Notas iniciais
Oie... Aff, essa é a terceira vez que estou tentando postar o capítulo... Vamos ver se agora vai... ¬¬ Bom, quero agradecer á todas pelos reviews e pelo carinho... tbm pelas indicações, sempre fico emo* BOA LEITURA!

À Bella era inevitável calcular sua distância entre as duas possíveis rotas de fuga – a janela e a porta –, mesmo não acreditando que Edward verdadeiramente fosse agredi-la. Não que ele não fosse capaz. Seu rosto era uma máscara indecifrável, mas sua postura rígida e voz endurecida denunciavam que apenas uma linha tênue a livrava de receber o corretivo uma vez citado, por ter sido flagrada com aquele chicote na mão.

– Quem lhe deu permissão de mexer nas minhas coisas? – inquiriu entre dentes.

– Eu não... – ela começou sem jeito, odiando que seu pensamento sobre um possível flagrante tivesse se tornado realidade. – Eu só... Eu...

– Pensei que tivesse vindo limpar a casa, não bisbilhotar minhas gavetas. – ele rosnou enquanto enrolava o chicote em sua mão.

A moça olhava para aquela tira de couro preto enrolada na mão do padre e estremecia sem encontrar palavras que a justificassem.

– Estou esperando! – ele avisou.

Bella fixou o olhar ás duas contas de granito azulado e se obrigou á falar.

– Eu juro... Juro que não estava bisbilhotando, senhor. Eu só... Estava procurando por lençóis limpos e como não encontrei em seu guarda roupa vim...

– Mexeu em meu guarda roupa?! – ele vociferou, cortando-a. Com três passadas largas marchou reto em direção ao móvel – obrigando-a á se afastar caso contrário a derrubaria – e parou diante da porta ainda entreaberta. Depois de escancará-la e conferir a caixa para se certificar que continuava fechada, ele se voltou lentamente para encarar a intrometida. O olhar amedrontado não apaziguava seu nervosismo.

Recriminava-se por não ter atendido antes á vontade de vê-la que o impulsionava de volta á casa. Antes vigiar-lhe os passos que vagar pela igreja dizendo á si mesmo que aproveitasse a trégua entre eles e a deixasse fazer seu trabalho em paz. Se tivesse atendido á sua vontade, Bella não teria tocado em algo tão íntimo e particular. Reprimindo o desejo de sacudi-la para nem ao menos ousasse mentir, indagou duramente.

– Mexeu nessa caixa?

Bella cogitou negar, mas era evidente que não convenceria. A caixa era grande demais para passar despercebida por ela.

– Sim... Mas sabe que não a abri.

– Se descobriu que está trancada é porque tentou ver o que tem dentro dela. – ele concluiu o óbvio. – Como pode ser tão invasiva?

– Não sou invasiva. – a moça se defendeu tão logo a emoção do susto arrefeceu. – Apenas quis olhá-la. Fiquei curiosa com o nome... O que é Sade?

Quisera saber responder, Edward pensou um pouco mais calmo, afinal, ela não tinha como descobrir aqueles punhais. Mesmo passado o susto inicial, respondeu azedo.

Non è da sua conta.

“Certo!”, Bella pensou, mereceu a resposta malcriada. Não devia sequer ter perguntado, mesmo que ele não se mostrasse tão alterado. Arrependida, a moça não conseguia desviar o olhar do homem á sua frente. E mais uma vez o silêncio os cercou, como uma calmaria incômoda depois de uma tempestade avassaladora. A cada respirar gradativamente mais compassado, Bella se dava conta de que estava diante de Edward, em seu quarto e sozinhos, pois em tempo algum viu Carlisle; ou até mesmo ouviu sua voz.

As recomendações que se fez no final de semana passado ainda eram válidas e depois daquele breve episódio ganharam força. Deveria deixá-lo em paz, aquela era a verdade, pois já o conhecia o suficiente para saber que se abusasse da sorte, seria realmente aniquilada. Não por meio de agressões físicas, mas por palavras que causariam pior estrago. A droga toda é que ela não o tentasse, ela simplesmente não seria “ela”.

Completamente recuperada e decidida, Bella baixou os olhos antes de murmurar enquanto eliminava o espaço entre eles.

– Desculpe-me padre... Não deveria ter perguntado nada... Realmente não é da minha conta, mas... – ao se interromper Bella já estava á frente dele e num movimento brusco, com o coração aos saltos pela ousadia suicida, ela tomou-lhe a mão livre e a colocou sobre seu peito enquanto concluía. – o senhor me deixa desconexa. Veja como estou nervosa...

