English Boy

28 Capítulo 28


Passar as férias em casa era sempre uma loucura. Minha casa era barulhenta e agitada. A máquina de pesponto do meu pai soava alto da garagem junto com outro equipamento, onde ele montou sua “banca de trabalho”. Da banca ainda se escutava batidas de martelos sem parar. Minha mãe ligava o liquidificador na cozinha para bater uma massa de torta. Minha irmã mais nova deixava a televisão em volume alto para assistir desenhos animados. Nossos cachorros latiam o tempo todo no quintal. E como se fosse uma piada, o vizinho ao lado colocava o rádio bem alto tocando sertanejo.

Eu estava jogado no sofá tentando ler um livro. Normalmente eu faria isso no meu quarto, deitado no beliche e com a porta fechada, mas Leonardo me expulsou de lá para trocar de roupa. Não sei porque ele precisava ficar sozinho para fazer isso. De qualquer forma, não discuti com ele, só sai do quarto.

ꟷ Luca, vai passar Irmão do Jorel. ꟷ Letícia me avisou apontando a televisão.

Lê estava crescendo muito rápido, mas ainda parecia uma criançona. Ela tinha os cabelos lisos e o rosto redondo. Entre nós ela era a que mais puxou nossa mãe, com a pele clara e os cabelos realmente loiros. Bem diferente dos meus cabelos bege.

Fechei o livro e mudei de lugar no sofá, sentei ao lado de Lê para assistir o nosso desenho preferido. Lê jogou a coberta quentinha que ela estava enrolada para mim e nós nos aconchegamos juntinhos. Estávamos no auge do inverno e diferente do Castelinho, naquela região do continente, fazia frio.

ꟷ Leo, vai pa onde? ꟷ ouvi minha mãe da cozinha.

ꟷ Eu avisei que ia sair com meus amigos ꟷ meu irmão respondeu.

ꟷ Mas eu tô fazendo a torta que cê gosta.

ꟷ Mãe! Já tava combinado.

Leonardo passou por nós na sala. Ele se parecia muito comigo, com a exceção de ter os cabelos mais escuros e ser centímetros mais alto. Leo vestia uma jaqueta preta, calças jeans novas e um tênis falsificado, segurava na mão o capacete da moto do pai.

ꟷ Tchau, Lê! ꟷ Leo se despediu da menina nos meus braços.

Fingi que não me incomodei por ser ignorado e continuei prestando atenção no desenho.

Quando era noite, minha mãe e meu pai assistiam a novela das nove horas e eu fui me despedir para deitar. Lê já estava capotada no quarto dela, os cachorros no quintal dormiam e o vizinho desligou o rádio.

ꟷ Vou dormir ꟷ anunciei ꟷ Bença.

Minha mãe abriu os braços me chamando para um abraço. Eu fui até ela e a deixei me envolver com carinho. Ganhei um beijo na testa e um cafuné na cabeça.

ꟷ Durma bem, meu piolhinho.

Eu sorri para ela. Fui até meu pai e ele também me deu abraço. Costumava ser assim quando eu voltava nas férias, acho que eles sentiam minha falta.

ꟷ Com Deus, fio.

ꟷ Suas costas tão melhor? ꟷ perguntei a ele.

ꟷ Uai, tá aqui né.

Meu pai sorriu em sinal para não me preocupar. Ele era um homem muito calmo e quanto mais velho ficava, mais tranquilo ele parecia. Eu gostava como o olhar dele sempre me transmitia paz, também achava legal os cabelos e a barba completamente brancos contrastando com sua pele negra.

Fui para o meu quarto em seguida. O lugar estava parcialmente bagunçado, porque Leo era muito desorganizado. Ele deixava roupas jogadas no chão e todos os objetos possíveis fora do lugar. Isso porque, eu fiz uma faxina no local assim que cheguei da escola. Acredite, o quarto estava bem pior alguns dias atrás.

