro, agora mudando de cor á medida que as luzes variavam de tom alternadamente. Durante seu trajeto, todos os presentes – com exceção de Jacob – explodiram mais uma vez em aplausos e assobios. O padre se sentiu congelar sentado onde estava. Se a postura do rapaz moreno não fosse indicação suficiente de que as maluquices imaginadas eram verdadeiras, ver a tal “virgem” o era.

A moça tinha os cabelos divididos ao meio e amarrados por fitas pretas nas laterais de sua cabeça. Não importava que estivesse loira ou com boa parte do rosto coberto. Era ela; Bella. A constatação fez o coração de Edward parar para logo em seguida bater violentamente enquanto avaliava a roupa escolhida. O comentário do homem ao seu lado feito ainda na fila era válido. A garota sabia “fantasiar”. Que vestimenta instigaria mais a curiosidade de um homem sobre sua improvável virgindade que um uniforme colegial?

O padre havia se preparado para vê-la em peças mínimas, mas aquilo era demais. Ela estaria comportadamente vestida, não fosse o comprimento da saia de tecido xadrez e os sapatos estilo boneca de saltos altíssimos. As meias brancas que cobriam suas pernas até os joelhos e a blusa de botões da mesma cor eram as únicas peças decentes sobre seu corpo.

– Eu avisei que ela arrasava. – Edward ouviu a voz do homem ao seu lado, despertando do transe. O tempo realmente havia parado, pois nem ao menos se lembrava de tê-la visto iniciar a dança.

Não... Iniciar o contorcer provocativo seria a definição correta. As mãos passeavam por seu corpo de forma languida; deliberadamente lascivas. Acariciavam o ventre, os seios. Por vezes ela se colocou de costas. Movia os quadris e se agachava brevemente, mas por tempo suficiente que todos vissem boa parte de suas nádegas pela barra da saia mínima.

Edward rogava mentalmente que fosse somente aquilo, quando ela começou a desabotoar a blusa sensualmente. Sabia que todos á sua volta gritavam, provavelmente palavras de incentivo, porém não os percebia ou ouvia. Tudo que escutava era o martelar de seu próprio coração que produzia um som distinto. Ela não; ela não; ela não.

De repente pareceu que mais uma vez perdeu os sentidos, pois quando o recuperou Bella estava sem a blusa. Em seu lugar havia um sutiã de renda branca, tão revelador que poderia nem ser usado. E ela ainda se movia ao som da música inexistente. Por vezes se enrolava como uma cobra em um mastro que ele nem ao menos havia atentado existir ali. Quando as mãos escorregaram pelo ventre até o cós da saia, Edward sentiu um bolo se formar em sua garganta. Não faça, não faça.

Contudo ela não poderia ouvir seus pedidos mudos e mesmo que fosse possível, estava tão envolvida em sua tarefa que não o atenderia. Depois de passar as mãos nervosamente pelos cabelos, Edward a viu virar de costas e retirar a maldita saia. Para sua consternação, seus olhos foram agraciados – ou conspurcados – pela visão completa das nádegas firmes e arredondadas. Por um instante o padre acreditou que Bella estivesse nua sob a peça e, como se naquele momento existisse somente os dois, percebeu o quanto já se encontrava excitado.

Contrariando tudo que pedira até aquele momento, desejou que ela se voltasse para que pudesse vê-la. Porém antes mesmo que o fizesse, vislumbrou as tiras finíssimas que corriam pela lateral do corpo feminino e pela fenda entra as nádegas. Foi com certa decepção que viu a peça mínima que ela vestia. Agora não mais se opunha ás mãos que acariciavam seu corpo. Definitivamente fora corrompido, pois desejava que elas terminassem a tortura, deixando-a inteiramente nua para ele.

Expectante, correu a mão pela mesa á procura de sua água. Quando fechou seus dedos em volta do copo o levou á boca e virou de uma só vez. Assim que o fogo líquido desceu por sua garganta, Edward lutou para não tossir e olhou para o copo que segurava. Aquela foi a primeira vez que desprendeu os olhos dela. Em sua falta de atenção, trocara as bebidas. Respirando com dificuldades, voltou sua atenção á Bella, com o álcool correndo por seu corpo inflamando o desejo que sentia.

Para sua perdição, a moça agora acariciava dos próprios seios por sobre a renda do sutiã estranhamente frouxo. Quando ela deu as costas para a plateia, Edward entendeu o motivo; o fecho já se encontrava aberto. Havia perdido aquele movimento, porém não perdeu o seguinte. Sem cerimônias, ela atirou a peça longe. Nesse momento o padre sentiu o pulsar inquieto de sua masculinidade reclusa. Vire-se, pediu colocando a mão no bolso na tentativa inútil de se conter.

Contudo ela não o obedeceu. Seguiu até os fundos do palco, ficando fora do alcance das luzes. Talvez seja tudo, pensou entre decepcionado e aliviado, retirando a mão do bolso discretamente. Talvez toda sua apresentação fosse aquela; provocar sem revelar realmente. O padre começava a respirar pausadamente para acalmar o corpo indócil, quando a viu emergir da escuridão. Para sua condenação definitiva, vinha caminhado sem falsos pudores. Vestida somente com a calcinha diminuta, as meias e o sapato de salto.

À visão dos seios expostos Edward se sentiu congelar, para logo em seguida arder e tremer violentamente. O que ela pensava que estava fazendo afinal? Aquela não poderia ser Bella, não a que conhecia. Deveria haver algum engano, então por puro reflexo procurou Jacob com o olhar. Encontrar o rapaz visivelmente abalado foi sua confirmação. Não havia engano.