Por um segundo a moça acreditou que ele fosse retirar a mão e expulsá-la. Precavendo-se, cobriu-a com as suas e a prendeu onde estava. Logo o temor se mostrou vão, pois o padre não se moveu um milímetro.

Edward ainda custava a crer no que Bella havia feito, contudo, sua surpresa com o gesto repentino era gradativamente substituída pela comichão em sua palma que em toda sua extensão percebia detalhes perturbadores daquele vale onde se encontrava. Ele podia sentir o coração feminino saltar rapidamente, mas o que mais perturbava eram as ondulações; as permanentes e cheias dos seios redondos dela e as mínimas. Como aquela ponta diminuta que crescia sob a ponta de seu dedo médio.

Alarmado, o padre retirou a mão bruscamente e voltou ás costas para a moça, embaraçado pelas reações imediatas de seu corpo. Não era certo tocá-la quando precisava esquecê-la, disse á si mesmo, mas nada pôde fazer. Deveria dispensá-la da limpeza valendo-se de sua bisbilhotice e mandá-la embora; não conseguia. Por mais que o padrinho dissesse o contrário, ele era um ser fraco. E consciente de sua fraqueza, falou roucamente.

– Não quis assustá-la... Desculpe-me por ter me alterado.

– Tudo bem! – ela o tranquilizou suavemente. – Se eu flagrasse alguém mexendo nas minhas coisas também gritaria.

Bella considerou ter conseguido uma pequena vitória por ainda estar naquele quarto. Estimulada; levemente excitada depois do carinho mínimo que recebeu em um de seus mamilos, imaginou que talvez devesse ousar mais.

– Como expliquei, não era minha intenção bisbilhotar, mas quando vi “isso” foi impossível não pegar...

Às palavras dela, Edward olhou para o chicote enrolado em sua mão. Novamente seu corpo reagiu ao dar conta das vezes que se imaginou ou sonhou usando-o com ela. “E Bella estava ali, com ele, os dois á sós”... Não sabia bem o que pretendia, ainda assim se voltou para ela e disse, encarando-a.

– É apenas um chicote... Nunca viu um?

– Nunca havia segurado um... – ela explicou olhando para o objeto negro.

Ainda sem saber muito bem o que fazia ao invés de mandá-la embora, Edward estendeu a mão e o ofereceu.

– Então pegue.

A moça olhou para o chicote e sem nada dizer o desenrolou da mão do padre. Seus dedos se tocaram fazendo com que os pelos dela se eriçassem. Talvez Bella devesse se contentar com aquela segunda vitória, porém estava fascinada demais em ver que Edward havia se acalmado – e finalmente interagia de forma positiva –, para se contentar com tão pouco; queria mais. Enquanto acariciava as tiras do chicote, se lembrou de sua dúvida ao vê-lo então perguntou sem receio.

– Por que tem isso?... Você o usa, digo... Em você mesmo?

O padre pigarreou para encontrar a voz que se mantinha presa á garganta tamanha era a excitação que sentia ao vê-la manusear o instrumento. A privação de seus sentidos, ou da capacidade de raciocínio era tanta que nem mesmo saberia como mentir.

– Ás vezes... Quando meu corpo é insubordinado.

Ao dar sua própria interpretação quanto á “insubordinação” de um corpo masculino, Bella estremeceu e disse sempre o encarando e a mover as tiras entre os dedos.

– E ele é sempre... Insubordinado?

– Mais do que deveria... – respondeu ainda incapaz de mentir, colocando as mãos nos bolsos da calça para ocultar a crescente excitação que a conversa sugestiva e a visão dela alisando o chicote lhe causava. – Por isso ele precisa de corretivo.

Ao ouvir a palavra a moça novamente se lembrou da cena perturbadora da lanchonete e sem pensar inquiriu.

– Era dessa forma que pensou me corrigir por ser impertinente?

Em um breve instante de concatenação, o padre soube que o assunto impróprio a muito havia passado dos limites, contudo, não via meios de cortá-lo quando aquela outra parte dele mesmo se comprazia com cada palavra.

– Se surtisse efeito, . – ele falou ainda mais rouco em seu sotaque cantado. – Isso assusta você?

– Um pouco... – ela mentiu e logo em seguida arriscou, indicando seu colo com os olhos. – Se desejar, pode ver como a ideia me assusta...