Eu subi no beliche e deitei no colchão me cobrindo com meu edredom grosso. Leo não havia voltado para casa desde que saiu. Eu achei estranho, mas se meus pais estavam tranquilos eu não iria me preocupar.

***

Eu sabia que era um sonho, pois tinha certeza que fui dormir.

Eu estava de volta ao Centrinho na noite da Festa Junina. James estava sentado ao meu lado e segurava minha mão como realmente aconteceu semanas atrás. Arfei com seus toques contornando os nós dos meus dedos. Era tão bom! E nesse mundo paralelo nada me assustava. O toque dele começou a subir até meu pulso e circulou aquele ossinho da lateral. James não parou, sua mão foi subindo pelo meu braço enquanto meu coração foi acelerando com a mesma velocidade que o toque avançava. Havia um zumbido constante nos meus ouvidos que me deixava tonto. Então, aquela mão exploradora estava no meu ombro e meus olhos estavam nos deles. Os olhos vivos e brilhantes quase me fizeram crer que era real. Não tive medo dessa vez, pois parecia tão certo. Pude perceber o quanto eu queria aquilo que chegava a ser desesperador.

Então aconteceu. Os lábios dele encostaram nos meus tão devagar e torturante, ao mesmo tempo, tão frustrante porque não parecia o bastante para mim. Eu queria mais, e meus pensamentos ecoaram até ele o fazendo aprofundar o beijo a cada segundo. Me senti ardendo em chamas da cabeça aos pés. Senti que precisava de mais ainda e ele me deu. As roupas eram um incômodo e logo elas sumiram como mágica. Tudo era tão frenético que não havia mais cenário, não havia festa, não havia Centrinho ou escola. Era apenas eu, James e algo explodindo ao nosso redor…

***

Acordei assustado com um barulho alto.

Meu primeiro sentimento ao acordar foi frustração, eu não queria que acabasse e meu corpo tremia querendo aquilo de volta. O segundo sentimento, ao perceber o quê exatamente eu estava querendo de volta, me deu um frio na barriga e fez meus olhos se arregalarem. Foi pavor. Respirei fundo procurando o ar que faltava no pulmão.

ꟷ Te acordei? Foi mal. ꟷ a voz de Leo se fez ouvir ao lado da cama.

O barulho alto foi da porta batendo quando ele chegou. Demorei responder, pois minha mente demorou formular uma resposta. Eu encarava o teto do quarto, ofegante e vermelho. Sorte a minha que o quarto estava escuro e meu irmão não poderia me ver direito. Mas e se Leo lesse pensamentos? Um medo sem sentido passou por mim…” Que ideia absurda! Ele não podia.” Pensei comigo mesmo.

ꟷ Tá ꟷ resmunguei como resposta para ele

ꟷ Luca ꟷ Leo me chamou se empoleirando no final do beliche.

Agradeci por ter um edredom grande em cima de mim. Vai que mesmo na penumbra da noite ele conseguisse ver que eu tinha uma ereção. Isso seria tão constrangedor. Provavelmente eu morreria de vergonha. Sem exageros.

ꟷ Me empresta seu celular? ꟷ meu irmão pediu com uma voz embargada. Eu estranhei porque não me lembro de ter visto Leo chorando depois de grande.

ꟷ Pra quê?

ꟷ Preciso falar com uma pessoa. Você sabe que o meu esta quebrado.

Sentei na cama com o desconforto entre as pernas, aquela porcaria não tinha passado ainda. Espiei o relógio digital que ficava na nossa escrivaninha, eram três da manhã. Leo ainda estava vestido com as roupas que havia saído mais cedo.

ꟷ Pode pegar. ꟷ concordei vendo o rosto pidão dele iluminado pela luz que invadia o quarto através da janela.