E agora que o enxergara, via á todos os outros. Sua bolha particular implodira, mostrando-o que a garota não estava exposta somente para ele, mas sim para uma verdadeira multidão masculina. Saber que cada homem naquele salão via o mesmo que ele e que, com certeza, se encontravam duros na mesma proporção subitamente o enfureceu. Sua vontade foi ir até ela e arrastá-la daquele palco, porém não se moveu. Precisava de mais, assim como todos aqueles que ele passou á odiar. Morrendo lentamente atravessado por sensações conflitantes, olhou na direção do palco.

Percebeu que Bella trazia algo em uma das mãos. Ao parar no centro do palco, alheia á sua presença e aos sentimentos desconhecidos que nutria por ela naquele exato momento, apresentou a peça que carregava; uma palmatória. Ele acreditou realmente que havia terminado? Não se conseguia os comentários feitos na fila ou aquela comoção dos presentes somente apresentando partes do corpo. Era evidente que Bella deixaria a situação ainda pior.

Quando ela começou a correr o objeto por seu corpo, substituindo as mãos, Edward se sentiu desfalecer. Como se não bastasse, ela se virou de costas e sem cuidados, atingiu uma das nádegas com a parte arredondada da peça. Como agora não estava mais sozinho, ele ouviu os gritos e gemidos incentivadores de todos á sua volta. Ao voltar-se, sorrindo-lhes pela primeira vez na noite, Bella caiu de joelhos. Abaixada como estava, Edward não poderia vê-la inteiramente. Sem nem perceber se pôs de pé, provocando protestos imediatos ás suas costas.

Saindo de onde estava, sempre pela sombra, procurou um local próximo ao balcão que o deixou de frente ao palco. Ainda estava distante, porém a tinha em seu campo de visão. Para sua condenação, viu-a ajoelhada, com a haste da palmatória entre as pernas separadas. Aquela parte de seu corpo não podia ser vista nem o objeto a tocava, mas aquele arremedo de dança dava asas á imaginação. Bella insinuava uma estimulação sexual diante de todos. Mais uma vez a fúria dominou a mente do jovem padre. Dela e de si mesmo que se encontrava irremediavelmente endurecido pelo mais violento desejo carnal que jamais sentiu.

Nem nas noites que acordava de seus sonhos perturbadores doía-lhe tanto. Em seu corpo, em sua consciência ou em seu coração. Preferível ter ficado cego; ter sido transformado em estátua de sal que ter testemunhado tal apresentação infame. Virgem era a puta que a pariu, pensou maldosamente em sua revolta. Edward nem ao menos se condenou pelas palavras grotescas que lhe vinham á mente. Deveria ter percebido que espécie de mulher ela era quando se insinuou á ele. A Messalina que se contorcia sobre aquele palco não merecia seu respeito ou de mais ninguém. Merecia era ser apedrejada em praça publica por enganar homens de bem e provocar a discórdia nos lares.

Como seu guia deveria ir até ela, tomar-lhe a palmatória das mãos e arrastá-la para longe de todos. De preferência fazer uso do objeto de correção para que nunca mais repetisse tal ato devasso. Sim, deveria, porém o pensamento levou-o quase ao delírio ao se imaginar atingindo a carne pujante de suas nádegas com rigidez. Sua mente imaginativa logo a viu nua á lhe implorar que parasse e que a acolhesse; que a guiasse no bom caminho para que nunca mais errasse daquela maneira.

Edward sentia seu corpo precocemente ceder ao estimulo visual e mental quando a ovação ensurdecedora o tirou do delírio. Não havia ficado cego ou se solidificado, então seus olhos pousaram em uma Bella ainda seminua e ofegante que, engatinhando pelo palco, tinha notas enroladas sendo depositadas entre as tiras finas da única peça de roupa que vestia. Evidente que toda vadia tinha o direito de receber o pagamento pelos serviços prestados, pensou em seu azedume ressentido. Era aquele o bom dinheiro que a “diversão” lhe rendia?

Ainda trêmulo, arrastou-se de volta á sua mesa. Felizmente estava vazia. Pouco lhe importava aonde os dois homens haviam ido. Poderiam ir ao inferno como cada um naquele salão, desde que o deixassem sozinho com seu desejo reprimido, sua raiva e sua vergonha. Ao se sentar, percebeu que dois dos copos sobre a mesa estavam praticamente intocados. Ignorando sua água, pegou um dos que continham bebida alcoólica. Novamente entornou o líquido de uma só vez, preparado para a ardência acolhedora.

Precisava acalmar seu corpo para que conseguisse sair daquele lugar. Sem coragem de olhar para o palco, nem viu quando Bella o deixou recebendo aplausos e propostas indecorosas. Todas indo de encontro ao que ele próprio desejou fazer com ela. Estava tão abalado em seu âmago, que sequer cogitou abordá-la. Que fosse embora. Que voltasse para a casa dos “crédulos” pais como o apresentador havia dito. Ou que fosse consumar o ato encenado sobre o palco com seu “amigo”.

Ao pensamento procurou por Jacob. Como era de se esperar ele não estava mais em parte alguma. E então era aquilo; o rapaz não aprovava, mas não a impedia de vir. Não se importava em vê-la exposta diante de todos aqueles homens. Tantos homens. Correndo os olhos em seu entorno, Edward riu sem humor ao recordar que pela manhã sentiu ciúmes somente por ela sorrir e piscar para velhos conhecidos. Se aquele não fosse um castigo mais do que merecido, o padre não sabia o que seria.

Notas finais
Bom, é isso... Está sob a influência da descoberta, vamos ver o que acontece quando o sangue esfriar... Será que esfria?... O_o Espero que tenham gostado!... =) Bom, é repetido, mas real... Ainda na correria então vou sem muita conversa e com dor no core... Morro de saudades de interagir mais com vcs... Bjus lindas... BOA SEMANA LINDAS!