Sem se importar com a excitação aparente, completamente fascinado pela oportunidade de novamente tocá-la, Edward retirou as mãos dos bolsos e espalmou uma delas sobre o colo oferecido. Ela não o segurou como antes, deixando que ele sozinho mantivesse a palma pousada no vão entre os seios para sentir o pulsar do coração. Preparado para as reações do corpo feminino, não a retirou ao sentir o botão diminuto se enrijecer sob o tecido da camiseta.

Hipnotizado pela imobilidade da moça – agindo sem nada pensar –, com a mão livre cobriu-lhe os olhos deixando apenas o nariz e a boca á mostra. Ante a visão, com o próprio coração aos saltos, passou á mover o dedo mínimo lentamente sobre o mamilo. Completamente rijo como aquela sua porção livre de seu comando que a pouco segurava com a mesma mão. Os tecidos que a prendiam incomodavam e até mesmo nesse desconforto encontrava prazer. E foi ansiando sentir mais daqueles espasmos deliciosamente agonizantes que, sem cerimônias, Edward moveu a mão e cobriu inteiramente o seio para apertá-lo.

Um arfar entrecortado lhe roubou a atenção, contudo, logo voltou á própria mão que trabalhava sobre aquele monte perfeito. Queria poder vê-lo; descobrir a cor da auréola que acariciava enquanto literalmente salivava desejoso por prová-lo como se aquilo fosse o certo á fazer. Ao pensamento, mirou a boca arfante. Naquele momento em que a tocava tão livremente, também lhe parecia certo cobri-la com a sua.

Bella estava de pé somente por se obrigar á permanecer imóvel, mas há algum tempo não segurava o chicote. Este jazia aos seus pés, pois ela havia perdido a sensibilidade das mãos. Suas pernas tremiam e seu sexo latejava estimulado pelo carinho que o padre, sem reservas, lhe fazia. Á muito custo ela reprimia os gemidos que lhe vinham á garganta, pois imaginava que ao liberá-los fosse sucumbir de vez. Aquilo era mais do que poderia desejar.

Lamentava apenas que a mão forte e quente sobre seus olhos não lhe permitisse admirar a cena. Porém não poderia reclamar da limitação que a livrava de seu pecado por ansiar se entregar á um padre, quando este lhe apresentava aos seus fetiches. Enchia-se de esperança ao saber que o clérigo nutria desejos nada santos. Com a descoberta, não lhe pareceu errado desejar ardentemente que ele a tomasse sua virgindade para si.

Ele correspondia á ela e não se importaria se resolvesse aplicar-lhe corretivos ali mesmo, naquele quarto... Em sua cama ou no chão, pouco importava. Precisava dele, pois a dor entre suas pernas começava á ser insuportável. Queria sentir o gosto de sua boca, a potência dos músculos que adivinhava as formas sob a camiseta que ele usava para correr. Queria sentir o cheiro de sabonete e suor diretamente nele. E acima de tudo, queria sentir a tão comentada dor que acompanha o desvirginamento quando ele entrasse inteiro em seu corpo.

Respirando o ar aos bocados, Bella umedeceu os lábios. Desejava vê-lo, mas ainda não atrevia á se mover. Contentava-se em apenas sentir a mão á apertar-lhe o seio, agora com mais vigor. Ao ouvir um gemido incontido, ela pôde sentir todo o enlevo que o envolvia. Naquele instante, Bella se deu conta que aquela devia ser a primeira vez que ele fazia tal coisa afinal, padres eram virgens não eram?... Àquela dedução a moça excitou-se mais. Seria a primeira vez de ambos. Emocionada e acreditando que não havia como ele recuar, propôs roucamente enquanto segurava a barra da camiseta para erguê-la.

– Deseja senti-los melhor? – e esse foi seu erro. O encanto foi quebrado. Tão logo se calou o padre afastou as mãos de seu corpo e novamente lhe virou as costas antes de vociferar.

– Está maluca?

Bella, ainda atordoada e excitada, decidiu que não poderia deixar que ele parasse assim. Edward também a queria então valeria á pena lutar. Movida pelo desespero por acreditar que talvez nunca mais tivesse a mesma chance, ela confessou.

– Maluca por você. – e sem se importar com formalidades, acrescentou. – Sempre fui maluca por você Edward.

Questo non è vero! – ele se ouviu dizer.