Leo pulou para o chão no mesmo instante e foi até a mesa onde eu tinha deixado o celular mais cedo. Ele pegou, digitou o número e colocou o telefone na orelha. Então ele saiu do meu campo de visão quando sentou na parte de baixo do beliche. Eu deitei de novo sabendo que não seria tão fácil dormir naquele momento.

A chamada, “tuuu”, da linha telefônica ecoou baixinho no silêncio do quarto. Encarar o teto novamente me fez lembrar do sonho. Fechei os olhos com forças. Toda aquela certeza, de que era certo o que fazíamos, desmanchou quando acordei. Eu não deveria ter sonhos eróticos com um amigo. O que estava acontecendo comigo? Nunca pensei em um garoto dessa forma antes!

Tudo bem, eu sabia que as coisas tinham ficado estranhas depois da festa. A gente quase se beijou… Será? Iríamos? Afinal que outra explicação teria para aquele momento que ficamos tão próximos?... Por mais que eu tivesse tentado ignorar tudo isso, a memória persistia em flutuar na minha mente e, agora, nos meus sonhos também.

Mas a questão é, James queria mesmo me beijar?

ꟷ Alô! Manu, me desculpa por hoje eu não… ꟷ Leo começou a falar quando seu telefonema foi atendido

Seja quem fosse Manu, ela estava furiosa, porque escutei os ruídos nervosos vindo do outro lado da linha. Ela não deixou Leo falar e depois de um tempo escutei o “tu” do telefone desligando. Eu não queria ficar prestando atenção nisso, mas o silêncio do quarto e a vontade de fugir dos meus próprios pensamentos me obrigaram.

Observei Leo deixando o celular na mesa e suspirando em seguida.

ꟷ Você tá namorando, não tá? ꟷ Leo perguntou começando tirar sua roupa de sair.

Droga! A última coisa que eu precisava naquele momento era lembrar de Lina.

ꟷ Tô. ꟷ resmunguei na esperança de acabar o assunto.

Senti meu rosto ardendo de vergonha. Eu não queria pensar nela, por favor, Pare! Mas eu não podia dizer isso, pois não haveria justificativas que eu pudesse revelar ao meu irmão.

ꟷ Ela é bonita?

Leo estava colocando uma camiseta velha perto do guarda- roupa. Pelo menos onde ele estava era uma distância difícil de me ver. Além do escuro, também tinha aquela cerquinha do beliche que tampava um pouco meu rosto. Sorte a minha, porque não confio na expressão que eu deveria estar fazendo.

ꟷ Sim…e-ela é incrível.

Pude ver pela penumbra da noite Leo sorrindo. Por favor, não ache isso fofo! Senti a culpa me consumir e me deixando mortificado.

ꟷ Sabe, no dia dos namorados veio um muleque ai trazer bombons pra Lê. ꟷ Leo comentou se enfiando nas roupas velhas de dormir.

Eu soltei um som de desaprovação. Escutei a gargalhada de Leo e isso quase me trouxe felicidade. Fazia tempo que não escutava sua risada, quase me esqueci o quanto eu gostava dela.

ꟷ É ruim, né? Essa sensação. Você tinha que ver a cara de tacho que o pai fez.

Leo deitou na parte de baixo do beliche e não pude mais vê-lo.

ꟷ Quem é esse muleque?

ꟷ Sei lá, acho que estuda com ela. Preocupado? ꟷ senti um quê de diversão na voz dele.

ꟷ Não, Lê sabe se cuidar. ꟷ eu disse, mas é fato que não acreditava nas minhas próprias palavras. Eu achava minha irmã muito novinha para essas coisas, apesar de que na idade dela eu já me ocupava pensando em namorar.

ꟷ Uhum.

Escutei Leo bocejar e mexer na cama. Depois de um tempo sua respiração estava pesada como a de alguém dormindo serenamente. Eu não dormi o resto da noite, porque James não saia da minha cabeça.

