Notas iniciais
Algumas pessoas nascem sem ter certeza do que o destino reserva para elas, semideuses tendem á não ter essa sorte.

Aos poucos me sentia flutuar em seus braços envolvida pela dança, todos no salão observavam nós dois, minha respiração estava ofegante, não sabia ao certo se aquilo era um sonho, com o olhar fixo aos deles tentava lembrar se o já tivera visto ele antes, mas não conseguia me lembrar, só vinha o flash daqueles olhos azuis me observando por onde eu andava, a música mudou ele me puxou para fora do salão de baile e fomos para o jardim, acabei o seguindo, afinal eu estava em busca de respostas.
Fomos até o bosque, ele se virou tirou a máscara, e então eu fiquei paralisada, vinham flashbacks do rosto dele, todos os lugares aonde eu estive lá estava ele me observando, até no meu antigo colégio, sabia que era familiar, ele esteve me observando por todo esse tempo. Os olhos dele eram azuis celestes, os cabelos eram castanhos escuros, ele era um pouco maior que eu, e possuía uma pequena cicatriz no rosto um pouco próxima do queixo, eu me lembrava dele, mas nunca havia falado com ele. Nesse momento em que os pequenos flashbacks vinham em minha mente, me senti zonza, e ele se aproximou de mim, nesse momento me senti assustada, raízes começaram a brotar do chão numa velocidade absurda, segurando a perna dele enquanto ele se aproximava de mim, algumas rochas que ficavam no bosque se uniram de uma forma grotesca e formaram um monstro de pedra, olhei em volta para tentar encontrar algo ou quem estivesse controlando aquela criatura, senti algo queimar em minhas costas, uma luz esmeralda começou a brilhar de minhas mãos e foi nesse exato momento que me toquei que não tinha ninguém lá que pudesse fazer aquilo, e a pessoa que estava causando aquilo era eu mesma, o garoto me olhou ainda com as raízes o segurando e falou:

– Tente se acalmar, não estou aqui para machucar você. – Ele disse aquilo com um tom gentil.

Assim que ele pediu para que eu me acalmasse vi a criatura de pedra imóvel, era como se estivesse esperando ordens, as raízes o soltaram e ele veio ao meu encontro, sentei-me no chão com as mãos queimando naquela cor, minhas costas queimavam era como se minha pele estivesse sendo rasgada, como se algo que estivesse lá á muito tempo quisesse se mostrar presente agora.

Ele segurou minhas mãos, a cor parou de brilhar, meus olhos foram ao encontro dos dele e eu perguntei:

– O que está acontecendo? Porque está aqui? Quem é você?

Ele baixou os olhos e disse:

– Você foi reclamada, sua mãe finalmente a reconheceu como filha e eu estou aqui para proteger você, e me chamo Hugo e sou filho de Hades. – Ele olhou em minhas costas e viu algo que pelo visto o assustou, ele manteve o olhar fixo naquilo que estava surgindo em minhas costas. – Você é a garota da profecia!- Exclamou ele.

– Que profecia? – Eu falei aquilo ainda com uma imensa queimação em minhas costas e o olhei.

Ele viu que eu estava confusa e falou:

– Há muito tempo, uma profecia assombra os deuses há dezesseis anos o oráculo de Delfos previu a seguinte profecia.

Das previsões passadas
Aquela que a natureza aguarda,
logo surgirá.
A planta que a vida trás,
Contra o inimigo voraz
Predestinada na marca escondida
Imortalidade pode lhe dar.
Junto dela pode acontecer,
Mas a divisão divina está para acontecer,
Devido à desconfiança do traído pelo rei.

Meus olhos pesaram no momento em que ele disse a última palavra, senti uma tontura e as minhas costas pararam de queimar, e estava cansada era como se minha energia tivesse sido sugada, me deitei no ombro de Hugo e por ali permaneci no silêncio por pelo menos uns dez minutos e ele também, fiquei imóvel, perdida em meus pensamentos, tentando ligar os pontos sobre a profecia, sobre meu destino, até que ouvi uma voz me chamando.

– Criança, você deve vir conosco nesse momento. – A voz pairou pelo ar.

Coloquei-me de pé a voz era a mesma do homem do sonho, aquele que possuía o dragão, ouvi passos, podia sentir que ele estava alguém estava se aproximando, Hugo se levantou ao meu lado e empunhou uma espada com uma luz negra á envolvendo e então puxei a caneta parecia loucura usar uma caneta nesse momento, mas assim que pressionei o botão a caneta se transformou em uma espada folheada á ouro na base e a extremidade dela poderia cortar em pedacinhos o dedo de alguém em um simples toque. A voz se aproximava com as mesmas palavras. E eu disse á Hugo:

– Tem alguém se aproximando.