O que Bella estava fazendo com ele?... O enlouqueceria essa era a verdade. Não deveria ter se rendido; ter se deixado encantar com o corpo dela, com suas reações que a cada minuto desejava conhecer mais. Deveria ter mandado a moça embora quando ainda era tempo. Como seria agora que sua mão formigava com o toque íntimo demais e seu corpo exigia o dela? E como se não bastasse provocá-lo, agora ela mentia. Era preciso lembrar que a moça era comprometida; “com dois homens”. Não havia a mais remota possibilidade de ela ser maluca por ele.

Com certeza ria internamente com sua inexperiência e a devoção entorpecida que dedicou ao seio. A falta de pudores ao oferecer exibi-lo era prova de sua vasta experiência. Diante da realidade, o padre foi tomado ela raiva de si mesmo. Fora fraco, mas sempre haveria tempo para a salvação. Contudo, antes que se voltasse para expulsá-la sem qualquer preâmbulo, sentiu os braços da Messalina envolvê-lo pela cintura enquanto ela pousava a cabeça no meio de suas espáduas.

– Não entendi o que disse então não fale nada... Só me escute, por favor...

– Não tenho que escutar nada. – ao falar rudemente, agora preso num ciúme ressentido, Edward lhe segurou os pulsos para se desvencilhar dela, pois aquele abraço em suas costas o perturbava mais que o toque no seio. Quando conseguiu se soltar, voltou-se para encará-la ainda excitado, porém decidido.

– Disse que não está dizendo a verdade... – ele esclareceu. – E não se dê ao trabalho de mentir mais...

– Não estou mentindo! – ela afirmou tentando se aproximar. – É sério...

– A única coisa séria em toda essa situação é que eu não deveria ter tocado em você. Ou antes disso... Não deveria ter deixado você vir aqui. É melhor que vá embora.

– Vai me mandar embora novamente? – ela perguntou magoada com as palavras dele. – Vai gritar comigo e me acusar de perturbá-lo... E de tomar seu tempo?... É isso?

– É o certo á ser feito... – ele disse sério, parcialmente recuperado. – Que você me perturba é um fato, então não tem porque se ofender quando eu o digo... E está claro também que não podemos ficar próximos um do outro, por isso a mando embora.

– E eu não tenho vergonha na cara porque sempre volto... – e se enchendo de coragem, acrescentou. – Assim como você também não tem...

Com a respiração entrecortada, involuntariamente ele desceu os olhos para a boca igualmente arfante da moça. Ambos estavam exaltados; a tensão era sentida no ar. O padre queria esbravejar e contradizê-la exigindo respeito, mas não poderia. Ele verdadeiramente não tinha vergonha, ou amor á si mesmo, ou ao seu Criador; nada. Por mais que tenha sido forte durante a semana bastou vê-la, sentir seu perfume, estar perto dela para sucumbir. E daquela vez, mais do que todas as outras. Era também um homem desgraçado, pois mesmo sabendo ser o certo reafirmar que deveriam ficar longe, somente conseguia desejar provar aqueles lábios trêmulos e rosados.

Ao dar um passo á frente, ainda sem saber ao certo o que faria, apenas tendo consciência que talvez enterrasse de vez sua dignidade, Edward ouviu chamarem seu nome.

– Senhor Cullen... Está aí?

– É a senhora Williams. – Bella murmurou contrafeita com a interrupção.

– Eu sei. – ele disse sério, com o cenho franzido. – Ela não pode nos achar aqui.

– Não estamos fazendo nada... – ela retrucou dando de ombros.

– E nunca faremos! – ele sibilou intimista antes de rumar para a porta. – Vou ver o que ela deseja... E não saia daqui.

Contrariada, ela ainda ouviu a senhora intrometida chamá-lo mais uma vez. Notou por seu tom que ela parecia alarmada, preocupada. Imediatamente foi tomada pela curiosidade, mas achou melhor obedecer ao padre. Já havia ido longe demais naquela manhã para agora aparecer na sala, com o rosto corado como deveria estar somente para ouvir uma conversa que não lhe dizia respeito.

O que lhe dizia respeito, pensou, era que Edward havia dito com todas as letras que ela o perturbava. Que perturbava sexualmente, não somente por lhe ocupar o tempo, como acreditou. Com um sorriso satisfeito baixou os olhos para os seios. Eles ainda estavam levemente estimulados, com os bicos forçando o sutiã e a camiseta horrorosa que decidiu tomar emprestada do irmão, justamente para não chamar a atenção sobre si. Queria parecer invisível e acabou sendo tocada daquela forma maravilhosa. Começava á se excitar com a lembrança recente quando Edward entrou no quarto com a expressão carregada.

