Enfim, o fim

1 Lindo dia para cair no parque


Notas iniciais
Até aqui está meio sem graça a história, mas espere chegar ao 3º capítulo... Certeza que vai querer ler até o fim. Bom, aproveite :3

O sinal tocou. Guardei minhas canetas no estojo, que por sua vez o guardei na mochila e esperei a turma se dissipar, fui a última a deixar a sala com um gesto de despedida ao professor.

Ia em direção aos armários para guardar meus livros — eu carregava nos braços quase sete — quando dei um encontrão com um garoto que estava tão distraído quanto eu.

-De-desculpa! –O garoto de capuz disse enquanto juntava e me devolvia os livros. Eu apenas o olhei em desprezo já que aquilo me atrasou.

Não pude ver o seu rosto por conta do casaco que usava, mas da mesma forma não reconheci sua voz, entretanto já estava próxima ao meu armário então guardei os livros e fui em direção da cantina. O atraso me fez enfrentar uma fila maior que de costume, mas pude comprar o meu biscoito recheado favorito, e então sai pelo portão da escola.

Andava tranquilamente, saboreando aquele delicioso bolo recheado em formato de gato e, ok. Não é bem um bolo. É algo entre bolo e biscoito, enfim, não sei explicar exatamente, mas é muito bom. Tive a sensação de que estava sendo seguida, mas provavelmente era apenas uma pessoa qualquer fazendo seu caminho. Seguia pela calçada, o sol aquecia minhas bochechas e nariz contrastando com o frio do outono, as folhas das árvores estavam coloridas como manda a estação e os pássaros cantavam (normalmente acho algo extremamente irritante acordar com pássaros piando na minha janela, mas descrever assim ficou bonito e eu que mando).

Decidi então dar uma volta no parque. Já não havia mais nenhum “estranho” perto de mim me seguindo, apenas as estranhas pessoas que frequentam o parque tipo velhas e babás com criancinhas.

De repente encontrei pessoas conhecidas, gente da escola, ou seja, seres humanos que desprezo. Engoli o ultimo pedaço do doce e apressei o passo, mas o vento acabou jogando alguns (vários) fios de cabelo no meu rosto e eu tropecei devido à cegueira temporária, e cai lindamente igual uma jaca chamando a atenção de todo o parque e fazendo, pelo menos, todos rirem de mim. Uma criancinha tosca riu de mim e apontou enquanto sua mãe/paca gorda a puxou para longe e sussurrou algo do tipo “fica longe dessa louca”. Grossa. Eu peguei minha mochila e fui andando para longe. Lindo dia para cair no parque.

Tentei evitar a humilhação, me distanciando e acabei indo a uma parte do parque que não conhecia, eu encontrei algo como uma “parede de planta” com um arco que dava passagem a um lugar com bancos e uma fonte, parecia uma passagem secreta, mas o bom mesmo era que estava vazio. Sentei-me e comecei a tirar as folhas e lama do meu cabelo, roupa e mochila.

Já ia embora quando notei alguém sentado em um dos bancos. Reconheci pelo casaco, era o garoto que derrubou os meus livros mais cedo, a diferença é que não usava mais o capuz. Ele estava com a cabeça inclinada para trás e olhos fechados com fones de ouvido, parecia dormir sentado. Os cabelos escuros estavam bem bagunçados e o sol batia em seu rosto, mas ele parecia gostar, ou pelo menos esboçava um sorriso.

Sai de lá o mais discretamente possível e alcancei a saída do parque. Tive a sensação de missão cumprida, mas ainda a memória da humilhação recente.

Em casa minha mãe não mediu palavras em reclamar, xingar e dizer o “quão estava preocupada”, eu apenas pedi desculpa e fui para a cozinha almoçar.

Depois do almoço eu fui para o meu quarto onde cai no sono.

-Não deveríamos ter nos encontrado agora. –Dizia a voz.

-Não... ? Então quando deveria? –Questionava esse tal encontro.

-Espere. Não. Não está certo. – Parecia confuso tanto quanto eu.

-Hã?

Então acordei subitamente. O sonho foi muito nada a ver, mas sonhos são sonhos.

Fui interrompida de meus pensamentos quando recebi uma ligação.

-Temos que ir ao shopping, percebi que não tenho nada para vestir no próximo fim de semana. Assim, tenho que estar bonita no seu aniversário, já que devem ir garotos gatos na festa e...

-Cath! Sem chance, eu não vou dar uma festa no meu aniversário. Eu não gosto de pessoas, muito menos na minha casa! –Interrompi.

-Qual é! Só uma vez na vida deixa de ser tão chata. Estamos no primeiro ano do ensino médio, as pessoas têm que te conhecer, quem sabe você se abre...

-As pessoas são as mesmas de merda de todo o fundamental, não vai ser agora que farei grandes novas amizades. Pra você é fácil falar Senhorita Sociável. –Zombei dela. Apesar de minha melhor amiga, a Cath às vezes é egoísta.

-Tá, desculpa. Alguém está de mau humor hoje né. Vem dormir aqui em casa e a gente conversa.

Ela desligou. Eu iria ignorar o pedido e simplesmente voltar a dormir, mas até quis ir vê-la. Peguei um pijama qualquer e joguei em uma mochila junto com tudo que iria precisar. Avisei minha mãe e fui a pé.

-Oi vaca. –Cumprimentei assim que ela abriu a porta.

-Finalmente chegou, vamos pro meu quarto.

-Seu irmão... ?

-Ensaiando com a banda, esquece ele.

Eu tenho uma paixão platônica pelo irmão da Catarina desde que nos conhecemos nas 2ª série, desde então só faço merda perto dele. Boatos que ele me acha estranha... Apenas boatos.

Ele é um moreno alto de cabelos castanho-claro, ele não é forte nem bonito, mas não sei, eu gosto dele. É o tipo de pessoa engraçada e legal de personalidade forte, independente de tudo, sempre sorrio ao pensar nele.

Joguei minha mochila em qualquer lugar e nos sentamos na cama dela.

-Sério, você precisa dar essa festa, conhecer gente nova, se divertir, é seu aniversário! –Ela falava com tanta animação que me dava nojo.

-Eu sei... Mas eu não gosto de festas, e além do mais é o MEU aniversário.

-Porrrrrrrrrrr favorrrrrrrr vai ser divertido! É só você chamar seus amigos, te garanto que você vai gostar, eu cuido da iluminação e das músicas, prometo que você não vai se arrepender. –Ela fez a carinha mais fofa do mundo, não resisti.

-Está bem... Mas só dessa vez.

Conversamos por mais um bocado de tempo, a tarde virou noite rapidamente e por volta das onze horas decidimos ver um filme. De terror.

Obviamente, sendo a boa amiga que eu sou, eu assustei a Cath pelo menos 12 vezes e ri do filme tanto quanto dela.

-Você sabe que é tudo ficção né? –Disse durante os créditos. –Não vai fazer draminha, ou vai?

-Eu sei que é mentira, não sou mais criança, vadia.

-Ei, olha! Já são 3h... Dizem que é o horário dos espíritos. –Apontei para o relógio sussurrando em tom assustador.

-CALA A BOCAAAA! –Gritou correndo para o quarto. Eu fui andando calmamente, Rindo. Muito.

Notas finais
Meio chato? Sim, mas aguarde...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.