Assim que o sol nasceu, desci da cama para ir ao banheiro. Na cozinha vi de relance que minha mãe já estava acordada passando o café. Bem como meu pai, sentado à mesa, usava seus óculos na ponta do nariz enquanto mexia no celular usando apenas o dedo indicador.

Voltei para o quarto. Peguei meu celular na mesinha, tirando ele do carregador. Subi no beliche fazendo sua estrutura chacoalhar um pouco. Soltei um bocejo alto. Eu estava com tanto sono que acabei até esquecendo por uns instantes o que não me deixou dormir. Ai eu lembrei. Maldito James!

Eu sei, no fundo do meu coração, que o que eu estava preste a fazer não ajudaria. Mesmo assim, sendo um adolescente inquieto e curioso, eu fiz. Abri o navegador do meu celular e pesquisei: Como saber se sou gay? Teve muitos resultados de busca, cliquei em um dos primeiros que parecia ser um teste.

Primeira pergunta: Quem você seria, o Batman ou Robin ou nenhum dos dois?

Revirei os olhos, pois isso não fazia sentido algum! Eu sabia que seria desse jeito qualquer teste de internet, mesmo assim lá estava eu fazendo o teste e respondendo “nenhum dos dois’’. Todas as perguntas eram sem noção e estereotipadas. Tipo; Qual seu estilo de música favorita?; Você gosta de rosa?; Você sabe dançar?; Você era fã do Justin Bieber em 2010? (uma foto antiga do cantor)... muito desatualizado, por favor, nessa época eu tinha uns cinco anos, caramba!

Mas a gota d’água mesmo foi a última pergunta: O quê você acha que é?

“Se eu soubesse o que sou não estaria fazendo esse teste ridículo!” eu discuti em pensamentos com o aparelho em minhas mãos. Então, apoiei uma mão no queixo, encarando a tela do celular, e refleti sobre as opções que eu tinha de respostas. Hétero já estava sendo descartado…hum, talvez, bi?... Foda-se! Desliguei a tela do aparelho e o joguei ao meu lado no colchão.

Deitei no meu travesseiro, esticando as pernas e me cobrindo até o pescoço. Eu não precisava de um teste preconceituoso para saber o que sentia. E o que eu sentia era óbvio.

“Eu gosto de James Potter.” pensei com todas as letras e palavras.

Cobri o rosto com as mãos e abafei um gemido deprimido. Reconhecer isso não ajudou no final das contas. Eu não sabia o que ele sentia por mim, claro que havia a suspeita de ser correspondido devido alguns sinais. Mas eu nunca fui de me iludir tão fácil. Além do mais, por Merlin e todos os bruxos mais antigos, eu tinha namorada! O que eu tava arrumando?

De repente uma coruja pousou nas grades da janela fechada do quarto. O barulho das patas do animal contra o ferro foi tão alto que fez os cachorros do quintal destamparem a latir. Desci rápido da cama, fui para a cozinha passando pelos meus pais e saí no quintal. A coruja de Danilo nunca se lembrava que não podia entrar pela janela do meu quarto. Ou qualquer outra janela em casa já que todas possuíam grades.

ꟷ Sai! ꟷ espantei os cachorros que estavam pulando e latindo ao redor da ave empoleirada na grade. ꟷ Sai, Pretim! Sai, Belinha!

Levantei o braço direito e imediatamente Floquita, a coruja branquinha com manchas marrom, pousou nele. A levei para dentro da cozinha, longe dos cachorros que a deixavam assustada e a coloquei empoleirada no encosto de uma cadeira. Peguei a carta em seu bico.

ꟷ Já volto, Floquita. ꟷ falei para ela e dei uma rápida coçadinha em sua cabeça.

Fui rapidinho até meu quarto pegar pergaminho e pena para responder Danilo. Leo estava recém acordado pelo barulho e me olhou com uma cara feia amassada. Sem me importar com meu irmão voltei para a cozinha onde encontrei minha mãe tentando dar migalhas de pão para Floquita.