– Preciso ir á Wells imediatamente... – informou apressado.

– O que aconteceu? – ela perguntou preocupada.

– Não sei explicar e também não teria tempo, então apenas escute. A Sra. Williams a viu entrando essa manhã e como sabia da limpeza não precisei dar-lhe maiores explicações... O que quero que faça é o seguinte... Deixe tudo como está, vá para sua casa e esqueça o que aconteceu aqui está bem?... Prometo não ser grosseiro com você novamente, mas preciso que fique distante, então... Per favore, apenas esqueça. Agora preciso ir... Quando você sair a Sra. Williams fechará a porta. Ciao Bella! – e então Edward se foi, sem mais uma única palavra.

“Esquecer?... Agora era impossível!... Antes de serem interrompidos teve a nítida impressão de que seria beijada; queria aquele beijo. Estava sensibilizada. Até mesmo o tom nervoso e apressado que ele usou para se dirigir á ela a excitou. Queria mais, muito mais... Então esquecer e se afastar – agora que tinha certeza que era correspondida ao menos na vontade – não eram mais opções. Dar-lhe-ia o tempo que quisesse até que se rendesse novamente, mas jamais o deixaria.

– Bella! – a senhora que os interrompeu a chamou do corredor, tirando-a de suas resoluções. A moça apressou-se em ir até ela, pois o chicote de Edward ainda estava no chão.

– Estou aqui. – disse aparecendo na porta do quarto.

A senhora parou onde estava e a olhando com curiosidade, disse.

– O senhor Cullen me pediu que a acompanhasse até a porta e a trancasse a casa, então...

– Desculpe-me, mas não posso deixar meu serviço pela metade... – disse em tom que não admitia réplica enquanto estendia a mão para pegar a vassoura. – Quando terminar eu a chamo e a senhora fecha a porta.

A mulher pareceu ponderar por um instante, então respondeu.

– Está bem... Vou fechar a igreja e ir para minha casa, depois você me chama está bem...

– Combinado! – Bella respondeu satisfeita, então lhe ocorreu perguntar antes que mulher se fosse. – Senhora... Poderia me dizer por que o padre saiu tão apressado?

Imediatamente a senhora assumiu uma expressão preocupada.

– Não sei ao certo!... Apenas atendi o telefonema lá na sacristia e vim chamá-lo... Só sei que era da polícia e que alguma coisa aconteceu com o senhor Carlisle. Pela reação do padre, acho que é grave. Agora me deixe ir... Quando terminar me chame.

– Está bem! – Bella disse sem notar.

Agora estava preocupada com o tio de Edward. O que poderia ter acontecido á ele para que a polícia entrasse em contato com seu sobrinho?... Teria que esperar pela volta do pároco para saber. Livre de sua excitação depois da notícia dada pela senhora Williams, Bella voltou á arrumação do quarto. Como não encontrou os lençóis limpos decidiu alisar a colcha e afofar o travesseiro de Edward antes de terminar seu serviço. Arrumou a bagunça deixada por ela e o padre dentro do guarda roupa, guardou o chicote depois de alisá-lo por mais alguns minutos, pensando que seria interessante ser “castigada” sempre que seu corpo fosse “insubordinado”.

Imediatamente abandonou a ideia. Poderia ser excitante para ela, mas não tinha nada de luxuriante em afoitar-se. Se ainda fosse se basear no filme, Edward deveria se machucar seriamente com aquele chicote. Certo, pensou, talvez estivesse influenciada pela notícia de um possível acidente envolvendo o tio de Edward, por isso maximizava as ações do padre. Ele não se machucaria de verdade, talvez até tivesse dito aquelas coisas somente para assustá-la. Fosse como fosse, não poderia ficar ali o dia inteiro, então, deixando os pensamentos acerca do uso chicote de lado, se pôs de volta ao serviço.

Como a casa era pequena e organizada, Bella não demorou mais do que algumas poucas horas para limpá-la. O único cômodo que recebeu uma atenção exagerada foi o banheiro, pois ela se permitiu ficar divagando e á “ver” o padre tomando banho naquele Box apertado. Bella deixou a cozinha e a área por último; quando terminou seu serviço, cogitou preparar café e um bolo para deixar como forma de desculpas pelo episodio no quarto, porém logo abandonou a ideia. Não sabia quanto tempo o padre demoraria á voltar, então o melhor que tinha á fazer era deixar tudo organizado e ir embora.