E ele me olhou e disse:

– Eu percebi, agora tente não se desesperar. – Hugo falou aquilo como se soubesse que estávamos em perigo.

De repente a voz parou, mas os passos continuaram e vinham em nossa direção e quando estava prestes á dar um passo para atacar, a pessoa que estava se aproximando era a Stephanie e junto com ela estava meus amigos.

– Estávamos procurando você Lore. – Steph falou aquilo olhando para Hugo.

– Todos nós ficamos preocupados com você. – Felipe e Lua falaram ao mesmo tempo.

– Porque você está segurando essa espada? – Perguntou Rodrigo.

– Ah, eu não lembro. – Eu assenti, ainda com tontura.

– Ei, quem é você e o que está fazendo aqui com a Lore? – Mari falou.

– Ele é um amigo meu, o nome dele é Hugo, e ele estava indo me levar de volta para o meu chalé, pois eu não estou me sentindo bem. – Falei tentando disfarçar a atenção de todos.

– Lore, o que aconteceu? – Disse Potato com um olhar preocupado.

E vi dois garotos e uma garota correndo em nossa direção, eles pararam próximo á nós e eu consegui ver que era Beatriz, Cody e Lyu. Eles caminharam até mim, Beatriz me analisou e viu a marca em minhas costas e ela disse:

– Ela foi reclamada, é ela a filha de Deméter citada na profecia. – Ela disse aquilo olhando para minhas costas.

– Temos que levar ela para Quíron, ele sabe o que fazer. – Cody falou.

– Calma gente, eu quero entender o que está acontecendo, e me sinto zonza. — Eu falei tentando acalmar eles.

– Eu vou com ela. –Hugo falou sorrindo para mim.

– Lore não acha melhor ir se deitar?- Mille falou, parecia muito preocupada.

– Eu vou avisar Quíron sobre o que aconteceu, Hugo, Cody e Beatriz levem Lore até a Casa Grande. – Lyu falou com um tom de seriedade, e saiu correndo para o salão de baile.

– Vou te carregar para a Casa Grande, você usou muita energia para fazer aquele monstro de pedra se erguer. – Hugo me olhou e disse aquilo.

– Eu consigo andar, obrigada. – E eu fui andar e acabei caindo.

– Você não está bem, deixe ele te levar. – Martinato falou ainda preocupado.

– Para de ser teimosa Lorena, a gente percebeu que você não está bem, moça você deve ir até Quíron. – Mariana falou.

– Eu sei Mariana, mas estou assustada. – Eu falei para ela.

– Mariana não, pode me chamar de Maary. – Ela falou sorrindo. – Bem, você deve ir e pronto, nada de teimosia.

– Ah Deuses tenho uma nova irmã. – Thalles falou com um sorriso enorme no rosto.

– Tinha que ser você mesmo hein Thalles, todos preocupados com ela e você se toca que ela é sua irmã. – Jo falou o fitando.

– Eu estou preocupado com ela, mas é que pedi tanto para ter novos irmãos...

– Te entendo. – Disse Lua.

– Enfim você deve ir com ele. – Disse Felipe me olhando.

– Certo pessoal não se preocupem comigo, eu estou indo. – Falei tentando tranquilizar eles.

E Hugo me segurou em seus braços e fomos até a Casa Grande, junto com Cody e Beatriz, eles estavam quietos, e com um olhar sério, preferi não dizer nada.
Chegamos à Casa Grande, e lá estava Quíron, Lyu e o Sr. D, pareciam estar preocupados, como se algo terrível fosse acontecer.
Adentramos e nos sentamos, e então Hugo falou para Quíron:

– É ela a garota da profecia. – E me olhou com um olhar de que tudo ficaria bem.

– Lore, não se importa de eu olhar suas costas por um momento, é só para ter certeza.

– Não, tudo bem. – Eu falei, e Quíron olhou em minhas costas.

– Sim a marca ressurgiu como eu desconfiava.

E todos voltaram sua atenção para mim, nesse momento eu já estava cansada demais, e minha respiração ofegava, minhas forças estavam se recuperando ainda e a única coisa que pude dizer antes desmaiar foi:

– Preciso cumprir minha promessa. – E desmaiei.

Notas finais
Meu destino é traçado, não tenho como escapar, não há como fugir, não encontro escapatória, agora devo enfrentar o que está por vir...