ꟷ Mãe! Ela não pode comer isso, faz mal. ꟷ danei com ela.

ꟷ Uai, os passarim do quintal comem!

Não respondi, porque minha mãe não é uma mulher com quem se discute. Nada ia tirar da sua cabeça que jogar migalhas de pão aos passarinhos no quintal era bom.

Abri a carta de Danilo e me pus a ler. Meu amigo sempre me contava como estava sendo suas férias. Naquela carta, ele descreveu a reação de James quando conheceu a praia perto da sua casa. Me peguei sorrindo ao imaginar o sorriso alegre e perfeito dele, junto com aquela expressão de admiração que ele tinha ao conhecer algo novo.

Com a minha pena comecei a escrever. Nesse momento Leo surgiu na cozinha esfregando os olhos. Escutei, com meia atenção, minha mãe brigando por causa do horário que Leo voltou pra casa.

ꟷ Eu já sou adulto ꟷ Leo respondeu com grosseria.

ꟷ Adulto! Vê se pode, Dinei. ꟷ ela falou pro meu pai e esse continuou mexendo no celular em silêncio.

Minha mãe continuou murmurando a palavra “adulto” com desprezo enquanto tirava os biscoito de polvilho do forno. Terminei minha carta e entreguei para Floquita. Fiz um último carinho nela e a coruja saiu voando pela porta que dava pro quintal. Juntei meus trem para guardá-los, pois minha mãe estava pondo a mesa e ela não gostava de nenhuma bagunça na hora de comer.

ꟷ Bom dia! ꟷ Lê falou na porta do meu quarto enquanto eu enfiava o rolo de pergaminho de volta na mala (que eu nem desmanchava direito).

ꟷ Bom dia! ꟷ respondi e baguncei ainda mais seus cabelos descabelados.

Juntos, eu e Lê, fomos para cozinha e sentamos a mesa. Minha mãe colocava os copos perto da garrafa de café e ainda estava reclamando das atitudes de Leo. Ao que parece eles estavam discutindo sobre um dos amigos dele.

ꟷ Não! ꟷ ela respondeu meu irmão em uma explosão irritada ꟷ Eu não gosto do Junim e acho que cê deveria parar de sair com ele. As pessoas vão falar, Leonardo.

ꟷ Falar o quê, mãe?

ꟷ Cê sabe o quê, rapaz! ꟷ ela puxou a cadeira para sentar. Eu fiquei atento na conversa, porque me lembrava do Juninho da época que frequentei a escolinha do bairro. ꟷ Todo mundo comenta que esse muleque é viado e cê fica pra cima e pra baixo com ele.

Praticamente engasguei no meu café, tossi algumas vezes e Lê me deu batidinhas nas costas. Consegui controlar rápido as tosses a ponto de ver Leo revirando os olhos para nossa mãe.

ꟷ Não devo nada pra ninguém. ꟷ ele respondeu com uma careta.

ꟷ Mais cê é difícil memo, em? ꟷ minha mãe parecia ter entregado as pontas na discussão, mas ela continuava falando sobre os comentários maldosos que ouvia na vizinhança sobre o Juninho. ꟷ Oia, vou ti fala. Tadinha da Marcia, ter um filho guei assim. Benza a Deus, que eu não tive esse disgosto na vida! É o que eu sempre falo pra Dona Maria aqui do lado...

E ela continuou falando mesmo que Leo estivesse ignorando-a sem disfarçar. Quanto a mim, só cabia o silêncio e não deixar nenhuma lágrima, que estava se acumulando no canto dos meus olhos, cair.

Por passar tanto tempo longe de casa, às vezes, eu até esquecia da opinião que minha família tinha sobre homossexualidade.

Notas finais
Erros de português propositais, vocês entendem o que eles representam :) Finaaalmente, Luquinha se deu conta! No entanto, não significa que a vida será simples daqui para frente... Obrigada por lerem!! Comentem, pls ♥ ♥ ♥