Não se furtou de deixar um bilhete sobre a mesa da cozinha antes de sair á procura da senhora Williams. Tão logo a avisou que havia terminado seu serviço a moça seguiu para casa. Quando virou em sua rua viu um carro preto estacionado á sua porta. Ao se aproximar viu se tratar de um Fusion; não sabia á quem pertencia. Curiosa, entrou para descobrir o dono daquele carro bonito. Não encontrou com seu pai ou com Jasper; a caminhonete não estava na garagem. Sabia que Rosalie provavelmente estaria no andar superior, pois seu turno no Blue Moon já havia terminado, mas não adianta procurá-la; ela não lhe diria muita coisa. Então o jeito foi sair á caça da mãe. Encontrou Renée estendendo as últimas peças roupas que lavou naquela manhã.

– Oi! – Bella disse se aproximando.

– Oi... – disse a mãe se voltando para o cesto para escolher outra peça. – Pensei que fosse demorar mais lá na igreja.

– Não cheguei á limpar á igreja... O padre teve que sair ás pressas e pediu que eu deixasse tudo como estava. Apenas organizei as coisas na casa e vim embora... A senhora Williams fechou tudo por lá.

– O padre Cullen saiu ás pressas? – ela perguntou deixando a roupa no cesto. – O que aconteceu?

– Ele não me disse, mas a senhora Williams me contou que atendeu o telefonema da polícia de Wells... Sei que foi alguma coisa que aconteceu ao tio dele.

– Nossa! – ela exclamou alarmada. – O que pode ter sido?

– Só saberemos quando o padre voltar... E se nos contar, afinal... Talvez não seja da nossa conta.

– Mas vocês são amigos, não são? – a mãe perguntou esperançosa.

Mais uma vez Bella achou admirável aquela capacidade de Renée em não notar o mundo á sua volta. Até mesmo seu pai pressentiu o perigo que a proximidade dos dois poderia representar; menos sua mãe. No momento o que lhe interessava era que a intimidade de sua filha com o padre da cidade poderia lhe valer notícias em primeira mão ou até confidenciais. Bom, Bella pensou condescendente, se sua mãe era feliz daquela maneira, que fosse.

– Sim... Acho que somos amigos – Bella disse por fim. E sem querer criar falsas expectativas, acrescentou. – Mas não vou perguntar nada que ele não queria me contar.

– Está bem... De toda forma, se a polícia está envolvida deve ser muito grave... Ele não terá como esconder.

– Pode ser... – a moça retrucou distraída.

O comentário da mãe ia de encontro ás suas preocupações; com certeza era algo grave. Infelizmente nada poderia fazer para ajudar Edward nessa hora. Talvez ele nem mesmo quisesse sua ajuda. Tudo que lhe restava era pedir para que a não uma gravidade irreversível. Bella o conhecia á pouco tempo, mas o padre já havia deixado clara a importância do padrinho em sua vida.

– Bom... – disse sua mãe chamando-lhe a atenção. – O jeito é esperarmos, agora... Por que não nos avisou que Emmett viria hoje?

– Emm está aqui?! – perguntou surpresa; não haviam combinado nada. – Aquele carro é dele?

– Sim... Ele chegou tem mais de uma hora. Saiu com seu pai, acho que foram ao cais ver o barco... Ainda nem servi o almoço.

Bella sabia como sua mãe não gostava de atrasos, principalmente na hora do almoço e jantar. Aquele era todo o drama doméstico que conhecia. Compadecida da consternação de Renée disse.

– Não se preocupe com isso mamãe... Tenho certeza que logo eles estarão aqui. Um dia que atrase o almoço não é problema.

– Certo! – a mãe retrucou sem muita convicção. – Vá tomar banho para esperar a volta de seu namorado, assim pelo menos não agrava o atraso.

– Sim senhora. – Bella disse já se retirando.

Enquanto subia as escadas já previa a expressão de poucos amigos que encontraria no rosto da irmã. Não se enganou; Rosalie estava sobre a cama, tão concentrada na leitura de um romance que nem sequer ergueu a cabeça em sua direção. Somente as torções de seu rosto denunciavam seu desprazer com a chegada da irmã caçula. Já acostumada com o mau humor de Rosalie, Bella comentou.

– Emmett é um amor... A gente nem tinha combinado nada e mesmo assim ele veio me ver... Um fofo!

Bella ouviu algo como “vá a merda” entre os rosnados da irmã que saiu da cama repentinamente e foi para a varanda com o livro apertado firme contra o peito. A moça achou a reação engraçada, mas não se divertiu nem sorriu. Não era certo pisar sobre alguém que estava no chão. Tentaria se lembrar da próxima vez que fosse provocá-la. E na verdade nem era aquilo que queria; falou sem pensar. Sabia que tinha que ajudar Emmett, mas sua mente estava mesmo era em Edward; como ele estaria?



O padre seguia pelos corredores Hospital Central de Wells com o coração aos saltos. O odor de éter e limpeza que sempre lhe lembravam de sua internação não o abalavam naquele início de tarde. Toda sua atenção estava voltada para as placas indicativas que o levariam até o setor das CTIs, onde a recepcionista informou que seu padrinho estaria. Edward não entendia como ele poderia estar em um centro de tratamento intensivo, uma vez que o investigador que o informou do assalto havia dito para não se preocupar e pedido somente que fosse sem demora ao hospital.

Ao contornar o último corredor, o padre soube ter encontrado o local indicado, pois dois policiais estavam sentados num de seus bancos. Tão logo perceberam sua aproximação, se colocaram de pé para recebê-lo.

– O que houve? – Edward perguntou preocupado, tentando passar pelos dois homens para se aproximar dos vidros que permitiam ver quem estava nos leitos isolados.

– Pelo o que vejo é o senhor Cullen? – disse um dos policiais, ignorando a identificação que lhe deram na portaria, indicando apenas o pedaço do amito visível entre a gola de sua camisa preta. – Sobrinho da vítima.

– Sim, sou eu... – ele confirmou ainda sem olhá-lo. Havia encontrado o leito ocupado pelo tutor. Vê-lo ligado aos tantos aparelhos lhe oprimiu o coração. Sua vontade era invadir aquele quarto para resgatá-lo de lá.

– Senhor Cullen? – o policial chamou em tom firme. – Acalme-se senhor... Seu tio está bem.

– Onde está o médico responsável? – ele perguntou sem ouvir-lhe. – Ou a enfermeira?... Quero saber como ele está?

– Logo virão falar com o senhor, agora preciso que me escute.

Edward se obrigou á prestar atenção.

– Tudo bem!... Pode falar...

– Não sou o médico, mas posso lhe assegurar que ele está bem. Não sabemos o que aconteceu com seu tio, mas... Ele se envolveu numa briga. Estava muito machucado... Teve duas costelas fraturadas, está com escoriações e... O agressor ou oponente lhe desferiu um tiro.

– Um tiro?! – se parecia extraordinário imaginar seu padrinho envolvido em uma luta; idealizá-lo baleado era praticamente impossível. – Onde?

– Como disse não precisa se alarmar, senhor. Agora ele passa bem...

– Mas ele está em uma ala de terapia intensiva! – Edward retrucou.

– É procedimento padrão senhor... – o policial explicou pacientemente. – Seu tio acaba de vir de uma cirurgia onde retiraram o projétil que se alojou em seu ombro. Pelo o que o médico informou á noite ele já poderá ir para o quarto.

O padre nada disse; apenas se voltou para o vidro a fim de olhar o padrinho inerte sobre o leito. Logo o policial que tentou acalmá-lo, se colocou ao seu lado.

– Senhor Cullen... Eu o esperei porque preciso lhe fazer algumas perguntas. Deixe eu me apresentar corretamente, sou o investigador Haddock e este á meu parceiro, Brice.

Edward cumprimentou o segundo homem indicado que não havia proferido uma única palavra até o momento com um aceno de cabeça, então, com um suspiro resignado olhou para o homem ao seu lado.

– Pode perguntar á vontade...

– Bem... Encontramos seu tio desacordado ás margens da rodovia há poucos quilômetros da entrada da cidade então não temos nenhuma indicação que nos leve á esclarecer o que aconteceu. Descartamos a hipótese de assalto, pois seu tio está com sua carteira, documentos, dinheiro, celular... Aparentemente nada foi levado.

– Celular? – Edward estranhou. – Nunca soube que meu padrinho tivesse um celular.

– Pois saiba que tem. – o policial confirmou. – Ao que parece ele não o utiliza com freqüência, pois nós o verificamos e tudo que encontramos foi o telefone de sua paróquia na lista e uma chamada efetuada para um lugar chamado Blue Moon; depois que eu entrei em contato com o senhor eu tomei a liberdade de verificar esse outro número. Com exceção desses dois, não há mais números registrados, absolutamente nada.

Por que seu padrinho havia telefonado para a lanchonete de Esme em um celular que ele nem ao menos sabia que existia?

– Senhor? – o homem o chamou.

– Sim? – Edward falou ainda divagando.

– Perguntei se o senhor tem conhecimento de algum desafeto de seu tio. Se ele tem algum inimigo?

– Carlisle?! – o padre perguntou como se estivessem falando de outra pessoa. “Como seu padrinho poderia ter desafetos”? Em voz alta falou. – Não. Digo com certeza que ele não tem inimigos. Moramos em Sin Bay há pouco mais de duas semanas, antes disso estávamos em Washington...

– Bom! Então acho que teremos que esperar até que seu tio acorde para sabermos o que aconteceu... Quero entender, pois nunca soube de ataque á padres nessa cidade. – depois de vasculhar o bolso do casaco que usava sobre sua farda, lhe estendeu um cartão. – Tão logo ele esteja em condições de contar alguma coisa entre em contato comigo, por favor.

– Farei isso... – Edward assegurou olhando o cartão em seus dedos sem vê-lo na verdade, então disse para si mesmo. – Também quero entender.



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SPOILER de segunda feira...

E somada á essa certeza havia a necessidade de afastamento, que havia sido abalada com a intimidade que se permitiu ter e consequentemente concedeu á moça, pois havia deixado claro seu interesse por ela. Não a corrigiu, mas também ainda podia lhe ouvir á chamá-lo pelo primeiro nome, de forma íntima e natural, como se fossem iguais. Contudo não eram iguais, nunca seriam. Edward era um padre e deveria se portar como tal além de exigir respeito por parte dela e jamais permitir novamente que lhe dissesse não ter vergonha na cara, por exemplo.

Por mais que ela estivesse com a razão, não deveria lhe dar permissão nem liberdade para afrontá-lo. Por mais que sua mão formigasse com a lembrança perturbadora ou sua boca ansiasse por experimentar aquela ponta rígida e mínima que sentiu sob seu dedo, não deveria tocá-la uma terceira vez. Ainda estava influenciado pela moça, mas quando voltasse para Sin Bay, faria o certo. Agora mais do que nunca consciente que a tarefa seria árdua e demorada.

Com um suspiro profundo, Edward passou as mãos pelos cabelos crescidos na tentativa de expulsar os pensamentos inquietantes e se pôs de pé. Depois de dar uma volta completa pelos corredores do andar, voltou para junto do padrinho; para a cadeira que havia deixado ao lado da cama, perto da cabeceira. Como das outras vezes, impressionou-se com a quantidade de machucados espalhados pela face de Carlisle. Fora os arranhões, um dos olhos estava enegrecido por um grande hematoma e o lábio inferior inchado onde havia sido cortado.

Á Edward era praticamente impossível idealizar o padrinho envolvido numa luta corporal, ainda mais sem um motivo aparente. Como disse aos policiais, ele não tinha inimigos e moravam na região há tão pouco tempo que nem mesmo se fosse o caso os teria adquirido depois de sua chegada. Correndo uma das mãos pela cama até alcançar a do padrinho, Edward a apertou e passou á pedir que ele logo se recuperasse. Queria-o de volta, mesmo que demorasse á esclarecer o ocorrido. Queria-o lúcido para ter plena certeza de que estava realmente bem; fora de perigo.

Preso em sua prece muda e devotada, Edward foi vencido pelo cansaço e terminou por adormecer com a cabeça sobre o colchão, ainda á segurar-lhe a mão. Foi desperto pelo lamento distante de seu eterno tutor que logo se transformou em uma suplica lamuriosa.

– Tony... Não meu Tony...



Notas finais
Bom... Desculpem a correria que nem me deixa "falar" o tanto que gosto... Espero que tenham gostado, depois me contem... =D queria indicar mais algumas fics, mas hoje está complicado... Semana que vem troco figurinhas com vcs... Bjus... até semana que vem! Ahhhh... Antes de ir um recadinho para as leitoras do vampirão... Quinta feira tem bônus de OBSESSION na comunidade e depois eu trago aqui...